sexta-feira, 30 de maio de 2008

Amebas

Estava de recesso, meio atarefado. Fica difícil ter vários papéis ao mesmo tempo: sou marido, pai, filho, irmão e professor e às vezes, me atrevo a escrever aqui. Relutei bastante em escrever em um espaço tão impessoal e ao mesmo tempo tão devassável. Sempre gostei de escrever no papel, de todo tipo, usando canetas diferentes e usando letras diferentes que mostravam o meu estado de espírito.

Já pensei em transcrever para cá algumas idéias, e quando o fiz, ficou meio estranho. Primeiro por ser pessoal demais e segundo, por não deixar transparecer meus sentimentos, muitas vezes surpreendentes.

Hoje tenho ficado bastante em silêncio. Paro de falar e consigo processar melhor minhas idéias. Também preciso ficar sem ouvir sons para não desviar a minha atenção. A noite é bom fazer isso, quando todos estão dormindo. Nesse momento estou comigo e posso ouvir o meu coração, acalmar meus sentimentos e perceber por instantes, para onde estou conduzindo a minha vida. Avalio escolhas e me deparo com situações que preciso resolver. Sinto que sou hoje melhor do que ontem, mais ainda não tão bom quanto serei amanhã. E espero calmamente amanhecer.

É muito bom não ter que provar nada a ninguém ou se submeter a julgamentos. Sempre que entro nesse estágio de meditação, consigo na maioria das vezes uma tranquilidade especial, mesmo que não obtenha respostas às perguntas.

Tenho exercido como nunca o meu livre arbitrio diante das situações que se apresentam em minha vida. Mas fica difícil exercê-lo diante do inesperado, daquilo que foge totalmente ao meu controle? Não, pois o único caminho é aceitar com humildade e resignação. Sou resignado diante daquilo que é muito maior do que eu. Já assumi a minha fantástica insignificância diante da vida e Dele. Ontem mesmo, eu e uma amiga chegamos a mesma conclusão, estarrecidos: somos amebas diante de tudo que estar por vir e de todos que virão no futuro. Cremos em uma humanidade bem melhor, evoluída e madura que irá dispensar posses e sentimentos que hoje nos são essenciais à vida agora.

Reconhecer a minha insignificância me liberta de amarras e obrigações diante da vida. Estou conseguindo ver, a cada dia, o que de fato é essencial para mim.

Já está claro o caminho que tenho que percorrer. Mesmo assim, não sei dizer como será esse trajeto, a que velocidade preciso seguir e quando chegarei ao fim. Eu acredito que o que busco é para sempre. Nessas horas o iníco, meio e fim tornam-se um só.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Justiça e impunidade

Como você se comporta diante de uma situação incômoda e desrespeitosa? Incômoda, pois precisa conviver com ela semanalmente. Desrespeitosa, pois te agride e a todos ao redor, principalmente pela injustiça que ela produz.
Imagine, essas pessoas que criam tal desconforto, têem absoluta certeza de que fazem é lícito e coerente, apesar de todos irem contra. Para agravar ainda mais o quadro, gritam aos "quatro ventos", que ninguém irá fazer nada contra elas, por não terem coragem ou argumentos!
Eu creio que isso seja conhecido como impunidade. Ser impune é acreditar que tudo de errado que se faz (consciente ou não) jamais será descoberto ou questionado. Questionar pessoas e atitudes gera um desgaste enorme, mas não dá para ver a impunidade "correr solta diante de seus olhos" e ficar como se nada estivesse acontecendo, fazendo "cara de paisagem".
Sinto-me indignado e injustiçado. Jamais seria capaz de fazer o que fazem conosco. São pessoas que depois de anos de luta e garra contra as injustiças, deixam-se agora levar pelo mundano e passam a agir com uma minoria, que vive dentro da impunidade, como se isso lhes fosse um direito adquirido. Pior é ouvir piadas cínicas, comentários ácidos, palavras que machucam, atitudes cruéis e ter que ficar quieto.
Por que me calo? Pois não tenho como agir dentro da estrutura hierárquica onde me insiro. E por outro lado, o sistema e quem precisa agir rapidamente, também não age. O que me incomoda agora, é ver que a impunidade parece que se tornou um direito para muitos, e quando questionados, são capazes de falar absurdos, demonstrando a sua total insanidade ou falta de caráter.
Não quero acreditar, me recuso a acreditar, que isso não terá um fim. Espero o fim de todas as injustiças que ocorrem em nossas vidas.
Eu aguardo pela justiça social há tempos, e faço o melhor que posso como educador, para reduzí-la.
Não consigo há muitos anos deixar comida no prato, pois me lembro dos que passam fome. Me angustia temporais, terremotos, maremotos, tornados, furacões ou qualquer outro tipo de fenômeno natural ou provocado pelo homem. Penso no sofrimento alheio, daqueles que nunca irei conhecer pessoalmente e faço orações por todos, até para os que são impunes caiam em si. Não sou defensor da justiça dos homens, por cometer muitas falhas, mas creio verdadeiramente na justiça divina.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Três dedos

