sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2011: o mundo não acaba, mas se transforma continuamente

Gostaria de deixar aqui uma mensagem de esperança para todos que me acompanham neste blog. Não sei se conseguirei, mas reconheço a força que as palavras ganham quando são ditas amorosamente. 
A cada dia aprendo como é importante deixar de lado as diferenças pessoais que tanto me desafiaram em 2010. Seria gostoso poder abraçar pessoas que há tempos não vejo e dizer para elas que fazem falta, assim como aquelas que não estão mais entre nós.
Gostaria de poder usar melhor o tempo que disponho para curtir a vida descontraidamente.
Gostaria de poder olhar nos olhos de quem amo e dizer tudo o que meu coração sente.
Gostaria que a humanidade usasse mais o poder do perdão e a aprendesse com seus erros rapidamente. Na verdade gostaria que o mundo fosse melhor para nós. Não um mundo pleno de felicidade e harmonia, o que acho utópico e entediante, mas um mundo em que pudéssemos amadurecer com todos os desafios que se apresentassem. Talvez fosse uma alternativa para depurar as dores e sofrimentos.
Dia desses lendo um texto sobre pobreza e miséria cheguei a uma conclusão. Que a miséria financeira não é o maior dos males que afligem a humanidade, mas a miséria que toma conta da alma. A miséria pode tornar a vida um desafio cotidiano de sobrevivência, mas quando alcança o coração, endurece demais os seres humanos.
Você pode ter muitos recursos, mas se o seu coração e sua alma estiverem áridos, eles estarão refletidos em seus olhos.
Já pude conversar com muitos miseráveis. Mas reconheço que aqueles que tem como característica maior a generosidade, me dão até uma ponta de inveja. A coragem, a determinação, o compromisso de se manterem vivos os torna, aos meus olhos, grandes demais para não serem notados. 
O Natal e as comemorações do Ano Novo estão ficando melancólicas. Penso naqueles miseráveis que guardam a tristeza e a dor no olhar. As maiores vítimas acabam sendo as crianças. Este ano a melancolia está maior. A perda recente que sofri há poucos dias ainda impactam meu coração. 
Já tive Natais memoráveis, com minha família reunida em torno da mesa caprichada, ouvindo músicas natalinas, ao lado uma bonita árvore de Natal. Por isso, estou certo que o tempo resgatará minha esperança nos futuros Natais. E quanto ao Ano Novo, não consigo acreditar que será ruim. Talvez porque não temos como saber o que o futuro nos ofertará, prefiro torcer para o melhor.
Sempre acreditei no ser humano e em seu potencial, por isso mesmo decidi abraçar o magistério e dar a minha pequena contribuição para a formação de seres humanos que sejam melhores do que eu e você.
Adoro passar as comemorações de fim de ano bem próximo das pessoas que amo. Gosto muito de estar aqui, digitando e partilhando prazeirosamente minhas  ideias.
A ceia pode ser bem simples, pois o que importa é o objetivo maior de estarmos unidos. E depois da sobremesa e do cafézinho, nada melhor do que jogar uma gostosa "conversa fora".
Queria que minha filha tivesse as lembranças que guardo hoje dos Natais passados, mas não sei o que o futuro trará. O mundo está mudando rápido demais para se acumular lembranças. Por isso na condição de pai sei o quanto é importante investir no fortalecimento de valores éticos e espirituais de minha filha.  
Não espero muito a não ser manter viva as lembranças que sustentam a grandeza do espírito natalino em meu coração e renovar, revalidar as esperanças para 2011 e para os próximos anos. 
Por isso, nada melhor que celebrar a vida, em cada dia, hora, minuto e segundo como se fosse único. Espero que possamos ser a mudança que esperamos ver no mundo, assim como Ghandi escreveu.
Fico feliz em poder compartilhar meus pensamentos mutantes, a minha fé verdadeira em dias melhores e o meu aprendizado diante da vida. 
Acredito que poderemos reescrever a nossa história, onde quer que estejamos, sempre que desejarmos. Essa atitude vai exigir coragem e desprendimento, mas nos libertará de excessos desnecessários, tornando a arte de viver num contínuo processo de aprendizado e transformação aos olhos de Deus, que estará conspirando a nosso favor.
Feliz 2011 para todos vocês, meus querido(a)s amigo(a)s. E muito obrigado pelos comentários e pela paciência! Com verdadeiro carinho.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Perdas surpreendentes

Perdas sempre serão dolorosas, sejam para a vida ou para a morte. Perder significa abrir mão do que acreditamos ser de nosso domínio e propriedade, como se isso fosse possível. Renunciar é diferente, pois temos a consciência de que não temos nada, que tudo tem uma transitoriedade e importância de acordo com o momento que vivemos.
Pessoas entram e saem de nossa vida e poucas são aquelas que permanecem e formam  fortes vínculos afetivos para toda vida.
As perdas podem ser surpreendentes e nos deixar pasmos diante da velocidade e intensidade com que ocorrem. Podem ser tão rápidas que nos impossibilitam de  resolver mau entendidos. Pode não ser possível um longo abraço para matar saudades e dar início à uma reconciliação. Parece que precisamos ser estremecidos com grandes perdas para iniciar mudanças em nossas vidas. A dor da perda  será única e por mais que a renúncia seja para mim um aprendizado, o apego à vida sempre falará mais alto, pelo menos em um primeiro momento. Talvez a dor seja menor quando norteamos nossa vida para a diminuição aos apegos, mas a dor mesmo momentânea, deixará uma saudade daquilo que poderia ter sido, mas não foi. A saudade quando é grande demais, transborda pelos olhos. À medida que tempo vai passando, a vida se incumbe de fazer os ajustes necessários para que possamos resgatar um novo equilíbrio.
Foi assim que perdi minha prima dias atrás. Eu continuo vivo. Ela não mais.
Em meus sonhos, vejo as pessoas que sofrem, felizes. Vejo pessoas amadas aprisionadas em seus corpos deformadas, livres e felizes. Vejo também em meus sonhos a angústia e a solidão, cedendo espaço para a esperança e a fé.
Sonho com um mundo real diferente, livre de egoísmos e repleto de possibilidades. Sonho com um mundo de encontros e reencontros antes que seja tarde demais. Tarde demais para voltar à trás.
Se existe de fato uma mensagem diante das perdas, é que precisamos ver através delas quais são as nossas reais necessidades diante da vida. A nossa dor acaba ficando pequena quando a sintonizamos com as dores do mundo. Aprecio e reverencio seres humanos, que apesar de uma vida de sofrimentos, ainda guardam dentro de si um coração generoso e aquela velha certeza, que dias melhores sempre virão.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O direito de não ser uma máquina

Gosto de tréguas, pois nunca me dei o direito de ser uma máquina.
A trégua é o momento em que me permito respirar, ponderar, experimentar e visualizar tudo que acontece ao meu redor e frente ao que preciso responder. As relações pessoais também são incluídas neste momento. É aquela velha história que todos os anos acontece. O final do ano se aproxima e boa parte da humanidade se toca que protelou muitas resoluções para depois, para quando tivesse mais tempo. Por que todas as pessoas reclamam da "falta de tempo"? Será que suas vidas já estão prestes a acabar? Usar o tempo a seu favor é uma prática que poucos conseguem sustentar.
A questão é que o depois tornou-se agora e temos que cumprir o ritual tolo de entrar no novo ano sem pendências e com todas as metas e objetivos estipulados cumpridos, como se isso fosse possível e fundamental.
Para muitos que conheço, o mês de dezembro é o mês do atropelo, da ansiedade e do esgotamento. Eu já fui assim, ao ponto de ficar muito cansado durante as festas e não aproveitá-las como gostaria.
Hoje procuro manter o ritmo ao longo de todo ano, apesar de sentir o cansaço para agir com rapidez e eficiência. É uma preguiça gostosa que coloca que não tenho que correr, mas orienta a  não perder o foco de meus objetivos e compromissos. Vou fazendo o que me cabe em meu dia-a-dia, sem esperar a solução de todos os desafios para os próximos 31 dias de dezembro de 2010.
Tenho trabalhado bastante e me esforçado também. Tive problemas com a minha coluna e me descobri hipertenso durante um mês.
Acordei, depois de uma prazeirosa noite, com dores no pescoço que superavam um torcicolo básico. Depois de três dias punks, regado a muitos analgésicos, antiinflamatórios e rock and roll pesado, parti para o hospital e fui espetado até na mão, recebendo um coquetel de medicamentos. Fiquei em uma maca estreita por mais de uma hora e quando levantei rodou tudo! Melhorei um pouco, mas as dores estavam presentes, e como!
Procurei com urgência o meu médico, um robusto ortopedista. Ele me sugeriu não levantar pesos  e receitou-me medicamentos que acabaram as dores rapidamente, mas detonaram com meu estômago.
Hoje acordei com gosto de guarda-chuva na boca! E eu nunca comi essa iguaria antes!
Agora imagine o presente que recebi de meu cardiologista no dia do meu aniversário!
Parabéns, você é hipertenso! Bem vindo ao time, disse ele, sorrindo com seus olhos asiáticos.
Passei a tomar um minúsculo comprimido por dia, religiosamente. Corria o risco de morrer do coração ou ter um AVC antes de entrar na casa dos 50 anos. Toda a situação era muito nova para mim. Parecia que a morte, de uma hora para outra, estava bem próxima. Mesmo assim, me dei o direito à duvidar e aceitar de imediato. Morrer? Não agora! rsrsrs
Mas havia alguma coisa herrada comigo. Por que todos me perguntavam se eu estava deprimido? Ninguém sabia que eu estava hipertenso. Fui muito abraçado e amigos diziam-se preocupados com a tristeza em meus olhos ou com meu impactante silêncio. Eu dizia para todos que agora estava bem, apesar da dificuldade para abrir os olhos ao acordar de manhã. Parecia que algo escapava de minhas mãos e eu não tinha a menor ideia do que estava acontecendo. Passei a abusar de café puro e pimenta, mesmo não gostando deles.
Não tive forças para sentar aqui e escrever. Não faltavam acontecimentos em minha vida para serem relatados, mas não havia jeito de integrar meus pensamentos com as palavras. 
Descobri que minha pressão arterial andava muito baixa, tão baixa que fui da escola até minha casa, como os faróis do carro apagados e nem percebi que já passavam das 22h30min.
Procurei o meu cardiologista, homem de poucas palavras, coloquei o quanto tudo parecia estranho e sorridente me disse:
Parabéns! Você não é hipertenso! Use metade do comprimido e se a pressão continuar baixa, suspenda tudo.
Acho que voltei ao mundo dos vivos. Pior é que até hoje não encontrei ninguém para confirmar esse diagnóstico. Não consigo quem tire a minha pressão. Ainda me sinto meio letárgico, mas afinal de contas, pressa para quê? O ano de 2010 ainda não acabou. Amanhã, eu prometo, vou passar a limpo essa dúvida.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O nosso lar é aqui, pelo menos por enquanto!

