sexta-feira, 29 de maio de 2009

O teu passado te condena?

E então, o teu passado pode condenar o teu presente e comprometer o teu futuro? Tomara que não. Pois ninguém merece viver assim, como se estivesse preso entre dois mundos, divido entre duas dimensões, tentando reviver o passado e deixando escapar o presente, sem contar o futuro, que deixa de exisitir por completo.
Por que escrevo sobre o passado? Porque estou fazendo as pases com o meu. Não tenho nada que me condene ou me faça sofrer com arrependimentos torturantes, mas agora consigo recordar minha vida sem trazer à tona fortes sentimentos.
Tudo que vivi me ajudou muito a ser o que sou, sinto e acredito, mas não tenho como viver e sentir o que experimentei há muitos anos. Está claro para mim que o passado representa a minha trajetória vivenciada em décadas, onde cometi acertos e erros, mas sinto-me mais seduzido em viver BEM o presente que tenho nas mãos. Esse presente, que tenho aprendido a viver intensamente, traz-me uma certeza que quando ele se transformar em passado, não deixará cicatrizes. Certamente não irei me lembrar dos detalhes, mas terei agregado à minha vida apenas o aprendizado decorrente dele.
Krishnamurti dizia: "Recordar é viver o passado e prender-se a ele". Prender-se ao nosso passado faz com que nos perpetuemos em nossos erros ou nos vangloriemos dos êxitos já passados. Essa atitude impede-nos de ver as possibilidades que o presente nos oferece para realizar as mudanças que nos ajudarão em nosso desenvolvimento pessoal.
Todos nós um dia dia já ouvimos ou até mesmo já pronunciamos estas frases: "Eu sempre fui assim", "educaram-me dessa maneira", "isso me deu resultado", esses são apenas alguns exemplos das desculpas que encontramos para absolver-nos e assentar-nos no que já passou.
Quando trabalhamos o passado com desapego e objetividade, este nos ensina a corrigir erros e melhorar nossos acertos. Temos que deixar para trás tudo, todas as experiências boas ou negativas para poder continuar aprendendo e amadurecer. É mais do que necessário desprender-se de toda lembrança que traga consigo emoções perturbadoras que não façam mais sentido com o presente e com o que você é.
De que vale sofrer por um fato ocorrido há 25 anos atrás? Particularmente, isso causa um desgaste emocional e energético sem sentido, pois por mais que você sinta uma "baita" vontade de reviver aquele sofrimento, perceberá depois das lágrimas que essa dor "não te pertence mais". Não se pode viver qualquer situação várias vezes e sentí-la com a mesma intensidade. Esse é um toque legal para comprovar que só se pode viver um acontecimento doloroso ou feliz uma única vez, e uma vez vivido, deve permanecer lá no passado.
Quando conseguimos nos livrar do hábito de apegar-se ao passado, passamos a contemplar nossa história particular como um bem que pertence a toda humanidade. Essa atitude nos liberta e nos habilita a compreender e superar hábitos de pensar, de sentir e de agir que nos limitam; ao mesmo tempo, criamos novas formas de pensar e de sentir mais adequadas ao nosso atual momento que nos dê a chance de amadurecer.
"Se você consegue se desapegar do passado, toda experiência nova será sempre a primeira", disse-nos um grande amigo durante nosso encontro semanal.
Esse belo insight nos fez tremer por dentro, pois traz consigo uma força gigantesca, repleta de esperanças de que a felicidade que todos buscamos, precisa ser construída bem devagar e isso não depende de ninguém além de nós mesmos. Quando validamos nossa experiências presentes, abre-se bem diante de nossos olhos, um futuro pleno de promessas que se cumprirão naturalmente, assim como flores delicadas que desabrocham.
Uma vez que conseguimos perceber e vivenciar todo esse processo de amadurecimento contínuo, viver passa a ser um exercício pleno de possibilidades e de contato cada vez mais íntimo com a força que nos criou. Passado, presente e futuro passam a ser um só, mas temos que experimentá-los um de cada vez.
E então, o teu passado já pode enriquecer o teu presente e expandir o teu futuro?

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Tomara que ainda viva por muito tempo, preciso de novas mudanças!