Hoje não pude me conter na sala dos professores em uma escola em que trabalho. Semanas atrás, durante o intervalo de aulas, a televisão mostrava uma mãe que acabava de perder a sua filha em uma missa. Não preciso citar o caso, pois além de ser de domínio público, foi um ato de crueldade sem precedentes.
Pois é, alguns professores "acabaram" com a mãe da vítima, dizendo que ela demonstrava uma frieza impressionante, pois não chorava e se quer aparentava sinais de desespero. Colocaram também que deveria ser conivente com os assassinos, que os brasileiros não valem nada, etc.
Não vale a pena citar tudo que disseram, foi horrível, considerando que eram professores e se colocaram diante de suas turmas com esses argumentos, segundo eles.
Hoje, ao assistir ao replay da entrevista, na mesma escola, ao lado dos mesmos "juízes", os vi calados e sem argumento.
Mas não me contive. Lembrei-os de seus julgamentos precipitados e desumanos. Causou-me espanto que agora ficassem em silêncio diante de minha indignação. E lá fui eu, dar a minha cutucada, como fazia anos atrás.
Como é fácil fazer julgamentos irresponsáveis de caráter e valores. Alguém consegue mensurar a dor de uma mãe que perde uma filha dessa maneira? Existe um padrão para expressar nossas dores? Por que temos que agir como todos agem diante das dificuldades? Afinal, todos os brasileiros não prestam? Eu não faço parte desse grupo. E vocês, fazem parte do mesmo time? Vocês são exemplos a serem seguidos? Por que não medir a força de suas palavras, antes de proferí-las em público?
Há tempos não discuto com leigos, mas não resisti a esse apelo hoje. Apontar o dedo para alguém é fácil, mas repare, ao usar o indicador, três dos cinco dedos estão apontados para você.
Você ao ler isso pode achar que fiz adotei a mesma estratégia de julgamento, mas não fiz isso. Respeito o ponto de vista diferente do meu, mesmo não concordando, mas como fui pego de surpresa, tive agora o meu direito de resposta. Não falei diretamente para ninguém, para não caracterizar um ataque pessoal (não era esse o caso), mas fui claro, firme e educado (sou libriano) ao me colocar. A justiça será feita de qualquer maneira, seja aqui e agora, ou diante de Deus.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Não deixe para fazer amanhã...

