domingo, 19 de agosto de 2012

O que as noites guardam

Estou aqui em casa esperando a tarde cair, para a noite poder chegar. Estou só e tenho apenas a companhia do tic-tac do cuco que ecoa pela sala. Faz um silêncio anormal para uma tarde de domingo. Tudo que planejei fazer hoje, não fiz absolutamente nada. Eu mal saí de casa. Por instantes, não sinto o meu coração bater, mas sei que por estar respirando, estou vivo.
Sinto-me por vezes assim. Há horas em que preciso de um silêncio exterior para saber o que se passa em meu interior. Isso me possibilita decidir racionalmente o que devo fazer e intuitivamente escolher o melhor caminho a seguir. A maturidade que vivo me dá certezas perigosas, como se eu não precisasse aprender mais nada. Mas sei que isso é tolice, pois enquanto vida tivermos, estaremos na condição de aprendizes. O aprendizado só se concretiza no momento em que decidimos parar para sentir o que se passa, refletir e transmutar. Agora é um desses momentos, acredite.
Não posso perder o foco das minhas promessas e possibilidades. Tenho que honrar compromissos assumidos com minha vida espiritual. Não há como viver como vivia antes, mas hoje sinto que preciso transmutar o que tenho vivido, estabelecer novas conecções e seguir em um novo patamar.
Ainda um pouco afetado pelos acontecimentos do final de julho, choro quando as lembranças desse mês retornam ao meu pensamento. Acho que cheguei tarde demais para resolver pendências e em outras, fui incapaz de me mover. Mas guardo um coração esperançoso e energia para agir diferente. O mal não perdura eternamente. 
Preciso e posso mudar a rota dos acontecimentos em minha vida. Não creio no destino irresponsável e cruel, que vive nos sentenciando aos sofrimentos. Creio na vida consciente como a única forma de viver esses tempos modernos e velozes. Por mais que os acontecimentos sejam inesperados, eles podem ser absorvidos de diferentes maneiras e segundo nosso livre arbítrio.
Acredito na presença de Deus que me proveu a vida e me sustenta. 
Agora em meio as primeiras estrelas que surgem no céu, peço a Ele que me ajude a ver e sentir o mundo com compreensão e compaixão. Não consigo ser sempre a mesma pessoa. Quero explorar possibilidades, ir de encontro aos meus limites e alcançar um equilíbrio, mesmo que temporário, que me faça sentir fortalecido.
Tenho faltado em minhas meditações e orações, mas sei que estou perdendo uma conversa e tanto com Deus. Estou retomando hoje, é uma promessa.
Hoje compartilho a vida com muitas pessoas, sejam elas próximas ou distantes, mas não consigo me envolver com a mesma intensidade. A intensidade eu tenho guardado para minha vida.
Tenho visto que preciso de pouco para ser feliz e de poucas pessoas ao meu redor. Sustento amizades com pessoas que estão fisicamente distantes, mas próximas do meu bem querer.
Tenho aceitado melhor que cada amigo tem o seu próprio tempo e necessidades. Procuro uma vida sem excessos, mas que não passe em branco como tantas. Isso é um desperdício de talento, como coloquei para meus alunos adolescentes, naturalmente imaturos.
Penso no quanto investiram em mim e o quanto preciso retribuir. Não há pressa ou ansiedade, mas apenas a vontade forte de fazer tudo diferente a partir de hoje, a partir de agora e a partir de sempre.
É reconfortante saber que o dia nascerá amanhã, assim como a oportunidade de se reinventar e transmutar. A noite se faz presente e guarda nas estrelas a esperança de um contínuo amanhecer.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Devaneios

Eu preciso de muito pouco para me sentir feliz! A cada dia que passa sinto isso mais forte dentro de mim. Hoje mesmo quando fazia a minha caminhada diária de 14 km, me deparei com uma casa antiga no Quarteirão Ingelhein. Ela estava com com uma placa, onde se lia: vendo. Bastou ler esta pequena palavra para que eu viajasse o restante do percurso imaginado ter a posse daquela casa. Minha poderosa imaginação reformou-a completamente, pintou as paredes externas de rosa chá e as janelas foram envernizadas. Imaginei um jardim digno de Burle Marx e uma imensa rosa-dos-ventos feita de mosaicos no meio da sala de estar. Não consegui ir além disso, pois a minha consciência me despertou desse sonhar acordado. Como poderia realizar esse devaneio? Não jogo na loteria, não receberei nenhuma grande herança e o meu salário não é compatível para comprar e manter aquela casa-sonho.
Mas o que mais me marcou, após ter batido a cabeça em um galho de árvore quando acelerava meus passos, foi o gasto de energia desnecessário em ficar imaginado a posse daquela casa. Pensei mais fundo: no que ela acrescentaria a minha vida? E não me veio nenhuma justificativa razoável, nada mesmo.
O que comprovei foi que não preciso delirar com a possibilidade de ter, mas posso acima de tudo, ser. Isso não me custa nada e o gasto energético é bem mais positivo. Ser me é mais viável que ter. Eu posso ter hoje, mas posso perder tudo amanhã, pois no fundo nada nos pertence. Ser é definitivo. Eu posso aprender a ser melhor e o que eu conquisto, nem a morte poderá me tirar, vai comigo até os céus. Não estou aqui para fazer julgamentos de conduta daqueles que possuem mais do que eu, mas a minha percepção de riqueza só faz sentido, se vier acompanhada do ato de dividir. Não preciso reter nada, pois nada me pertence e um dia, queira ou não, terei que abrir mão de tudo.
Vivemos em um mundo materialista e egoísta, que nos desafia a vencer obstáculos e a provar o tempo todo que somos melhores e mais capazes que o outro. Concorremos o tempo inteiro com todo mundo. Se começamos a envelhecer, já nos sentimos derrotados lentamente. Mostrar-se frágil, limitado, incapaz é o pior dos pecados.
E como eu consigo viver dentro desse mundo? Mudando as minhas prioridades sempre que desejar, de acordo com a evolução da minha consciência. Não entro em choque com o mundano, até porque já fiz parte dele, mas ele não me seduz como no passado.
Tenho redescoberto o imenso prazer de curtir as situações simples da vida. Os pequenos detalhes tornaram-se importantes. Não há necessidade de nada grandioso ou sofisticado, basta apenas ser prazeroso para os meus sentidos. Um entardecer, para meus olhos. Um canto de pássaros livres, para meus ouvidos. O simples cheiro de café, para meu olfato. Um abraço carinhoso para o meu tato e o silêncio repleto de significados para minha alma.
Aprecio também um bom diálogo, onde eu possa ser ouvido e ouvir. Gosto de conviver com pessoas que me acrescentem novas ideias e percepções do mundo. Gosto de palavras sinceras, pois podem doer na hora, mas quando ditas por quem eu amo, me fortalecem.
Me fortalece viver em busca de um percepção cada vez mais ampla de tudo e de todos. Ela vem sendo construída a cada dia e nunca estará concluída.
Espero estar indo ao encontro de um viver cheio de esperanças, onde só haja espaço para o amor incondicional. Não quero parecer pretensioso, mas se posso sonhar com o meu futuro, peço a Deus que ele seja o mais próximo do que anseio. Mas se for diferente, peço a Deus coragem para me adaptar ao que vem ao meu encontro.

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

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Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.