quarta-feira, 21 de julho de 2010

Eu não te disse para não comprar essa droga de revista!

Hoje me detive diante da capa de uma revista na fila do caixa de um supermercado. O título falava de pessoas que depois de perdoarem passaram a se sentir leves e felizes. Pensei comigo: já fui assinante dessa mesma revista por anos e diante da atitude tendenciosa e desrespeitosa com que tratava assuntos sérios e seus leitores, decidi cancelar a assinatura. Mas hoje fiquei tentado em comprar um exemplar. Mas resisti bravamente. Acho que ficaria furioso comigo mesmo ao constatar o tratamento jornalístico, superficial e apelativo dado ao tema pelos redatores. Eu seria mais um a ser enganado e teria que ouvir a minha consciência dizendo por muito tempo: bem feito, eu não te disse para não comprar essa droga de revista, blá, blá, blá.
Mas aonde quero chegar? Bom, independente do que venha fazer, comprar o raio da revista ou não, foi bom relembrar do pacto que fiz comigo mesmo. Tenho que buscar o perdão dentro de mim e as razões que impedem que ele aconteça em todas as áreas de minha vida, principalmente diante das relações humanas. Já fiz grandes avanços diante dos ressentimentos. Eles estão caindo aos poucos, como frutas passadas ainda agarradas nos galhos de uma árvore. Já perderam o sentido em sua maioria. Os ressentimentos que ainda sobraram estão agarrados ao meu orgulho, outro que me dá um trabalho danado, pois sempre me coloca em posições defensivas diante das pessoas que preciso voltar a interagir.
Isso significa que preciso voltar a olhar para elas, aceitando-as como são, sem necessariamente voltar a ter a mesma relação com elas. Na verdade, mesmo que por outro motivo não consiga me aproximar destas, o meu olhar precisa ser de compaixão.
Não que eu seja melhor que elas, mas ao reconhecer características humanas comuns entre nós, as diferenças deixam de pesar.
Hoje consigo levantar meus olhos e fixá-los em muitas pessoas que outrora ignorava solenemente. Existia uma culpa interna silenciosa que sempre apontava minhas fragilidades, limitações e dificuldades, muitas das quais não tolerava nas pessoas e que habitavam em mim.
Nunca gostei de pessoas sem caráter, incapazes de tomar posições firmes diante de situações emergenciais. Tinha raiva de covardes e omissos. Sem contar que se pudesse bateria em todos os bêbados que cruzassem o meu caminho! Eu nunca fiquei bêbado em toda minha vida e quando sentia que as coisas estavam ficando estranhas, parava quase sempre no primeiro copo. Me desesperava perder a consciência do que sou.
Por um lado é bom, pois ao chegar em casa via o semblante de alívio de meus pais. Eu ganhei a chave de casa aos 13 anos e essa foi uma das maiores conquistas de minha adolescência. Parecia um prêmio e era mesmo. Eu fui (sou) um filho muito legal e sempre gostei de reforçar a credibilidade que meus pais haviam me dado.
Por outro lado, por não beber tinha que ouvir piadas de meus amigos adolescentes (aliás, ouço até hoje) que eu iria para o céu, que iria virar padre, pastor etc. Mas pior era ouvir papo de bebum até deixá-los em casa...
Por conta disso, hoje praticamente não bebo. As vezes, faço um esforço para beber uma taça de vinho tinto, durante o almoço para ajudar a reduzir meu colesterol. Mas não consigo beber mais do que duas taças por semana e olhe lá. Admiro ver aqueles especialistas em vinhos discorrendo sobre o aroma e paladar de vinhos, que podem ser frutados, encorpados etc, mas este não é meu mundo definitivamente.
Afinal de contas eu tenho motivos muito fortes para não chegar perto de bebidas, cigarros ou qualquer outro vício destrutivo que afete a minha saúde e minha credibilidade como homem, esposo, pai, filho e irmão. Quem acompanha a minha vida desde a adolescência vai matar logo. Quem não me conhece, um dia vai saber, quando eu conseguir superar um de meus maiores ressentimentos.
Estou curtindo o meu recesso escolar. As duas semanas estão passando lentamente para meu total deleite, apesar dos trabalhos que ainda tenho que corrigir. Vivo sem sobressaltos ou expectativas desnecessárias. Faço o que posso dentro de meus limites pessoais. Se não for possível fazer hoje, faço amanhã, só não posso deixar de fazê-lo.
Ainda preciso de tempo para amadurecer escolhas futuras. Elas envolvem a minha família e não tenho como tomar decisões sem levá-la em conta.
Tenho uma família que amo muito e consegui construir outra tão boa quanto a primeira. Sei que não posso escolher as pessoas com as quais tenho vínculo afetivo hoje, mas acreditar nestes vínculos tem sido um dos maiores investimentos que tenho feito na vida. Bom mesmo é saber que isso deixa de ser trabalhoso quando perdoamos secretamente a quem um dia nos feriu. E melhor ainda, é estar desarmado diante do outro a partir de agora.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A arte do esquecimento

