terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Que o eterno nos abençoe em 2010

Como é incômodo ter que conviver com pessoas incapazes de aprender com a experiência. Diante dos fatos evidentes, a percepção do mundo ao redor, a percepção de si mesmas é tão deformada e fantasiosa, que a convivência se torna um desafio.
Tenho sido desafiado continuamente por essas pessoas. Na verdade eu tenho permitido que isso aconteça, mas confesso que isso me desgasta muito. Eu tenho o hábito de levar a sério tudo o que falam para mim, e nem sempre isso é um exercício saudável. Ainda permito pois considero tal experiência um desafio pessoal, como se buscasse uma explicação para esse difícil convívio. Eu preciso estar envolvido num relacionamento para avaliar minhas reações e poder visualizá-las sob diferentes aspectos.
A primeira lição aprendida foi de respeitar os meus limites. A segunda foi que preciso me esforçar para compreender o outro, abstraindo as diferenças pessoais. A terceira foi comprovar que ao ser sincero posso ferir, mesmo quando a minha intenção é outra. A quarta lição foi: só é possível conviver quando existe respeito de ambas as partes. E a última, que desistir de uma pessoa não significa que deixarei de reconhecê-la como ser humano.
Gosto de validar opiniões, mesmo que sejam contrárias ao que penso e sinto. Essa é a estratégia que uso para inserir essas pessoas no corpo da humanidade, sem com isso deixá-las de lado.
Mas tem horas que o convívio me deixa esgotado. Já desisti de ajudá-las por reconhecer que como professor de geografia não tenho estrutura e conhecimentos que me capacitem a ser um psicoterapeuta. Além disso, não tenho ficado chateado pela distância que tenho propositalmente criado em relação à muitas delas. A distância torna-me capaz de ver aquilo que não queria ver até então. Essa mesma distância me preserva de ficar "dando murros em ponta de faca".
Na verdade, essa distância protetora tem me evitado dissabores e discussões inúteis. E confesso que tenho me sentido muito bem e se quer tenho sentido falta da difícil relação. Nesse instante percebo que é o momento de voltar meu olhar para mim mesmo.
O caminho espiritual que sigo não me condena por isso, mas reconhece a minha fragilidade pessoal diante da convivência e me fortalece para que mais a frente possa ter uma visão menos defensiva diante daqueles que se mostram tão diferentes de mim.
Mas escrevo sobre o presente. É sobre ele que me debruço. É sobre um Luiz Fernando fisicamente cansado e emocionalmente decepcionado com as pessoas pelos seus atos egoístas e manipuladores. É assim que me sinto hoje.
Recebi alguns e-mails de amigos que me conhecem bem exaltando o meu grande otimismo diante da vida. Sinto decepcioná-los mas vou deixar transparecer aqui uma descrença no futuro. Eu sou humano e aprecio sentir todos os sentimentos possíveis.
Mas não consigo nutrir frustações por muito tempo. O Deus que eu creio é implacável e um amigão na hora de me colocar de pé. Eu nem preciso pedir, basta olhar para o céu, sentir sua presença em meu coração que tudo volta ao estado normal.
Tenho poucos desejos para 2010. Nada mirabolante, nada que não seja possível de ser concretizado por mim mesmo. Meus desejos para o Ano Novo são egoístas, pois só dependem de mim para serem concretizados. E justamente por isso, têem mais chances de acontecer e mais, podem ser modificados ao longo do ano, de acordo com meus paradigmas pessoais.
Já fiz a minha lista de desejos, um para cada mês de 2010. Levei horas para colocá-los no papel, mas ficaram muito bons e por causa deles, não vejo a hora de 2010 começar.
Creio que irei conviver melhor com as diferenças humanas que em 2009 tanto me incomodaram, pois não permitirei que me afetem mais. Já aprendi o que devia, agora vou para um outro nível, como se fosse um vídeo game!
Hoje quero apenas poder descansar, deixar a barba por fazer e colocar tanto a minha saúde e meu orçamento em equilíbrio.
Hoje quero apenas aproveitar ao máximo o tempo que tenho para fazer o que gosto e me cercar de pessoas legais (já tenho feito isso desde 2007). Assim, tenho construído o alicerce de novas amizades e reforçando aquelas mais antigas.
Como bom incentivador, gosto de estar ao lado de pessoas autênticas, transparentes e corajosas.
Queria estar digitando um texto leve, repleto de esperanças e votos de felicidade. Mas ao contrário, esse texto é a síntese incompleta e emocional de um ano muito desgastante e desafiador. Dois mil e nove me fez ver com clareza o que me é fundamental para viver a partir de agora e reconheço que lutei para aceitar o que me é fundamental. Por isso o texto ficou pesado, mas não deixou de ser esperançoso. Esperança, essa é a palavra que precisamos diante de nossos desafios cotidianos.


