segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Revendo paradigmas pessoais: parte I

Por que não me dói mais ver o sofrimento de algumas pessoas? Será que a distância física e emocional construídas ao longo de anos, me fizeram capaz de sentir apenas compaixão por elas? Por que não desejo mais conviver com tantas pessoas?
Por vezes, como agora, não sei se estou me tornando mais seletivo ou vivendo a minha vida integralmente. Tenho muito o que realizar comigo. Tenho que trabalhar minhas dificuldades e me resta pouco tempo para me envolver com os dramas alheios, construídos por opção pessoal. Não existe nada mais cansativo do que perceber que muitas pessoas continuam sendo e agindo da mesma forma. Não dá para ouvir lamentações o tempo todo! Isso além de me irritar, enche o saco!
Não existe nada pior do que estender uma corda para quem esta no fundo do poço, realizar um resgate para logo a seguir vê-la cair no poço novamente várias e várias vezes.
Sinto-me cansado de amparar a quem vive por gosto, no desamparo. Como ascender luzes para quem prefere a escuridão? Como acreditar em quem não aprende com seus próprios erros?
Agora em 2009 como nos próximos anos que virão, mais do que nunca preciso ser seletivo. Não sou tão eficiente em ajudar ao próximo como queria. Tenho desistido com mais rapidez por conta de minha impaciência que toma corpo rapidamente.
Conheço muitas histórias. Posso ajudar de verdade, mas só se for solicitado. Sinto que preciso me poupar de toda forma e deixar cada um seguir o seu caminho, seja lá onde ele termine.
Vindo do Rio de Janeiro hoje, ao vislumbrar o céu na Serra da Estrela com pesadas nuvens, cortadas por raios de sol, comecei a buscar explicações para esse momento tão delicado que vivencio.
Todas as vidas precisam de um sentido real. Qual é o sentido que você dá a sua vida? Aonde pretende chegar? Como planeja chegar? O que vem fazendo de sua vida ao longo de tantos anos? Já pensou em usar e abusar um pouco mais ou menos? Já reviu objetivos e os modificou totalmente? Você está certo que esse é o melhor caminho? O que pretende deixar para o mundo quando não estiver mais aqui? Será que as relações com as pessoas precisam ser revistas?
Poucas pessoas já pararam para solucionar seus enigmas pessoais. Eu sempre deixo essas perguntas vivas em meus pensamentos e procuro guiar minhas ações cotidianas nelas.
Fica muito difícil achar um caminho, seja ele qual for, se essa busca não traz um significado individual. Continuar repetindo atitudes destrutivas deixa evidente a visão deformada que temos do mundo, dos seres humanos e, principalmente, de nós mesmos. Por que acreditar que existe apenas um caminho?
Toda vez que uma pessoa que conheço bem me pede um conselho eu nego, delicadamente. Mas se quiser uma sugestão, fico mais à vontade. Conselhos sempre nos colocam numa posição de poder que me incomoda. Toda vez que alguém se habilitava a me dar um conselho, sentia -me em desvantagem. Parecia que meu erro era consciente.
Hoje, pergunto se posso ser sincero. Se a resposta for positiva, não vou sair machucando ninguém, mas vou falar com muita objetividade e racionalidade. Vou parecer cruel, mas estarei sendo apenas verdadeiro e transparente. Posso até surpreender com alternativas. Gosto de dar alternativas e mostrar possibilidades. Gosto de reconstruções. Gosto de me sentir livre para fazer o que gosto, e para ser o que sou.

domingo, 21 de dezembro de 2008

O olhar

Não sei como poderei viver sem um amor verdadeiro. Sentir o amor em sua plenitude tem um efeito imediato sobre meu coração, para não dizer sobre minha existência. Não é necessário falar nada, basta o olhar de quem nos ama para que tudo fique evidente e faça um sentido enorme. Como pude ficar tanto tempo distante desse olhar?
Esses olhos sempre estiveram presentes em minha vida. Cuidaram de mim quando eu precisava de carinho e proteção. Foram capazes de fazer um esforço enorme para que eu me tornasse o que sou. Não precisava pedir nada, pois sempre estiveram disponíveis para mim. Sempre estiveram atentos às minhas conquistas e fracassos e sempre tinham o que dizer para mim. Acreditavam e investiam em tudo que me fizesse um homem capaz e cheio de possibilidades.
A vida nos tornou cúmplices em todos os momentos e somamos forças e coragem para superar o que nos cabia. Fizemos o melhor que podíamos em todas as situações. Não faltamos com quem nos pedia ajuda e apoio, mesmo sabendo que não poderíamos contar com o reconhecimento e retribuição. Esses olhos pequenos me acordavam com beijos sempre que podiam e me marcaram para toda vida.
Como pude esquecer desses pequenos olhos? Olhos que me ensinaram ser um homem generoso e ter uma visão ampla de tudo. Olhos que me ensinaram a ser reconhecido, mas que não desistiram de me fazer crer que o perdão é necessário e urgente, assim como a vida.
Fui surpreendido por esses olhos dia desses. Estavam vivos como nunca, emoldurados pelo amor que transmitiam para mim. Fiquei surpreso em saber que tinham a mesma força. Continuam a meu lado, torcendo e acreditando por mim. Olhos fiéis, olhos fortes que conseguem ler meus pensamentos e saber com precisão o que se passa na minha alma.
As palavras desaparecem, as mãos ficam trêmulas, o coração bate forte, as lágrimas molham meu rosto e o que sinto me traz um conforto e uma certeza enorme que recebi de Deus os maiores tesouros; só podia ser através Dele: minha mãe e minha filha. Elas compartilham comigo, os mesmos pequenos olhos que expressam silenciosamente o que mais preciso.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Um presente de Natal!

Sento-me para escrever. Faz frio neste domingo e estou em meio às nuvens, pois mal consigo ver o mundo exterior pela janela. Tomo um chá de folhas de laranja para espantar o desejo de ficar mergulhado nos cobertores.
Estou à espera de um novo e diferente Natal que provavelmente não tem data para chegar. Esse Natal que aguardo será capaz de pulverizar ressentimentos, fará desaparecer feridas abertas, atravessar abismos pessoais em balões coloridos, encontrar semelhanças onde só se via diferenças e acima de tudo, ser capaz de resgatar a todos que amamos e que hoje estão fora do alcance dos olhos. Esse é o meu desejo pessoal para essa data.
Sempre acreditei que o Natal precisasse ser uma comemoração partilhada com as pessoas que amamos. Sempre sonhei com uma mesa repleta de felicidade e sorissos.
O Natal que acredito não está preso em lembranças, mas está pronto para acontecer sempre, como um velho conto de Natal que sempre nos emociona nesta época do ano.
Esse é o Natal cheio de futuro que desejo para todos. Posso reescrever e desejar por Natais com um verdadeiro espírito de união.
O meu Natal quer resgatar pessoas e fazê-las brilhar, como as delicadas lâmpadas das árvores natalinas, trazer contentamento e esperança. Será pleno de abraços apertados (daqueles que de tão demorados nos fazem sentir o coração do outro batendo no mesmo compasso do nosso), beijos e afagos, pedidos silenciosos de perdão, lágrimas de verdadeira felicidade e alegria de estarmos juntos de novo.
É importante superar o que ficou para trás e aceitar que não poderá mais ser vivenciado. As pessoas que um dia acreditei serem insubstituíveis, hoje não são mais. Aprendi a viver sem elas, sem os vínculos de dependência emocional. Hoje sou capaz de inseri-las em minha vida com autonomia e liberdade, pois sei diferenciar quem está ao meu lado e suas motivações.
Posso tudo a partir de agora, mas não posso tudo sozinho. É preciso compartilhar novos tempos, novas atitudes, novos sentimentos e novas histórias.
Sinto falta de partilhar minhas esperanças com as pessoas que cresceram comigo. Mas somente com aquelas que me respeitavam por ser quem eu sou. Jamais vou perder a esperança e a fé em dias cheios de glória. Eles estarão presentes em meus sonhos e sempre que acordo eles se renovam em meu coração. Eu sei e sinto que são viáveis. É exatamente isso que quero deixar de legado para meus descendentes: que sempre é possível reescrever nossas histórias pessoais e que nunca é uma palavra muito cruel para ser dita por um ser humano, assim como o orgulho é um sentimento tão ruim, que pode destruir toda forma de amor.
Corações são feitos para amar e bater forte. São eles que garantem a vida dentro de nós e é dentro de cada um que está guardado a centelha de vida, o amor incondicional e a fé que não se apagará. É assim que renasce o espírito de Natal todos os anos, apoiado na vida que nos foi ofertada, no amor que compartilhamos e na fé que nos sustenta.
Faça valer o seu espírito de Natal neste ano.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Recolhendo cacos de vidro

Só falta nevar por aqui. Não me recordo de um mês de dezembro tão natalino! Faz frio e tenho dormido com edredom. O sol só consegue mostrar-se na parte da manhã, depois chega um vento frio trazendo nuvens cinzas que fecham o céu completamente. Estou aqui pensando de novo no Natal. Natal que a minha filha está curtindo demais. Agora mesmo está com a mãe decorando a árvore de Natal que montei e amarrei no banquinho para que não tombasse. Tenho uma filha de poderosa iniciativa, que foi capaz de dar um beijo de Bela Adormecida na mãe, deitada na cama, para que se levantasse e juntas preparassem a árvore para mim e o Papai Noel. Já colocamos a nossa guirlanda na porta, que para minha filha em sua inocência, acreditasse ter sido o Papai Noel que a colocou, e assim, se lembrar de deixar seus presentes na noite de Natal.
Por vezes tenho vontade de fazer compras de Natal, mas quando lembro do estresse que a data causa nas pessoas nos shoppings, acabo desistindo. Por que todo mundo quer resolver tudo, às pressas, até o Natal? Será o efeito do 13 salário que precisa ser gasto antes da crise econômica mundial nos solapar?
Pode ser que sim, mas todos ficam cansados neste período de corre-corre com o intuito de poder entrar em férias e descansar. Eu não sei se poderei descansar como pretendia. Tenho o mês de janeiro para estruturar minha vida em 2009. Tenho que tomar decisões definitivas que contemplem o meu desejo de um ano novo sem os sobressaltos de 2008.
Ainda tenho provas finais para corrigir, mas me sinto em férias e vou fazer tudo bem devagar. Já comecei a arrumar minha casa para o Natal. Já chamei um marceneiro, um eletricista e um bombeiro para fazer aquilo que não pude fazer ao longo do ano, por ter outras prioridades financeiras e por ser incapaz de fazê-lo. Mas meu apt. está ficando legal para receber o Natal. Espero entrar em 2009 completamente "liso", mas com todas as minhas contas pagas - esse é o presente que quero de Natal.
Mas por vezes, recebemos no Natal "presentes de grego". Lembra-se do acidente de automóvel que meu carro sofreu em novembro? Pois é, a seguradora do Corolla não vai pagar o conserto de meu carro. Concluiu que quem deve pagar é o motorista do Fiorino, responsabilizado pelo acidente. Liguei para ele e estou aguardando amanhã em minha casa para apresentar-lhe a conta!
Mas a minha intuição diz que ele não virá e serei forçado a buscar meus direitos, fazendo-o assumir a sua responsabilidade. O que me espanta é que de uma hora para outra estou sendo conduzido a agir com muitas pessoas da mesma forma. Estou perplexo como não me dão alternativas e tenho que agir, pois se não faço "fico mal na foto" de quem acredita em meu bom senso de justiça. Pior é sentir que preciso fazer isso não por mim, mas pelos outros. Não gosto de ser a atiradeira pronta para quebrar vidraças.

