quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Mais uma boa lição de casa!

Acabei de ser expulso do meu computador por minha filha. Delirando com a descoberta de jogos infantís no site do Discovery Kids. Ela acabou de me dizer que o seu computador estava muito "paradinho" e por causa disso usaria o meu que é "rapidinho".
Resultado, estou aqui digitando nesse computador bem cansado e mal sei o que escrever. Aliás, nunca sei o que escrevo até começar a escrever.
Já voltei ao trabalho e tive um dia pesado ontem. Avaliava currículos e documentos para entrevistar novos professores. Passei todo dia fazendo isso e quando finalmente terminamos, queria apenas cair nos braços da poltrona do ônibus para Petrópolis e apagar. E foi isso que fiz, e acabei sendo acordado pelo faxineiro, pois mal percebi que havia chegado em Petrópolis.
Decidi ir a pé para casa, aproveitando que a chuva havia dado uma rara trégua. Já passava das 20:00 horas e a noite já se aproximava. Decidi fazer o percurso até em casa em 10 minutos. Pisei forte e saí cantanto sola com o meu tênis de corrida.
No meio do trajeto levo um susto! Fui abordado em um trecho mais escuro e deserto de meu trajeto por uma alma. Era um mendigo totalmente nu e embrulhado em um cortina de box. Estava molhado, gelado e faminto, foi o que me disse antes de cair no choro.
Fiquei mais assustado ainda, pois não sabia se ele estava em seu juízo perfeito. Poderia estar blefando para conseguir uns trocados para tomar uns "tragos", pensei friamente eu. Estranho é constatar como a minha primeira reação foi negativa e cruel. Sabe aquela postura preconceituosa de julgar as pessoas pela aparência?
Mas ele tinha o direito de falar e fazer o que bem entendesse, afinal de contas a vida não estava sendo fácil para ele e até seria normal, se quisesse, se passar por um pirado.
Depois que se acalmou, perguntei o que ele queria. Ele tinha idade para ser meu filho!
Ele me falou que precisava ter uma nova vida, pois a que tinha recebido estava difícil por demais. Fiquei mais assustado ainda, diante do que acabava de ouvir. Eu não poderia dar a ele o que queria. Ofereci-lhe um lanche em uma padaria próxima, mas ele disse que não tinha mais como mastigar ou beber nada, pois os dentes que sobraram estavam doendo há dias.
O que eu poderia fazer, perguntei a ele. Ele respondeu: me deixe caminhar com o "senhor" até o final desta rua. Converse comigo com se fossemos amigos. Faça de contas que estou aqui, ao seu lado. Caramba! Ele não era invisível! Fiquei arrasado, mas fiz o que ele me pediu.
Conversei sobre o tempo chuvoso, o barulho do trânsito, as poças de água nas calçadas, das marquises pequenas...precisava buscar um assunto em comum. E ele permaneceu em silêncio ao longo do curto trajeto. Eu falava olhando para ele, não tinha como tirar os olhos dele. Parecia que éramos amigos, apesar dos olhares das pessoas que cruzamos na calçada.
O trajeto terminou na esquina. Eu parei e disse que precisava chegar rápido em casa. Ele me olhou e disse que já estava bom para ele. Há tempos não converso com alguém, me disse.
Agradeceu e foi embora na direção oposta.
Até em casa fiquei pensando nesse encontro inusitado. Ele é(era) tão humano quanto eu. Me senti mal e com uma sensação desagradável de amargura. Decidi não relatar o que vivi para ninguém, precisava antes compreender a lição que recebi, mas voltei a trás.
Aqui estou, reclamando das limitações desse computador quando o meu amigo (nada convencional) queria apenas ter a certeza que continuava vivo para o mundo.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Línguas estranhas