Depois de um longo jejum sem ir ao cinema, convidei a minha mãe e fomos assistir ao filme "Nosso Lar". Fiquei muito feliz ao ver que ela aceitou ir comigo. Tamanha disposição só acontecia quando ela ou meu pai me levavam para assistir "Tom e Jerry" aos domingos pela manhã, no Cinema Petrópolis. Essa lembrança tem mais de 40 anos. Imagine a emoção de ter novamente a companhia de minha mãe, sentada ao meu lado. Só faltou a pipoca, o Drops Dulcora e o caramelo Zorro, mas está tudo bem.
Acredito que há tempos não via tantos idosos reunidos. Era uma celebração o cinema, o momento. Poucos eram os jovens e mesmo assim, pareciam distantes de todo aquele burburinho da "melhor idade".
Mas bastou começar o filme que o silêncio aconteceu. A produção nacional surpreendeu em muitos sentidos: os cenários, figurinos, os efeitos visuais, a movimentação ágil das imagens, a composição dos personagens, a atuação de atores e atrizes etc. mas a mensagem que o filme deixa é diferente para cada pessoa, por isso, vá assistir e tire suas conclusões. Fico muito orgulhoso em ver a qualidade do cinema nacional hoje. Não sou um crítico de cinema, por isso fico à vontade de dar o meu "parecer".
Apesar de estar em um caminho espiritual, eu não sou espírita, mas trabalho para ser um homem espiritualizado. Sou temente a Deus, mas nunca me senti oprimido ou arrastei culpas, como um dia tentaram me colocar nos ombros. Apenas me esforço para ser uma pessoa melhor neste mundo, mas sem grandes pretensões de alcançar o máximo. É um compromisso que assumi para mim. Um voto dado de coração pela minha essência divina.
Assisti ao filme bastante atento. Por hora, olhava para minha mãe para ver se tudo estava bem. Segurei sua mão e ela parecia nem sentir que eu estava ali.
Entendi a mensagem que foi transmitida para mim. Fiquei emocionado com a recepção  que os mortos da 2a. Guerra Mundial receberam. Me pareceu uma tarefa conhecida, recepcionar a quem havia morrido, com tamanho carinho, acolhimento e compaixão.
Conversando com amigos sobre o fime, me perguntaram se eu iria para o umbral. Respondi que não sabia, aliás, eu creio que ninguém sabe se iremos ou não, se a estadia será curta ou longa, se iremos nos encontrar todos lá, mas disse com firmeza que de algo eu tinha certeza absoluta: todos nós podemos reescrever a nossa história futura. Não digo reviver o passado, pois seria impossível, mas mudar a qualquer hora, nossas atitudes, nosso olhar para o outro e para o mundo. Sabe aquela ideia de viver intensamente o presente, se preparando para um futuro cheio de boas surpresas?
Imagine que a partir desse momento eu propusesse a quem estivesse lendo esse post, a dar início a um processo de mudança interior. Seria difícil? Já tentou alguma vez? Já se olhou no espelho e se perguntou que podia ter agido diferente?
Vamos encarar o desafio. Podemos começar e  recomeçar a todo instante, a qualquer hora. Não há o que temer ou esperar. Não existem cobranças, pois voce poderá fazer isso sem que ninguém saiba.
Precisamos aprender com a experiência verdadeira que temos. Muitos de nós já viveram poucas e boas e são guerreiros diante dos desafios cotidianos e continuam a lutar. Por que não transformar a experiência adquirida pela luta em algo que nos faça ser melhor? Acredito que passaríamos a viver cada momento como se fosse único, mas não o último.
Não podemos perder a oportunidade de dar um sentido maior para a vida, um propósito que envolvesse todas as pessoas que convivemos. Talvez o grande mistério resida aqui, neste nosso lar, onde convivemos e compartilhamos experiências.
Não há como temer o umbral. Não há como desejar o céu, resplandescente e iluminado como no filme. Ainda estamos vivos e creio que temos que fazer muitas escolhas, tomar decisões. Acredito que o nosso lar é aqui, pelo menos por enquanto. Por isso, conscientes do que somos e fazemos, podemos vislumbrar o que nos aguarda pela frente nesta vida.
Vamos encarar o desafio? Abraços e beijos.  

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Escrever sobre política...

Não me peça para escrever sobre política. Sou daqueles brasileiros que passaram por uma contínua decepção diante do cenário político nacional, apesar da crescente, mas lenta, conscientização da população brasileira.
Digo isso pois vivi todos os anos da ditadura militar, dos 3 aos 24 anos, com um mix de sentimentos. Até a minha adolescência, tinha a sensação de que "algo" era muito estranho, mas não sabia o quê.  Ao entrar na adolescência, tinha certeza que estava tudo errado. Tinha aulas de Educação Moral e Cívica. Eu sabia pela atitude de meus professores, que sempre colocavam que o Brasil era perfeito, que vivíamos em um mundo opressivo. Além dos mais, diziam para tomar cuidado com os terroristas, maconheiros e hippies que pregavam a liberdade!
Só fui descobrir a ditadura real quando cheguei à 3a. série do Ensino Médio e quando fiz  Geografia na UFRJ. Descobri que tínhamos a opção de lutar pelo que considerávamos justo e verdadeiro. Descobri a desobediência civil como um dos maiores direitos do cidadão, para resistir aos desmandos arrogantes dos presidentes militares.
Lembro-me do quanto fiquei chocado com a arrogância e desrespeito do último ditador ao se referir aos anseios dos povo, como eleições "Diretas Já".
Mas foi a partir do governo de José Sarney, que aprendi o quanto a fusão de alienação política e corrupção explícita foram dolorosos para todos nós.
Ainda me lembro do quanto fui usado como cidadão. Cara, eu fui "Fiscal do Sarney" durante o Plano Cruzado e acreditávamos que aquele senhor de farto bigode, por não ostentar uma farda, estaria sendo transparente conosco e seria capaz de construir um futuro com democaracia e justiça. Como me senti enganado e usado, não só eu, mas toda nação diante de um governo sem escrúpulos.
Não vou entrar em detalhes quanto ao governo que se seguiu. Prefiro deixar as minhas impressões para quando estiver em sala de aula. Mas por favor, fica muito complicado acreditar em mudanças imediatas em todos os sentidos. Acredito em mudanças construídas com o tempo, por isso enalteço a crescente conscientização política dos cidadãos brasileiros.
Não acredito que iremos cair no conto do Collor, nos constrangimentos criados por Itamar, na indiferença social de FHC e no culto à forte imagem de Lula.
Mas as propostas dos novos candidatos não trazem as mudanças que tanto necessitamos. Ainda não fizemos uma reforma agrária verdadeira e ainda muito me angustia a miséria e a fome. Não quero ser injusto ou imparcial agora, mas reconheço os avanços sociais do governo que finda, mesmo sabendo que foram usados pela mídia governamental. Entretanto, a corrupção é um mal que atinge quase todos os partidos, como se fosse um vício fora de controle.
Por isso, sinto-me pouco empolgado com as eleições de 2010. Já escolhi parte dos meus candidatos, depois de ouvir suas propostas e projetos no torturante horário político, aquele que retrata o despreparo de nossos candidatos ou aqueles rostos sempre envolvidos em escândalos de toda natureza.
Eu não sou em exemplo de empolgação, não faço parte da geração Y (acho que sou da geração P (de p...) com o pouco que conseguimos em quase 20 anos.
Prefiro focar a minha atenção, meu olhar no ser humano e no adomercido potencial de cada um, pronto para ser descoberto. Assim, creio que poderemos descortinar uma nação, a minha nação, a nossa nação.
Por isso, não me peça para escrever sobre política.

sábado, 4 de setembro de 2010

See you in September...

