sexta-feira, 23 de abril de 2010

Corrigindo a rota toda vez que o vento mudar.

O que você faria se tivesse a chance de corrigir o seu passado? Não todo o seu passado, mas situações que tivessem ficado incomodamente mal resolvidas. Eu tenho tido essa oportunidade de rever minhas atitudes aos olhos de minha maturidade. Cheguei a conclusão comum a todos. Ah! se tivesse vivido com a experiência que hoje possuo...
Entretanto, não me sinto culpado e nem lamento o que para mim está definitivamente perdido no tempo, já não faz mais parte de minha vida hoje, mesmo sabendo que sou hoje o que vivenciei em tantos anos.
Se consigo vislumbrar que sou melhor do que ontem, esse é um bom sinal. É um sintoma clássico que estou ficando curtido, como os velhos vinhos e aguardentes, famosos pela qualidade obtida com o tempo.
Tenho experimentado intensas mudanças na percepção do significado da vida. Tenho comemorado a minha maturidade todos os dias, agradecendo a Deus ao acordar e ao deitar pelas possibilidades que tenho recebido. Eu penso que tudo tem o seu tempo próprio para acontecer, até mesmo quando o presente parece desfocado em nosso olhar e a esperança já vai longe.
Hoje vivo dia após dia, com uma coragem e uma certeza constrangedoras e impossíveis há tempos atrás.Também estou ciente que posso fazer diferente e fazer a diferença.
Sabe quando você descobre que não tem mais o que temer? Que a partir de agora, tudo que vier a acontecer terá sido programado exclusivamente para mim. E que sou capaz de superar o que vier ao meu encontro. Eu não acredito que Deus nos coloque um peso maior do que as forças que possuímos. Isso não faria sentido qualquer.
Por isso celebro a vida. Não que a morte me amedronte, pois ela está longe de ser a negação da vida. Ela é apenas uma etapa inevitável dela, assim como um nascimento.
Há dias em uma reunião de almas que participo, coloquei que usamos muito mal os nossos sentidos ao longo da vida, principalmente durante a juventude, o que não é uma regra sem excessões.
Olhamos quando devíamos ver, escutamos quando deveríamos ouvir, falamos quando devíamos calar e tocamos quando deveríamos sentir.
Aguçar os sentidos deveria ser uma disciplina obrigatória para se viver bem. Quantos livros para viver bem são lançados pelo mercado editorial, arrastando multidões de leitores, como que para viver houvesse uma fórmula mágica, uma atitude ideal ou uma receita antiga. Não quero fazer críticas dos autores aqui, mesmo já tendo lido muitos livros desse estilo. Eu mesmo ficava intrigado com a leitura e sempre me perguntava: Como eu não pensei nisso antes? Por que não tive a iniciativa de mudar? Parecia que eu estava lendo o que já sabia e estava guardado dentro de mim há mil anos.
Cada um guarda dentro de si a chance, a possibilidade de viver melhor e feliz, por mais difícil que tenha sido a sua vida. Já conheci pessoas extremamente pobres, que "matavam uma boiada" todos os dias para sobreviver e viviam com uma dignidade invejável. Me disseram que suas vidas faziam sentido, e sentido para elas significava não desistir diante de qualquer obstáculo. Fiquei constrangido a lembrar-me que muitas vezes reclamava por nada.
Também já convivi com pessoas que carregam grande sofrimento emocional assumindo toda responsabilidade que lhes cabe. Eu as acompanhei em suas lutas diárias, nos seus momentos de dor e aprendi à admirá-las e respeitá-las por isso.
Aprecio a idéia que estamos aqui apenas de passagem por esse mundo de desconcertante simplicidade. Não deixarei nada e não levarei nada daqui. Apenas uma esperança de que a minha vida ao findar não tenha sido em vão. No que me cabe, estou me esforçando para fazer o melhor que posso, aprendendo com meus erros e agradecendo pela expansão de minha consciência mais uma vez.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A vida é bastante simples, apesar de parecer complexa (carta para um amigo)