Caramba, cadê o sol? Desde que voltei da praia vejo-me envolto em edredons para dormir. Ainda insisto em ficar de short em casa, mas ficar sem camisa não dá mais. Voltei a tomar o meu chá verde orgânico antes de me deitar, como faço no inverno. Mas estamos em janeiro!
Se quiser sair para caminhar tenho que levar guarda-chuva e a parca, pois se ficar molhado com a temperatura baixa, certamente vou me resfriar.
Estou temendo um retorno ao trabalho com dias de calor e céu azul. Será cruel e revoltante. Agora mesmo cai uma garoa fina aqui em casa e o céu continua cinza e imutável desde cedo.
Não consigo fazer um programa ao ar livre com minha família em Petrópolis há tempos. Já arrumei gavetas, armários e estantes, fiz faxina no escritório, organizei papéis e contas vencidas e à vencer, lavei o carro (que já está sujo de novo) etc.
Tenho descansado de verdade. Isso significa dormir bem, brincar com minha filha bastante, não estar preso a horários e datas, assistir filmes na TV, ficar mais tempo no computador e descobrir muitas pessoas que estavam perdidas até então.
Esse 2009, como já escrevi antes, tem sido muito diferente. Na verdade, sou eu que estou alterando minha percepção do mundo com mais firmeza e coragem. Ainda me assusta a nova capacidade de deletar o que e quem me incomoda agora em 2009. É como se eu não estivesse mais disposto a perder tempo por nada e ninguém que realmente valesse a pena.
Nunca tive receio de por fim à amizades hipócritas. Não tenho a menor vocação para tolerar pessoas com esse estilo. Ontem mesmo fiquei irritado dentro de uma loja. Fui comprar um calendário, tipo folhinha, para dar de presente à minha mãe.
Enquanto esperava o atendente embrulhar o presente, não pude como não ouvir o diálogo entre três pessoas. Uma senhora evangélica (que comprava terços para a filha e neta católicas), um homem católico (ligado a um movimento conservador, indignado com semelhanças entre missas e cultos) e uma mulher, espírita (falando sobre a doutrina e cultos africanos)!
O mega debate tem início. Decidiram se cutucar mutuamente à medida que se revelavam um para o outro. Eu fiquei perplexo com a explosão de separatividade e me lembrei de imediato nos palestinos e judeus.
O moleza do atendente, que fazia o embrulho em câmera lenta, estava mais interessado naquele debate, cheio de farpas afiadas, do que me atender. Tive que lembrá-lo que estava ali esperando e queria ir embora.
O trio percebeu pelo meu belo semblante que estava irritado. Sentia que acabaria tragado para aquela discussão inútil se não saísse logo. Talvez pensassem que fosse judeu, palestino, ateu ou seja lá o que for, mas eu queria mesmo é sair rápido! E saí batido. As falas já demonstravam alterações no volume. Os braços já se sacudiam. E as expressões faciais...
Eu não sou dono da verdade, mas não dá para tolerar debates vazios e de argumentação conflitante. Ninguém chegaria a um acordo sobre nada. Já vi esse filme antes. Não se discute pontos de vista, principalmente quando envolve a fé. Eram três pessoas falando línguas estranhas! Não buscavam pontos em comum, mas destacavam diferenças entre si.
Por que ter sempre a razão diante do outro? Por que não respeitar as diferenças e torná-las um ponto de união? Não somos todos iguais e isso deveria ser visto como uma vantagem. Imagine o potencial que cada um traz dentro de si! Posso não ser bom em Matemática, mas outros usam-na como a mesma facilidade e prazer que aprendo Geografia.
Lembro-me agora daqueles que cheios de aptidões não tiveram e não terão a chance de aproveitar todo o seu potencial intelectual, emocional e espiritual. Aqueles que morrerão cedo, aqueles que já morreram e aqueles que estão próximos da morte.
E quanto a nós que permanecemos vivos? Qual deveria ser a nossa postura diante da vida e dos outros? O debate é saudável em muitas vezes, mas nem todos sabem usufruí-lo de verdade, justamente pela necessidade de auto-afirmação que temos.
Eu já descobri que estava errado em muitos papos com amigos e foi ótimo perceber isso! Como pude me enganar por tanto tempo, pensei. E aprendi. Aliás, aprendo mais quando ouço do que quando falo. Por isso, tenho refinado minha audição.
O potencial que temos se realiza à medida que o descobrimos. Esse potencial é inesgotável e fazemos pouco uso dele.
Não tenho tido paciência para nada que não me conduza a um aprendizado real. Estou ficando menos preconceituoso. Hoje, escuto o que falam, mas se percebo que em nada irá me acrescentar, valido a opinião do outro (mesmo não concordando com ela) e vou saindo. Tenho muito que aprender e estou atrás dos melhores professores.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Férias