Que o eterno te abençoe e te preserve. Que o eterno faça resplandescer sua face sobre ti e te agracie. Que o eterno te conceda a sua misericórdia e ponha a paz sobre ti.
Antigo Testamento Números 6:22

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Escrever

Escrever livremente é experimentar um momento de doçura que em silêncio transformamos em palavras. Esté é um momento profundamente singular e magicamente passível de concretude - expresso de desvendado - da nossa poesia oculta.

Da gente que eu gosto

Eu gosto de gente que vibra, que não tem que ser empurrada, que não tem de dizer que faça as coisas, mas que sabe o que tem que fazer e que faz.
De gente que cultiva seus sonhos até que esses sonhos se apoderam de sua própria realidade.
Eu gosto de gente com capacidade para assumir as consequências de suas ações, de gente que arisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho que se permite, abandona os conselhos sensatos deixando as soluções nas mãos de Deus.
Gosto de gente que é justa com sua gente e consigo mesma, da gente que agradece um novo dia, as coisas boas que existem em sua vida, que vive cada hora com bom ânimo dando o melhor de si, agradecido por estar vivo e de poder retribuir sorrisos. De oferecer suas mãos e agradecer generosamente sem esperar nada em troca.
Eu gosto de gente capaz de me criticar construtivamente e de frente, mas sem me lastimar ou me ferir. De gente que tem tato.
Gosto de gente que possui senso de justiça.
A estes chamo de meus amigos!
Gosto de gente que nos contamina com seu bom humor, sua alegria, sua energia.
Gosto de gente sincera e franca, capaz de se opor com argumentos razoáveis a qualquer decisão. Gosto de gente fiel e persistente, que não descansa quando se trata de alcançar objetivos e idéias.
Me encanta a gente de critério, a que não se envergonha em reconhecer que se equivocou ou não sabe de algo.
De gente que ao aceitar seus erros, se esforça genuinamente por não voltar a cometê-los. De gente que luta contra adversários.
Gosto de gente que busca soluções.
Gosto de gente que pensa e medita internamente. De gente que valoriza seus semelhantes, não por um estereótipo social, nem como se apresentam.
De gente que não julga, nem deixa que os outros julgam. Gosto de gente que tem personalidade.
Me encanta a gente que é capaz de entender que o maior erro do ser humano é tentar arrancar da cabeça aquilo que não sai do coração, a bondade, a coragem, a sensibilidade, o respeito, a tranquilidade, os valores, a alegria, a humildade, a fé, a felicidade, o tato, a confiança, a esperança, o agradecimento, a sabedoria, os sonhos, o arrependimento, e o amor para com os demais e consigo próprio, são coisas fundamentais para se chamar gente.
Com essa gente eu me comprometo, para o que quer que seja, pelo resto de minha vida...já que, por tê-los junto de mim, me dou por bem retribuído.
Impossível ganhar sem saber perder.
Impossível andar sem saber cair.
Impossível acertar sem saber errar.
Impossível viver sem saber reviver.
A glória não consiste em cair nunca, mas em levantar-se todas as vezes que seja necessário.
E isso é algo que muita pouca gente tem o privilégio de poder experimentar.
Bem aventurados aqueles que já conseguiram receber com a mesma naturalidade o ganhar e o perder, o acerto e o erro, o triunfo e a derrota...
Mário Benedetti

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Esperando pelo espírito de Natal mais uma vez!

