sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Já estou careca!

É muito bom sustentar a fé no coração. Sempre que acontece uma experiência ruim comigo, logo depois acontecem outras muito boas. Acabei de receber um presente que aguardo desde 1995. Esse presente é o fruto do meu árduo e parazeiroso trabalho como professor, presente este acalentado há muitos anos atrás.
Pode parecer pouco para quem me conhece, mas é muito para mim, pois sei o quanto me custou, e o quanto me custará. Mas afinal de contas, eu trabalho para construir uma vida! Vida que não se resume em conquistar bens materiais, mas é importante ter a segurança de um lugar onde possamos nos refugiar, acolher e nos proteger das arapucas preparadas pelo mundano. Não preciso muito mais do que o meu lar.
Lembro-me agora do incentivo dado por meus pais para encarar esse desafio. O apoio recebido foi tão forte que pude trabalhar muito mais do que acreditava. Cada prova corrigida, cada aula dada, dignificava a minha escolha e minha vida, além de ser mais um propósito para continuar investindo na concretização deste sonho. Nunca duvidei do meu empenho quando decido o que quero.
Agora só tenho que agradecer a Deus o que conquistei e renunciar. Pode parecer contraditório, mas me lembrei de uma frase do para-choque de uma Scania: "Nasci pelado, careca e banguela e vou morrer da mesma forma, e o que conquistei no meio do caminho não será meu por muito tempo". Caramba! Já estou careca!!!!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Moeda

A manhã de hoje foi desgatante. Acordei sabendo e preparado para o que me aguardava. Acreditei que seria um encontro entre pessoas, que por sua formação, tivessem a capacidade de falar, fazendo uso de respeito, ética e bom senso. Mas mais uma vez percebi a arrogância e a prepotência de quem vive no meio acadêmico. E posso dizer que este não é o meu mundo.
Consegui ouvir em silêncio, para depois falar. Avaliei, ponderei, me coloquei no lugar do outro. Senti que precisava agir com respeito, firmeza e racionalidade, mas sem perder a suavidade, demonstrando que para tudo há uma solução, alternativas e que de fato o problema seria simples de resolver, como de fato é.
Mas acabei sendo atacado pela arrogância, pela falta de ética e desrespeito ao meu trabalho. Foi deprimente, pois respingou até em minha pessoa. Quem falava usava um discurso que conheço bem. São aquelas pessoas que se colocam dentro de uma torre de marfim e vez e outra descem para mostrar o seu poder. Ameaças sutís, críticas infundadas e levianas só tem um destino: serem ouvidas e depois, desprezadas. Por sorte tive testemunhas a meu favor. Fiquei imaginando se eu fosse uma pessoa mais simples. Creio que seria tratado de uma forma bem pior.
Não dá para considerar julgamentos prepotentes de estranhos. E pior, passionais e repletos de contradições. Ficou claro o conflito familiar, assim como culpas e frustrações em meio a uma carência emocional. Quero ser capaz de aceitar e reconhecer as limitações de minha filha, e se tivesse outro filho diferente de mim, me empenharia ao máximo para não perdê-lo.
Fui almoçar ligeiramente enjoado. Poderia ter dito mais, talvez mostrar do que sou capaz no momento em que sou injustiçado. Mas não valia a pena. Me tornaria igual. Me faria pequeno. E além do mais, decepcionaria a instituição de ensino que faço parte com muito orgulho, e mancharia o meu trabalho como educador há 23 anos.
São esses os desafios diários que me fortalecem. Tenho consciência clara do meu trabalho e do que ele significa em minha vida.
Como educador e homem, estou aberto ao diálogo, mas fale claramente. Respeite-me se quiser me ter como ouvinte.
Agora, mais tranquilo e menos envolvido com o desgaste matinal, estou certo que agi bem. Muito melhor que retrucar na mesma moeda.