Dia desses conversava com um amigo de muitas caminhadas, quando ele começou a relembrar nosso primeiro retiro em Campos do Jordão. Fui surpreendido ao me dar conta que não me lembrava de nada! Somente depois de um esforço, lembrei-me de fragmentos do que havia acontecido. À medida que ele discorria sobre as brincadeiras que eu havia feito durante a viagem, imaginando situações surreais, é que me dei conta do quanto o havia marcado.
Normalmente, sou tímido para quem pouco me conhece, mas adoro uma boa farra com as pessoas mais conhecidas. Dar gargalhadas é muito bom, daquelas que fazem a barriga doer e nos tiram o ar. Isso inclui rir da própria sorte, das coincidências, das maluquices que penso e falo e outras coisas legais. Ter senso de humor é fundamental a qualquer hora. Acho que o herdei de minha mãe.
Ao chegar em casa veio forte a lembrança do que senti após ter participado desde retiro: a minha vocação para viver em uma comunidade.
Do momento que atravessei o portão do sítio no Bairro dos Melos, fui descobrindo o quanto era importante me descobrir, me encontrar. A felicidade de estar entre pessoas estranhas, que mal sabia o nome, era enorme. Partilhávamos os mesmos objetivos, trilhávamos caminhos comuns e estávamos em busca de nossa divindade, do Deus guardado dentro de cada coração. Dava para sentir a energia emanada a cada meditação, trabalho manual, refeições e principalmente, no horário em que fazíamos o silêncio absoluto no início da tarde.
Esse era o momento em que eu escrevia para mim mesmo, em meu "diário de bordo", uma pequena agenda vermelha.
Senti-me amparado, seguro e amado nesses dias. Fiz amigos e amigas. Abracei e fui abraçado. Consolei e fui consolado. Aprendi mais do que ensinei naqueles dias de azul profundo e noites estreladas e frias na Serra da Mantiqueira. Era maravilhoso saber que eu podia SER muito mais do que supunha até então. Eu tinha certeza que não seria mais o mesmo depois desse retiro. Eu seria um homem melhor. E essa certeza se confirma sempre.
Ao sair, veio a dor da partida. Chorei pela saudade que já estava sentindo. Na época seria capaz de deixar tudo aqui, até mesmo as pessoas que amava, para viver a minha vocação. Mas já era tarde demais. Eu simplesmente não poderia deixar a minha vida estruturada com muito esforço. Além disso, precisaria ser muito egoísta. Mesmo entristecido com o mundo que voltaria a encarar, cheguei em casa renovado, pronto para o que desse e viesse. Foi importante sentir também que era esperado com grande expectativa.
Para quem está preocupado com a perda de memória até que escrever sobre esse problema me fez lembrar de boas passagens! Mas ainda assim, continuo meio aflito com a falta de memória para outros temas. Será que o esquecimento que tenho experimentado decorre da proximidade de meus 50 anos? Estarei ficando senil precocemente? Tem pessoas que bebem para esquecer; será que terei que beber para me lembrar? rsrsrs
Reconheço que do momento que passei a viver com tudo o presente, o passado (que inclui o bom e o ruim) está desaparecendo!
Os ressentimentos, mágoas, alegrias e trunfos estão encolhendo e perdendo a importância e espaço que outrora tinham. Não consigo mais vivenciar as experiências como fazia há anos atrás. Eu não me recordo mais tão bem delas. E para recordar, preciso de ajuda.
Existe um lado interessante nesse "processo" de esquecimento. Acho que estou começando a perdoar. Sinto-me liberto diante da vida que tenho. Mal me resta tempo para pensar no futuro, aliás eu pouco me importo como os desafios que terei pela frente. Acredito que a consciência do presente, do que eu sou capaz de fazer, de minha capacidade de mudança e consequente aprendizado, me tornam transparente diante de mim mesmo. Sinto que não tenho o que temer e a minha vida me ocupa o suficiente.
Tenho que tomar decisões que envolvem o meu futuro e sinto-me apático pela primeira vez. A questão não é ter que tomar decisões, mas viver algo que não existe, criar expectativas inevitáveis, ficar sonhando acordado e penar com a cobrança interna para que tudo se realize. O resultado final deixou de ser o meu objetivo de vida. Se mudo, tudo muda.
O meu presente está se tornando tão rico de experiências que o passado e o futuro tornam-se pouco atraentes. Um, eu já vivi e não me interessa revivê-lo; o outro, desconhecido e que só fará sentido se for uma continuidade do que vivo hoje no presente.
Assim, continuo vivendo esse embate gostoso de fazer escolhas e tomar decisões. Mas juro que farei apenas se minha consciência e meu coração estiverem de comum acordo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Copiei do blog do Cascão