Horizontes

Vivo um período de boas expectativas e mudanças que já consigo vislumbrar no horizonte. Já sei que são inevitáveis, por isso nem me preocupo com os resultados ou os desafios que terei pela frente. Eu acho chato ter que levar as pessoas a assumirem suas falhas. É desagradável para mim confrontar-me com elas e com situações causadas pelas mesmas, mas estou deixando de ser compreensivo quando sou "sacaneado", e passo a exercer uma pressão para que tudo se resolva rapidamente. Nesses casos, não espere de mim acordos de nenhuma natureza.
Sempre busquei alternativas, o diálogo franco sem fazer julgamentos precipitados. Gosto de estar visualizando as parte envolvidas e penso muito antes de agir. Mas quando todas as possibilidades se esgotam, o diálogo é inviável e a hipocrisia se estabelece, a saída é partir para o ataque com tudo!
Na altura do campeonato quero uma vida sem exageros. Minha saúde física e mental são prioritárias e não estou a venda por nenhum salário, por maior que seja, ou posições superiores cheias de vantagens. Não gosto de cargos que me sobrecarreguem de poder e responsabilidades além de meus limites. Prefiro desafios onde não precise me expor tanto, por isso gosto muito de trabalhar nos bastidores. Não gosto de exibicionismos e exibicionistas. E estou pouco me importando com o poder que possa a vir a ter em mãos. Aliás, o poder que prezo é o da autonomia, da interação e do aprendizado.
Sei exatamente do que sou capaz, mas preciso de uma atmosfera legal para trabalhar e viver. Preciso estar rodeado de pessoas que saibam trabalhar em equipe, pois sei o quanto pode ser enriquecedor essa convivência. Também sei o quanto é difícil para muitas pessoas compartilhar e dividir. Os egos falam mais alto, como fica visível a insegurança.
Preciso que meu trabalho seja uma fonte de prazer para mim, só assim posso fazer uso de meu potencial. Dessa forma, faço investimentos e esforço-me para integrar diferentes personalidades, respeitando suas particularidades, por mais desgastante que seja. Sou hábil nesse processo, mas reconheço que muitas vez meus esforços são inúteis.
Então, adoto uma estratégia mais arrojada e deixo todos a vontade para buscarem novos caminhos. E mesmo assim, ainda tenho que mostrar para alguns a porta da rua, conduzí-los até ela e fazê-los atravessar.
Quem ler isso deve achar que sou cruel e vingativo, mas eu não sou. Eu me esforço muito para ser justo, como bom libriano que não é capaz de se submeter a ninguém. Sou transparente quando gosto e mais ainda quando não gosto.
Muitas vezes penso que temos que fazer uma triagem dos desafios diários. Alguns merecem a nossa preocupação, mas outros precisam ser minimizados. Mas existe ainda aquele grupo que não se enquadra em nenhum deles. E o que podemos fazer? Se passamos a nos preocupar, perceberemos com o tempo que não iremos chegar a lugar nenhum. E se deixamos de lado, fica lá no fundo uma voz dizendo que "amarelamos", que a indiferença pode esconder um medo terrível em assumir a realidade, etc. A quem podemos então recorrer? O que podemos fazer? A saída é ouvir a outra voz que sempre diz que haverá solução e um fim especial para tudo e todos. Aquela que transforma o medo em coragem, a desesperança em fé, a insegurança em certeza e a escuridão em uma noite repleta de estrelas. Essa vem sendo a conclusão a que pesquisadores e cientistas estão chegando: que acima de todas as nossas dificuldades pessoais e desafios diários existe um poder único capaz de abarcar a tudo e envolver com sua presença e calor nossos corações e mentes. É Dele mesmo que estamos falando.

sábado, 29 de novembro de 2008

Tragédias pessoais

Tenho observado com muita angústia o drama da população de vários municípios de Santa Catarina, estabelecidos na planície fluvial da bacia do rio Itajaí-Açu. Os índices pluviométricos foram dignos de um dilúvio bíblico. Choveu em apenas um dia, 399mm, quando a média mensal para novembro é de 177mm. O somatório de 5 dias, supera os 1.000mm, bem próximo da média anual para a região. O nível dos rios se elevou em 10 metros, destruindo e inundando tudo pela frente. As encostas aparentemente mais seguras, deslizaram dramaticamente, pois ficou claro que o nível de saturação do solo foi superado. Continuo perplexo com as imagens, não só como pesquisador/professor, mas como ser humano que sente compaixão pelas pessoas que perderam tudo, menos a vida, felizmente.
O depoimento de uma sobrevivente me fez chorar. Ela perdeu toda a família em uma noite. Ouvia gritos desesperados por ajuda de seus parentes sendo arrastados pela correnteza sem que nada pudesse fazer. Perdeu esposo, filhos, pais, irmãos e sobrinhos para um pequeno córrego que costumava brincar quando criança. Perdera todos os bens pessoais e até o emprego, pois a fábrica onde trabalhava desapareceu.
Resgatada e ferida em meio a confusão entre bombeiros, militares e repórteres, disse que acabava de renascer. Agradecia a Deus a nova oportunidade, mas não sabia por onde começar a nova vida. Não sobrou nada de sua vida anterior, apenas as lembranças do que havia sido e do futuro, mal sabia o que esperar. Disse também, que acreditava não perder mais nada, pois já haviam lhe tirado tudo. Não tinha nem fotos que pudesse guardar como lembrança, na hora em que a saudade doesse. O bairro pobre em que viveu toda uma vida, também estava irreconhecível.
Doloroso foi ouvir dessa senhora, que não conseguia mais se lembrar dos rostos das pessoas que amava. Recordava-se apenas das águas barrentas levando embora sua família e sua vida.
Chorei, pois não há como ser insensível a esses dramas a que estamos sujeitos. Começar do zero é um desafio, mas perder a quem amamos de uma forma tão trágica, só sendo muito, muito forte.
Muitas vezes ainda lamento as pequenas perdas que tenho tido na vida. Logo depois vejo que não foram perdas reais, pois percebo que não eram tão importantes e que poderia viver sem elas. A mesma situação se aplica para pessoas que pensávamos ser insubstituíveis. Quando a distância cria abismos muito largos, não há como construir mais pontes. Imagine quando você perde tudo e todos que amamos de uma vez só. Esses se tornam insubistituíveis!
Espero que todo esse sofrimento acabe logo. Que todos possam não só reconstruir suas casas, mas suas vidas. Ser solidário é fundamental nessas horas de angústia. Ajude como puder, seja através de doações ou de uma simples oração para que não desistam sob nenhuma condição. Peça para o desconhecido aquilo que de melhor quer para você.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Falo sozinho, mas não moro sozinho.

Sempre que estou só, sento aqui e escrevo. Mas nem sempre isso é possível, daí começo a conversar comigo mesmo. Passei a ter o hábito de falar sozinho quando fui morar sozinho. Muitos acham que fiquei meio "pirado", mas é muito bom verbalizar meus pensamentos com total intimidade.
A princípio, buscava espelhos para falar. Era interessante olhar dentro de meus próprios olhos e observar as expressões faciais, à medida que praticava o meu monólogo. Depois fiquei mais corajoso e desandei a falar sozinho. Quando cozinhava, estudava ou arrumava o apartamento. O papo muitas vezes ficava tão animado que sentia que o apartamento ficava repleto de sons. Parecia que rolava uma tremenda festa.
Descobri que eu era (e sou) uma companhia legal e bem humorada para mim mesmo. Descobri que poderia ser feliz, caso decidisse viver assim, sem ninguém. Percebi também que não teria como depositar a minha felicidade em ninguém.
Era preciso que antes me amasse bastante. A partir daí, poderia escolher entre esses dois caminhos. Continuar comigo mesmo ou constituir uma família. Optei pela segunda opção e não me arrependo. Apesar da autonomia emocional e do fortalecimento de minha auto-estima, partilhar a minha vida com as pessoas que amo é muito mais enriquecedor.
Dias atrás pensava no que tive que vivenciar e experimentar para ser o que sou e ter o que tenho. Não posso dizer que a vida foi madrasta comigo. O que tenho não faria o menor sentido se não fosse o que sou hoje.
Aprendi que não se pode ter tudo o que se sonha, mas o necessário para viver com dignidade. Era importante usar todas as ferramentas disponíveis de maneira eficiente, mesmo que isso significasse abrir mão do que havia conquistado logo depois.
Aprendi que tenho que levar a sério o que falam para mim e não o que falam de mim.
Aprendi que não se pode ser disponível e solícito o tempo todo. Dizer "não" educadamente me faria sentir bem e ajudaria ao ouvinte mais ainda.
Aprendi que não se pode perder a esperança e a fé, por pior que esteja o mundo ao seu redor. Por pior que sejam as pessoas ao seu redor.
Aprendi que dar boas gargalhadas e um bom bate-papo renovam energias, principalmente quando estamos cercados de amigos verdadeiros.
Aprendi que escrever, em qualquer situação, ajuda-me a perceber os desafios diários. Pois toda vez que escrevo, secretamente descubro a solução para todos eles.
Aprendi a importância de ser responsável por meus atos e deixar os meus pensamentos ruminantes longe de mim.
Descubro que não tenho como contabilizar perdas em minha vida, mas de creditar ganhos enormes e crescentes.

sábado, 15 de novembro de 2008

Repassando uma idéia

Aprendi que um homem só tem o direito de olhar outro de cima para baixo, para ajudá-lo a levantar-se.
Gabriel Garcia Marquez



Andando sentado

Depois de uma semana bem atribulada de trabalho, finalmente estou tendo a chance de escrever um pouco. Não vou falar de trabalho, pois é muito chato falar de trabalho quando se está cansado e pior ainda, falar de dinheiro quando se está duro. Ninguém merece ouvir ou ler isso. Eu nunca gostei de ficar me lamentando. Prefiro agir, pois se me cabe fazer, faço. E que bom que posso fazer e tenho iniciativa de sobra, aliás, minha filha também! O único problema que tinha, era de me sobrecarregar com um prazer imenso. Agora, permito que cada um faça a sua parte.

