terça-feira, 27 de outubro de 2009

Desaparição

Tenho refletido muito sobre a simplicidade do viver. Descubro através de minhas reflexões o quanto e o que preciso realmente para viver a partir de agora. Isso não é uma questão de lógica ou matemática, mas de bom senso refinado, amadurecido e ecologicamente correto.
Na semana passada tomei conhecimento do significado do termo desaparição pessoal. Fiquei perplexo ao saber que meus pensamentos e atitudes estão convergindo para um caminho que me levará à desaparição!
Já havia pensado também no quanto tenho parecido fraco para muitas pessoas.
Há muitos anos não espero mais o reconhecimento de ninguém, não preciso exibir meus talentos verdadeiros, pois sempre fluíram naturalmente. Meus conhecimentos são grandes, mas felizmente humanos e limitados.
Quero uma vida tranquila e confortável para mim e minha família, sem excessos materiais. E o que mais incomoda para alguns que convivem comigo: estou resguardando minhas opiniões.
Ouço mais e falo cada vez menos. Descobri que ao ser seletivo nesses casos, tenho evitado um gasto desnecessário de energias, poupando-me. Tenho preferido observar atentamente.
Isso não significa que estarei omisso diante de injustiças ou arbitrariedades, mas elas terão que "calar fundo" para que eu me manifeste. E mesmo assim, não serão capazes de me desestabilizar emocionalmente.
Se busco um equilíbrio contínuo, tenho que ir ao encontro de experiências que me acrescentarão qualidade em minha vida. Esse é o grande diferencial! Eu sei com objetividade o que quero e o que não quero da vida.
Dar opiniões e sustentar pontos de vista vai ficando cada vez mais difícil. É como se soubesse que ao me impor ao mundo assim, não estarei contribuindo com nada. Hoje só me aventuro se o ouvinte me solicitar e se eu o conhecer bem. Mas deixo claro que é apenas uma sugestão e que posso até mesmo estar errado.
Quanto às idéias também estão passando por esse processo. Nada mais pior do que ter idéias fixas que escravizam e que com o tempo perdem o sentido e propósito.
Muitas pessoas interpretam como fraqueza, mas eu conquistei o direito de adaptar meus conceitos e pontos de vista à medida que vou vivendo. Não há mais espaço para opiniões cristalizadas e definitivas.
Tornei-me flexível, mas não a ponto de partir. Atuo como um bambu diante de um vendaval, vergo, estalo, mas não parto.
Ter opiniões "flex" é diferente de não ter opinião alguma. Quando opino mostro o que penso e o que sou, sendo assim, não tenho qualquer receio de me colocar aqui ou em qualquer lugar, bastando apenas agir com transparência e sinceridade, o que é simples. Não tenho que concordar com tudo, como não preciso ter a aprovação de todos. Faço questão de deixar isso claro para mim mesmo o tempo todo.
Com o tempo, acho que estou investindo em minha desaparição. Mas se irei conseguir...


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Sou um professor: fiz a escolha certa

Tenho passado por muitas transformações. A maioria vem de dentro para fora e por isso são irreversíveis, pois decorrem de um aprendizado pessoal. Isso quer dizer que se aprendi, não esquecerei mais. Outras, acontecem de fora para dentro e decorrem da convivência com o mundo e com as pessoas, nem sempre acontecendo de forma harmônica. O aprendizado nessas situações é menos sutil, mas é o gatilho que traz à tona as transformações internas.
Tenho aproveitado o momento muito fértil de minha vida para simplificá-la, reduzi-la a uma equação simples, mas de resultado concreto.
Tenho questionado meus apegos materiais e emocionais. Por que preciso de tantos apegos? É realmente necessário me apegar às pessoas, mesmo sabendo que logo depois poderei estar longe delas por muitos motivos?
Percebo há tempos que não posso ter todas as pessoas que amo sempre próximas, pois cada uma delas tem seu próprio caminho. Quantas pessoas já deixei de conviver na vida? E quantas ainda irei conhecer e descobrir? Será que me é fundamental sustentar um patrimônio de carências emocionais e necessidades artificiais? Mas o que me faz repensar tudo isso? Quero uma vida sem apegos e trabalho para conseguir esse objetivo. Não deixarei de amar quem amo e sempre amei, assim com como estou pronto para amar novas pessoas. Porém, darei autonomia a mim mesmo para viver liberto de sentimentos que me causam aflições desnecessárias e posses impossíveis. Amar com qualidade é deixar liberto o instrumento do nosso amor.
Ao simplificar minha vida, aparo arestas em tolos hábitos e avalio o que é fundamental de fato para ir de encontro aos meus anseios e necessidades verdadeiras.
Trocando em miúdos. Por que tenho que seguir um estilo possessivo de ser? Não há mais necessidade de provar nada a ninguém.
Dias desses recebi uma proposta de trabalho. O argumento usado foi: Você atua tão bem e há tanto tempo que não seria justo colocá-lo unicamente na posição de "professor"!
Na hora ficou claro que o argumento não servia para mim. Agradeci e disse que voltar a ser unicamente professor depois de 25 anos de magistério, decorreu de uma escolha pessoal e amadurecida. Disse-lhe, com uma grande certeza, que este era o momento de resgatar o prazer de lecionar, e que nenhuma outra função seria capaz de me proporcionar tal prazer, por maior que fosse o salário e o status embutido nele.
Também coloquei que tenho compromissos familiares e que gostaria viver o meu futuro, o mais discreto possível, tornando-me quase invisível em muitas situações.
Sinto que já dei a minha colaboração, o meu sangue pelo prazer de lecionar Geografia, mas os tempos são outros assim como as novas prioridades que tracei.
Quando os argumentos são fortes e verdadeiros, colocam fim a qualquer proposta, por mais sedutora que venha a ser.
Saí secretamente envaidecido, mas certo que a vaidade nunca teve espaço dentro de mim, assim como o exibicionismo exagerado, que esconde grandes inseguranças. Em silêncio e calmamente me dirigi para casa.
Ao chegar fui recebido por minha filha e esposa, certo de que fiz a escolha acertada.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Palavras de Pascal

Não há nada mais insuportável para o homem do que estar completamente ocioso, sem paixões, ocupações ou leitura. Ele sente que não é nada, é só, inadequado, dependente e vazio. E na mesma hora brota, do fundo do seu coração o tédio, o desânimo, a tristeza, a raiva, o desespero, a aflição...
A grandeza do homem repousa na consciência de ser miserável. Uma vez reconhecido o vazio interior, cria-se um vácuo em que Deus pode entrar. Esse abismo infinito só pode ser preenchido por algo infinito e imutável, ou seja "Deus".

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

Minha foto
Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.