Não deixe para fazer amanhã, o que você deve fazer desde sempre. Reconhecer nossas limitações e desafios pessoais é o primeiro grande passo para resolvê-las. Estar ciente de nossas dificuldades para encarar mudanças necessárias em nosso modo de agir, interagir, pensar e repensar também.
Por que escrevo sobre esse assunto? Porque tenho me deparado com pessoas que estão no limiar da vida e não sabem mais o que fazer com seus conflitos internos e nem conviver com eles. Deve ser desesperador não ser capaz de assumir as deformações de sua personalidade ou muitas vezes, se quer perceber o mal que causou para os que estão próximos e em sua vida pessoal.
Eu não quero terminar meus dias assim e muito menos viver o hoje tendo uma visão distorcida e irreal de quem realmente sou. É preciso muita coragem para assumir para si mesmo que não somos tão legais como muitos pensam. Na maioria das vezes criamos imagens que se adaptam aos ambientes que vivenciamos ou de acordo com o momento pessoal vivido. Mas o que interessa é a sintonia interna em ser o mais autêntico possível consigo mesmo, nos diferentes momentos.
Quantas vezes julgamos e avaliamos o outro dentro de um critério rigoroso? E se fizéssemos o mesmo conosco? Certamente ficaríamos surpresos com o quanto somos parecidos com todos os seres humanos. Mas, cá entre nós: faça seu julgamento pessoal sem culpas. Temos um longo caminho de aprendizado, que irá durar até o fim. Mas não espere ser fácil, pois acima de tudo temos que nos desnudar por inteiro. A partir daí, ficará fácil perceber o quanto temos que crescer, como são enormes nossas possibilidades e o quanto somos especiais, sem distinção de sexo, cor, religião, posicionamento político ou social.
Reconhecer o lado negro que todos nós temos, não assusta, pois lançamos uma luz poderosa de transformação sobre ele e passa a fazer uma diferença e tanto em nossa imagem pessoal.
Agora volto a pensar nas pessoas que não conseguem fazer isso, ou porque não querem ou por não terem consciência real de si mesmas. À mediada que a idade chega, são confrontadas com esses medos que as envolve. Muitas vezes, não tem coragem de pelo menos assumir o que sentem e passam a viver (se é que isso é vida) remoendo desafetos e mágoas. Tornam-se feridas vivas que não cicatrizam.
Por isso, não importa a idade. Comece agora a dar mais qualidade a vida e a personalidade que você possui. Não deixe para o último momento, pois ele pode não acontecer. Como diria às pessoas o quanto amo se elas não estiverem mais vivas? Então, faça como corajosamente tenho feito: não deixe para fazer amanhã, por você e pelos que ama, aquilo que já deveria ter feito. O efeito terapêutico é gigantesco para a alma.
Faça uma lista da caracterísitcas pessoais que te incomodam como pessoa e outra, mostrando o que te afeta negativamente na relação com o outro. Esse pode ser um caminho interessante, e uma vez que você o percorrer, será tão surpreendente, que vai ser difícil abandoná-lo.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O sono chega devagar.

Ninguém consegue adormecer com rapidez.
O sono vem devagar, nos envolvendo delicadamente.
A realidade começa a se fundir com a imaginação: sonhos.
Os sons vão ficando distorcidos, o corpo relaxa, buscando uma posição.
Por instantes tenho a sensação que não conseguirei adormecer.
É uma situação de entrega absoluta.
A mente e o corpo cedem.
Adormecemos.
Entrego os pontos sem resistir.
A partir de agora eu posso tudo.
Mergulho no meu inconsciente e liberto a imaginação.
Passo a ver minha vida e o mundo com outras cores.
Minha percepção faz novas e impossíveis conexões.
Vivo momentos inexplicáveis, que sinto ter vivido.
Sinto-me protegido e ao mesmo tempo só.
Sei que deixei alguém para trás.
Mas não consigo olhar.
Mas não posso voltar.
Caminho na direção indicada pelos meus pés.
O caminho surge à medida que sigo.
Acredito que chegarei a um lugar especial.
Onde haverá o céu e a luz do sol que sempre acreditei.
Estou pronto para viver o eterno presente, até o momento em que acordar.

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

Minha foto
Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.