Tive três dias desafiadores. Na última 6a. feira, acordei com uma dor lombar terrível, sintomas da velhice chegando. Levantei cheio de dores e comecei a andar sentado. Lembrei-me de imediato de uma tia de 80 anos, que por força da velhice anda desse jeito e das boas gargalhadas que eu e minha irmã demos ao vê-la andando desse jeito. Resultado, aos 47 anos andava como se estivesse com mais de 80! Fui ao médico, tomei medicamentos e hoje já voltei aos meus 47 anos, lépido e fagueiro.

Na 2a. feira, quando chegava em casa com minha filha, depois de ter ido pegá-la na escola, aconteceu de novo. Parei e dei seta para entrar em minha rua. Logo atrás de mim pára um vistoso Corolla. E logo depois, vem um Fiorino destrambelhado que não conseguiu parar. Resultado. Ele acabou batendo na traseira do Corolla, que por sua vez bateu na traseira do meu Palio. O meu prejuízo foi pequeno e nem vou pagá-lo, mas a seguradora do Corolla. Este virou uma sanfona por conta da frágil carroceria. E o Fiorino culpado, teve pequenas avarias no para-choque e radiador.

Depois de me certificar que minha filha estava bem, ví que valeu a pena ter brigado com ela para que se sentasse na cadeirinha e fosse "amarrada" no cinto de segurança.

Saí do carro e fui averiguar o impacto. Junto comigo, sai furiosa a dona do Corolla esbravejando que estava indo para o Rio de Janeiro. Logo depois chega o motorista do Fiorino arrasado. Pedia desculpas e dizia que nunca havia batido na vida. Eu saí logo dizendo: a primeira batida a gente nunca se esquece!

O trânsito ficou caótico por conta do sinistro. E depois de 1hora e 30 minutos tentando falar com a polícia, a funcionária de uma loja de estofados, foi gentil em ficar tentando fazer contato com a Delegacia, pois nossos celulares descarregaram nos primeiros 30 minutos de tentativas.

Enquanto a polícia não chegava, a saída era acalmar-mos. E o bate-papo rolou naturalmente. Eu estava sereno e consegui acalmar os outros dois motoristas: um se sentia culpado e a outro, fumava um cigarro atrás do outro. Logo a seguir, minha esposa chega e leva minha filha para casa. E lá ficamos a esperar. Que bom que a polícia demorou. Trocamos placas, telefones, cartões e e-mails. Discutimos política, salários e perdas ao longo da vida. Descobrimos que nosso encontro forçado tinha um propósito e ele aconteceu. Tomamos decisões práticas e com muito bom senso e terminamos dando gargalhadas e batemos palmas quando finalmente a polícia chegou com seu carro semi-detruído.

Antes disso, pude observar os motoristas e passageiros de ônibus que nos olhavam com ar de reprovação. Quando percebemos os olhares passamos a rir muito. Todos deviam estar pensando que éramos loucos, pois foi uma tripla colisão e estávamos atrapalhando bastante o trânsito. Mas fazer o quê?

Muitos conhecidos e vizinhos me ofereceram carona. Outros me disseram que estavam arrasados com o que havia acontecido com o meu carro com apenas 1 mês de uso. Fiquei bolado, como dizem meus alunos.

O que de fato era importante? Estávamos todos vivos. Isso era mais importante do que qualquer pedaço de lataria amassada. Foi muito bom ter participado desse "tripa colissão" (foi assim que escreveu o policial no boletim de ocorrência). Reencontrei um amigo depois de muitos anos e conheci uma pessoa muito especial, que "tirava de letra" a situação, pois depois de tantas perdas, já estava calejada e via a situação com uma naturalidade surpreendente, passado o susto inicial. Sabe o que mais me cativou nessa senhora? Não havia o menor sinal de amargura ou dor. E posso garantir que suas perdas foram enormes! Não posso dizer quais foram. É mais um segredo de amigo que guardo.

E finalmente, depois de uma 3a. feira sufocante no Rio de Janeiro em novembro, acomodei-me na poltrona do ônibus para Petrópolis. Adormeci rápido dentro daquele ambiente climatizado. Ainda vi alguns cariocas presos dentro de ônibus urbanos acalorados e suando "em bicas". Adormeci e sonhei que chegava em casa. Jantaria antes de dar aulas no período noturno.

Acordei depois de 2 horas de viagem. Estava parado dentro do túnel da Rio-Petrópolis. Depois de 3 horas, em meio a uma chuva pesada chegamos na Rodoviária. Perdi as três primeiras aulas, não jantei e ainda tive que falar com o meu diretor o que havia acontecido.

Como sempre acha que estamos mentindo, entreguei-lhe o atestado médico, o boletim de ocorrência da colisão e a passagem do ônibus.

Não sei o que passa em sua cabeça, mas fiquei feliz em perceber que ele ficou perplexo com as provas que lhe dei.

Por que será que temos que provar às pessoas o que somos e o que fazemos? Dá uma vontade danada de mandar essa gente para o espaço sideral. Mas é bom esperar o momento certo para "dar o troco" e deixá-las mudas e sem ação. Eu gosto do elemento "surpresa" em muitas situações.

domingo, 9 de novembro de 2008

Vamos fazer a diferença


Quais são as dificuldades reais de cada um para tornar o nosso caminho vida?

A maior dificuldade é estar continuamente envolvido nele. Ter consciência dos efeitos que causamos com nossos pensamentos e sentimentos no meio em que vivemos é um trabalho que nos exige um envolvimento real em nosso caminho.
Muitas vezes, somos capazes de perceber que um pensamento ruim é prejudicial, primeiramente a quem nos dirigimos e depois a nós mesmos. A mesma situação, acontece quando falamos, tomados pela emoção e não fazendo uso de nossa racionalidade e desprendimento. Um pensamento ruim em nada nos acrescenta, apenas nos coloca em uma posição defensiva em relação ao que nos cerca, impedindo-nos de ter uma percepção mais abrangente e humana.
Tenho sido levado a rever meus pensamentos e a maneira pela qual me coloco diante das pessoas. Se buscamos uma vida com maior significado e sentido, precisamos aprimorar, ampliar ou até mesmo descartar posturas herdadas que foram construídas ao longo de nossa vida.

No dia-a-dia, somos envolvidos por situações que nos obrigam a agir e falar de forma diferenciada para cada pessoa. Neste momento, não podemos usar a separatividade, pois ela desagrega, mas o bom-senso e o respeito para tomar atitudes firmes e ao mesmo tempo, amorosas.
Mas é importante, que a nossa realidade não nos deixe cegos para perceber o quanto somos semelhantes. Todas as almas merecem atenção, assim como seus pontos de vista e atitudes, mesmo que sejam contrários a nós.
Assim, deixamos de fazer parte de um mundo diferenciado, e passamos a fazer a diferença no mundo. É importante perceber que isso não nos torna melhores ou superiores, mas nos possibilita criar condições para que nossas palavras e atos tenham um significado maior e consigam abarcar um número maior de seres humanos. Façamos isso dentro da humildade silenciosa do coração.
Sempre soube que os atos falam mais que as palavras. Mas as palavras quando bem usadas, podem potencializar nossos atos e estimular nosso crescimento espiritual. Como é importante mudar pontos de vista e criar novas possibilidades!
Lembrar no dia-a-dia o pensamento mais negativo ou a palavra mais cruel que fazemos uso para nos defender ou atacar, dependerá do grau de consciência e percepção que temos de nós mesmos, e até da possibilidade real de estarmos equivocados.
Da mesma forma, o pensamento mais positivo e as palavras mais doces, quando ditas com sinceridade, podem ter um poder de expor o que melhor temos dentro de nós, o amor incondicional e o reconhecimento que estamos no caminho cheio de possibilidades.
(Síntese do meu trabalho de Cafh para 2008)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Janelas da alma

É muito ruim quando fica evidente a nossa incapacidade real de se colocar diante de uma injustiça. Pude presenciar a situação com uma pessoa que aprendi a respeitar e que se tornou uma amiga única e especial. É uma das pessoas mais sensíveis e resistentes que conheço. Entretanto, diante de uma situação que fugia ao seu controle, tornou-se uma vítima de si mesmo.
Sua voz ficou trêmula, sentia dores no peito e seus olhos umidecidos estavam repletos de dor. Mal conseguia verbalizar o que sentia. Sentia-se impotente e culpada por não ter sido capaz de evitar o inevitável, de controlar o incontrolável e principalmente, de fazer uso do direito que temos de deixar transparecer com clareza a justa indignação.
Eu mesmo lhe disse, que a situação poderia ter acontecido com qualquer um de nós, e possivelmente desatentos, sequer perceberíamos. É comum em nosso cotidiano, deparar-mos com pessoas que não conhecemos verdadeiramente, até que se revelam.

