quinta-feira, 26 de junho de 2008

16/09/1981

...Vivemos em um estado cruel e inevitável de transformação. Cruel pois demonstrar flexibilidade é sinal de fraqueza. Mudar de atitude, personalidade instável. Demonstrar sentimentos, perder a racionalidade etc. Assim, sofremos por não nos permitirmos o direito de aprender, transformar e transmutar para assim irmos de encontro a felicidade, ou pelo menos de curtir momentos especiais.
Hoje percebo como é difícil sustentar comportamentos herdados do passado! Tenho que mudá-los, sei que posso, mas ainda não consigo. Ainda creio que estaria sendo visto pelo próximo como fraco. Ainda me atenho a possíveis comentários maldosos, dignos de minha formação judaico-cristã, repleta de culpas e medos. Pior é saber que comentários e julgamentos que me fazem, são em sua maioria frutos da imaginação. E se fazem, não merecem valor algum, pois não são colocados diretamente para mim.
Vivo em sociedade, mas não preciso me submeter a ela ou a quem quer que seja. Respeito o ser humano assim como respeito às leis que rejem as sociedades, apesar de nutrir uma crescente indignação às injustiças e contradições ao ponto de achar interessante ser desobediente e questionador como civil. Quando levado a extremos, sou desobediente, desobrigo-me da obediência diante de uma injustiça e isso me faz bem.
Nossa sociedade carece de respeito e solidariedade, além do amor, essencial a toda toda hora e momento e em todos os tempos. Gostaria de viver em um mundo ideal, que fosse cooperativo, harmonioso, trabalhado, afetuoso, digno, prazeiroso, vivido dentro de uma fé estruturada no coração e na aceitação das diferenças, culto e inundado de amor. Porém, deixo no mundo apenas a esperança e a torcida de um futuro que certamente será melhor.
(Extraído de um texto datilografado em 16/09/1981, quando tinha 19 anos)

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Incompleto, inacabado e em construção.

Várias pessoas já saíram de minha vida há tempos. As razões são inúmeras e vou tentar dar os motivos. Mas o importante é destacar que as que permanecem, as que chegaram e as que chegarão. Muito breve estarei escrevendo sobre elas.
Alguém já fez as contas de quantas pessoas convivemos ao longo de uma vida?
Sempre acredito que ganhamos mais dos seres humanos do que perdemos. Não gosto de contabilizar perdas, mas ganhos. Por isso, tento aqui compreender esse complexo cálculo. Muitas pessoas...
  • saíram, porque a vida, ao longo de seu curso, naturalmente nos separou. Foram para muito longe, ficando física e emocionalmente distantes. Deixaram lembranças que hoje me são frágeis, na maioria das vezes. As recordações estão perdendo o foco com o passar dos anos.
  • saíram, por opção pessoal. Buscaram a distância em função de vidas atribuladas a nível emocional e profissional. Por alguma razão não revelada, preferiram viver de lembranças, fechando-se para o presente. Posso dizer que quando as encontro, vejo e sinto que perderam o brilho no olhar. Poderiam retomar e sustentar uma amizade que daria muitos frutos, uma vez que estamos mais maduros. Respeito a escolha de cada uma delas, apesar de lamentar a distância.
  • Saíram, porque eu não permiti que continuassem ao meu lado. Aprendi com elas o quanto a minha super exposição me deixava vulnerável. Além do mais, não suportava mais as provocações, insinuações, ironias e deboches. No more lonely nights.
  • Saíram, porque não conseguimos constituir um vínculo depois da infância. Deixaram uma saudade gostosa e sempre que nos encontramos, fica visível nossa cumplicidade. São abraços e beijos rápidos e em silêncio. Algumas já estão voltando, afinal de contas, o tempo está ficando escasso.
  • Saíram, apesar de ainda não terem se dado conta disso. Ainda acham que podem me afetar com comentários inoportunos e infantis. Acabo rindo muito e vejo como o meu silêncio continua a incomodar.
  • Saíram, levados pelo destino final de todos nós. Deixaram lembranças maravilhosas, me marcaram tão profundamente, que tenho um baita orgulho de tê-las conhecido e convivido um dia. Tornaram-se referências importantes de generosidade, integridade, ética e desprendimento. Muitas vezes me pego chorando ao lembrá-las e como gostaria que estivessem ao meu lado nesse instante de minha vida.
  • Saíram, pelo mesmo motivo acima, mas mal consigo me lembrar de seus rostos. Não deixaram nada que me valesse recordar. Não deixaram ressentimentos ou sentimentos. Simplesmente se foram.
  • Saíram, mas permanecem ao meu lado fisicamente. Não me deram opções para que fosse diferente. Minaram aos poucos as relações comigo ao longo dos anos, me deixando cada dia mais perplexo diante de suas atitudes e descrente quando ao que realmente sentiam por mim. Para me preservar emocionalmente, preferi o silêncio e o olhar desviado, para que não pudessem me magoar mais.

Mas sabe o que me surpreende? Sempre as amarei. Não sei como consigo, talvez porque o sentimento chamado amor é o mais forte de todos e pode, caso eu queira, mudar a história deste último parágrafo. Chegará um dia em que serei corajoso e seguro o suficiente para fazê-lo.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Espelhos

Na última postagem disse que me encontrava atarefado. Estranho, continuo da mesma forma. Passei um final de semana como muitos que já tive, cheio de responsabilidades e compromissos assumidos. Ontem quase dormi sobre o teclado. De repente me vi escrevendo palavras sem sentido, como se fosse uma "escrita estranha". Meu corpo estava legal, mas sentia a energia de meus pensamentos se esvair rapidamente. Precisava dormir.
Hoje, mais ou menos descansado, fiquei pensando no pesado sono de ontem. Paro agora para escrever o que pensava agora pouco.
O sono é um treinamento para a morte. Quando o sono chega por mais que lutemos, ele acaba por nos derrotar. Eu creio que com a morte será assim também. Ela talvez seja mais forte que o adormecer, mas por outro lado, nos livrará de todo tipo de dor física e emocional que estejamos vivendo. Será o ultimo suspiro. A morte da esperança. O clímax de uma vida. Por que escrevo isso? Porque a morte não é a antítese da vida. É apenas uma parte dela.
Não vou dizer que teremos uma nova vida ou que viveremos uma eternidade, pois ainda não morri, mas acredito em outras opções.
Se escrevo sobre a morte é para me lembrar que estou um pouco depois do meio do caminho e tenho muito o que fazer! E o que é mais importante: ainda estou VIVO!
Não estou mais pronto para esperar acontecer, preciso fazer acontecer e concretizar os sonhos que ainda surgirão. Mas compreendo que esperar agora tem um outro significado. Quando jovem era impaciente, queria que tudo acontecesse para ontem. Cobrava e exigia respostas fulminantes. Fazia o que não me cabia só para exibir a minha eficiência e iniciativa.
Agora, ESPERAR significa tornar real sonhos possíveis e realmente essenciais para mim.
A ansiedade amadureceu e me tornou um homem bem mais feliz. Em parte, porque amadureci e mudo minhas prioridades sempre, como se fosse refinando-as. A outra parte, foi porque já realizei muito do que queria, superando minhas próprias expectativas.
Vivo uma novíssima fase de minha vida, que me faz perceber o mundo e os seres humanos com outros olhos. E o que é muito legal? Me vejo também com outros olhos e não preciso mais de espelhos.

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

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Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.