Sempre soube e pude experimentar encontros e desencontros ao longo de minha vida.
Soube superar grandes perdas sem nunca perder a fé e a esperança em dias melhores.
Mas confesso publicamente que perder a sua amizade sincera foi muito difícil.
Precisei de tempo para compreender tudo o que havia acontecido, e me perdoar verdadeiramente.
Respeitei o silêncio e a distância que me foram impostos e assumi a minha parcela de responsabilidade diante dos fatos.
Faltaram-me palavras para defender-me...
Hoje amadurecido exponho nestas linhas o que sinto. Não creio que perdemos nada. Precisávamos deste longo tempo por alguma razão que repousa nas mãos de nosso Criador.
Mas o que importa é saber que nossa adormecida amizade perdurou, apesar do distanciamento físico e emocional.
Não guardo ressentimentos pois tenho aprendido que não preciso viver com eles, mas resguardo minha valiosa essência humana que você foi capaz de perceber em minhas postagens.
Acredito que devemos um ao outro o direito de resgatar nossa amizade, pois nem o tempo foi capaz de conspirar contra nós.
Obrigado pela oportunidade de reencontrá-lo, um amigo que tinha tudo para ser como um irmão.
Abraços de verdade.
Luiz Fernando

Duffy - Stepping stone

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Com o mundo ao meu redor

Estou me adaptando às mudanças que fiz para minha vida em 2010. Apesar do processo estar acontecendo com um certo grau de ansiedade, os resultados tem sido muito bons. Tenho conseguido focar antigas prioridades, muitas que estavam adormecidas na memória e observar atentamente, como as pessoas de minha convivência passaram a me tratar. Sempre fui uma pessoa discreta. Nunca apreciei a exposição exagerada. Por causa de minha natureza um tanto tímida e reservada, tornei-me um observador de qualidade. Desde criança, eram poucos que conseguiam me iludir. Eu sempre descobria o que estava acontecendo, mas quase nunca revelava o quanto estava sabendo.
Por conta disso, muitos amigos e parentes ainda acreditam que sou ingênuo e pronto para ser enrolado e explorado, uma vítima.
Também já brincaram muito comigo por acreditar em tudo que vejo e escuto logo de imediato. Por vezes me permito agir assim, mas a experiência de vida acumulada, não me permite mais fazer isso com tanta frequência e creio que deixarei de fazê-lo. Mas isso não me incomoda. Eu gosto de validar as pessoas até o momento que elas mesmas me provem o contrário. Eu sempre preferi acreditar do que duvidar. Gosto de dar créditos ao ser humano. Eu mesmo sou o meu maior credor. Mas quando desacredito, sou como todo ser humano, é para valer.
Tenho tido o privilégio de fazer o que gosto. Encontrar e conhecer novas pessoas de uma forma especial: dando-lhes aulas e me surpreendendo com que sou capaz de fazer com a Geografia, quando vejo olhares atentos. É em sala de aula que encontro o meu público alvo, o sentido mais forte da minha escolha profissional. Sou capaz de colocar a minha timidez de lado a atuar espontâneamente. Muitas vezes, até eu mesmo duvido do que falo e faço dentro de sala. Fazer com que meus alunos sejam capazes de descobrir seus múltiplos talentos, e apreciar essa descoberta não tem preço.
Arroubamento é o que sinto quando faço o que amo. Este ano voltei a ser unicamente professor e creio que a ansiedade inicial desapareceu quando pela enésima vez confirmei que estou trilhando o caminho vocacional que escolhi.
Como profissional tenho muito o que aprender. Não sou o melhor professor, reconheço minhas limitações, mas estou disposto à aprender com elas e quem sabe um dia, superá-las. Mas sem cobranças ou necessidades tolas de provar nada a ninguém. Sou um homem e um professor bem resolvido, com uma das minhas grandes paixões - o magistério.
Aprender é que importa para mim e aprendizagem não pode ter fim. Não me vejo no futuro sendo um professor completo, que sabe tudo, que conhece tudo e que por conta disso, se torna o melhor profissional, merecedor de benesses e reverências. Quero apenas cumprir da melhor forma que eu puder, o que me coube fazer nessa vida.
Dia desses me disseram que sou um grande investidor. E concordei na hora. Invisto no ser humano, minha matéria prima diária.
Acredito tanto quando faço um investimento, que por vezes superestimo as pessoas envolvidas. Mas gosto de ter palavras de incentivo e apoio, e elas nunca me faltaram. Como otimista nato, tenho sempre em mente que é para frente que se anda. Não espere que eu alimente angústias alheias. Vou dar ultimatos para fazer as situações se resolverem, mas respeitando o tempo de cada um.
As idéias estão fluindo com muita intensidade em minha mente hoje. Sinto que vivo um período de transformações muito necessárias para mim. Não consegui mensurá-las ainda, mas gosto de expectativas positivas, principalmente quando sei que estou agindo com seriedade e transparência comigo mesmo e com o mundo ao meu redor.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Ressentimentos