Somos vítimas da educação que tivemos e do meio em que estamos inseridos. A educação que recebemos nem sempre nos torna aptos a superar os desafios que nos aguardam. Vamos desconstruindo com o tempo muitos valores que nos são passados. Ora por não mais se adequarem ao mundo em que vivemos, ora por nos tornarem inaptos de tomar atitudes corajosas e destemidas, deixando-nos paralisados e perplexos diante da vida.
Mas nem tudo está perdido. A família ainda continua sendo um alicerce fundamental para nós. Os pais querem o melhor para seus filhos, mesmo que errem tentando acertar. Não há mal algum em reconhecer que nossa educação, apesar de suas falhas, também nos permitiu chegar até aqui. E ainda que muitos valores perdessem o sentido com o tempo, outros permanecerão por toda nossa vida.
Mostrar desequilíbrio é inaceitável para muitas famílias, cujo padrão moral é muito rígido. Todos nós, homens, já ouvimos essa frase: "Homem que é homem não chora, e quando chora, chora para dentro". Que bom saber que "chorei para fora", mesmo presenciando a angústia de meus pais.
É uma tentativa muito cruel estandardizar a vida, o comportamento, os objetivos e os sonhos. Passei muitos anos procurando ajustar-me a esses padrões, mas creio que não consegui. Alguma coisa sempre dava errado, para minha alegria e deleite. Não tinha consciência exata do que acontecia, mas me sentia aliviado quando conseguia agir com independência.
O meu amadurecimento como se humano foi ajustando a minha percepção do mundo. Foi necessário descartar um peso enorme que trazia nos ombros para que pudesse reconhecer o que faltava na minha existência. Comecei tirando os apoios desnecessários e continuo fazendo até hoje. À medida que reconhecia e descartava o supérfluo, conseguia me observar com clareza e ver quem de fato sou e as pessoas que estavam ao meu lado.
Já escrevi em vários "posts" o quanto me descobrir tem sido importante. Sinto como se pudesse ousar mais na vida e aproveitar todo meu potencial disponível e subaproveitado. Minhas possibilidades jamais se esgotarão. Esse é um privilégio de todos nós, pena que poucos ousam usufruí-lo.
Volto a lembrar dos olhos repletos de dor. Espero que minha grande amiga seja capaz de perceber o quanto de humano temos que preservar dentro de nós.Os olhos são mesmo as janelas da alma.

domingo, 2 de novembro de 2008

Natal I

O Natal já está mostrando ar de sua graça. Mas o que é isso? Ainda estamos no segundo dia de novembro! Mas o Natal chegou para muitas famílias. Já pude observar em meu condomínio, alegres guirlandas nas portas e árvores de Natal repletas de luzes coloridas. Não seria cedo demais para comemorar um aniversário que ninguém esquece? Por que tanta pressa? Será que todos tem idéia do seu significado?
Sempre senti o cheiro do Natal no ar, mas no mês de dezembro. Era muito gostoso chegar na casa de meus pais (quando eu morava com eles) e sentir o cheiro das frutas, organizadas em uma fruteira por minha mãe. Aquele "mix" de aromas de abacaxi, uvas, maçãs, pêras, ameixas vermelhas, mangas, cerejas, morangos, figos etc lembrava-me da proximidade do grande dia. Era o período de grandes faxinas. Lavavam-se as cortinas, arrumavam-se armários e gavetas e principalmente, jogava-se fora os cacarecos acumulados ao longo do ano.
Me dava uma sensação de renovação o Natal.
Por mais difícil que tenha sido o passado, meus pais faziam tudo para que o Natal fosse a data mais esperada e nossa casa tinha que estar preparada para tal. Além de limpa, organizada, decorada e cheirosa, nossa casa aguardava também o Novo Ano.
Eram tempos difíceis, muito difíceis, mas repletos na esperança de pequenos milagres. Não havia como esperar grandes milagres, mas se os pequenos fossem acontecendo lentamente, juntos tornariam-se um grande.
A nossa ceia não possuía exageros. Comíamos com enorme prazer o que estivesse no prato. Minha mãe sempre arrumava a mesa com muito bom gosto e capricho. Meu pai limpava os talheres e copos com álcool para que estivessem brilhantes. O vaso repleto de palmas amarelas, não concorria com nossa árvore de Natal com bolas coloridas e decoradas, que passavam o ano guardadas em caixas de papelão no armário mais alto, salvas de minhas mãos curiosas em tocá-las.
Lembro-me de um Natal que me marcou para toda vida. Eu não ganhei nada de presente. Apenas a minha irmã ganhou uma boneca. Eu entrava na adolescência. Não havia dinheiro suficiente. Mas havia uma certeza tão grande no ar de que tudo iria dar certo, que ceiamos arroz, batatas cozidas e guaraná como se fosse um banquete. A vitrola tocava sem parar um "long play" de músicas natalinas - A Harpa e a Cristandade - que criavam um clima especial, como se o Papai Noel fosse descer pela chaminé (lá em casa nunca teve chaminé) ou passar pelo buraco da fechadura, como minha mãe me fez crer quando criança.
Eu nem dei falta do presente, aliás, foi neste Natal que pude perceber que os presentes não significavam nada para mim. Era muito mais importante estar com minha família, sob qualquer circunstância. A partir desse Natal, eu soube que seu espírito e significado estariam sempre presentes na minha casa, na minha família e em meu coração não só no dia 25/12, mas ao longo de toda a minha vida.
Pode parecer simples criticar o consumismo e o desperdício que foram incorporados a data, mas longe de criticar é preciso resgatar o seu valor. O aniversariante agradece.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Escuridão

Cheguei a uma conclusão hoje. Apesar de toda evolução tecnológica por que vem passando a nossa sociedade, continuamos como se estivéssemos no passado. Para muitos de nós isso não é novidade, mas eu nunca parei para ler escritos antigos sobre fé e espiritualidade por acreditar estarem estes desatualizados ou parecerem limitados para um mundo tão "globalizado".
A ciência avança com maior velocidade que a espiritualidade. Deve ser por isso que ao ler documentos escritos em 1962, estes me pareceram tão familiares e atuais. O que está havendo conosco? Isso não deveria estar acontecendo. Será que os problemas humanos são resultantes da cegueira em que estamos mergulhados, quando o quesito fé e espiritualidade chegam a tona?
Estou aflito para ver o filme "O ensaio sobre a cegueira". Já lí o livro e fiquei estarrecido com as conclusões que cheguei. Pior foi comprovar em meu dia-a-dia a veracidade dessas conclusões.
Já lecionei e leciono para alunos totalmente cegos ou quase cegos. Muitos são cegos de nascença, outros ficaram cegos precocemente e outros já caminham para a cegueira inevitável. Sempre me chamou a atenção a palavra escuridão.
São três tipos de comportamento diante da escuridão em que vivem. Os que nasceram cegos me dizem que não sentem falta da luz, pois nunca a viram. Os que perderam a visão precocemente, agregaram sons as poucas imagens que possuem na memória e se adaptaram lentamente às suas crescentes limitações.
E os que estão perdendo a visão, aproveitam ao máximo a visão que ainda possuem. Vivem intensamente as imagens que ainda podem reconhecer. Mas não há um sentimento de angústia em nenhum deles, mas de aprendizado. Reclamam dos tombos que tomam, mas não se sentem vítimas do destino, pois segundo um desses jovens, ele estava no lucro, pois tinha ao seu lado pais maravilhosos, amigos e uma "saúde de ferro".
A percepção é muito maior do que a nossa. Sabem pela audição, avaliar com precisão o estado de espírito de qualquer um que convivam um pouco. O tato também tem um significado mais profundo e integrador.
Lembro-me agora de uma aluna, Rachel, que pelo meu "bom dia" ao entrar em sala, percebia como eu estava. E por mais que tentasse disfarçar a voz, no final da aula buscava aquela simpática menina com olhos verdejantes - cega de nascença, como se fosse o meu oráculo pessoal e perguntava: Como estou hoje? Ela sempre acertava. Conversávamos muito e sobre muitos assuntos. Uma vez, chegou a um ponto de me consolar após a aula, depois de eu ter tido uma enorme perda.
Eram olhos brilhantes e paralisados que me diziam que não haveria de durar muito a minha dor. Que os obstáculos por maiores que fossem, existem para ser ultrapassados. Sentia a firmeza, a força e o calor de sua pequena mão em meu braço, enquanto conversávamos.
Como alguém que nunca havia visto a luz poderia estar ali me dizendo para não desistir e continuar acreditando?
Lembro-me que secou minhas lágrimas com suas mãos, e pediu que eu voltasse a ser aquele professor e homem destemido. Disse-me na última aula que jamais me esqueceria. Perdi o contato depois de tantos anos, mas nunca o que ouvi!
Hoje consigo diferenciar dois tipos de cegueira a que somos acometidos, seja ela permanente ou momentânea. Não me deixo abater muito tempo por nenhuma dor e passei a encarar meus desafios com visão mais corajosa. Perto de meus alunos deficientes visuais, sou um aprendiz.

Cumplicidade

Em Verdade
O santo não condena o pecador. Ampara-o sem presunção.
O Sábio não satiriza o ignorante. Esclarece-o fraternalmente.
O iluminado não insulta o que anda nas trevas. Aclara-lhe a senda.
O orientador não acusa o aprendiz tateante. A ovelha insegura é a que mais reclama o pastor.
O bom não presegue o mal. Ajuda-o a melhorar-se.
O forte não malsina o fraco. Auxilia-o a erguer-se.
O humilde não foge ao orgulhoso. Coopera silenciosamente,em favor dele.
O sincero a ninguém perturba. Harmoniza a todos.
O simples não critica o vaidoso. Socorre-o, sem alarde, sempre que necessário.
O cristão não odeia, nem fere. Segue ao Cristo, servindo ao mundo.
De outro modo, os títulos de virtude são meras capas exteriores que o tempo desfaz.
Mais uma vez quero dividir essas palavras que me foram enviadas. Elas chegaram em um momento especial e desafiador de minha vida. Obrigadíssimo minha querida irmã! Você acabou de transformar a minha cinzenta manhã, cheia de provas para corrigir em uma ensolarada e azul manhã de primavera. Você é especial, como diz sua afilhada. Beijos.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Um ponto final verdadeiro!