Há tempos não tenho tido a oportunidade de escrever. Não escrevi porque precisava resolver muitas situações que dependiam exclusivamente de mim, mas também porque quando conseguia relaxar, meu corpo exigia o merecido descanso e eu adormecia rapidamente. Ao escrever converso comigo mesmo, como se eu falasse diante de um espelho. Falo ou melhor, escrevo muito e ao escrever, secretamente, vou de encontro às respostas que sempre estiveram dentro de mim. E isso serve para qualquer pessoa e é um grande consolo, se é que posso escrever assim.
Quando fico em dúvida diante de um fato, perdido sem saber o fazer, já tenho a resposta desde o começo, mas parece que preciso sempre colocar em dúvida as minhas certezas.
É difícil sentir-se seguro, mas acredite isso é possível, mesmo que por pouco tempo.
Mas eu também aprecio vivenciar situações complexas, desafiadoras. Antes de agir, "derrubo" armários, estantes e gavetas e começo a organizar tudo. Quanto mais desafiadora for a situação, maior é a minha necessidade de colocar tudo ao meu redor em ordem. É fato comprovado. Quanto mais trabalho tenho, mais lúcida fica a minha mente para enfrentar o que der e vier.
Sinto que descarrego energias ruins ao colocar meu corpo em ação e me recarrego de energias que são capazes de solucionar quase tudo.
Hoje ao fazer um exame de sangue fiquei surpreso com o funcionário discorrendo sobre a Teoria do Desequilíbrio. O exame que deveria durar uns 5 minutos, tinha espaço para durar dezenas de minutos. Apesar de surpreso e empolgado com o encontro inusitado e com a profundidade do tema, lembrei-me da enorme fila de pessoas que aguardavam pelo atendimento. Pedi desculpas envergonhado por ter que cortar o assunto, mas prometi que voltaria em outra oportunidade.
Estou aqui me perguntando...nada acontece por mero acaso, não é mesmo?
Diante da surpresa do encontro, continuei cumprindo a minha pesada agenda de 6a. feira, 03 de setembro de 2010.
Lá vou eu vivenciar mais um mês de setembro. Setembro sempre será desafiador para mim. É um mês forte, pois me coloca de frente com minhas maiores dificuldades, com as características pessoais que preciso transmutar dentro de mim e com enormes desafios que do nada aparecem e desaparecem.
Vivo diante de um mundo difícil. Não sei se o momento me torna fragilizado. Mas seja lá o que for, este ano, este mês tem sido muito especial. Sinto-me preparado com ferramentas para me defender e sobreviver aos confrontos que terei pela frente, e a maior delas tem sido a meditação.
Ao meditar consigo me libertar das emoções que trago dentro de mim. Parece que saio do meu corpo e me vejo de cima, com clareza, imparcialidade e assumindo o que sou em todos os sentidos.
Agir como ser humano é muito importante, assim como ser capaz de reconhecer-se como um deles.
Tenho que aprender a transmutar sentimentos residuais que ainda trago comigo, apesar de estarem muito debilitados, diante do projeto de ação, de expansão de consciência que abracei há quase duas décadas. Ainda sinto que emprego a separtividade, quando não deveria.                                                                                                               Todas as mudanças que preciso fazer em minha vida ficam claras em setembro, e pior, sou desafiado por elas para agir. Por isso a primavera sempre será um período de grandes conquistas, sacolejos e transformações.
Tenho gestado muitos projetos de transformação em setembro, em meio a flores e sabiás que cantam alegremente ao amanhecer. Não existe cenário mais impróprio para dar início a uma revolução pessoal!
Nem sempre consigo traduzir em palavras o que se passa na minha mente e no meu coração, afinal setembro mal começou. Entretanto, o trunfo maior que tenho é que coração e mente estão posicionados no lugar certo!
E o que faço a partir de agora? O que tenho feito há tempos atrás. Cultivo a esperança, pois ela é o maior empréstimo que a felicidade nos dá.
Quando tudo parecer confuso, irreal, impossível, frustrante e sufocante, lembre-se que a esperança estará sempre estendendo a mão para você. E com o devido tempo, nada mais voltará a ser o que era, mas você e eu, estaremos mais fortalecidos diante da vida e convencidos de que nunca estivemos sós.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A ECOLOGIA INTERIOR

Retiro Espiritual - A Ecologia Interior
4 a 6 de setembro de 2010 - Sítio Cruzeiro do Sul - Bairro dos Mellos - Campos do Jordão (SP)

"Somos depositários de valiosos tesouros, bens não renováveis, por cujo uso temos que responder: nosso próprio tempo, nossas energias vitais, nosso potencial mental e afetivo. Venha aprender a utilizá-los para o próprio bem e o de toda a humanidade. Descubra o ecossitema constituído por seus pensamentos, sentimentos e aspirações. E aprenda a proteger essa fonte de vida que é a sua mente. Proteja essa complexa e rica biosfera interior para que abrigue sentimentos de amor, de compaixão, de compreensão e amizade. Esperamos por você!"
Reservas e inscrições: de 15 até 30 de agosto de 2010
Para mais informações, envie e-mail para retirosextensao@cafh.org.br
Acesse seu interior: www.cafh.org

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Eu não te disse para não comprar essa droga de revista!

Hoje me detive diante da capa de uma revista na fila do caixa de um supermercado. O título falava de pessoas que depois de perdoarem passaram a se sentir leves e felizes. Pensei comigo: já fui assinante dessa mesma revista por anos e diante da atitude tendenciosa e desrespeitosa com que tratava assuntos sérios e seus leitores, decidi cancelar a assinatura. Mas hoje fiquei tentado em comprar um exemplar. Mas resisti bravamente. Acho que ficaria furioso comigo mesmo ao constatar o tratamento jornalístico, superficial e apelativo dado ao tema pelos redatores. Eu seria mais um a ser enganado e teria que ouvir a minha consciência dizendo por muito tempo: bem feito, eu não te disse para não comprar essa droga de revista, blá, blá, blá.
Mas aonde quero chegar? Bom, independente do que venha fazer, comprar o raio da revista ou não, foi bom relembrar do pacto que fiz comigo mesmo. Tenho que buscar o perdão dentro de mim e as razões que impedem que ele aconteça em todas as áreas de minha vida, principalmente diante das relações humanas. Já fiz grandes avanços diante dos ressentimentos. Eles estão caindo aos poucos, como frutas passadas ainda agarradas nos galhos de uma árvore. Já perderam o sentido em sua maioria. Os ressentimentos que ainda sobraram estão agarrados ao meu orgulho, outro que me dá um trabalho danado, pois sempre me coloca em posições defensivas diante das pessoas que preciso voltar a interagir.
Isso significa que preciso voltar a olhar para elas, aceitando-as como são, sem necessariamente voltar a ter a mesma relação com elas. Na verdade, mesmo que por outro motivo não consiga me aproximar destas, o meu olhar precisa ser de compaixão.
Não que eu seja melhor que elas, mas ao reconhecer características humanas comuns entre nós, as diferenças deixam de pesar.
Hoje consigo levantar meus olhos e fixá-los em muitas pessoas que outrora ignorava solenemente. Existia uma culpa interna silenciosa que sempre apontava minhas fragilidades, limitações e dificuldades, muitas das quais não tolerava nas pessoas e que habitavam em mim.
Nunca gostei de pessoas sem caráter, incapazes de tomar posições firmes diante de situações emergenciais. Tinha raiva de covardes e omissos. Sem contar que se pudesse bateria em todos os bêbados que cruzassem o meu caminho! Eu nunca fiquei bêbado em toda minha vida e quando sentia que as coisas estavam ficando estranhas, parava quase sempre no primeiro copo. Me desesperava perder a consciência do que sou.
Por um lado é bom, pois ao chegar em casa via o semblante de alívio de meus pais. Eu ganhei a chave de casa aos 13 anos e essa foi uma das maiores conquistas de minha adolescência. Parecia um prêmio e era mesmo. Eu fui (sou) um filho muito legal e sempre gostei de reforçar a credibilidade que meus pais haviam me dado.
Por outro lado, por não beber tinha que ouvir piadas de meus amigos adolescentes (aliás, ouço até hoje) que eu iria para o céu, que iria virar padre, pastor etc. Mas pior era ouvir papo de bebum até deixá-los em casa...
Por conta disso, hoje praticamente não bebo. As vezes, faço um esforço para beber uma taça de vinho tinto, durante o almoço para ajudar a reduzir meu colesterol. Mas não consigo beber mais do que duas taças por semana e olhe lá. Admiro ver aqueles especialistas em vinhos discorrendo sobre o aroma e paladar de vinhos, que podem ser frutados, encorpados etc, mas este não é meu mundo definitivamente.
Afinal de contas eu tenho motivos muito fortes para não chegar perto de bebidas, cigarros ou qualquer outro vício destrutivo que afete a minha saúde e minha credibilidade como homem, esposo, pai, filho e irmão. Quem acompanha a minha vida desde a adolescência vai matar logo. Quem não me conhece, um dia vai saber, quando eu conseguir superar um de meus maiores ressentimentos.
Estou curtindo o meu recesso escolar. As duas semanas estão passando lentamente para meu total deleite, apesar dos trabalhos que ainda tenho que corrigir. Vivo sem sobressaltos ou expectativas desnecessárias. Faço o que posso dentro de meus limites pessoais. Se não for possível fazer hoje, faço amanhã, só não posso deixar de fazê-lo.
Ainda preciso de tempo para amadurecer escolhas futuras. Elas envolvem a minha família e não tenho como tomar decisões sem levá-la em conta.
Tenho uma família que amo muito e consegui construir outra tão boa quanto a primeira. Sei que não posso escolher as pessoas com as quais tenho vínculo afetivo hoje, mas acreditar nestes vínculos tem sido um dos maiores investimentos que tenho feito na vida. Bom mesmo é saber que isso deixa de ser trabalhoso quando perdoamos secretamente a quem um dia nos feriu. E melhor ainda, é estar desarmado diante do outro a partir de agora.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A arte do esquecimento

