sexta-feira, 5 de março de 2010

Golpe mortal

Dei um golpe mortal em meu orgulho. Há tempos já me sentia exaurido com a tola necessidade de ampliar continuamente o poder que havia conquistado há muitos anos. Ainda existia dentro de mim, um desejo de crescer, sempre ambicionando novas posições profissionalmente e que entravam em choque com meu caminho espiritual e, principalmente, com meus valores e a minha essência divina (que todos temos, mas poucos a reconhecem).
Era importante começar a desmontar a espiral de ambições que não mais fazia sentido para minha vida; causava-me apenas desgastes emocionais inúteis e sobrecarregava-me de responsabilidades, deixando quem deveria cumprir o seu papel livre de responsabilidades reais. Eu assumia muito mais do que era capaz e por incrível que pareça, dava "conta do recado", por conta da minha determinação, organização e disciplina, eficientes quando me propunha a agir. Mas por outro lado, adormecia a consciência de minhas prioridades pessoais.
Existia um prazer vaidoso em mostrar-me tão eficiente. Havia também um esforço sincero de esconder de mim e de todos que convivo essa vaidade. Nunca fui movido por elogios. Eles sempre soaram como cobranças sutís e geravam expectativas sufocantes. Toda vez que era elogiado sempre me sentia constrangido por saber que havia uma cobrança embutida. Entretanto, o elogio criava condições para não sair do caminho que seguia, e secretamente, ficava orgulhoso de até onde havia chegado.
Por isso, decidi no ano passado sair do caminho em que estava, e entrar em 2010 em uma rota alternativa, trilhando um novo percurso sem saber direito o que iria encontrar. Essa é uma das vantagens de já ter vivido quase meio século. As surpresas e desafios que temos pela frente apresentam-se com sua verdadeira dimensão. Assim, fica difícil capotar na primeira curva fechada, ou receber uma multa por excesso de velocidade.
Hoje estou trabalhando com meu orgulho depois do duro golpe que ele levou. Longe de estar incomodado, estou me sentindo mais leve, como se tivesse deixado para trás um peso desnecessário. Está sendo interessante recomeçar e nem por isso estou me sentindo fragilizado. Lembro-me dos inúmeros recomeços em minha vida e hoje sei o quanto foram importantes para eu ser o que sou hoje. Estou achando interessante observar o meu próprio comportamento diante das mudanças por mim friamente calculadas! rsrsrs
Já me perguntaram o por quê dessa mudança, para muitos radical. Com o sorriso, respondi:
Essa é apenas uma das muitas renúncias que ainda farei na vida, após constatar que preciso estar em paz comigo mesmo para usufruir do mundo e das pessoas ao meu redor.
Subtraio necessidades supérfluas e ultrapassadas. Encontro dentro de mim, um mundo novo que mal conhecia e cheio de possibilidades.

Nenhum comentário:

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

Minha foto
Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.