Muitas vezes sinto que tensiono as relações com as pessoas, escrevia em meu último "post", mas o contrário também pode acontecer. Afinal de contas, não temos a real percepção do impacto que a nossa personalidade pode causar, até que ele se torne evidente. Mas existe um diferencial: eu sei porquê!
Como aprecio as relações humanas e tenho olhos muito atentos, consigo ver e sentir com clareza as motivações que levam as pessoas a tensionarem as relações, assim como eu faço. Mas eu jogo limpo e honestamente. Não faz o meu estilo pequenas provocações e indiretas. Eu falo objetivamente pois só tenho o que ganhar. Eu não tenho medo de encarar desafios e situações não esclarecidas, pois aprendo rapidamente com elas. Eu mergulho de cabeça. Não vou usar desculpas ou justificativas para minhas ações caso esteja errado, considerando que sou muito capaz de assumí-las com todos os riscos possíveis.
Certa vez me disseram que tenho uma "personalidade faiscante" quando quero incendiar uma relação. Eu ri muito com essa história, mas ela tem um fundo de verdade. Quando uma relação não vai bem, eu gosto de dar um calor, uma aquecida para que volte a "soltar faíscas".
Isso significa que tenho bons propósitos quando me torno contestador. Busco uma visão mais ampla e franca de meus relacionamentos.
Mas eu sei reconhecer os diferentes estilos que podem tensionar uma relação e suas razões, principalmente quando venho percebendo a sua evolução a longo tempo. Então, perde a graça, pois já sei qual é a estratégia, qual é a motivação e sei exatamente o que desejam para mim. Isso acontece quando o propósito é ruim e me causa indignação e dor. Dia desses eu coloco um ponto final verdadeiro.
Mas lembre-se: eu sei porquê!

domingo, 26 de outubro de 2008

Tenho que aparar o cavanhaque!


Muitas vezes sinto que tensiono as minhas relações, seja com o mundo ou seja com as pessoas. Nessa horas, sinto o quanto ainda preciso me desarmar. Quando me recordo e revejo não só as situações que se tornaram um aprendizado para mim, e lembro-me daquelas em que foi preciso muita coragem, ousadia e determinação para que também fossem úteis em meu amadurecimento, sinto um gosto amargo na boca e me coloco na posição de ataque, mesmo sabendo que não preciso mais agir assim. Não tenho mais do que me defender e muito menos razões para atacar.

Com o passar dos anos venho me desarmando. Venho escrevendo muito aqui sobre isso. Por vezes, precisaria agir com energia, mas sinto que seria um desgaste inútil, pois existem formas mais inteligentes e respeitosas de convivência.

Mas restou uma indignação quando me permito ser afrontado. Não gosto que me digam o que fazer, sem antes me perguntar se eu estou predisposto a fazê-lo. Eu acho que ninguém "curte" essa atitude manipuladora.

Como observador das relações, elas me esgotam quando vivencio cada uma delas. Esse é um claro sintoma de cansaço ou desgaste emocional. Assim, preciso agir para alterar as situações estressantes ou esvaziá-las. É chato conviver com pessoas oprimidas e radicais em suas crenças e posições, que falam sempre do mesmo assunto e da mesma maneira.

Eu levo muito a sério tudo que escuto, seja para o bem ou para o mal. Não vejo da janela a vida passando. Por isso, esgoto-me depois de muito tempo e sair de cena, é o caminho mais eficiente para me poupar.

Continuo a ser um homem passional, ma non tropo! Tenho o direito de escolher com quem e como quero conviver. Não adianta forçar a barra e muito menos usara de estratégias que conheço bem.

Sei que nesses momentos torno-me uma pessoa de convívio "trabalhoso", ainda mais quando sou desafiado. Eu poderia ignorar as provocações, que muitas vezes são até inocentes, mas existe uma força e uma energia que me habilita a encarar o desafio e partir para o confronto na hora! A racionalidade vai para o espaço!

Meus amigos mais próximos já me viram entrar em ação e ficaram surpresos com a minha mudança. Não sou tão tranquilo como imaginam, aliás, nunca fui, graças a Deus.

Nunca fui homem de fazer "vista grossa" ou de "tapar o sol com a peneira", mas sempre acreditei que cada ser humano tem uma missão a cumprir e que deve assumí-la integralmente. Eu assumo a minha vida. Também seria um absurdo não tê-lo feito depois dos quarenta anos.

Consciente do que faço e sinto, já sou capaz de enumerar minhas virtudes e defeitos.

domingo, 19 de outubro de 2008

Não há como se perder no meio do caminho

Ainda não consegui acertar todos os relógios aqui por conta do horário de verão. Os digitais "made in China" são muito complicados em função das múltiplas funções que possuem. Por isso depois de tentar algumas vezes, desisti com rapidez e vim logo escrever aqui. Amanhã, "acertarei os ponteiros".
É muito bom estar certo de nossa finitude. Eu terei um fim, aliás, todos nós teremos. Mas o que poderemos deixar para o mundo e para as pessoas que convivemos boa parte de nossa vida? Simplesmente o que somos e sentimos. Qual a maior herança que poderei deixar para meus alunos? Transformar um desses em um professor de Geografia que consiga ser melhor do que eu. Esse seria o maior legado que como educador poderia deixar. Ajudar meus alunos a encontrar sua verdadeira vocação. Muitas vezes, nem ajuda precisam, bastando apenas uma palavra de incentivo ou um empurrãozinho.
Como é gratificante ver meus alunos se encontrarem profissionalmente. Não há nada no magistério que supere esse prazer. Melhor ainda quando me deparo com profissionais de educação que já são melhores do que eu. Sinto um orgulho enorme de ter contribuído para a decolagem desses jovens. Sei que podem e devem ir muito além do que fui.
Muitos dos licenciandos que já tive, seja da UFRJ ou UERJ, mostraram-se muito preparados em sua formação cultural. Já possuíam naturalmente maturidade, responsabilidade e ética, surpreendendo-me bastante, considerando que conheço profissionais que nunca deram importância a esses valores.
Conversando com amigos ainda sobre a finitude de nossas vidas, indaguei-os sobre o nosso futuro. Seremos lembrados por nossos bisnetos e tataranetos? Saberão o que fomos? Poderão nos reconhecer? Em tempos tão frenéticos de mudança, creio que seremos esquecidos com rapidez. Enquanto meus ex-alunos existirem, poderei ser lembrado por um ou outro. Mas e depois? Alguns de nós poderão ser "imortalizados" em nomes de ruas, avenidas, servidões, salas etc, mas apenas o nome será lembrado. Qual é o valor de uma homenagem póstuma? O agraciado nem presente estará para agradecer!
Sou um homem comum. Faço parte do grupo de seres humanos que não ostenta e nem quer fama, prestígio ou poder, e isso nos torna muito capazes de deixar para nossos descendentes um valor muito maior, que eles não irão perceber, mais sentir ao longo de sua existência, repassando-o para as futuras gerações.
Essa herança tão poderosa é chamada de amor. Ela irá nos imortalizar silenciosamente e fará com que a nossa vida seja capaz de deixar o mundo e as pessoas melhores e mais felizes.
Não há qualquer esforço a fazer. Qualquer pessoa sob a face da Terra pode fazer isso. Semeie a maior quantidade de amor possível em seus filhos e esteja certo que eles farão tudo da maneira correta. Não há como se perder no meio do caminho.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A Lógica de Einstein

Duas crianças estavam patinando num lago congelado da Alemanha. Era uma tarde nublada e fria, e as crianças brincavam despreocupadas. De repente, o gelo se quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou.
A outra, vendo seu amiguinho preso e congelando, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo por fim quebrá-lo e libertar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:
Como você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequeno e com as mãos tão frágeis!
Nesse instante, o gênio Albert Einstein que passava pelo local, comentou:
Eu sei como ele conseguiu.
Todos perguntaram:
Pode nos dizer como?
É simples, respondeu Einstein
Não havia ninguém ao seu redor, para lhe dizer que não seria capaz.
Recebi essa mensagem da diretora de uma das escolas que trabalho. E os parabéns pelo Dia do Professor.
Como achei pertinente e muito tocante, decidi partilhar com todos vocês!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

08 de outubro de 2008

Para sentar aqui e escrever, sinto que preciso estar conectado com a minha intuição e inspiração. Não consigo escrever mecanicamente. É necessário que haja uma motivação e bons motivos para construir um parágrafo. Por vezes, atarefado, aborto essa vontade. Por outras vezes, ela é tão forte que me vejo obrigado a sentar e escrever imediatamente, como faço agora.
Transformar em palavras o que sinto é prazeiroso e libertador. Colocar-me em um blog, um desafio, pois sei que se escrevo aqui, torno-me visível para muitos. Mas não tenho temores ou medos que me impeçam de estar aqui por inteiro.
Sinto que potencializo meus sentimentos e minha percepção do mundo ao escrever. É um exercício simples de partilhar. As questões fundamentais de minha vida tornam-se claras, à medida que "converso" com elas e disponho-me a expandir horizontes em todos os sentidos. A visão que passo a ter sobre tudo, mistura razão, emoção e possibilidades.
Não posso me render a vida, por isso sou impaciente quando sofro. Sinto que preciso perceber a mensagem de cada desafio que enfrento. Esse é o meu objetivo. Não acredito em pragas, karmas ou maldições, mas em aprendizado real. Se acontece comigo, tem valor e faz sentido!
Há poucos dias fiz 47 anos. Ainda sob o impacto da nova idade, me senti muito feliz junto das pessoas que amo e muito confortável diante de minha caminhada. Venho construindo minha vida em bases sólidas, agregando valores e qualidade aos meus sentimentos e ações. Já posso antever meu futuro, e se tudo continuar assim, será interessante e desafiador. Os desafios que a minha geração tem hoje, só os vivenciarei daqui há 10 ou 15 anos. Não serei o mesmo de hoje, terei mais maturidade e "jogo de cintura" para conduzir soluções e acordos.
Estou tomando um bom fôlego para dar o último passo em minha carreira profissional. Será o meu ápice acadêmico. A garantia de que fui muito além do que a maioria dos profissionais de minha geração, e principalmente, por estar mais próximo de completar meio século de vida!
Há tempos atrás reclamava de como a minha vida acontecia de uma forma tão vagarosa. Sentia-me uma excessão dentre a maioria. Era incômodo, pois tinha a sensação que estava fazendo tudo errado. Tudo acontecia tarde. Parecia que eu precisava lutar sem trégua para que os meus desejos acontecessem. Mas o que valia é que aconteciam mesmo! No final das contas, o prazer não estava em conquistar, mas no empenho, dedicação e disciplina para que eles finalmente se concretizassem.
Agora, prefiro ser uma excessão no meio de tudo e de todos. O conceito de normalidade agora é relativo para mim. O que vale mesmo é o aprendizado ao longo de uma vida.
Convivo com muitas pessoas que hoje estão vivendo momentos difíceis e não sabem o que fazer. Ficam revoltadas, amarguradas, passam a desacreditar no presente e se arrastam para o futuro sem esperança. Eu como observador do ser humano, posso até arriscar palpites que expliquem o atual momento que vivem ou os possíveis desafios, mas prefiro me abster. Eu não posso viver outra vida, senão a minha e ponto final.
Até poderia dar sugestões, mas só se for requisitado e se eu tiver vontade. Reconheço que quando falo, sou cuidadoso, mas falo com objetividade e clareza. Gosto de mostrar alternativas e dou ao ouvinte o direito de escolher o caminho que desejar e convier. Muitas vezes, acertamos nas escolhas, outras não. Mas o que posso fazer a não ser viver a minha vida com consciência e desprendimento?
Não podemos mudar o que foi escrito, vivido, feito e falado. Não podemos reviver o que não existe mais, já era! Mas sempre será possível, dar um final mais digno, um futuro melhor a nós mesmos e a quem realmente se importa conosco. Mas para acontecer, lembre-se do significado do perdão. Não é para sair perdoando todo mundo por ai "da boca prá fora" ou se fazendo de bonzinho, se promovendo. Mas para se perdoar. Precisamos nos perdoar e nos libertar de dores que não fazem mais sentido. Puxe a cadeira, tomemos um chá e vamos conversar. Não há mais o que justificar ou explicar. Temos muito em comum e vivemos cheios de possibilidades reais de fazer nossa vida um aprendizado de felicidade. Ninguém é feliz integralmente, mas que bom se pudéssemos estender os momentos felizes por mais tempo e diminuir os efeitos dos momentos difíceis. Assim, poderíamos usufruir intensamente de toda vida que temos agora e fazendo uso apenas do que nos é realmente necessário.
Não dá continuar acreditando que não há possibilidades. Chega de "lacrimórios" sem fim e "trololós" desnecessários.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Já estou careca!

