domingo, 27 de setembro de 2009

Viver como exercício de eternidade

Gosto das crônicas pela ligação fácil com o meu viver.
Não conseguiria escrever poesias, pois minha alma é demasiadamente prática e pouco romântica. Gosto de romance, das paixões, mas não a ponto de perder o controle sobre meus pensamentos, sentimentos e desejos. Não escrevo poesias por ser incapaz de viver para sonhar, mas sonho para viver. Me falta um elemento dramático e desestruturador para poder mergulhar em uma poesia. Deve ser por isso que gosto de Manuel Bandeira. Poesias exigem um desprendimento e uma coragem enormes de quem as coloca no papel.
E quando todos os sentimentos básicos nos parecem irreconhecíveis de uma hora para outra?
Por vezes passo por períodos de aridez em minha vida. A cada ano percebo que duram menos, pois sempre vou direto ao que desencadeou tal aridez. Estou muito sintonizado nos impactos que a vida produz a minha pessoa. Assim, antes de tudo, reconheço-me como ser humano e flexibizo-me para absorver os impactos e não permitir que paralisem minha vida.
Uma vez dentro desse "estado de aridez", há uma escassez de palavras para se expressar com clareza, os sentimentos parecem estar adormecidos, as pessoas se transformam em incógnitas, os desafios se apresentam intransponíveis, os dias chuvosos parecem durar uma eternidade e o que é pior, nos sentimos extremamente sós. Em alguns casos, as palavras podem ferir muito, não por serem duras, mas pela dolorosa sensibilidade. Da mesma forma, que o silêncio do outro pode significar indiferença e desamor, como se fosse um punhal nos atravessando lentamente.

Todos nós já experimentamos esses momentos e não há qualquer razão para não deixar claro aos que estão próximos o que estamos vivenciando. Por que não buscar apoio entre aqueles que sabemos que sempre estarão de braços abertos para nos acolher? Nem todas as pessoas estão preparadas para "ver" que se passa dentro de nosso coração. Por isso, abra-se com coragem. Não há o que temer ou perder, mas seja criterioso na escolha, pois são poucas as pessoas merecedoras de confiança.

Acolher é tão bom como ser acolhido. Confiar é tão bom quanto ser de confiança. Amar é tão bom como ser amado. Não existe uma explicação, mas da mesma forma que a aridez chegou ela se vai. O que nos deixou de aprendizado? Que não podemos viver sós, que não dá para negar nossos sentimentos mais autênticos, que pedir ajuda não é sinal de fraqueza e que chorar faz um bem enorme para a alma nessas horas, principalmente nos braços daqueles que nos amam e nos conhecem tão bem. Mas o melhor é que sairemos dessa, melhores e fortalecidos para quando novos períodos de aridez emergirem. Não é preocupante a tristeza momentânea diante da vida, mas é perigoso quando não conseguimos nos libertar dela.

É bom dividir com o mundo todo, tudo o que sentimos. Melhor ainda é reconhecer que somos humanos, sem excessões, e o que escrevo aqui me identifica com você que está lendo agora e por sua vez, nos identifica com toda a humanidade. É por isso que viver sempre será um exercício de eternidade.


domingo, 20 de setembro de 2009

Nossa missão é simples e única!

Não estamos sós ao trilhar um caminho espiritual. Além da presença divina que nos acompanha desde sempre, é reconfortante saber que somamos muitas pessoas. Pouco importa quem são, o que fazem ou onde vivem. Fazemos parte da humanidade.
Muitas pessoas percebem o quanto tenho me transformado. Minhas atitudes agora refletem meus pensamentos, e por isso sinto-me melhor e pacificado em boa parte do tempo.
Não deixei de ser humano, mas agora aprecio ser uma honrosa exceção que somada a tantas outras já percebem o quanto podem contribuir com suas pequenas vidas.
Somos aqueles que continuam encontrando grandes e poderosos motivos para viver.
Somos os que se esforçam para serem melhores, mas nunca superiores.
Somos aqueles que não deixarão de ter esperança em um mundo melhor e justo.
Somos os que lutam para romper hábitos antigos e criar novos que resgatem o verdadeiro sentido da vida, o amor.
Somos aqueles que acima de qualquer circunstância preferimos acreditar do que duvidar.
Pode parecer utópico escrever sobre esperança e transformação diante da complexidade do ser humano, mas pior seria se nada fizéssemos diante do que se passa aos nossos olhos, se acreditássemos ser normal o silêncio e a omissão diante da vida.
Como poderíamos deixar de ser capazes de aprender com os desafios diários?
Existem muitos propósitos para serem cumpridos e não posso perder os que me cabem de vista. Seria negar o meu destino, a missão que recebi de Deus. Essa missão vai ficando clara à medida que cresço espiritualmente. É simples e única.
Sempre questionei o quanto a separatividade é prejudicial ao homem. Todos temos diferentes caminhos de realização espiritual. Todos nós guardamos no coração uma centelha que pode dignificar a vida dando-lhe um sentido mais amplo.
Não dá para continuar classificando os homens e mulheres em bons ou maus, cultos ou analfabetos, saudáveis ou doentes, tementes ou ateus. Essa estratégia divide a sociedade quando o que precisamos é somar idéias, pensamentos e ações.
Respeite o próximo não pelo o que ele tem em comum com você, mas no que difere. Tenho me esforçado para exercitar essa atitude em minha vida, mas reconheço que não é fácil. Não estou aqui para avaliar ninguém a não ser eu mesmo, inserido e integrado no corpo da humanidade. Tenho ainda muito o que realizar, e coragem não me faltará, pois não estou só.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Não há o que temer