Sempre que se aproximava o limiar entre o ano velho e o ano novo, costumava ficar muito ansioso. Era um período de rever as metas cumpridas e as não alcançadas, além de planejar as do ano seguinte. Era um período de tensão para mim. Era um momento de fazer o balanço do que fui e fiz ao longo de um ano.
Era difícil fazer um exame retrospectivo anual, apoiando-me em minhas agendas e em minhas lembranças, mas mesmo assim, eu fazia! Essa sempre foi uma boa estratégia para estar sintonizado com meus erros e acertos, mas creio que só quando feita diariamente faz efeito, me torna mais consciente da direção que dou à minha vida. E confesso que poucas vezes fiz esse exame retrospectivo diário em 2008, ou porque chegava esgotado em casa ou porque rever o que senti no dia, me faria sofrer duplamente, um sintoma claro de que não havia compreendido o que acontecera.
Este ano foi diferente. Não fiquei ansioso como de costume, não planejei metas para 2009. Desta vez não consegui sentir ou ver a linha divisória entre um ano velho e um novo. Passei os últimos dias de 2008 como os primeiros dias de 2009: aguardando apenas por minhas férias. Acredito que deixei para trás um ano desafiador e que de longe, foi um dos que mais aprendi.
Não gosto de criar expectativas imaginárias. Chego em casa após as férias e torço para que essas duas últimas semanas de janeiro durem uma eternidade. Não quero nem imaginar o que me aguarda nos próximos dias, semanas, meses e anos, deixo-os nas mãos de Deus como de costume, mas faço bem a pequena parte que me cabe.
É mais fácil acreditar do que duvidar da vida. No momento sinto como se estivesse em "stand by", aguardando cheio de otimismo e esperança mais um ano de aprendizado e desafios.
Quanto às famosas metas, vou deixá-las para depois. Vou fazer diferente. Vou construí-las à medida que as oportunidades forem surgindo. Fica mais fácil gerenciar projetos quando são construídos sem o compromisso de darem certo.
E meu exame retrospectivo diário, que sempre procuro fazer ao me deitar, tem me rendido boas noites de sono e a certeza gostosa de um missão diária bem conduzida e acabada. Afinal de contas, ainda estou de férias!

sábado, 10 de janeiro de 2009

Ser humano...você ainda vai ser um!

Lamentável reconhecer-se como humano. Em algumas situações é exatamente o que sinto. Estou angustiado com os conflitos na Faixa de Gaza que parecem não ter um fim próximo.
As crianças são as maiores vítimas, as baixas dos palestinos são muito maiores que de israelenses. A superioridade militar de Israel é visível, assim como a arrogância em continuar com um conflito tão desigual. O apelos de cessar-fogo são ignorados, apesar de manifestações pacíficas e protestos em todo mundo, para que utilizem métodos mais diplomáticos para resolver suas históricas pendências. Não acredito que um acordo entre judeus e palestinos seja impossível. É uma história que precisa de um ponto final, onde as partes sejam contempladas com justiça e transcendam suas diferenças.
Me reporto agora a frase que acabei de ler: "Vamos fazer as pazes". Quantos conflitos pessoais não trazemos dentro de nós. Quantas vezes, ao longo de 2008, não nos sentimos em um ambiente tão hostil como a Faixa de Gaza? Quantas vezes olhamos nosso semelhante com olhos cruéis, preconceituosos e vingativos?
Precisamos fazer as pazes com o mundo, com aqueles que nos são hostis, com aqueles que nos são diferentes, com aqueles que nos magoaram e que um dia estiveram ao nosso lado. Mas como fazer isso? Não posso fazer as pazes com o mundo, se não desenvolvo esse desejo consciente dentro de mim.
Já me disseram que a alienação e a violência quando co-existem dentro de um ser humano, endurecem os corações. Ainda assim, enquanto judeus e muçulmanos se agridem, anseio pela paz. Anseio também pela paz em meu (e em nosso) dia-a-dia.
Dia desses li um texto que falava sobre o desarmamento. Pensei nas "armas" que utilizo para me defender dos "ataques". Não sou diferente de ninguém nessa hora! Antes de me desarmar preciso saber o que me tornou tão "poderoso". Já avaliei as situações enfrentadas que me levaram a ser e agir assim. Avalio o meu atual contexto e motivações para perceber que não podem mais fazer parte de minha vida.
Se me incomodo com os conflitos atuais do mundo é porque estou me desarmando, e já sei o quanto é ruim viver alternando posições de ataque e defesa por anos.
Não posso mais ver o mundo como antes. Sou hoje bem melhor do que ontem e serei ainda melhor amanhã.
O mundo mudou e eu estou mudando para melhor. Sei o bem que essa nova atitude tem trazido para minha vida. Provocações são redimensionadas, mas não ignoradas. Quando deixam de ter importância, desaparecem com o tempo. "Levo a sério o que falam para mim, mas não o que falam de mim" escrevi em um post passado. Mas na verdade queria dizer: Levo a sério o que as pessoas íntegras e amigas falam para mim. Quanto ao resto, ignoro por dois motivos: por não serem ditas para mim diretamente, e por não validar nada que seja ofensivo a minha pessoa, partindo de pessoas cujo coração é tão duro como daqueles que se alimentam dos confrontos mundiais e diários.
Mas onde estão as organizações responsáveis pelo fim das crises políticas? E o que fazem as organizações religiosas neste momento crucial? Elas não são compostas por seres humanos como nós? Por que não conseguem interceder?
Acredito mais nos milhões de seres humanos que silenciosamente fazem uma oração, uma prece, uma meditação para um mundo melhor. Acho esse poder incrível, mas não aceito a omissão e a frieza dos governantes manipuladores diante de mais de 500 mortes.
Minha enxaqueca atrapalha meus pensamentos. Sinto-me como se minha cabeça estivesse em Gaza. Qualquer movimento, sinto a dor se deslocando. Mas minha dor é infinitamente pequena quando comparada às dores causadas por mísseis que usam a mais moderna tecnologia para tirar vidas de inocentes.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Tirei a burca!