Dia desses conversava com um amigo de muitas caminhadas, quando ele começou a relembrar nosso primeiro retiro em Campos do Jordão. Fui surpreendido ao me dar conta que não me lembrava de nada! Somente depois de um esforço, lembrei-me de fragmentos do que havia acontecido. À medida que ele discorria sobre as brincadeiras que eu havia feito durante a viagem, imaginando situações surreais, é que me dei conta do quanto o havia marcado.
Normalmente, sou tímido para quem pouco me conhece, mas adoro uma boa farra com as pessoas mais conhecidas. Dar gargalhadas é muito bom, daquelas que fazem a barriga doer e nos tiram o ar. Isso inclui rir da própria sorte, das coincidências, das maluquices que penso e falo e outras coisas legais. Ter senso de humor é fundamental a qualquer hora. Acho que o herdei de minha mãe.
Ao chegar em casa veio forte a lembrança do que senti após ter participado desde retiro: a minha vocação para viver em uma comunidade.
Do momento que atravessei o portão do sítio no Bairro dos Melos, fui descobrindo o quanto era importante me descobrir, me encontrar. A felicidade de estar entre pessoas estranhas, que mal sabia o nome, era enorme. Partilhávamos os mesmos objetivos, trilhávamos caminhos comuns e estávamos em busca de nossa divindade, do Deus guardado dentro de cada coração. Dava para sentir a energia emanada a cada meditação, trabalho manual, refeições e principalmente, no horário em que fazíamos o silêncio absoluto no início da tarde.
Esse era o momento em que eu escrevia para mim mesmo, em meu "diário de bordo", uma pequena agenda vermelha.
Senti-me amparado, seguro e amado nesses dias. Fiz amigos e amigas. Abracei e fui abraçado. Consolei e fui consolado. Aprendi mais do que ensinei naqueles dias de azul profundo e noites estreladas e frias na Serra da Mantiqueira. Era maravilhoso saber que eu podia SER muito mais do que supunha até então. Eu tinha certeza que não seria mais o mesmo depois desse retiro. Eu seria um homem melhor. E essa certeza se confirma sempre.
Ao sair, veio a dor da partida. Chorei pela saudade que já estava sentindo. Na época seria capaz de deixar tudo aqui, até mesmo as pessoas que amava, para viver a minha vocação. Mas já era tarde demais. Eu simplesmente não poderia deixar a minha vida estruturada com muito esforço. Além disso, precisaria ser muito egoísta. Mesmo entristecido com o mundo que voltaria a encarar, cheguei em casa renovado, pronto para o que desse e viesse. Foi importante sentir também que era esperado com grande expectativa.
Para quem está preocupado com a perda de memória até que escrever sobre esse problema me fez lembrar de boas passagens! Mas ainda assim, continuo meio aflito com a falta de memória para outros temas. Será que o esquecimento que tenho experimentado decorre da proximidade de meus 50 anos? Estarei ficando senil precocemente? Tem pessoas que bebem para esquecer; será que terei que beber para me lembrar? rsrsrs
Reconheço que do momento que passei a viver com tudo o presente, o passado (que inclui o bom e o ruim) está desaparecendo!
Os ressentimentos, mágoas, alegrias e trunfos estão encolhendo e perdendo a importância e espaço que outrora tinham. Não consigo mais vivenciar as experiências como fazia há anos atrás. Eu não me recordo mais tão bem delas. E para recordar, preciso de ajuda.
Existe um lado interessante nesse "processo" de esquecimento. Acho que estou começando a perdoar. Sinto-me liberto diante da vida que tenho. Mal me resta tempo para pensar no futuro, aliás eu pouco me importo como os desafios que terei pela frente. Acredito que a consciência do presente, do que eu sou capaz de fazer, de minha capacidade de mudança e consequente aprendizado, me tornam transparente diante de mim mesmo. Sinto que não tenho o que temer e a minha vida me ocupa o suficiente.
Tenho que tomar decisões que envolvem o meu futuro e sinto-me apático pela primeira vez. A questão não é ter que tomar decisões, mas viver algo que não existe, criar expectativas inevitáveis, ficar sonhando acordado e penar com a cobrança interna para que tudo se realize. O resultado final deixou de ser o meu objetivo de vida. Se mudo, tudo muda.
O meu presente está se tornando tão rico de experiências que o passado e o futuro tornam-se pouco atraentes. Um, eu já vivi e não me interessa revivê-lo; o outro, desconhecido e que só fará sentido se for uma continuidade do que vivo hoje no presente.
Assim, continuo vivendo esse embate gostoso de fazer escolhas e tomar decisões. Mas juro que farei apenas se minha consciência e meu coração estiverem de comum acordo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Copiei do blog do Cascão

Depois de uma tarde ensolarada de inverno, cheia de compras, traballho e muito estudo, lembrei-me com melancolia de onde gostaria/deveria estar agora: fazendo o meu retiro de Cafh(www.cafh.org) em Campos do Jordão (SP). Não pude estar presente este ano por conta do meu trabalho, apesar de estar me preparando para esse retiro desde janeiro.
Foi preciso renunciá-lo para confirmar a falta que ele faz em minha vida.
Saudoso das grandes experiências que compartilhei em tantos retiros, desde 1995, quando encontrei o meu caminho espiritual, fui ao google e busquei - Retiros de Cafh em Campos do Jordão - assim encontrei o Blog do Cascão. Já tinha ouvido falar do companheiro de caminhada, mas não imaginaria encontrar o seu estimulante e corajoso blog pessoal.
Por isso, estou divulgando e partilhando um post que acabei de ler. Espero que gostem tanto como eu.
O russo George Ivanovitch Gurdjieff (1866-1949) era um homem misterioso e extraordinário. Suas idéias permanecem modernas até hoje, numa impressionante síntese de tradições espirituais do Oriente e do Ocidente.
Escreveu sua obra nos seus últimos dez anos de vida, deixando-nos pérolas como "Relatos de Belzebu a Seu Neto", "Do Todo e de Todas as Coisas" e o mais famoso "Encontros com Homens Notáveis" - quase uma autobiografia, que inspirou um filme com o mesmo nome.
Seus melhores escritos são simples e diretos, como estes conselhos a sua filha, que, seguidos, nos fariam mais sábios e felizes. Enjoy it.
1. Fixa tua atenção em ti mesma, sê consciente em cada instante do que pensas, sentes, desejas e fazes.
2. Termina sempre o que começaste.
3. Faz o que estiveres fazendo o melhor possível.
4. Não te prendas a nada que com o tempo venha a te destruir.
5. Desenvolve tua generosidade sem testemunhas.
6. Trata cada pessoa como um parente próximo.
7. Arruma o que desarrumaste.
8. Aprende a receber, agradece cada dom.
9. Para de te autodefinir.
10. Não mintas, nem roubes, pois estarás mentindo e roubando a ti mesmo.
11. Ajuda teu próximo sem torná-lo dependente.
12. Não desejes que te imitem.
13. Faz planos de trabalho e cumpre-os.
14. Não ocupes demasiado espaço.
15. Não faças ruídos nem gestos desnecessários.
16. Se não tens fé, finge tê-la.
17. Não te deixes impressionar por personalidades fortes.
18. Não te apropries de nada nem de ninguém.
19. Reparte equitativamente.
20. Não seduzas.
21. Come e dorme o estritamente necessário.
22. Não fales de teus problemas pessoais.
23. Não emitas juízos nem críticas quando desconheceres a maior parte dos fatos.
24. Não estabeleças amizades inúteis.
25. Não sigas modas.
26. Não te vendas.
27. Respeita os contratos que firmaste.
28. Sê pontual.
29. Não invejes os bens ou sucesso do próximo.
30. Fala só o necessário.
31. Não penses nos benefícios que advirão da tua obra.
32. Nunca faças ameaças.
33. Realiza tuas promessas.
34. Coloca-te no lugar do outro em uma discussão.
35. Admite que alguém te supere.
36. Não elimines, mas transforma.
37. Vence teus medos, cada um deles é um desejo camuflado.
38. Ajuda o outro a se ajudar a si mesmo.
39. Vence tuas antipatias e te acerca de quem queres rejeitar.
40. Não reajas ao que digam de bom ou de mau sobre ti.
41. Transforma teu orgulho em dignidade.
42. Transforma tua cólera em criatividade.
43. Transforma tua avareza em respeito pela beleza.
44. Transforma tua inveja em admiração pelos valores alheios.
45. Transforma teu ódio em caridade.
46. Não te vanglories nem te insultes.
47. Trata o que não te pertence como se te pertencesse.
48. Não te queixes.
49. Desenvolve tua imaginação.
50. Não dês ordens só pelo prazer de ser obedecido.
51. Paga pelos serviços que te prestam.
52. Não faças propaganda de tuas obras ou ideias.
53. Não trates de despertar, nos outros em relação a ti, emoções como piedade,admiração, simpatia e cumplicidade.
54. Não chames atenção por tua aparência.
55. Nunca contradigas, cala-te.
56. Não contraias dívidas, compra e paga em seguida.
57. Se ofenderes alguém, pede desculpas.
58. Se ofendeste publicamente, desculpa-te igualmente em público.
59. Se te dás conta de que te equivocaste, não insistas por orgulho no erro e desiste imediatamente de teus propósitos.
60. Não defendas tuas antigas ideias só porque tu as enunciaste.
61. Não conserves objetos inúteis.
62. Não te enfeites com as ideias alheias.
63. Não tires fotos com personagens famosos.
64. Não prestes contas a ninguém, sê teu próprio juiz.
65. Nunca te definas pelo que possuis.
66. Nunca fales de ti sem te conceder a possibilidade de mudança.
67. Aceita que nada é teu.
68. Quando pedirem a tua opinião sobre alguém, fala somente de suas qualidades.
69. Quando adoeceres, em vez de odiar esse mal, considera-o teu mestre.
70. Não olhes com dissimulação, olha fixamente.
71. Não te esqueças de teus mortos, mas limita-os em um espaço que não lhes permita invadir toda a tua vida.
72. Em tua moradia, reserva sempre um lugar ao sagrado.
73. Quando realizares um serviço, não ressaltes teus esforços.
74. Se decidires trabalhar para alguém, trata de fazê-lo com prazer.
75. Se estás em dúvida entre fazer ou não fazer algo, arrisca-te e faz.
76. Não queiras ser tudo para teu cônjuge; admite que busque em outras pessoas o que não lhe podes dar.
77. Quando alguém tenha seu público, não tentes contradizê-lo e roubar-lhe a audiência.
78. Vive dos teus próprios ganhos.
79. Não te vanglories de aventuras amorosas.
80. Não exaltes as tuas debilidades.
81. Não visites alguém só para preencheres o teu tempo.
82. Obtém para repartir.
83. Se estás meditando e um diabo se aproxima, bota-o a meditar também...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Rapidinhas para se ter sempre em mente