É muito bom sustentar a fé no coração. Sempre que acontece uma experiência ruim comigo, logo depois acontecem outras muito boas. Acabei de receber um presente que aguardo desde 1995. Esse presente é o fruto do meu árduo e parazeiroso trabalho como professor, presente este acalentado há muitos anos atrás.
Pode parecer pouco para quem me conhece, mas é muito para mim, pois sei o quanto me custou, e o quanto me custará. Mas afinal de contas, eu trabalho para construir uma vida! Vida que não se resume em conquistar bens materiais, mas é importante ter a segurança de um lugar onde possamos nos refugiar, acolher e nos proteger das arapucas preparadas pelo mundano. Não preciso muito mais do que o meu lar.
Lembro-me agora do incentivo dado por meus pais para encarar esse desafio. O apoio recebido foi tão forte que pude trabalhar muito mais do que acreditava. Cada prova corrigida, cada aula dada, dignificava a minha escolha e minha vida, além de ser mais um propósito para continuar investindo na concretização deste sonho. Nunca duvidei do meu empenho quando decido o que quero.
Agora só tenho que agradecer a Deus o que conquistei e renunciar. Pode parecer contraditório, mas me lembrei de uma frase do para-choque de uma Scania: "Nasci pelado, careca e banguela e vou morrer da mesma forma, e o que conquistei no meio do caminho não será meu por muito tempo". Caramba! Já estou careca!!!!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Moeda

A manhã de hoje foi desgatante. Acordei sabendo e preparado para o que me aguardava. Acreditei que seria um encontro entre pessoas, que por sua formação, tivessem a capacidade de falar, fazendo uso de respeito, ética e bom senso. Mas mais uma vez percebi a arrogância e a prepotência de quem vive no meio acadêmico. E posso dizer que este não é o meu mundo.
Consegui ouvir em silêncio, para depois falar. Avaliei, ponderei, me coloquei no lugar do outro. Senti que precisava agir com respeito, firmeza e racionalidade, mas sem perder a suavidade, demonstrando que para tudo há uma solução, alternativas e que de fato o problema seria simples de resolver, como de fato é.
Mas acabei sendo atacado pela arrogância, pela falta de ética e desrespeito ao meu trabalho. Foi deprimente, pois respingou até em minha pessoa. Quem falava usava um discurso que conheço bem. São aquelas pessoas que se colocam dentro de uma torre de marfim e vez e outra descem para mostrar o seu poder. Ameaças sutís, críticas infundadas e levianas só tem um destino: serem ouvidas e depois, desprezadas. Por sorte tive testemunhas a meu favor. Fiquei imaginando se eu fosse uma pessoa mais simples. Creio que seria tratado de uma forma bem pior.
Não dá para considerar julgamentos prepotentes de estranhos. E pior, passionais e repletos de contradições. Ficou claro o conflito familiar, assim como culpas e frustrações em meio a uma carência emocional. Quero ser capaz de aceitar e reconhecer as limitações de minha filha, e se tivesse outro filho diferente de mim, me empenharia ao máximo para não perdê-lo.
Fui almoçar ligeiramente enjoado. Poderia ter dito mais, talvez mostrar do que sou capaz no momento em que sou injustiçado. Mas não valia a pena. Me tornaria igual. Me faria pequeno. E além do mais, decepcionaria a instituição de ensino que faço parte com muito orgulho, e mancharia o meu trabalho como educador há 23 anos.
São esses os desafios diários que me fortalecem. Tenho consciência clara do meu trabalho e do que ele significa em minha vida.
Como educador e homem, estou aberto ao diálogo, mas fale claramente. Respeite-me se quiser me ter como ouvinte.
Agora, mais tranquilo e menos envolvido com o desgaste matinal, estou certo que agi bem. Muito melhor que retrucar na mesma moeda.

domingo, 14 de setembro de 2008

Aproveite as escolhas e assuma riscos

Saber ouvir é para poucos. No mundo em que estou inserido, as pessoas falam muito e escutam pouco por conta da profissão. Nós professores sempre reivindicamos atenção quando falamos. Eu mesmo digo para meus alunos que só aprendemos quando ouvimos atentamente o que nos falam. Mas não pense que isso é uma exclusividade do magistério. Existem pessoas que "falam pelos cotovelos" por ansiedade, por auto-afirmação, por delírios, por velhice etc. São compulsivos ao extremo. Criam uma atmosfera sufocante ao seu redor, pois querem atenção total a suas palavras. Mas sabe o que é pior? Não se dão conta do quanto são oprimidos e do quanto são opressores. Saber ouvir, dar espaço para que o ouvinte se coloque, seja ele quem for, além de ser respeitoso, é uma das regras de etiqueta com relação ao diálogo.
Não estamos preparados para ouvir críticas. Estamos aptos, se é que posso dizer assim, a ouvir aquilo que valida nossos pontos de vista. É difícil aceitar palavras que nos coloquem frente à frente com a possibilidade de estarmos enganados ou equivocados. Mas são esses os melhores momentos que tenho para descer de minha torre de marfim, onde vez ou outra ainda me refugio, e encarar corajosamente os desafios que meu ego precisa se submeter.
Hoje consigo perceber e respeitar as críticas que escuto, apesar de não concordar com algumas por muitas razões. Primeiro, as críticas verdadeiras são construtivas e bem fundamentadas. São colocadas de uma forma espontânea, que só os amigos fiéis são capazes de fazer. Posso até não aceitá-las de imediato, mas me farão pensar, refletir considerando a autenticidade de quem a faz. Segundo, quando são feitas por quem não me conhece, seja de forma leviana ou imatura, não posso considerá-la, apesar de que a avalio bem. Muitas vezes, ao receber uma crítica ácida, fiquei passado na hora, mas depois utilizei-a em meu benefício pessoal. Em outras situações, não tive opção melhor.
Tenho fortalecido minha auto-estima ao longo dos anos, mas não posso perder o controle, pois o egoísmo e a vaidade andam lado-a-lado, por isso é muito bom estar preparado para ser questionado, criticado, contestado e sacudido. Isso nos coloca longe da idéia de que somos os melhores, mais capazes, mais influentes do que aquele mendigo que te pede esmolas todos os dias.
Reconhecer o que temos em comum é mais fácil que apontar diferenças. Não vale a pena discutir teorias e conceitos que já existem, se não conseguimos ter a objetiva consciência de quem somos e o que fazemos de nossas vidas.
Assumir o seu papel no mundo com responsabilidade é fundamental agora. É melhor do que ficar usando justificativas para os deslizes, como se fossem normais. Ou passar boa parte da vida lamentando e se culpando por oportunidades perdidas. Muitas vezes não temos consciência dos efeitos de nossas escolhas, ou se quer temos o direito de escolha, o que pode nos conduzir a um beco sem saída.
Todas as vezes que escolhemos uma opção, consciente ou não, a única saída é assumí-la e "tocar o barco". Se tudo vai der certo, legal. Se não, assuma os riscos e aproveite para tirar "leite de pedra" aprendendo com as escolhas, de tal forma que ela não se transforme em um fardo ou te faça ser um eterno reincidente.
Sei o quanto devemos ser corajosos para assumir uma postura ativa e não reativa. Fica cômodo se esconder quando não nos interessa o confronto ao que julgamos ser o correto. Imagine então, quando a vida nos coloca diante de nossas fragilidades reais! Mas sabe o que mais cria perplexidade nesses momentos? Ninguém saberá o que se passa com você, a não ser a sua consciência e Ele. Não há como fugir, a saída é agir.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Qual é a sua gota d´água?