Tenho pedido a Deus para me libertar de antigos ressentimentos e impedir que novos não durem mais do que 24 horas dentro de meu coração. Depois de ler um livro simples, mas forte, chamado "O cavaleiro preso na Armadura" de Robert Fisher, descobri que ainda preciso tirar o colete que me protege há tantos anos, permitir que meus sentimentos sejam expostos com coragem e libertar-me dos ressentimentos que me tiram o ar muitas vezes.
Eu jamais poderia acreditar que hoje eles me pesassem tanto nos ombros. Eu acredito que por causa deles estou com uma hérnia cervical. Meus ombros doem toda vez que carrego um peso e ao final do dia sinto dores que atingem meu pescoço; nada desesperador, mas o suficiente para me lembrar que meu corpo não é mais o de 30 anos atrás. Estou aprendendo com meus limites físicos e a cuidar de minha saúde como nunca havia feito antes.
Por outro lado, as dores não me deixam esquecer do peso silencioso e doloroso que carrego há tantos anos. A vida me preparou mais para a defesa do que para o ataque, mas toda vez que precisei atacar surgia uma coragem "não sei de onde" que só me fazia parar quando alcançava meus objetivos. Entretanto, me defender não demandava tanto esforço e eu sempre sobrevivia, mesmo ficando muito magoado e entristecido. Muitas dessas mágoas transformaram-se em ressentimentos e sempre envolviam pessoas que eu amava muito.
Boa parte desses ressentimentos perderam o sentido, até porque hoje posso compreender melhor o passado e ver e sentir as pessoas com mais imparcialidade. Mas outra pequena parte de meus ressentimentos, confesso, são mais resistentes do que poderia supor. Por conta disso, decidi por um fim neles definitivamente. Não sei quanto tempo vou levar, mas não vou desistir por nada. Essa será uma batalha e tanto.
Tenho aprendido muito nos últimos anos, expandindo minha consciência e com muita coragem assumindo tudo o que sou e principalmente, a minha própria vida. É o que estou fazendo aqui agora. Não tenho reservas ao escrever sobre as transformações que estou vivendo e o quanto tenho aprendido com elas. Da mesma forma, que não posso (aliás, nunca consegui) "tampar o sol com a peneira", tentando ser o que nunca seria, por mais que sentisse até mesmo uma ponta de inveja. A inveja que senti um dia foi muito útil para me motivar a ser melhor, sem com isso querer destruir quem fosse melhor do que eu.
Muitos amigos já me condenaram pela exposição, mas eu fui preparado por Deus para ser transparente comigo mesmo diante de qualquer situação. Até uma astróloga já me falou isso!
Tenho lutado bastante em 2010 e estou aprendendo a atacar minhas fraquezas. Já estou detonando meu orgulho e agora vou partir para meus ressentimentos. Eu preciso aprender a perdoar de verdade e liberar meus coração dessa angústia.
Preciso renunciar aos pensamentos negativos e de vingança que alimentam meus ressentimentos e deixá-los morrer de inanição.
Por que decidi tomar essa atitude? Porque tenho convivido com pessoas que como eu guardam muitos ressentimentos, e sofrem muito por conta disso. Elas tem consciência das mágoas, sabem de onde se originaram, mas não conseguem fazer nada para mudar. Possuem uma atitude egoísta pois não conseguem dividir suas mágoas abertamente com ninguém e por conta disso, acabam paralisadas pelo medo e repleta de culpas, até porque gostariam de ser diferentes, mas não sabem como dar o primeiro passo ou decidiram não fazê-lo.
Eu não me enquadro neste perfil, mas se não fizer nada a partir de agora, em pouco tempo farei parte desse seleto grupo arrogante e ressentido com a vida.
Temos um tempo de vida limitado e não quero deixar para trás nada, nenhuma dor para ser resolvida em outra vida, até porque não sei se teremos uma nova chance. Caso tenhamos, vale aqui a máxima: Não deixe para fazer depois o que você devia ter feito há tempos atrás. À medida que os ressentimentos forem sendo resolvidos, a sua capacidade de amar vai se expandindo proporcionalmente. Isso é um bom motivo para você, assim como eu, iniciar essa nova jornada.
Libere o seu coração para a sua função primordial: amar incondicionalmente. Essa é uma das muitas receitas para ir de encontro ao que chamamos de paz.

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

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Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.