Quatro de setembro. O mês de setembro mal começou e já sinto as ondas desafiadoras se aproximando. Mesmo que não me atinjam diretamente, vejo o quanto podem afetar pessoas que como eu, encontram-se mais vulneráveis agora.
Dei-me conta que agradeço sempre a Deus e peço pouco, muito pouco. Mais uma vez sinto meu orgulho se manifestando, não deixando espaço que a humildade prevaleça nas horas difíceis. Não faço promessas a Deus. Isso me parece uma barganha horrível.
Faço poucos pedidos por crer que posso dar conta de tudo. As vezes tenho a sensação que pedir em demasia pode parecer fraqueza, mas Deus é muito mais do que eu. Não há como não reconhecer o seu poder diante de tudo e todos. Mas é doloroso reconhecer-se pequeno quando o orgulho está presente. Preciso domar com mais firmeza este meu orgulho!
É uma presunção ridícula. É preciso humildade para aprender a pedir.
Nos últimos dias pedi muito a Deus pelo que teria que enfrentar. A experiência foi ontem e meus pedidos foram atendidos! O que mais me surpreende é que ainda não acredito que terei respostas aos meus pedidos e Deus sempre me responde de uma forma avassaladora, superando em muito as minhas mais otimistas expectativas. Foi assim quando pedi a Ele por minha mãe e filha.
Lembro-me das vezes que fiz meus pedidos com os olhos nas estrelas, durante as noites de verão da janela de meu quarto.
A intensidade dos meus pedidos me davam a impressão que eles seriam capazes de abrir um caminho entre as estrelas e chegar até Deus. E quando a Lua brilhante, em suas variadas formas estava presente, meus pedidos feitos em silêncio podiam contar com sua brilhante cumplicidade. Ao final, colocava-me nas mãos do Criador, seja qual fosse a resposta. Não me pergunte como, mas sabia que tinha sido ouvido.
As respostas chegaram no tempo certo. Surgiam aos poucos. Eu não poderia ter tudo ao mesmo tempo. Mas chegaram e continuam chegando, bastando apenas pedir e aguardar com paciência.
Essa presença divina enorme que nos acompanha nunca deixará de existir. Mas é preciso se colocar integralmente nas preces e pedidos. Abrir o coração e confiar em dias melhores, por mais que tudo pareça ameaçador ao nosso redor. Se o cúmplice maior está ao nosso lado, não há o que temer.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Flores e cheiros

O mês de setembro sempre foi decisivo para mim. É em setembro que sou impelido a resolver pendências em minha vida e que me afetam profundamente. No trabalho confronto-me com situações que procurei evitar durante o ano anterior. Sou levado a me posicionar objetivamente, o que nem sempre é compreendido. Crio inimizades facilmente e sinto-me por vezes fragilizado e por outras, extremamente determinado.
Setembro é o mês das sabiás que cantam ao amanhecer ruidosamente, quase sempre me despertando. É um mês de lágrimas intensas, pois volto o meu olhar para mim mesmo e confronto-me com minhas limitações e dificuldades.
Setembro aparece envolto em flores coloridas. O ar ganha um cheiro único e sempre recordo minha infância que foi muito feliz.
Mas não posso mais viver o que já foi vivido. Hoje sinto em minha vida adulta o quanto foi importante ter uma infância de verdade!
Faço uma pausa e olho através da janela. Vejo uma lua cheia saindo atrás das árvores. O dia já se despede.
Foi um dia daqueles. Consegui realizar tudo que havia planejado. Situações que já poderia ter resolvido há tempos, foram resolvidas em poucos minutos. Por que esperei até agora?
O mês de setembro me traz a lembrança, emoções poderosas e profundas.
A minha percepção fica mais apurada e preciso ter cuidados para não sofrer as dores que não sejam minhas.
As orações e meditações diárias ficam mais fortes, assim como a certeza de um propósito maior para mim. Não sei de onde saíram minhas certezas e dúvidas. Não sei o que querem ao me colocar contra a parede em um mês tão romântico e cheiroso. Mas estou certo que sairei fortalecido e certo que fiz o que deveria ter feito, por mais difícil e doloroso que fosse.

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

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Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.