Consegui chegar mais cedo em casa hoje. As últimas semanas repletas de feriados foram exaustivas. Durante o tempo livre que tive, estava trabalhando ou projetando o que faria na semana seguinte. Ninguém merece viver dentro de uma agenda profundamente ansiosa, aliás, duas agendas que me escravizam o tempo todo. Mas não tenho saída. Antes assim.
Mas por enquanto chega de lamentar a minha rotina diária, caso contrário esse blog vai ficar com cara de diário! Eu não sou tão disciplinado para esmiuçar meu dia-a-dia, considerando que tenho uma vida normal como um homem normal, até que me provem o contrário!!
Mas leia essa frase: "Para cada coisa que perdemos, ganhamos algo; e para cada coisa que ganhamos, perdemos algo". Ela foi escrita por Ralph Waldo Emerson, entre 1803 e 1882.
Ontem, em uma reunião cujo tema foi "Mudanças Contínuas" essa frase nos foi apresentada. Discutimos, questionamos, ponderamos e encontramos pontos comuns. Colocamos experiências pessoais e como o amadurecimento vem sendo fundamental para ampliar a importância de aceitar o quanto é preciso adapatar-se ao mundo e às mudanças que sempre estão acontecendo em nossas vidas. Por mais que seja confortável uma vida sem atropelos e sobressaltos, ela nunca será estática. As mudanças contínuas estão por ai e por mais que seja difícil admití-las, continuam ocorrendo, queiramos ou não.
Não dá para perceber claramente todas as mudanças que estamos passando. Muitas vezes, elas podem ser inevitáveis, dramáticas, dolorosas etc, mas quase sempre podem ser imperceptíveis se não estivermos atentos ao que se passa dentro de nós. Avaliar o que nos acontece unicamente como perdas e ganhos, é ver-se obrigado assumir uma desconcertante miopia.
A força e o apelo transcendental em nossa vida é muito maior. Aceitar e aprender com as mudanças sempre será gratificante, por mais que a insegurança cresça e incomode. Penso até em meus amigos ateus, que ao menos reconhecem que o aprendizado ao longo da vida é um valioso ponto em comum entre os seres humanos.
Tenho percebido que quanto mais me flexibilizo às mudanças que vem ao meu encontro, sinto-me mais hábil em compreendê-las e amadurecer. Não me vejo perdendo nada, não consigo me ver contabilizando perdas em minha vida. Não gosto de lamentações e de sofrer por muito tempo. Na verdade, sinto que a vida só tem me proporcionado mudanças que se traduzem em grandes ganhos pessoais. Não me refiro aos bens materiais, pois trabalho para viver dignamente e não para acumular bens que inevitavelmente deixarei para trás um dia. Vivo para potencializar meu aprendizado pessoal, sensibilizar minha percepção humana e para deixar um silencioso legado, como já escrevi muitas vezes nesse blog.
Fiquei perpexo e emocionado quando me dei conta disso, na semana passada. Sabe quando está tudo ao alcance dos olhos e ainda assim, não conseguia ver. Ao buscar na lembrança as supostas perdas passadas, consegui vê-las como um ganho enorme de experiência. Estava dando um grande passo para aprender a perdoar verdadeiramente pessoas que me ferem. Eu estava sentindo pela primeira vez havia um caminho e eu já estava trilhando-o. Havia dado um passo verdadeiro. Chorei, voltando para casa.
As mudanças só machucam para quem não acredita em novas possibilidades. Para aqueles que deixam o medo sufocar suas vidas e tornam-se verdadeiras muralhas. Mesmo estes, um dia se renderão ao poder da contínua transformação e ao ineditismo de experiências que a vida nos proporciona. Por mais forte que seja uma personalidade, um dia ela se renderá, cedo ou tarde.
Quando abaixamos a guarda não há mais a necessidade de se impor diante do mundo e das pessoas. Por que se sentir ameaçado? Como se defender das mudanças contínuas que estão ocorrendo na vida de todos agora? Por que lutar contra a vida se ela foi talhada para cada um de nós?
Não faz sentido sentir-se injustiçado se você não mergulhar fundo na dor que sente, para a depois emergir mais fortalecido, tirando um bom proveito da experiência vivenciada. Temos pouco tempo para aprender a viver, lembro-me sempre disso, quando ameaço a resistir ao novo.
É muito bom estar aberto às mudanças e a construção contínua de novos paradigmas, aperfeiçoando outros e até descartando aqueles que não fazem mais parte de nossa vida e do que somos.
Legal é quando sentimos que tudo conspira verdadeiramente a nosso favor e que as dores e perdas são fruto de nossos pensamentos ruminantes e da percepção material e equivocada da vida.
É bom de verdade saber que não somos donos de nada e de nenhuma verdade absoluta. Tudo, literalmente tudo, que acontece com os seres humanos sempre estará indo de encontro a um movimento de crescimento, de expansão espiritual, que irá nos preparar a um encontro final com nosso Criador, de onde provem toda força de vida e divindade que guardamos dentro de nós.

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

Minha foto
Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.