Você quer ser diferente?
Cumpra suas promessas: Mantenha sua palavra e seja diferente de tantos que costumam não manter a palavra ou mesmo mentir!
Assuma seus erros: Não coloque a culpa por seus erros nos outros. Assuma sua falta, e você será muito "diferente" das diversas pessoas que dão desculpas e não assumem as próprias falhas!
Seja gentil, polido(a) e educado(a): Em um mundo de pessoas grosseiras e mal-educadas, palavras simples, como, por exemplo, "com liçenca", "por favor", "obrigado(a)" e "me desculpe" podem fazer uma diferença enorme.
Seja honesto(a): Talvez esta seja a principal diferença em um mundo onde se tem a impressão de que a corrupção e a desonestidade são a regra, não a exceção.
Extraído da Revista O Mensageiro de Santo Antônio, setembro de 2006

sábado, 5 de junho de 2010

O Sol como aquecedor

Estou aqui em casa buscando o sol para me aquecer. Muitas vezes guardo comigo um espesso silêncio diante das pessoas que convivo. Silencio-me diante de posições radicais e posturas autoritárias. Silencio-me diante de muros que são construídos e que me impedem de conversar com todos que convivo. Seria bom se pudesse partilhar tudo o que sinto e penso sobre a vida, não escrevendo, mas falando diretamente.
Acredito que poderia resgatar muitas relações que se esvaziaram com o tempo. Mas sei que não posso ter novamente o que já se perdeu. Seria preciso que a outra parte tivesse o mesmo objetivo. Hoje sei que amei mais do que fui amado, se é que posso mensurar o amor. Também constatei que o valor que dei a algumas amizades não foi correspondido com a mesma intensidade. Mas isso não importa mais. Eu fiz o melhor que pude, sem esperar por retribuições.
Muitas vezes a comunicação fica limitada à ponderações superficiais, sem no entanto, evoluir para um diálogo onde as diferenças sejam postas de lado e os pontos comuns sejam a melhor temática. Encontrar semelhanças e pontos de convergência em um diálogo acaba se tornando um exercício de encontro sem igual. Estar com amigos queridos sempre será prazeiroso. É bom partilhar experiências, sabendo que estão do nosso lado, mesmo quando nos colocam o quanto podemos estar equivocados. Valido muito as críticas dos amigos verdadeiros, pois sei que conspiram ao meu favor.
Prefiro não adotar posturas radicais diante da vida. Não me agrada constatar que elas podem com o tempo, tornarem-se uma fonte de sofrimentos tolos. Assumir um erro de julgamento vai requerer uma dose grande de coragem e humildade, tornando os resultados imprevisíveis. Por isso, não me agrada agir precipitadamente.
Sempre fui mais flexível em ouvir e ponderado ao falar. Mas nunca consegui ser imparcial na maioria das vezes, mas sempre soube me colocar claramente diante dos impasses com habilidade política. Sou um mediador empolgado diante de situações complexas, caso seja convidado a opinar e buscar soluções. Me parece mais fácil terminar do que iniciar, seja lá o que for. Entretanto, a minha postura diplomática "vai para o brejo" quando me sinto injustiçado.
Não trago respostas prontas e verdades absolutas dentro de mim. O meu livre arbítrio e a consciência do meu papel nesse mundo me tornam mais realista e menos passional diante dos fatos. Já fui um homem muito mais passional do que sou hoje. Toda vez que ouvia que "homem que é homem não chora", revidava chorando intensamente. Era a forma que usava para mostrar que não iria me constranger por nada e por ninguém.
Já vivi muitas situações e confesso que se pudesse voltar faria diferente. Mas como não se pode reviver o passado (e cá entre nós, eu não quero mesmo), prefiro estar atualizando a minha postura diante da vida. Acredito que mais a diante não me arrependerei tanto da maneira com que encaro a vida hoje.
Adotar a flexibilidade me faz sentir liberto de apegos e posturas. Assim sinto-me continuamente renovado diante da vida.







sábado, 22 de maio de 2010

Em meio ao pálido sol de outono

Os dias ganharam um contorno preguiçoso. Depois de uma semana de muito trabalho, relaxo e desacelero. Não há mais prazos para serem cumpridos, pelo menos por esses dias. E uma greve necessária, deixa os meus dias ainda mais longos. Dias longos nos levam a esticar resoluções e postergar pequenos compromissos, pois não há qualquer motivo para ter pressa.
Quando tenho mais tempo disponível, como é o caso agora, gosto de estar o mais próximo que posso das pessoas que amo. Minha filha sempre acaba sendo a minha primeira escolha. Ela não é a única pessoa que amo na vida, mas a que mais precisa de mim.
Próximo de completar 5 anos, vejo com espanto o seu crescimento e sinto que não posso deixar de estar junto do ser humano que me completou, e sem dúvida resgatou de dentro de mim o que tenho de melhor. Minha filha é a peça de meu quebra-cabeça que faltava. A solução de meu enigma pessoal. É o sopro de vida que inundou minha alma e meu coração. Declarar o quanto a amo aqui é pouco, muito pouco perto do que sinto e que não pode ser transcodificado em simples palavras.
Hoje mesmo, em meio ao pálido sol de outono, disse para uma mãe que tenho um milagre para cuidar por toda minha vida. No mesmo momento, ela olhou para seu filho deformado por uma paralisia cerebral e me disse com os olhos úmidos que também tinha um milagre. Na mesma hora, uma avô, mãe de muitos filhos, olhava com profundo carinho os dois netos adotivos, incrivelmente felizes a rolar na grama.
Passei o dia com minha filha. Não foi nada planejado, foi acontecendo aos poucos. Almoçamos na casa de minha mãe. Passeamos de mãos dadas ao sol, encontramos as crianças que já falei e depois voltamos para casa da vovó. Logo senti o sono de minha filha chegar e ela acabou dormindo em meus braços enquanto eu assistia um filme.
Cuidando de seu sono, confirmei com meus olhos o que está sendo difícil para mim de uns dias para cá: ela está crescendo e se tornando delicadamente independente. A inocência que as crianças guardam em seu coração deveriam permanecer por toda vida dentro de nós.
Estou aqui teclando e ao meu lado está minha filha fazendo muitos desenhos, como flores dançantes, sol de rocambole, gatinhos, coelhinhos e muitos ovos de Páscoa. Ela está aqui espremida e já disse que está aqui para ficar comigo, junto a mim. Como eu poderia não curtir esse maravilhoso momento de cumplicidade? Será que quando a adolescência chegar ela ficará aqui como agora? Espero que sim, mas se não estiver, eu sempre a estarei esperando para partilhar seja lá o que for.
Tenho estado com as emoções bem mais afloradas nesses dias. Minhas meditações diárias tem sido fortes e me comovem até as lágrimas. As respostas que tenho recebido de Deus diante da vida são de uma simplicidade constrangedora. Viver é muito mais simples do que podemos imaginar. Quando avaliamos nossa vida ou o momento atual como faço agora, retiro as emoções, e vejo tudo com mais objetividade e clareza. Reconheço-me em minha essência e sinto o que tenho que fazer para viver bem e melhor.
Nunca precisei de grandes transformações em minha vida e admito que prefiro que ela continue assim. Se bem que vivo com tanta intensidade o presente que mal dá tempo para ser surpreendido pelo futuro. Deus é que sempre me surpreende com sua imensa misericórdia, compaixão e força, inundando meus dias com sua presença.
Não sei até quando vou continuar sentindo essa forte energia emocional. Mas como tudo está muito bem estrutura em minha cabeça (quase tudo), aproveito mais um momento especial em minha vida, na certeza que ele não se repetirá e certamente não será o último.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Corrigindo a rota toda vez que o vento mudar.

