sábado, 10 de janeiro de 2009

Ser humano...você ainda vai ser um!

Lamentável reconhecer-se como humano. Em algumas situações é exatamente o que sinto. Estou angustiado com os conflitos na Faixa de Gaza que parecem não ter um fim próximo.
As crianças são as maiores vítimas, as baixas dos palestinos são muito maiores que de israelenses. A superioridade militar de Israel é visível, assim como a arrogância em continuar com um conflito tão desigual. O apelos de cessar-fogo são ignorados, apesar de manifestações pacíficas e protestos em todo mundo, para que utilizem métodos mais diplomáticos para resolver suas históricas pendências. Não acredito que um acordo entre judeus e palestinos seja impossível. É uma história que precisa de um ponto final, onde as partes sejam contempladas com justiça e transcendam suas diferenças.
Me reporto agora a frase que acabei de ler: "Vamos fazer as pazes". Quantos conflitos pessoais não trazemos dentro de nós. Quantas vezes, ao longo de 2008, não nos sentimos em um ambiente tão hostil como a Faixa de Gaza? Quantas vezes olhamos nosso semelhante com olhos cruéis, preconceituosos e vingativos?
Precisamos fazer as pazes com o mundo, com aqueles que nos são hostis, com aqueles que nos são diferentes, com aqueles que nos magoaram e que um dia estiveram ao nosso lado. Mas como fazer isso? Não posso fazer as pazes com o mundo, se não desenvolvo esse desejo consciente dentro de mim.
Já me disseram que a alienação e a violência quando co-existem dentro de um ser humano, endurecem os corações. Ainda assim, enquanto judeus e muçulmanos se agridem, anseio pela paz. Anseio também pela paz em meu (e em nosso) dia-a-dia.
Dia desses li um texto que falava sobre o desarmamento. Pensei nas "armas" que utilizo para me defender dos "ataques". Não sou diferente de ninguém nessa hora! Antes de me desarmar preciso saber o que me tornou tão "poderoso". Já avaliei as situações enfrentadas que me levaram a ser e agir assim. Avalio o meu atual contexto e motivações para perceber que não podem mais fazer parte de minha vida.
Se me incomodo com os conflitos atuais do mundo é porque estou me desarmando, e já sei o quanto é ruim viver alternando posições de ataque e defesa por anos.
Não posso mais ver o mundo como antes. Sou hoje bem melhor do que ontem e serei ainda melhor amanhã.
O mundo mudou e eu estou mudando para melhor. Sei o bem que essa nova atitude tem trazido para minha vida. Provocações são redimensionadas, mas não ignoradas. Quando deixam de ter importância, desaparecem com o tempo. "Levo a sério o que falam para mim, mas não o que falam de mim" escrevi em um post passado. Mas na verdade queria dizer: Levo a sério o que as pessoas íntegras e amigas falam para mim. Quanto ao resto, ignoro por dois motivos: por não serem ditas para mim diretamente, e por não validar nada que seja ofensivo a minha pessoa, partindo de pessoas cujo coração é tão duro como daqueles que se alimentam dos confrontos mundiais e diários.
Mas onde estão as organizações responsáveis pelo fim das crises políticas? E o que fazem as organizações religiosas neste momento crucial? Elas não são compostas por seres humanos como nós? Por que não conseguem interceder?
Acredito mais nos milhões de seres humanos que silenciosamente fazem uma oração, uma prece, uma meditação para um mundo melhor. Acho esse poder incrível, mas não aceito a omissão e a frieza dos governantes manipuladores diante de mais de 500 mortes.
Minha enxaqueca atrapalha meus pensamentos. Sinto-me como se minha cabeça estivesse em Gaza. Qualquer movimento, sinto a dor se deslocando. Mas minha dor é infinitamente pequena quando comparada às dores causadas por mísseis que usam a mais moderna tecnologia para tirar vidas de inocentes.

Um comentário:

Renata disse...

Oi,meu nome é Renata,e eu estava lendo seu blog e achei um tanto interessante.

E uma coisa me chamou a atenção,que foi algo que você repetiu muitas vezes,que foi a Faixa de Gaza.E eu gostaria que você fizesse um post comentando sobre a Faixa de Gaza.

Grata,Renata

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

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