Depois de uma tarde ensolarada de inverno, cheia de compras, traballho e muito estudo, lembrei-me com melancolia de onde gostaria/deveria estar agora: fazendo o meu retiro de Cafh(www.cafh.org) em Campos do Jordão (SP). Não pude estar presente este ano por conta do meu trabalho, apesar de estar me preparando para esse retiro desde janeiro.
Foi preciso renunciá-lo para confirmar a falta que ele faz em minha vida.
Saudoso das grandes experiências que compartilhei em tantos retiros, desde 1995, quando encontrei o meu caminho espiritual, fui ao google e busquei - Retiros de Cafh em Campos do Jordão - assim encontrei o Blog do Cascão. Já tinha ouvido falar do companheiro de caminhada, mas não imaginaria encontrar o seu estimulante e corajoso blog pessoal.
Por isso, estou divulgando e partilhando um post que acabei de ler. Espero que gostem tanto como eu.
O russo George Ivanovitch Gurdjieff (1866-1949) era um homem misterioso e extraordinário. Suas idéias permanecem modernas até hoje, numa impressionante síntese de tradições espirituais do Oriente e do Ocidente.
Escreveu sua obra nos seus últimos dez anos de vida, deixando-nos pérolas como "Relatos de Belzebu a Seu Neto", "Do Todo e de Todas as Coisas" e o mais famoso "Encontros com Homens Notáveis" - quase uma autobiografia, que inspirou um filme com o mesmo nome.
Seus melhores escritos são simples e diretos, como estes conselhos a sua filha, que, seguidos, nos fariam mais sábios e felizes. Enjoy it.
1. Fixa tua atenção em ti mesma, sê consciente em cada instante do que pensas, sentes, desejas e fazes.
2. Termina sempre o que começaste.
3. Faz o que estiveres fazendo o melhor possível.
4. Não te prendas a nada que com o tempo venha a te destruir.
5. Desenvolve tua generosidade sem testemunhas.
6. Trata cada pessoa como um parente próximo.
7. Arruma o que desarrumaste.
8. Aprende a receber, agradece cada dom.
9. Para de te autodefinir.
10. Não mintas, nem roubes, pois estarás mentindo e roubando a ti mesmo.
11. Ajuda teu próximo sem torná-lo dependente.
12. Não desejes que te imitem.
13. Faz planos de trabalho e cumpre-os.
14. Não ocupes demasiado espaço.
15. Não faças ruídos nem gestos desnecessários.
16. Se não tens fé, finge tê-la.
17. Não te deixes impressionar por personalidades fortes.
18. Não te apropries de nada nem de ninguém.
19. Reparte equitativamente.
20. Não seduzas.
21. Come e dorme o estritamente necessário.
22. Não fales de teus problemas pessoais.
23. Não emitas juízos nem críticas quando desconheceres a maior parte dos fatos.
24. Não estabeleças amizades inúteis.
25. Não sigas modas.
26. Não te vendas.
27. Respeita os contratos que firmaste.
28. Sê pontual.
29. Não invejes os bens ou sucesso do próximo.
30. Fala só o necessário.
31. Não penses nos benefícios que advirão da tua obra.
32. Nunca faças ameaças.
33. Realiza tuas promessas.
34. Coloca-te no lugar do outro em uma discussão.
35. Admite que alguém te supere.
36. Não elimines, mas transforma.
37. Vence teus medos, cada um deles é um desejo camuflado.
38. Ajuda o outro a se ajudar a si mesmo.
39. Vence tuas antipatias e te acerca de quem queres rejeitar.
40. Não reajas ao que digam de bom ou de mau sobre ti.
41. Transforma teu orgulho em dignidade.
42. Transforma tua cólera em criatividade.