O que você faria se tivesse a chance de corrigir o seu passado? Não todo o seu passado, mas situações que tivessem ficado incomodamente mal resolvidas. Eu tenho tido essa oportunidade de rever minhas atitudes aos olhos de minha maturidade. Cheguei a conclusão comum a todos. Ah! se tivesse vivido com a experiência que hoje possuo...
Entretanto, não me sinto culpado e nem lamento o que para mim está definitivamente perdido no tempo, já não faz mais parte de minha vida hoje, mesmo sabendo que sou hoje o que vivenciei em tantos anos.
Se consigo vislumbrar que sou melhor do que ontem, esse é um bom sinal. É um sintoma clássico que estou ficando curtido, como os velhos vinhos e aguardentes, famosos pela qualidade obtida com o tempo.
Tenho experimentado intensas mudanças na percepção do significado da vida. Tenho comemorado a minha maturidade todos os dias, agradecendo a Deus ao acordar e ao deitar pelas possibilidades que tenho recebido. Eu penso que tudo tem o seu tempo próprio para acontecer, até mesmo quando o presente parece desfocado em nosso olhar e a esperança já vai longe.
Hoje vivo dia após dia, com uma coragem e uma certeza constrangedoras e impossíveis há tempos atrás.Também estou ciente que posso fazer diferente e fazer a diferença.
Sabe quando você descobre que não tem mais o que temer? Que a partir de agora, tudo que vier a acontecer terá sido programado exclusivamente para mim. E que sou capaz de superar o que vier ao meu encontro. Eu não acredito que Deus nos coloque um peso maior do que as forças que possuímos. Isso não faria sentido qualquer.
Por isso celebro a vida. Não que a morte me amedronte, pois ela está longe de ser a negação da vida. Ela é apenas uma etapa inevitável dela, assim como um nascimento.
Há dias em uma reunião de almas que participo, coloquei que usamos muito mal os nossos sentidos ao longo da vida, principalmente durante a juventude, o que não é uma regra sem excessões.
Olhamos quando devíamos ver, escutamos quando deveríamos ouvir, falamos quando devíamos calar e tocamos quando deveríamos sentir.
Aguçar os sentidos deveria ser uma disciplina obrigatória para se viver bem. Quantos livros para viver bem são lançados pelo mercado editorial, arrastando multidões de leitores, como que para viver houvesse uma fórmula mágica, uma atitude ideal ou uma receita antiga. Não quero fazer críticas dos autores aqui, mesmo já tendo lido muitos livros desse estilo. Eu mesmo ficava intrigado com a leitura e sempre me perguntava: Como eu não pensei nisso antes? Por que não tive a iniciativa de mudar? Parecia que eu estava lendo o que já sabia e estava guardado dentro de mim há mil anos.
Cada um guarda dentro de si a chance, a possibilidade de viver melhor e feliz, por mais difícil que tenha sido a sua vida. Já conheci pessoas extremamente pobres, que "matavam uma boiada" todos os dias para sobreviver e viviam com uma dignidade invejável. Me disseram que suas vidas faziam sentido, e sentido para elas significava não desistir diante de qualquer obstáculo. Fiquei constrangido a lembrar-me que muitas vezes reclamava por nada.
Também já convivi com pessoas que carregam grande sofrimento emocional assumindo toda responsabilidade que lhes cabe. Eu as acompanhei em suas lutas diárias, nos seus momentos de dor e aprendi à admirá-las e respeitá-las por isso.
Aprecio a idéia que estamos aqui apenas de passagem por esse mundo de desconcertante simplicidade. Não deixarei nada e não levarei nada daqui. Apenas uma esperança de que a minha vida ao findar não tenha sido em vão. No que me cabe, estou me esforçando para fazer o melhor que posso, aprendendo com meus erros e agradecendo pela expansão de minha consciência mais uma vez.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A vida é bastante simples, apesar de parecer complexa (carta para um amigo)

Sempre soube e pude experimentar encontros e desencontros ao longo de minha vida.
Soube superar grandes perdas sem nunca perder a fé e a esperança em dias melhores.
Mas confesso publicamente que perder a sua amizade sincera foi muito difícil.
Precisei de tempo para compreender tudo o que havia acontecido, e me perdoar verdadeiramente.
Respeitei o silêncio e a distância que me foram impostos e assumi a minha parcela de responsabilidade diante dos fatos.
Faltaram-me palavras para defender-me...
Hoje amadurecido exponho nestas linhas o que sinto. Não creio que perdemos nada. Precisávamos deste longo tempo por alguma razão que repousa nas mãos de nosso Criador.
Mas o que importa é saber que nossa adormecida amizade perdurou, apesar do distanciamento físico e emocional.
Não guardo ressentimentos pois tenho aprendido que não preciso viver com eles, mas resguardo minha valiosa essência humana que você foi capaz de perceber em minhas postagens.
Acredito que devemos um ao outro o direito de resgatar nossa amizade, pois nem o tempo foi capaz de conspirar contra nós.
Obrigado pela oportunidade de reencontrá-lo, um amigo que tinha tudo para ser como um irmão.
Abraços de verdade.
Luiz Fernando

Duffy - Stepping stone

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Com o mundo ao meu redor

Estou me adaptando às mudanças que fiz para minha vida em 2010. Apesar do processo estar acontecendo com um certo grau de ansiedade, os resultados tem sido muito bons. Tenho conseguido focar antigas prioridades, muitas que estavam adormecidas na memória e observar atentamente, como as pessoas de minha convivência passaram a me tratar. Sempre fui uma pessoa discreta. Nunca apreciei a exposição exagerada. Por causa de minha natureza um tanto tímida e reservada, tornei-me um observador de qualidade. Desde criança, eram poucos que conseguiam me iludir. Eu sempre descobria o que estava acontecendo, mas quase nunca revelava o quanto estava sabendo.
Por conta disso, muitos amigos e parentes ainda acreditam que sou ingênuo e pronto para ser enrolado e explorado, uma vítima.
Também já brincaram muito comigo por acreditar em tudo que vejo e escuto logo de imediato. Por vezes me permito agir assim, mas a experiência de vida acumulada, não me permite mais fazer isso com tanta frequência e creio que deixarei de fazê-lo. Mas isso não me incomoda. Eu gosto de validar as pessoas até o momento que elas mesmas me provem o contrário. Eu sempre preferi acreditar do que duvidar. Gosto de dar créditos ao ser humano. Eu mesmo sou o meu maior credor. Mas quando desacredito, sou como todo ser humano, é para valer.
Tenho tido o privilégio de fazer o que gosto. Encontrar e conhecer novas pessoas de uma forma especial: dando-lhes aulas e me surpreendendo com que sou capaz de fazer com a Geografia, quando vejo olhares atentos. É em sala de aula que encontro o meu público alvo, o sentido mais forte da minha escolha profissional. Sou capaz de colocar a minha timidez de lado a atuar espontâneamente. Muitas vezes, até eu mesmo duvido do que falo e faço dentro de sala. Fazer com que meus alunos sejam capazes de descobrir seus múltiplos talentos, e apreciar essa descoberta não tem preço.
Arroubamento é o que sinto quando faço o que amo. Este ano voltei a ser unicamente professor e creio que a ansiedade inicial desapareceu quando pela enésima vez confirmei que estou trilhando o caminho vocacional que escolhi.
Como profissional tenho muito o que aprender. Não sou o melhor professor, reconheço minhas limitações, mas estou disposto à aprender com elas e quem sabe um dia, superá-las. Mas sem cobranças ou necessidades tolas de provar nada a ninguém. Sou um homem e um professor bem resolvido, com uma das minhas grandes paixões - o magistério.
Aprender é que importa para mim e aprendizagem não pode ter fim. Não me vejo no futuro sendo um professor completo, que sabe tudo, que conhece tudo e que por conta disso, se torna o melhor profissional, merecedor de benesses e reverências. Quero apenas cumprir da melhor forma que eu puder, o que me coube fazer nessa vida.
Dia desses me disseram que sou um grande investidor. E concordei na hora. Invisto no ser humano, minha matéria prima diária.
Acredito tanto quando faço um investimento, que por vezes superestimo as pessoas envolvidas. Mas gosto de ter palavras de incentivo e apoio, e elas nunca me faltaram. Como otimista nato, tenho sempre em mente que é para frente que se anda. Não espere que eu alimente angústias alheias. Vou dar ultimatos para fazer as situações se resolverem, mas respeitando o tempo de cada um.
As idéias estão fluindo com muita intensidade em minha mente hoje. Sinto que vivo um período de transformações muito necessárias para mim. Não consegui mensurá-las ainda, mas gosto de expectativas positivas, principalmente quando sei que estou agindo com seriedade e transparência comigo mesmo e com o mundo ao meu redor.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Ressentimentos