Vamos direto ao assunto. Qual é a sua gota d´água? Qual é o momento em que seus limites são ultrapassados? Quando as emoções são capazes de sufocar a razão e os instintos emergem.
Todos temos limites e sabemos que uma vez ultrapassados, deixam evidente nossa fragilidade e nossos conflitos interiores. Passamos a agir e pensar de forma desordenada. O desequilíbrio fica evidente e surpreende a todos.
Muito do que nos desagrada hoje tem raízes antigas. Está ligado a nossa percepção da vida que foi sendo construída até hoje. Ter consciência dessas raízes onde se assentam nossos limites, possibilita compreendê-los melhor, assim como nos dá um jogo de cintura maior, de forma a não ficar-mos tão próximos de nossos limites. Muitas vezes conseguimos até neutraliza-los ou "deletá-los".
Ninguém conhece o limite do seu semelhante, a não ser que ele deixe isso claro. Da mesma forma que ninguém conhece o seu, mesmo com anos de convivência. Não há como saber onde ou quando parar. Por isso, tenho deixado claro para todos meus limites antes de atingí-los ou ultrapassá-los. Tenho evitado muitas dores de cabeça. E me poupado de desgastes emocionais desnecessários.
Estou consciente de quais são os meus limites e sei como se formaram. Não foi necessário anos de análise, mas muito investimento em assumir uma nova postura diante da minha vida, dos fatos e das pessoas.
Não me peça para fazer as coisas de forma improvisada.
Não gosto de ser o último a saber.
E não duvide do quanto eu posso trabalhar. Esses foram meus calos por anos. Agora, não mais.
E agora, qual é a sua gota d´água?

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Ao sol em Campos do Jordão (SP)



É muito especial quando sabemos que não estamos sós em nossa caminhada. E melhor ainda quando a convivência nos mostra que trazemos dentro de si essência e divindade únicas, mas que se complementam quando o objetivo é um só. Muito obrigado pelo encontro e reencontro. Espero revê-los.
Até sempre, queridos amigos!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Hasta mañana

Há dias em que não consigo fixar a atenção no que faço. Hoje é um desses dias. Passei a tarde toda estudando español, me esforçando em compreender todos os detalhes da gramática e meus pensamentos viajando para longe daqui.
Pensava em tudo que ainda tenho que fazer e da angústia que essa expectativa me causa. Não me sinto confortável quando fico assim, dá vontade de sair rasgando minhas agendas e mandar tudo para o espaço sideral! Mas sei que não é possível agir dessa forma. E o que faço agora? Escrevo para relaxar um pouco a minha mente. Seria capaz de lavar o meu carro, esfregar tapetes, reparar o telhado, raspar um piso de madeira, qualquer trabalho que fosse bem braçal e troglodita, para esfriar meus pensamentos ruminantes.
Fico imaginando a ginástica que tenho feito para cumprir o que me proponho a fazer. Reduzi minha carga de trabalho, mas a atenção que me exigem, por incrível que pareça cresceu. Pensei que 2008 seria menos agitado, mas não está sendo. Tenho delegado poderes e deixado a meu perfeccionismo bastante de lado e mesmo assim, o tempo se torna insuficiente para resolver tudo que me cabe. Por isso mesmo, estou desacelerando minhas expectativas e pensamentos. Faço agora o que me é possível, humano e essencial. Hoje é um desses dias que o melhor a fazer é deixá-lo passar rapidamente. Hasta mañana.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Jogo de cintura

Dizem que o nosso povo tem jogo de cintura, tem molejo, leveza, requebro e ritmo leve e solto como uma coreografia de samba. Jogo de cintura é isso e muito mais: é flexibilidade!
A vida se adapta mais no ninho daquilo que é flexível. Rigidez demais mata a criatividade.
A saúde habita mais e melhor em quem não é tenso, na soltura, na serenidade, no relaxamento e na positividade do sim! Na flexibilidade existe a vida, no rígido habita mecanismos de morte e a ditadura do não. É muito ruim conviver com com a tensão, o estado perene de ansiedade e pressa, com perfeccionismo doentio, com o excesso de contensão, com o intransponível, com o que não cede nunca.
Gostoso é partilhar a vida com o maleável, com o que tem a paz dos que ainda não estão prontos e querem sempre aprender.
Deve ser por isso que me sinto aluno da vida o tempo todo.

sábado, 16 de agosto de 2008

Carrinhos com barbante

Estou a espera do último eclipse visível no Brasil em 2008. Poderia estar fazendo muitas outras coisas, mas estou com a mente inquieta. Está difícil fixar a atenção no trabalho que tenho realizar agora. Sinto-me ansioso quando minha filha não está em casa. Fica faltando um pedaço. Não consigo ficar relaxado quando minha filha não está por perto. Sinto falta das travessuras e da bagunça que ela faz. Como uma criança consegue preencher um espaço físico com a sua presença! E que espaço vazio deixa em meu coração quando não está por perto.
Sei que ela está muito bem. Que certamente não sente a minha falta como eu sinto a dela. Deve estar brincando com os primos e sendo deliciosamente paparicada pelos avós e a madrinha.
Eu sei o quanto o amor ofertado pela minha família é importante, principalmente quando é para uma criança. Tem qualidade, é envolvente e traz uma segurança gostosa.
Eu experimentei esse amor e sei do que ele é capaz. Eu fico feliz por meus pais, por minha irmã e por minha filha estarem desfrutando desse encontro, encontro que já poderia ter acontecido antes, mas o que vale de fato é que está acontecendo.
A minha família é muito especial. Reconheço qualidades e defeitos, mas aprendi a conviver com tudo e com todos ao longo de décadas.
Recebi de meu pai uma foto ampliada de um monóculo. Veja que antiguidade! Estou na foto, um menino com 5 anos, segurando um caminhão verde e vermelho de plástico, preso por um barbante comprido. Como de costume, estava sorrindo. Comigo estavam minhas primas mais próximas, com seus respectivos modelitos de praia dos anos 60! Todas felizes, com 7, 10 e 15 anos. Era um dia de verão na Praia do Anil, em Magé! A água não era poluída. Camarões, sirís e peixes abundantes, assim como conchas finas que nos obrigavam a entrar na água de chinelos e congas para superar os obstáculos das conchas e do lodo verdinho, comum nas praias do fundo da Baía da Guanabara.
Estou aqui viajando nessa foto colorida, de mais de 40 anos! Deixo meus pensamentos fluírem, buscando as lembranças bonitas de um passado distante.
Gostaria de poder voltar no tempo e abraçar forte aquele menino magrinho, moreno e sorridente, sempre disposto a brincar e a puxar carrinhos com barbante. Gostaria de lhe dizer que ele sempre estará vivo dentro de mim, esteja onde eu estiver.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Volto já

A melhor hora do dia é essa! É aquele momento em que a tarde se despede para dar lugar à noite. É uma despedida lenta, contínua e gradativa. Antes mesmo da noite reinar, a Lua já está visível da janela do meu quarto, atrás das árvores. Ela espera o momento exato de lançar sua luz fria e envolvente sobre nós.
Parei de trabalhar por alguns momentos. Estou lutando contra um forte resfriado que me deixou com o corpo dolorido. Sinto-me cansado também. A semana foi repleta de desafios inesperados, que ao serem superados me deixaram quebrado. Seria capaz de deitar agora e dormir até amanhã.
Mas o trabalho me aguarda. Preciso terminar o que já iniciei e iniciar novos trabalhos. Tenho prazos e vou cumpri-los. Mas sinto que hoje, excepcionalmente, gostaria de estar longe daqui.
Deve ser a febre que me abate agora. Não repare, hoje estou doente e minhas idéias estão meio desfocadas.
Sinto-me mais corajoso para pedir explicações daquilo que não entendo ou daquilo que não foi explicado. Não tenho mais condições de fazer vista grossa diante de muitos fatos que ocorrem comigo, como também não dá para sair brigando com o mundo.
Creio que encontrei o ponto médio entre a omissão e a explosão.
Volto já!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Amoras e pitangas

Tenho tentado resolver situações pendentes nestes últimos dias. É sempre assim. Acontece três vezes por ano: nas férias de janeiro, nas de julho e nos últimos dias que antecedem o ano novo. Sinto que tenho que fazer o que deixei de fazer por falta de oportunidade ou preguiça. Além disso, é bom iniciar um novo ciclo de vida com pendências resolvidas, por isso gosto tanto de trabalhar nas férias.
Arrumo gavetas, armários, documentos, papéis, contas vencidas e o que é mais importante, revejo as metas que me propus a alcançar este ano. É uma estratégia matemática de resolver problemas armando botes para colocar as mãos em ação.
Muitos que não me conhecem tão bem se surpreendem com minha postura empírica e cartesiana, mas o meu lado prático está sempre buscando um jeito de tornar a minha vida eficiente, de forma a tirar o maior proveito do tempo que tenho disponível.
Faço tudo isso com muito prazer e de forma bastante flexível. Se não der para cumprir as metas estabelecidas, projeto-as para frente, sem desistir imediatamente.
Adoro um trabalho braçal pois tem sempre um resultado prático e adoro resultados que dependam unicamente de mim. Aprecio um dia pesado de responsabilidades e atividades incomuns.
Agora mesmo me lembrei das aulas que tenho de preparar para a próxima semana e dos trabalhos e avaliações de uma turma. Mas ainda não tive vontade de fazer nada. Ainda estou de férias. Tenho muito que fazer até o dia 04 de agosto de 2008. Por enquanto traço estratégias em minhas agendas.
Já listei tudo que preciso fazer e fiquei surpreso o quanto terei que trabalhar e fiquei feliz com a minha ousada capacidade de ação. Estou longe de ser um super homem, mesmo sabendo que fico meio metido quando me saio bem dessa confusão criada por mim mesmo.
Os dias estão azuis. O sol maravilhoso. As noites estreladas e frias. Já escuto sabiás e macucos ao amanhecer. Sinto o inverno se esvaziar. Tenho saudades da chuva, dos pingos batendo na janela e o cheiro maravilhoso de terra molhada.
Lembro-me agora das inúmeras vezes em que eu e minha prima ficávamos no portão esperando a nuvem de chuva de verão nos alcançar. Era legal ouvir e ver a chuva caindo ao longe e ir chegando devagar até nos atingir, obrigando-nos a entrar em casa. Logo depois da chuvarada corríamos todos para ver se o rio havia transbordado e para apontar todo o tipo de lixo carregado pelas águas. Havia no ar um cheiro de esperança misturado ao frescor do fim de tarde de verão. Tinha gosto de amoras que comíamos no passeio noturno na rua Dr. Sá Earp ou de pitangas que comíamos no morro da tia Pina.
Não sei o que me deu agora. Mas eu escrevo o que sou e sinto, sem me preocupar com os resultados. Tenho lembranças muito especiais e gosto de colocá-las aqui. Minha vida ainda não foi concluída e por isso vivo intensamente um dia após o outro.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Partidas e chegadas