43. Transforma tua avareza em respeito pela beleza.
44. Transforma tua inveja em admiração pelos valores alheios.
45. Transforma teu ódio em caridade.
46. Não te vanglories nem te insultes.
47. Trata o que não te pertence como se te pertencesse.
48. Não te queixes.
49. Desenvolve tua imaginação.
50. Não dês ordens só pelo prazer de ser obedecido.
51. Paga pelos serviços que te prestam.
52. Não faças propaganda de tuas obras ou ideias.
53. Não trates de despertar, nos outros em relação a ti, emoções como piedade,admiração, simpatia e cumplicidade.
54. Não chames atenção por tua aparência.
55. Nunca contradigas, cala-te.
56. Não contraias dívidas, compra e paga em seguida.
57. Se ofenderes alguém, pede desculpas.
58. Se ofendeste publicamente, desculpa-te igualmente em público.
59. Se te dás conta de que te equivocaste, não insistas por orgulho no erro e desiste imediatamente de teus propósitos.
60. Não defendas tuas antigas ideias só porque tu as enunciaste.
61. Não conserves objetos inúteis.
62. Não te enfeites com as ideias alheias.
63. Não tires fotos com personagens famosos.
64. Não prestes contas a ninguém, sê teu próprio juiz.
65. Nunca te definas pelo que possuis.
66. Nunca fales de ti sem te conceder a possibilidade de mudança.
67. Aceita que nada é teu.
68. Quando pedirem a tua opinião sobre alguém, fala somente de suas qualidades.
69. Quando adoeceres, em vez de odiar esse mal, considera-o teu mestre.
70. Não olhes com dissimulação, olha fixamente.
71. Não te esqueças de teus mortos, mas limita-os em um espaço que não lhes permita invadir toda a tua vida.
72. Em tua moradia, reserva sempre um lugar ao sagrado.
73. Quando realizares um serviço, não ressaltes teus esforços.
74. Se decidires trabalhar para alguém, trata de fazê-lo com prazer.
75. Se estás em dúvida entre fazer ou não fazer algo, arrisca-te e faz.
76. Não queiras ser tudo para teu cônjuge; admite que busque em outras pessoas o que não lhe podes dar.
77. Quando alguém tenha seu público, não tentes contradizê-lo e roubar-lhe a audiência.
78. Vive dos teus próprios ganhos.
79. Não te vanglories de aventuras amorosas.
80. Não exaltes as tuas debilidades.
81. Não visites alguém só para preencheres o teu tempo.
82. Obtém para repartir.
83. Se estás meditando e um diabo se aproxima, bota-o a meditar também...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Rapidinhas para se ter sempre em mente

Você quer ser diferente?
Cumpra suas promessas: Mantenha sua palavra e seja diferente de tantos que costumam não manter a palavra ou mesmo mentir!
Assuma seus erros: Não coloque a culpa por seus erros nos outros. Assuma sua falta, e você será muito "diferente" das diversas pessoas que dão desculpas e não assumem as próprias falhas!
Seja gentil, polido(a) e educado(a): Em um mundo de pessoas grosseiras e mal-educadas, palavras simples, como, por exemplo, "com liçenca", "por favor", "obrigado(a)" e "me desculpe" podem fazer uma diferença enorme.
Seja honesto(a): Talvez esta seja a principal diferença em um mundo onde se tem a impressão de que a corrupção e a desonestidade são a regra, não a exceção.
Extraído da Revista O Mensageiro de Santo Antônio, setembro de 2006

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

Minha foto
Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.