Tenho pedido a Deus para me libertar de antigos ressentimentos e impedir que novos não durem mais do que 24 horas dentro de meu coração. Depois de ler um livro simples, mas forte, chamado "O cavaleiro preso na Armadura" de Robert Fisher, descobri que ainda preciso tirar o colete que me protege há tantos anos, permitir que meus sentimentos sejam expostos com coragem e libertar-me dos ressentimentos que me tiram o ar muitas vezes.
Eu jamais poderia acreditar que hoje eles me pesassem tanto nos ombros. Eu acredito que por causa deles estou com uma hérnia cervical. Meus ombros doem toda vez que carrego um peso e ao final do dia sinto dores que atingem meu pescoço; nada desesperador, mas o suficiente para me lembrar que meu corpo não é mais o de 30 anos atrás. Estou aprendendo com meus limites físicos e a cuidar de minha saúde como nunca havia feito antes.
Por outro lado, as dores não me deixam esquecer do peso silencioso e doloroso que carrego há tantos anos. A vida me preparou mais para a defesa do que para o ataque, mas toda vez que precisei atacar surgia uma coragem "não sei de onde" que só me fazia parar quando alcançava meus objetivos. Entretanto, me defender não demandava tanto esforço e eu sempre sobrevivia, mesmo ficando muito magoado e entristecido. Muitas dessas mágoas transformaram-se em ressentimentos e sempre envolviam pessoas que eu amava muito.
Boa parte desses ressentimentos perderam o sentido, até porque hoje posso compreender melhor o passado e ver e sentir as pessoas com mais imparcialidade. Mas outra pequena parte de meus ressentimentos, confesso, são mais resistentes do que poderia supor. Por conta disso, decidi por um fim neles definitivamente. Não sei quanto tempo vou levar, mas não vou desistir por nada. Essa será uma batalha e tanto.
Tenho aprendido muito nos últimos anos, expandindo minha consciência e com muita coragem assumindo tudo o que sou e principalmente, a minha própria vida. É o que estou fazendo aqui agora. Não tenho reservas ao escrever sobre as transformações que estou vivendo e o quanto tenho aprendido com elas. Da mesma forma, que não posso (aliás, nunca consegui) "tampar o sol com a peneira", tentando ser o que nunca seria, por mais que sentisse até mesmo uma ponta de inveja. A inveja que senti um dia foi muito útil para me motivar a ser melhor, sem com isso querer destruir quem fosse melhor do que eu.
Muitos amigos já me condenaram pela exposição, mas eu fui preparado por Deus para ser transparente comigo mesmo diante de qualquer situação. Até uma astróloga já me falou isso!
Tenho lutado bastante em 2010 e estou aprendendo a atacar minhas fraquezas. Já estou detonando meu orgulho e agora vou partir para meus ressentimentos. Eu preciso aprender a perdoar de verdade e liberar meus coração dessa angústia.
Preciso renunciar aos pensamentos negativos e de vingança que alimentam meus ressentimentos e deixá-los morrer de inanição.
Por que decidi tomar essa atitude? Porque tenho convivido com pessoas que como eu guardam muitos ressentimentos, e sofrem muito por conta disso. Elas tem consciência das mágoas, sabem de onde se originaram, mas não conseguem fazer nada para mudar. Possuem uma atitude egoísta pois não conseguem dividir suas mágoas abertamente com ninguém e por conta disso, acabam paralisadas pelo medo e repleta de culpas, até porque gostariam de ser diferentes, mas não sabem como dar o primeiro passo ou decidiram não fazê-lo.
Eu não me enquadro neste perfil, mas se não fizer nada a partir de agora, em pouco tempo farei parte desse seleto grupo arrogante e ressentido com a vida.
Temos um tempo de vida limitado e não quero deixar para trás nada, nenhuma dor para ser resolvida em outra vida, até porque não sei se teremos uma nova chance. Caso tenhamos, vale aqui a máxima: Não deixe para fazer depois o que você devia ter feito há tempos atrás. À medida que os ressentimentos forem sendo resolvidos, a sua capacidade de amar vai se expandindo proporcionalmente. Isso é um bom motivo para você, assim como eu, iniciar essa nova jornada.
Libere o seu coração para a sua função primordial: amar incondicionalmente. Essa é uma das muitas receitas para ir de encontro ao que chamamos de paz.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Tenho fome de aprendizado

Há tempos não ouvia tantas músicas como hoje. Estou colocando todos os cds que tenho para ouvir em meu pc. E estou "viajando" como não fazia há tempos. Tirei a manhã e a tarde para ouvir Loreena Mckennitt, The Clannad, Moya Brennan, Enya etc e confesso que estou adorando e me sentindo inspirado para fazer muitas coisas, dentre elas escrever, o meu grande refúgio diante dos desafios diários.
Para qualquer pessoa, assim como eu, é muito bom fazer o que nos causa prazer e satisfação. Ler um livro especial, curtir um show ao vivo, encontrar com amigos para um papo animado, apreciar uma paisagem em silêncio, imaginar figuras nas nuvens em um dia de sol, fazer uma caminhada ou correr entre árvores, fazer um prato especial para receber amigos, adormecer depois de um dia de trabalho pesado, abraçar a quem precisa de ajuda, passar uma tarde brincando com os filhos, estar ao lado de quem se ama com envolvente cumplicidade e reconhecer-se capaz de contribuir com as pessoas que amo sem reservas.
Eu poderia colocar dezenas de situações que enchem de alegria meu coração. Você que está lendo agora poderá também estar se lembrando de situações que fazem seu coração bater forte, enchendo sua vida não só de emoções poderosas, mas de um grande significado. Essa mágica constatação não reside em realizar grandes feitos, mas precisam tocar de uma forma especial a nossa essência.
Quando vivemos essa experiência, tornamo-nos seres humanos melhores e nossa vida parece mergulhada em uma paz infinita, ainda que dure pouco tempo. Quem ainda não se sensibilizou com um abraço inesperado ou um delicioso beijo? O canto de sabiás ao amanhecer me fazem chorar. Demonstrações de desprendimento e sensibilidade me surpreendem quase sempre, sem contar o impacto que lágrimas em meio ao silêncio podem me causar. Não sei o por quê e pouco importa, apenas o sentir me importa. Assim passo para um estágio de complacência diante da vida e por segundos pareço entender tudo, tudo o que me cabe, tudo que Deus quer que eu saiba. Logo depois já sou outro homem que transmutou verdadeiramente.
Estes são mistérios que dispensam explicações. É como se pudéssemos ler nessa hora "O Livro dos Segredos" e apreciar a simplicidade que reside diante do mistério da vida. Ela resume-se unicamente em estar vivo e viver com uma consciência intensa o que fomos, o que somos e até ousar vislumbrar o que seremos amanhã. Mas o certo é reconhecer que só se vive cada experiência, de encontro ou desencontro, uma única vez. Por isso, as oportunidades não podem ser desperdiçadas sempre. Tenho fome de aprendizado. Assim, aprofundo minha consciência na certeza que ela será a única forma de tornar a minha vida cada vez melhor.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Golpe mortal

Dei um golpe mortal em meu orgulho. Há tempos já me sentia exaurido com a tola necessidade de ampliar continuamente o poder que havia conquistado há muitos anos. Ainda existia dentro de mim, um desejo de crescer, sempre ambicionando novas posições profissionalmente e que entravam em choque com meu caminho espiritual e, principalmente, com meus valores e a minha essência divina (que todos temos, mas poucos a reconhecem).
Era importante começar a desmontar a espiral de ambições que não mais fazia sentido para minha vida; causava-me apenas desgastes emocionais inúteis e sobrecarregava-me de responsabilidades, deixando quem deveria cumprir o seu papel livre de responsabilidades reais. Eu assumia muito mais do que era capaz e por incrível que pareça, dava "conta do recado", por conta da minha determinação, organização e disciplina, eficientes quando me propunha a agir. Mas por outro lado, adormecia a consciência de minhas prioridades pessoais.
Existia um prazer vaidoso em mostrar-me tão eficiente. Havia também um esforço sincero de esconder de mim e de todos que convivo essa vaidade. Nunca fui movido por elogios. Eles sempre soaram como cobranças sutís e geravam expectativas sufocantes. Toda vez que era elogiado sempre me sentia constrangido por saber que havia uma cobrança embutida. Entretanto, o elogio criava condições para não sair do caminho que seguia, e secretamente, ficava orgulhoso de até onde havia chegado.
Por isso, decidi no ano passado sair do caminho em que estava, e entrar em 2010 em uma rota alternativa, trilhando um novo percurso sem saber direito o que iria encontrar. Essa é uma das vantagens de já ter vivido quase meio século. As surpresas e desafios que temos pela frente apresentam-se com sua verdadeira dimensão. Assim, fica difícil capotar na primeira curva fechada, ou receber uma multa por excesso de velocidade.
Hoje estou trabalhando com meu orgulho depois do duro golpe que ele levou. Longe de estar incomodado, estou me sentindo mais leve, como se tivesse deixado para trás um peso desnecessário. Está sendo interessante recomeçar e nem por isso estou me sentindo fragilizado. Lembro-me dos inúmeros recomeços em minha vida e hoje sei o quanto foram importantes para eu ser o que sou hoje. Estou achando interessante observar o meu próprio comportamento diante das mudanças por mim friamente calculadas! rsrsrs
Já me perguntaram o por quê dessa mudança, para muitos radical. Com o sorriso, respondi:
Essa é apenas uma das muitas renúncias que ainda farei na vida, após constatar que preciso estar em paz comigo mesmo para usufruir do mundo e das pessoas ao meu redor.
Subtraio necessidades supérfluas e ultrapassadas. Encontro dentro de mim, um mundo novo que mal conhecia e cheio de possibilidades.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Minha infância está ficando para trás...