Esse foi o presente que recebi de meu amigo oculto: espuma e lâminas para barbear.
Não tenho conseguido fazer a barba todos os dias. Já estou com uma preguiça danada e além do mais estou me cortando todo. Já cortei o nariz e o lábio ao fazer um movimento radical com o barbeador.
Mas esse careca aí sou eu. Depois de 25 anos entre barba e cavanhaque, levei um susto ao me descobrir sem pelos no rosto. Olhava-me no espelho toda hora. Seria eu mesmo? Estaria agora muito exposto para o mundo?
Lembrei na segurança das burcas radicais que as mulheres muçulmanas são obrigadas a usar. Elas se sentem protegidas do mundo, escondidas em suas vestes. Acho que tive a mesma sensação durante mais de duas décadas. Tenho sido alvo de espanto e curiosidade. Já me fiz passar pelo irmão gêmeo de mim mesmo (e fui muito convincente), já disse que tirei o cavanhaque para fazer uma plástica e aplicar botox ( e acreditaram!!), já fui abordado na rua por pessoas perguntando se eu era mesmo eu, mas o melhor era cumprimentar as pessoas e ver o seu aspecto (muito sem graça) de incredulidade.
Mas o que valeu foi ver a alegria de minha filha redescobrindo a nova careta do pai. Levei minha esposa e filha na barbearia, e a medida que o novo rosto surgia, minha filha ia curtindo. Minha esposa achou que esse marido novo seria melhor que o outro. Minha mãe ficou incrédula e até um pouco assustada quando eu dizia para ela que "sabia o que tinha feito no Natal passado!"
Como não posso mudar o penteado...mudei o que podia em meu rosto.
Esse é um bom momento para mim. Tinha medo, além da preguiça, de mudar o meu rosto. Tinha receio de parecer velho aos meus olhos, pode? É claro que estou próximo dos 50, mas até que eu não estou tão "detonado" como muitos amigos de minha faixa etária. Por enquanto, continua tudo no seu lugar!
Ontem fui muito abraçado e abracei. Certifiquei-me do amor que minha prima sente por mim. Posso dizer que tem a minha reciprocidade. Nos abraçamos como sempre, nos beijamos como sempre e estaremos sempre juntos. Prometi estar com meus braços abertos sempre que for ao seu encontro. Não posso perder de vista as pessoas que sabem amar desse jeito.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Relaxo trabalhando

