sexta-feira, 19 de março de 2010

Tenho fome de aprendizado

Há tempos não ouvia tantas músicas como hoje. Estou colocando todos os cds que tenho para ouvir em meu pc. E estou "viajando" como não fazia há tempos. Tirei a manhã e a tarde para ouvir Loreena Mckennitt, The Clannad, Moya Brennan, Enya etc e confesso que estou adorando e me sentindo inspirado para fazer muitas coisas, dentre elas escrever, o meu grande refúgio diante dos desafios diários.
Para qualquer pessoa, assim como eu, é muito bom fazer o que nos causa prazer e satisfação. Ler um livro especial, curtir um show ao vivo, encontrar com amigos para um papo animado, apreciar uma paisagem em silêncio, imaginar figuras nas nuvens em um dia de sol, fazer uma caminhada ou correr entre árvores, fazer um prato especial para receber amigos, adormecer depois de um dia de trabalho pesado, abraçar a quem precisa de ajuda, passar uma tarde brincando com os filhos, estar ao lado de quem se ama com envolvente cumplicidade e reconhecer-se capaz de contribuir com as pessoas que amo sem reservas.
Eu poderia colocar dezenas de situações que enchem de alegria meu coração. Você que está lendo agora poderá também estar se lembrando de situações que fazem seu coração bater forte, enchendo sua vida não só de emoções poderosas, mas de um grande significado. Essa mágica constatação não reside em realizar grandes feitos, mas precisam tocar de uma forma especial a nossa essência.
Quando vivemos essa experiência, tornamo-nos seres humanos melhores e nossa vida parece mergulhada em uma paz infinita, ainda que dure pouco tempo. Quem ainda não se sensibilizou com um abraço inesperado ou um delicioso beijo? O canto de sabiás ao amanhecer me fazem chorar. Demonstrações de desprendimento e sensibilidade me surpreendem quase sempre, sem contar o impacto que lágrimas em meio ao silêncio podem me causar. Não sei o por quê e pouco importa, apenas o sentir me importa. Assim passo para um estágio de complacência diante da vida e por segundos pareço entender tudo, tudo o que me cabe, tudo que Deus quer que eu saiba. Logo depois já sou outro homem que transmutou verdadeiramente.
Estes são mistérios que dispensam explicações. É como se pudéssemos ler nessa hora "O Livro dos Segredos" e apreciar a simplicidade que reside diante do mistério da vida. Ela resume-se unicamente em estar vivo e viver com uma consciência intensa o que fomos, o que somos e até ousar vislumbrar o que seremos amanhã. Mas o certo é reconhecer que só se vive cada experiência, de encontro ou desencontro, uma única vez. Por isso, as oportunidades não podem ser desperdiçadas sempre. Tenho fome de aprendizado. Assim, aprofundo minha consciência na certeza que ela será a única forma de tornar a minha vida cada vez melhor.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Golpe mortal

Dei um golpe mortal em meu orgulho. Há tempos já me sentia exaurido com a tola necessidade de ampliar continuamente o poder que havia conquistado há muitos anos. Ainda existia dentro de mim, um desejo de crescer, sempre ambicionando novas posições profissionalmente e que entravam em choque com meu caminho espiritual e, principalmente, com meus valores e a minha essência divina (que todos temos, mas poucos a reconhecem).
Era importante começar a desmontar a espiral de ambições que não mais fazia sentido para minha vida; causava-me apenas desgastes emocionais inúteis e sobrecarregava-me de responsabilidades, deixando quem deveria cumprir o seu papel livre de responsabilidades reais. Eu assumia muito mais do que era capaz e por incrível que pareça, dava "conta do recado", por conta da minha determinação, organização e disciplina, eficientes quando me propunha a agir. Mas por outro lado, adormecia a consciência de minhas prioridades pessoais.
Existia um prazer vaidoso em mostrar-me tão eficiente. Havia também um esforço sincero de esconder de mim e de todos que convivo essa vaidade. Nunca fui movido por elogios. Eles sempre soaram como cobranças sutís e geravam expectativas sufocantes. Toda vez que era elogiado sempre me sentia constrangido por saber que havia uma cobrança embutida. Entretanto, o elogio criava condições para não sair do caminho que seguia, e secretamente, ficava orgulhoso de até onde havia chegado.
Por isso, decidi no ano passado sair do caminho em que estava, e entrar em 2010 em uma rota alternativa, trilhando um novo percurso sem saber direito o que iria encontrar. Essa é uma das vantagens de já ter vivido quase meio século. As surpresas e desafios que temos pela frente apresentam-se com sua verdadeira dimensão. Assim, fica difícil capotar na primeira curva fechada, ou receber uma multa por excesso de velocidade.
Hoje estou trabalhando com meu orgulho depois do duro golpe que ele levou. Longe de estar incomodado, estou me sentindo mais leve, como se tivesse deixado para trás um peso desnecessário. Está sendo interessante recomeçar e nem por isso estou me sentindo fragilizado. Lembro-me dos inúmeros recomeços em minha vida e hoje sei o quanto foram importantes para eu ser o que sou hoje. Estou achando interessante observar o meu próprio comportamento diante das mudanças por mim friamente calculadas! rsrsrs
Já me perguntaram o por quê dessa mudança, para muitos radical. Com o sorriso, respondi:
Essa é apenas uma das muitas renúncias que ainda farei na vida, após constatar que preciso estar em paz comigo mesmo para usufruir do mundo e das pessoas ao meu redor.
Subtraio necessidades supérfluas e ultrapassadas. Encontro dentro de mim, um mundo novo que mal conhecia e cheio de possibilidades.

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

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Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.