Que saudades da infância que já vai tão longe mas que ao mesmo tempo está tão viva em minha memória e em meu coração. Toda vez que me recordo de minhas aventuras, sinto o meu coração bater forte e alto diante da grande satisfação que tais lembranças me trazem.
Muitos primos e amigos, que mal sei onde estão, formaram um mosaico de experiências compartilhadas sem igual. Não me atrevo a citar nomes em meu blog, sem antes pedir a devida permissão. No entanto, pelo mais puro egoísmo e para preservar a todos que um dia convivi tão intensamente, batizarei-os com outros nomes ou nem isso farei.
Perdi um primo mais velho por causa de um acidente de automóvel. Antes que viesse a falecer, vi o desespero de todos os familiares diante da longa agonia que durou quase 30 dias. Ainda me lembro do choro intenso de minha mãe no velório. Era muito querido pela imensa generosidade que trazia dentro de si. Vivia de forma tão apaixonada que era quase impossível odiá-lo. Era um homem com um coração de criança. Talvez essa seja a melhor definição.
Também perdi outro primo para uma devastadora doença. Pediu para estar com o pai antes que morresse, mas nunca foi atendido e partiu de uma forma melancólica. Lembro-me dos memoráveis almoços de domingo na casa de minha avó quando brincávamos bastante. Ele sempre fora mais alto e velho que eu, mas nunca deixou de ser gentil e amigo. A adolescência trouxe uma distância maior que não conseguiu ser transposta por nossa amizade de infância.
Ambos já se foram e não me recordo com clareza os seus rostos. Estou certo que estão muito bem pois seus pais já foram ao encontro deles!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Arranquei o ciso e não perdi o juízo!

Decidi arrancar o ciso no sábado de Carnaval! Me disseram que eu era doido pois perderia o mais longo feriado de 2010. Ficaria cheio de dores, não poderia comer direito e tomar sol, ficaria com o rosto inchado etc. Mas como não sou um folião de 1a. e não iria viajar, decidi antes mesmo de perder o meu juízo e me acovardar, extrair o grande dente que tracionava minha arcada inferior há muitos anos.
Estou com o rosto inchado e dolorido. Não saio de casa há mais de 2 dias. Tive febre e dor de cabeça, mas que estão sendo derrotadas com um analgésico para se colocar debaixo da língua. Ainda não tive coragem de olhar os pontos que tomei e apesar de ter trazido o dente comigo para apresentá-lo como troféu para os parentes e amigos, por enquanto mal consigo olhá-lo.
Recluso por opção, voltei a refletir sobre minha vida. Olhando de minha janela o estrelado céu de fevereiro nesta madrugada, lembrei-me que há muitos anos atrás implorava a ajuda de Deus em um dos momentos mais dolorosos que já pude viver.
Apesar de tentar relembrar ou mesmo reviver as sensações de um momento tão delicado, não consegui ficar emocionado ou angustiado. Talvez por sentir que precisava fazer uma escolha, estar ciente que não poderia ter tudo ao mesmo tempo, tomei há anos uma corajosa decisão de renúncia. Abaixei minhas expectativas, entreguei minha vida à Aquele que sempre confiei.
O que tivesse que acontecer a partir dai deixava de ser uma opção pessoal. Aceitaria sem reservas o que quer que fosse. Certamente por isso, as lembranças não me trazem arrependimento ou dor hoje ao resgatá-las em minha memória.
O tempo passou e tudo acabou acontecendo como havia desejado, mas com um tempo diferente. Minha mãe e minha filha estão vivas, e tornaram-se no maior aprendizado que recebi de Deus para chegar bem aos 100 anos sem perder o juízo!
Será sempre um grande aprendizado conviver com a dor, seja ela física ou emocional. Quando nos dispomos a aprender com ela, nos fortalecemos verdadeiramente. Hoje sinto-me cada vez mais corajoso e desprendido em muitos aspectos. Se a dor é física, vou me tratar com medicamentos e ao mesmo tempo, vou aprendendo com os limites de meu corpo.
Se a dor é emocional, trato de vivê-la sem excessos, pois agora sei que metade dela tem um mistério que só terei consciência tempos depois. Então acabo fazendo o que posso para sobreviver à experiência, passando a ter um olhar repleto de esperança e otimismo.
Nesses casos eu não posso deixar tudo nas mãos de Deus. Eu tenho um livre arbítrio que me permite estar consciente da parte que me cabe em todas as situações. Por isso faço o melhor que posso para enfrentar com coragem todos os desafios de "peito aberto". Quanto à conclusão final, fica com o meu "parceiro celeste".
Arranquei o ciso, mas perder o juízo com quase meio século de existência...quase impossível.
Perder o juízo é perder a consciência do estar vivo. E não desejo isso para ninguém.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A palavra e o silêncio

Cheguei em 2010 em grande estilo. Estou, como dizem meus amigos da Era de Aquário, bastante zen. As férias estão recarregando minhas energias. Sinto-me pacificado. Os pensamentos ruminantes que me acompanharam no fim de 2009 desapareceram. Antes de ficar sofrendo com aquilo que poderá acontecer, agora é esperar pelas boas notícias que não tardarão em chegar. Já escolhi os florais que tomarei e tenho feito fisioterapia para colocar no lugar minha coluna vertebral, depois de um 2009 profissionalmente estressante.
Gostaria de poder ficar mais um mês de férias, mas já sei que fevereiro será outro mês atípico, considerando que só depois do Carnaval as aulas começarão de verdade.
Fiquei sem escrever por quase quatro semanas. Fiquei cansado de usar o computador, mas escrevi em folhas de papel, como se fazia antigamente.
Coloquei meu computador e netbook na revisão. Estavam lentos e cheios de vírus "mortais". Além disso, preferi me dedicar a trabalhos práticos e braçais nessas férias, além de exercer com mais intensidade o meu papel de pai, filho, irmão e marido. Não que eu fosse ausente, mas com a cabeça livre de preocupações e mais tempo disponível, posso aguçar o meu olhar sobre a minha atuação nesses papéis.
Como já digitei anteriormente, 2010 vai ser um ano mais tranquilo em todos os sentidos, pelo menos é o que espero. Por mais que surjam situações complexas, espero ter uma mente aberta para não me deixar levar por provocações e angústias que tanto me incomodaram em 2009. Hoje mesmo pensava na força que tem o meu orgulho e o quanto entro em choque com ele sempre que posso.
Todos os dias mentalizo que as dificuldades do outro não terão o poder me desestabilizar, pois a partir de agora não estarei disponível para muitas pessoas. Vou fechar a guarda.
Férias me fazem relaxar bastante e a cada ano que passa elas me fazem melhor. Deve ser o tempo cobrando o seu preço. Sou professor há 24 anos! As férias me tiram do ar!
Deve ser por isso que costumo esquecer o datas e os dias da semana. Se pudesse nem relógio usaria. Minhas agendas estão em branco em janeiro. E mesmo não tendo viajado para nenhum lugar, viver a minha vida 24 horas com a intensidade que aprecio, tornou-se um exercício muito legal.
Convivo bem comigo mesmo. Não parei ainda para pensar muito no que estou vivendo em janeiro, apenas estou deixando fluir a vida com a maior naturalidade possível. Não estou me impondo nenhuma rotina de compromissos e faço o que posso e quero dentro de meu tempo.
Mas imagine se pudesse viver sempre assim. Acho que ficaria entediado com o tempo, deixando de aproveitá-lo de forma mais produtiva. Lembro-me da satisfação que tenho quando consigo cumprir tudo o que planejei para um dia. Fico orgulhoso de mim mesmo, pois vejo o quanto posso realizar.
Por isso, considero que tudo deve acontecer a seu tempo, esteja eu de férias ou trabalhando cheio de atividades e gerindo duas agendas. Trabalhar e tirar férias são apenas os dois lados de um mesma moeda. O que importa é agregar qualidade à vida que se vive!
Também me surpreendo o quanto a distância na convivência pode criar situações embaraçosas. Difícil é reconhecer o quanto podemos estar míopes para perceber que as pessoas estão mudando e se transformando. Mudanças podem fortalecer as pessoas ou fragilizá-las lentamente. Os que um dia foram fortes, podem se tornar frágeis e se quer nos damos conta disso, só quando as diferenças tornam-se visíveis. E o que fazer nesse instante quando percebemos? Poupar e proteger das dores do mundo e da passagem do tempo a quem amamos.
Saber ouvir é para poucos. Lembrei-me de um velho provérbio: "a palavra é de prata e o silêncio é de ouro." Apoiando-me nessas palavras, tenho preferido o silêncio que me permite ouvir e ver com clareza tudo e todos ao meu redor. Acredito que por estar mais maduro só darei importância ao que realmente me faça um homem melhor.

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

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Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

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