Relaxo trabalhando. Nada mais desesperador para essa "pobre alma" que a ociosidade. Não me vejo entregue à preguiça e a moleza na sombra de coqueiros, sentindo a brisa do mar.
Sinto-me meio máquina durante a maior parte do ano. Vivo preso em horários, assumo compromissos em demasia por força do meu papel de professor/coordenador/esposo/filho/ irmão/pai/etc.
Trabalho com duas agendas ao longo do ano, e sempre estou uma semana na frente de meus compromissos. Fico elétrico maior parte do tempo, restando-me pouco tempo livre. Assim quando estou mais disponível, vou aos poucos fazendo todo tipo de trabalho braçal que encontrar pela frente. Só assim consigo relaxar minha mente, quando passo a usar meus músculos. Até caminhar me deixa entediado. Começo caminhando e acabo correndo num ritmo bem pesado. Adoro ladeiras para escalar e desacelero nas descidas para poupar-me de tombos.
Já tracei metas mentais para 2009, mas não me atrevo à escrevê-las aqui ou em qualquer folha de papel. Dizer para alguém? Nem pensar. São arrojadas e surpreendentes. As mudanças internas já trazem mudanças externas. Eu não me refiro ao cavanhaque que tirei depois de mais de 20 anos, mas de mudanças que já se processam nesses primeiros dias de janeiro.
Sinto que estou saindo de um período muito nebuloso, se esse é o termo adequado não sei, mas estou aproveitando essa brecha de céu azul para respirar. Vim respirar aqui no dramático silêncio do meu quarto.
Vejo o céu pela janela e pesadas nuvens se organizam em camadas. São diferentes tons de cinza que antecipam a noite. Sinto cheiro de terra molhada e a pressão atmosférica em queda no meu barômetro anuncia chuva forte para breve.
Lembro-me das muitas vezes que tomei fantásticos banhos de chuva quando criança. Eu e meu primo adorávamos correr debaixo das pesadas chuvas de verão em Petrópolis, levando tampas de panela com se fossem o volante de um carro. Imitávamos o barulho de carrões e pisar nas poças de água como se estivéssemos derrapando, não tinha preço. E quando simulávamos uma colisão? Era legal empurrá-lo dentro de poças de água lamacentas e ficar rindo. Depois era a minha vez de me enlamear. Hoje, tenho pouco contato com meu primo. Ele vive em um mundo distante e diferente do meu, mas guardamos a cumplicidade de uma infância muito feliz, cheia de artes e travessuras que deixavam nossas mães de "cabelo em pé". E veja só: nunca quebramos um osso se quer, mas cicatrizes...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Pecados capitais

"A inveja é a amargura que se sofre por causa da felicidade alheia. A inveja é um vírus que se caracteriza pela ausência de sintomas aparentes. O ódio espuma, a preguiça se derrama, a gula engorda, a avareza acumula, a luxúria se oferece e o orgulho, brilha. Só a inveja se esconde. Não grite sua felicidade, a inveja tem sono leve."
Adoro escrever sobre os 7 pecados capitais e identificá-los nas pessoas e em mim mesmo. Mas essa definição acima conseguiu resumir tudo que nós trazemos. Vivemos em constante pecado quando avaliamos o texto acima. Quem nunca caiu na tentação de experimentar esses pecados? Adorei o texto. Reconhecer-se e transmutar esses pecados é delicioso!
Transformei a inveja em ambição, pois posso fazer e ser muito mais que "secar" a vida alheia. Com relação à raiva, tomei uma vacina poderosa, pois depois do acesso de raiva morria de vergonha; a preguiça foi domada pelos compromissos assumidos diante do mundo, a gula sumiu depois que as taxas de colesterol e triglicerídeos se elevaram e uma barriguinha ridícula surgiu; a avareza transformou-se em generosidade, pois creio que recebi da vida mais que podia esperar; a luxúria ficou sem graça depois que a auto-estima se fortaleceu e saiu de fininho, mas o orgulho ainda me dá trabalho. Vivo aos trancos com ele e toda vez que acredito que está nocauteado, se levanta devagar enquanto comemoro a sua derrota! Mas ainda chego, lá!
Mesmo assim, estou em alerta pois esses pecados não são fáceis e sempre que podem gostam de se exibir.

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

Minha foto
Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.