domingo, 14 de setembro de 2008

Aproveite as escolhas e assuma riscos

Saber ouvir é para poucos. No mundo em que estou inserido, as pessoas falam muito e escutam pouco por conta da profissão. Nós professores sempre reivindicamos atenção quando falamos. Eu mesmo digo para meus alunos que só aprendemos quando ouvimos atentamente o que nos falam. Mas não pense que isso é uma exclusividade do magistério. Existem pessoas que "falam pelos cotovelos" por ansiedade, por auto-afirmação, por delírios, por velhice etc. São compulsivos ao extremo. Criam uma atmosfera sufocante ao seu redor, pois querem atenção total a suas palavras. Mas sabe o que é pior? Não se dão conta do quanto são oprimidos e do quanto são opressores. Saber ouvir, dar espaço para que o ouvinte se coloque, seja ele quem for, além de ser respeitoso, é uma das regras de etiqueta com relação ao diálogo.
Não estamos preparados para ouvir críticas. Estamos aptos, se é que posso dizer assim, a ouvir aquilo que valida nossos pontos de vista. É difícil aceitar palavras que nos coloquem frente à frente com a possibilidade de estarmos enganados ou equivocados. Mas são esses os melhores momentos que tenho para descer de minha torre de marfim, onde vez ou outra ainda me refugio, e encarar corajosamente os desafios que meu ego precisa se submeter.
Hoje consigo perceber e respeitar as críticas que escuto, apesar de não concordar com algumas por muitas razões. Primeiro, as críticas verdadeiras são construtivas e bem fundamentadas. São colocadas de uma forma espontânea, que só os amigos fiéis são capazes de fazer. Posso até não aceitá-las de imediato, mas me farão pensar, refletir considerando a autenticidade de quem a faz. Segundo, quando são feitas por quem não me conhece, seja de forma leviana ou imatura, não posso considerá-la, apesar de que a avalio bem. Muitas vezes, ao receber uma crítica ácida, fiquei passado na hora, mas depois utilizei-a em meu benefício pessoal. Em outras situações, não tive opção melhor.
Tenho fortalecido minha auto-estima ao longo dos anos, mas não posso perder o controle, pois o egoísmo e a vaidade andam lado-a-lado, por isso é muito bom estar preparado para ser questionado, criticado, contestado e sacudido. Isso nos coloca longe da idéia de que somos os melhores, mais capazes, mais influentes do que aquele mendigo que te pede esmolas todos os dias.
Reconhecer o que temos em comum é mais fácil que apontar diferenças. Não vale a pena discutir teorias e conceitos que já existem, se não conseguimos ter a objetiva consciência de quem somos e o que fazemos de nossas vidas.
Assumir o seu papel no mundo com responsabilidade é fundamental agora. É melhor do que ficar usando justificativas para os deslizes, como se fossem normais. Ou passar boa parte da vida lamentando e se culpando por oportunidades perdidas. Muitas vezes não temos consciência dos efeitos de nossas escolhas, ou se quer temos o direito de escolha, o que pode nos conduzir a um beco sem saída.
Todas as vezes que escolhemos uma opção, consciente ou não, a única saída é assumí-la e "tocar o barco". Se tudo vai der certo, legal. Se não, assuma os riscos e aproveite para tirar "leite de pedra" aprendendo com as escolhas, de tal forma que ela não se transforme em um fardo ou te faça ser um eterno reincidente.
Sei o quanto devemos ser corajosos para assumir uma postura ativa e não reativa. Fica cômodo se esconder quando não nos interessa o confronto ao que julgamos ser o correto. Imagine então, quando a vida nos coloca diante de nossas fragilidades reais! Mas sabe o que mais cria perplexidade nesses momentos? Ninguém saberá o que se passa com você, a não ser a sua consciência e Ele. Não há como fugir, a saída é agir.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Qual é a sua gota d´água?

Vamos direto ao assunto. Qual é a sua gota d´água? Qual é o momento em que seus limites são ultrapassados? Quando as emoções são capazes de sufocar a razão e os instintos emergem.
Todos temos limites e sabemos que uma vez ultrapassados, deixam evidente nossa fragilidade e nossos conflitos interiores. Passamos a agir e pensar de forma desordenada. O desequilíbrio fica evidente e surpreende a todos.
Muito do que nos desagrada hoje tem raízes antigas. Está ligado a nossa percepção da vida que foi sendo construída até hoje. Ter consciência dessas raízes onde se assentam nossos limites, possibilita compreendê-los melhor, assim como nos dá um jogo de cintura maior, de forma a não ficar-mos tão próximos de nossos limites. Muitas vezes conseguimos até neutraliza-los ou "deletá-los".
Ninguém conhece o limite do seu semelhante, a não ser que ele deixe isso claro. Da mesma forma que ninguém conhece o seu, mesmo com anos de convivência. Não há como saber onde ou quando parar. Por isso, tenho deixado claro para todos meus limites antes de atingí-los ou ultrapassá-los. Tenho evitado muitas dores de cabeça. E me poupado de desgastes emocionais desnecessários.
Estou consciente de quais são os meus limites e sei como se formaram. Não foi necessário anos de análise, mas muito investimento em assumir uma nova postura diante da minha vida, dos fatos e das pessoas.
Não me peça para fazer as coisas de forma improvisada.
Não gosto de ser o último a saber.
E não duvide do quanto eu posso trabalhar. Esses foram meus calos por anos. Agora, não mais.
E agora, qual é a sua gota d´água?

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

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Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.