Existem momentos que não podemos esquecer. Precisam ser lembrados sempre que possível, pois deixaram a certeza de que somos feitos para cumprir nosso destino. Serviram também para lembrar que nunca estaremos sós, aconteça o que acontecer. Essa certeza me ampara e fortalece.
Passei alguns dias vivendo exclusivamente para mim. Antes de sair deleguei poderes, paguei as contas, abasteci o carro e deixei a geladeira cheia. Queria que ninguém sentisse falta de mim. Como diz a minha mãe: cumpri a minha obrigação!
Agora, era mergulhar de cabeça em um retiro, enfrentar situações que precisavam de solução, encarar minhas reais necessidades e deixar a intuição fluir. Não tinha o compromisso ou a necessidade de agir assim ou assado. Precisava ir de encontro ao meu caminho, ciente que dentre muitos, era o que mais me seduzia.
As surpresas foram muito além das expectativas, as respostas que obtive também. O encontro com novos e velhos amigos, enriquecedor. A rotina partilhada me fazia parte de um todo muito maior. Era a chance que esperava há 4 anos.
Fui pego de surpresa com abraços de um pai, com um caminhar firme que norteava meus passos. Senti a presença firme e sensível. Éramos semelhantes nas idéias e diferentes no tempo.
Senti e confirmei o que já sabia: eu sou capaz de abrir mão de quase tudo por um ideal maior.
Não jogaria nada ou ninguém para o alto, mas estou aprendendo a viver à medida que aparo os excessos e mergulho em minha divindade. O caminho é só meu e por isso torna-se valioso. Já sei onde quero chegar.

domingo, 6 de julho de 2008

Último degrau

Existem abraços que nunca esquecemos. São especiais pois têm o poder de nos envolver. Existem diferenças sutís quando abraçamos e quando somos abraçados. Mas quando o desejo de abraçar envolve duas pessoas, o abraço passa a ter um significado muito maior.
Não me contive em abraçar hoje. Abracei a todos que me deram a oportunidade. Abracei com coragem e determinação. Pude mostrar que posso ser caloroso quando me permitem e faço isso muito bem.
Encontrei muitas pessoas em um velório hoje. Não pude chegar antes em função da rapidez do enterro. O falecido lutou para evitar esse dia o quanto pode. Sempre tive a sensação que lutava contra o tempo. Tinha pressa de resolver tudo muito rápido. Mas uma noite apenas foi suficiente para levá-lo. Precisava ser rápida a morte, pois caso contrário, ele fugiria de novo.
Todos temos limites, um final inevitável e será sempre digno.
Segurei mais uma alça de caixão. Já perdi a conta de quantos familiares e amigos já enterrei, mas sempre que pude me fiz presente. Para quem fica, fica a saudade, mas o alívio de muito sofrimento também. É difícil ver sofrer por anos quem amamos, por isso quando chega a hora deste, deixe-o ir, não impeça, pois somos ainda muito descrentes do que de fato nos aguarda depois do último degrau da escada.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

16/09/1981

...Vivemos em um estado cruel e inevitável de transformação. Cruel pois demonstrar flexibilidade é sinal de fraqueza. Mudar de atitude, personalidade instável. Demonstrar sentimentos, perder a racionalidade etc. Assim, sofremos por não nos permitirmos o direito de aprender, transformar e transmutar para assim irmos de encontro a felicidade, ou pelo menos de curtir momentos especiais.
Hoje percebo como é difícil sustentar comportamentos herdados do passado! Tenho que mudá-los, sei que posso, mas ainda não consigo. Ainda creio que estaria sendo visto pelo próximo como fraco. Ainda me atenho a possíveis comentários maldosos, dignos de minha formação judaico-cristã, repleta de culpas e medos. Pior é saber que comentários e julgamentos que me fazem, são em sua maioria frutos da imaginação. E se fazem, não merecem valor algum, pois não são colocados diretamente para mim.
Vivo em sociedade, mas não preciso me submeter a ela ou a quem quer que seja. Respeito o ser humano assim como respeito às leis que rejem as sociedades, apesar de nutrir uma crescente indignação às injustiças e contradições ao ponto de achar interessante ser desobediente e questionador como civil. Quando levado a extremos, sou desobediente, desobrigo-me da obediência diante de uma injustiça e isso me faz bem.
Nossa sociedade carece de respeito e solidariedade, além do amor, essencial a toda toda hora e momento e em todos os tempos. Gostaria de viver em um mundo ideal, que fosse cooperativo, harmonioso, trabalhado, afetuoso, digno, prazeiroso, vivido dentro de uma fé estruturada no coração e na aceitação das diferenças, culto e inundado de amor. Porém, deixo no mundo apenas a esperança e a torcida de um futuro que certamente será melhor.
(Extraído de um texto datilografado em 16/09/1981, quando tinha 19 anos)

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Incompleto, inacabado e em construção.

Várias pessoas já saíram de minha vida há tempos. As razões são inúmeras e vou tentar dar os motivos. Mas o importante é destacar que as que permanecem, as que chegaram e as que chegarão. Muito breve estarei escrevendo sobre elas.
Alguém já fez as contas de quantas pessoas convivemos ao longo de uma vida?
Sempre acredito que ganhamos mais dos seres humanos do que perdemos. Não gosto de contabilizar perdas, mas ganhos. Por isso, tento aqui compreender esse complexo cálculo. Muitas pessoas...
  • saíram, porque a vida, ao longo de seu curso, naturalmente nos separou. Foram para muito longe, ficando física e emocionalmente distantes. Deixaram lembranças que hoje me são frágeis, na maioria das vezes. As recordações estão perdendo o foco com o passar dos anos.
  • saíram, por opção pessoal. Buscaram a distância em função de vidas atribuladas a nível emocional e profissional. Por alguma razão não revelada, preferiram viver de lembranças, fechando-se para o presente. Posso dizer que quando as encontro, vejo e sinto que perderam o brilho no olhar. Poderiam retomar e sustentar uma amizade que daria muitos frutos, uma vez que estamos mais maduros. Respeito a escolha de cada uma delas, apesar de lamentar a distância.
  • Saíram, porque eu não permiti que continuassem ao meu lado. Aprendi com elas o quanto a minha super exposição me deixava vulnerável. Além do mais, não suportava mais as provocações, insinuações, ironias e deboches. No more lonely nights.
  • Saíram, porque não conseguimos constituir um vínculo depois da infância. Deixaram uma saudade gostosa e sempre que nos encontramos, fica visível nossa cumplicidade. São abraços e beijos rápidos e em silêncio. Algumas já estão voltando, afinal de contas, o tempo está ficando escasso.
  • Saíram, apesar de ainda não terem se dado conta disso. Ainda acham que podem me afetar com comentários inoportunos e infantis. Acabo rindo muito e vejo como o meu silêncio continua a incomodar.
  • Saíram, levados pelo destino final de todos nós. Deixaram lembranças maravilhosas, me marcaram tão profundamente, que tenho um baita orgulho de tê-las conhecido e convivido um dia. Tornaram-se referências importantes de generosidade, integridade, ética e desprendimento. Muitas vezes me pego chorando ao lembrá-las e como gostaria que estivessem ao meu lado nesse instante de minha vida.
  • Saíram, pelo mesmo motivo acima, mas mal consigo me lembrar de seus rostos. Não deixaram nada que me valesse recordar. Não deixaram ressentimentos ou sentimentos. Simplesmente se foram.
  • Saíram, mas permanecem ao meu lado fisicamente. Não me deram opções para que fosse diferente. Minaram aos poucos as relações comigo ao longo dos anos, me deixando cada dia mais perplexo diante de suas atitudes e descrente quando ao que realmente sentiam por mim. Para me preservar emocionalmente, preferi o silêncio e o olhar desviado, para que não pudessem me magoar mais.

Mas sabe o que me surpreende? Sempre as amarei. Não sei como consigo, talvez porque o sentimento chamado amor é o mais forte de todos e pode, caso eu queira, mudar a história deste último parágrafo. Chegará um dia em que serei corajoso e seguro o suficiente para fazê-lo.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Espelhos

Na última postagem disse que me encontrava atarefado. Estranho, continuo da mesma forma. Passei um final de semana como muitos que já tive, cheio de responsabilidades e compromissos assumidos. Ontem quase dormi sobre o teclado. De repente me vi escrevendo palavras sem sentido, como se fosse uma "escrita estranha". Meu corpo estava legal, mas sentia a energia de meus pensamentos se esvair rapidamente. Precisava dormir.
Hoje, mais ou menos descansado, fiquei pensando no pesado sono de ontem. Paro agora para escrever o que pensava agora pouco.
O sono é um treinamento para a morte. Quando o sono chega por mais que lutemos, ele acaba por nos derrotar. Eu creio que com a morte será assim também. Ela talvez seja mais forte que o adormecer, mas por outro lado, nos livrará de todo tipo de dor física e emocional que estejamos vivendo. Será o ultimo suspiro. A morte da esperança. O clímax de uma vida. Por que escrevo isso? Porque a morte não é a antítese da vida. É apenas uma parte dela.
Não vou dizer que teremos uma nova vida ou que viveremos uma eternidade, pois ainda não morri, mas acredito em outras opções.
Se escrevo sobre a morte é para me lembrar que estou um pouco depois do meio do caminho e tenho muito o que fazer! E o que é mais importante: ainda estou VIVO!
Não estou mais pronto para esperar acontecer, preciso fazer acontecer e concretizar os sonhos que ainda surgirão. Mas compreendo que esperar agora tem um outro significado. Quando jovem era impaciente, queria que tudo acontecesse para ontem. Cobrava e exigia respostas fulminantes. Fazia o que não me cabia só para exibir a minha eficiência e iniciativa.
Agora, ESPERAR significa tornar real sonhos possíveis e realmente essenciais para mim.
A ansiedade amadureceu e me tornou um homem bem mais feliz. Em parte, porque amadureci e mudo minhas prioridades sempre, como se fosse refinando-as. A outra parte, foi porque já realizei muito do que queria, superando minhas próprias expectativas.
Vivo uma novíssima fase de minha vida, que me faz perceber o mundo e os seres humanos com outros olhos. E o que é muito legal? Me vejo também com outros olhos e não preciso mais de espelhos.

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

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