Mais um Natal se aproxima em nossas vidas. Mais um Ano Velho se despede para dar lugar a mais um Novo Ano. 2010 chega carregado de mudanças e expectativas muito positivas. As mudanças foram se estruturando ao longo de todo 2009 para que finalmente acontecessem no novo ano. Já as expectativas estão diretamente relacionadas às mudanças, pois serão decorrente delas.
Não tracei planos absurdos e nem vou dar grandes guinadas em minha vida, mas a possibilidade de fazer diferente me seduz muito. Eu acho que é isso; a partir de agora posso fazer diferente, aliás sempre pude, mas agora compreendo que estou tomando as rédeas da minha vida. Claro que não tenho o controle total de nada, mas já sou capaz de ver para onde estou indo e ir mudando a direção sempre que quiser. Imagine uma carruagem. Eu sou o cocheiro (profissão do meu bisavô paterno). Tenho em minhas mãos todos aqueles cavalos que seguem rápido, mas sob o meu comando.
É interessante ver que podemos não só fazer diferente. Hoje posso ver e sentir para onde caminha a minha vida. Há tempos sei que sou capaz de sobreviver nesse mundo muito louco, aconteça o que acontecer. Pode parecer arrogante falar assim, mas é como sinto agora. Já sobrevivi corajosamente à situações e pessoas difíceis e um dia terei que sobreviver à ausência daquelas que mais amo na vida, e em nome desse amor incondicional partilhado, serei forte o suficiente para suportar essas grandes perdas e continuar vivendo. Farei isso em respeito a tudo que fizeram por mim.
Pode parecer que estou melancólico com a proximidade do Natal, mas não estou. Esse é um período mágico de encontros, onde as diferenças passam a contar pouco para mim. É um período de braços abertos e muitos beijos. As demonstrações de carinho tornam-se mais intensas, ou pelo menos deveriam ser e se estender por todo ano que vai chegando devagarzinho. Pouco importa se quem eu abraçar não partilha a mesma emoção que eu. O que vale é o que eu sinto e que me faz bem.
Não existe nenhum impecílio para que sejamos felizes. A felicidade não é um sentimento que se esconde em cada esquina. Não pode ser comprada como um presente. Ela é um estado de espírito que vai se conquistando lentamente. Por isso, nesta época do ano não entro nessa roda-viva consumista e desesperada em que boa parte da população vive.
Por que preciso deixar para resolver a minha vida nas quatro últimas semanas do ano? Preciso sair atropelando a tudo e a todos para fazer tudo o que deixei de fazer ao longo de todo ano?
Por que uma ceia de Natal precisa ser uma orgia gastronômica, daquelas de deixar um saldo culposo de calorias? É assim que encontramos a felicidade?
O que precisamos é relembrar do significado do Natal em nossas vidas. Colocar em prática minimamente o que o aniversariante fez, não trará mal nenhum.
Não tenho nada contra a troca de presentes ou me sentar em uma mesa lindamente decorada e com pratos deliciosos. O que me angustia é o desperdício de alimentos e a escassez da fraternidade entre as pessoas. Pouco importa se vou sair da mesa com fome, aliás, até prefiro. Mas é triste ver no que uma celebração tão especial vem se transformando.
Já preparei algumas ceias de Natal em minha casa e por mais que procurasse receber bem meus convidados em meu pequeno palácio, sempre ficava faltando alguma coisa. Por isso, decidi adiar as ceias temporariamente. Preciso fazer uma reestruturação.
Respeito as diferenças humanas, mas não sou hipócrita de dizer que não me importo com elas. Em certos casos, quero que a convivência com certas pessoas não dure mais do que algumas horas. Não me sinto separado da humanidade, mas preciso me cercar de pessoas com as quais me sinta bem, que eu possa conversar relaxadamente e confiar meus sentimentos. Chegando próximo dos 50 anos, o que me interessa é a qualidade e não mais a quantidade. É chato ficar discutindo assuntos tolos o tempo todo, por isso na minha condição de provocador, sempre que posso, puxo o assunto para temas mais profundos. Mas não costumo usar essa estratégia com tanta frequência. Muitas vezes, fiquei falando sozinho, pois ninguém queria ser transparente como eu estava sendo. Hoje, quando o assunto se torna enfadonho, despeço-me e vou para casa. Pior é constatar que tenho feito isso cada vez mais.
Dia desses contabilizei quantos amigos verdadeiros eu tenho. Acho que não ultrapassaram 8 de meus 10 dedos das mãos. E o mundo tem 6,5 bilhões de habitantes! Vejo que somos todos muito solitários!
Amizades precisam ser construídas, podendo levar muitos anos ou bastando apenas algumas semanas para se formalizem. Mas podem sucumbir em segundos se não forem bem sólidas.
Lembro-me que já escrevi sobre Natal em um post neste blog. Eu revivia lembranças da infância que me fizeram chorar na frente do meu PC, agora posso confessar...
O meu Natal de 2009 está mais racional e seletivo, mas nem por isso, menos festivo, esperançoso e profundo. Vou atrás de olhos que possam dividir comigo uma secreta cumplicidade na data mais importante do ano. Vou acertar meu passo com aqueles que já trilham o mesmo caminho que eu, e acima de tudo pedir a Deus que possa tocar os corações daqueles que ainda terão muito que caminhar. Quem sabe poderemos nos (re)encontrar um dia. Eu estarei esperando e tomara que seja de braços abertos.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Um dia você aprende que...

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as sua estradas hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você é na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar os amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida, são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pois pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que você pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde vai, qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem os dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que a maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que quanto aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que se possa voltar para trás.
Portanto, plante seu jardim e decore a sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar...que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.
William Shakespeare

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

Minha foto
Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.