domingo, 26 de abril de 2009

Conhecer uma pessoa leva tempo. Conhecer-se leva toda uma vida.

Tenho tido boas surpresas nos últimos dias. Mesmo estando muito atarefado, corrigindo e elaborando provas, enviando/recebendo e-mails para e de todos os cantos, sinto-me realizado por ter a oportunidade de saborear o que a vida tem me ofertado, seja o que for. Em meio à rotina diária de um professor, consegui assistir a apresentação de uma cantora inglesa, Susan Boyle, em um show de calouros pelo You Tube.
Não me refiro a sua afinada voz e interpretação surpreendente, mas a lição que podemos tomar quando levados a fazer julgamentos precipitados das pessoas que não conhecemos, principalmente quando elas originalmente destoam dos padrões estandardizados de comportamento e aparência.
Pode parecer inacreditável, mas muitas pessoas ainda preferem valorizar a aparência externa de homens e mulheres, em detrimento de seu caráter. Conhecer uma pessoa leva tempo, mas como vivemos dentro de uma sociedade que cultua valores imediatistas, essa prática torna-se frequente.
Se essa atitude fosse de um jovem, seria fácil compreender considerando a sua pouca vivência e maturidade, mas quando é tomada por pessoas que já trilharam um bom caminho, é doloroso e desagradável. Como é difícil conceber a alienação que muitas pessoas mergulharam ao longo de suas vidas. Não me cabe julgá-las, pois não sei os motivos que as conduziram a essa situação, mas não posso aceitar que isso seja justo com elas, que mereçam.
A postura preconceituosa e cínica ficou evidente na platéia, que analisava a jovem senhora de 47 anos, antes de mostrar o que tinha de melhor: o seu talento pessoal.
Aquela pessoa guardava dentro de si um poder que foi capaz de tocar milhões de pessoas em todo mundo, e até então vivia retirada com sua mãe em um pequeno vilarejo na Escócia.
À medida que soltava a sua voz, empalidecia seu público que só podia aplaudí-la diante do grande presente que recebiam.
Mas o impacto causado por aquela apresentação conseguiu tocar aos jurados. Reconheceram seu inegável talento e deram-lhe a oportunidade final de concretizar o seu velho sonho.
Fiquei emocionado com a simplicidade, inocência, coragem e perseverança da "velha senhora" que nasceu no mesmo ano que eu, quando o primeiro satélite artificial foi lançado no mundo, o Sputnik. Ela deixou claro antes de entrar no palco, que esta seria a sua última tentativa, disse saboreando um sanduíche, e que se não conseguisse a aprovação, voltaria à sua cidade natal e continuaria a "tocar a sua vida".
A apresentação me deixou emocionado, pois também me vi cometendo os mesmo erros de julgamento, levando-me a me afastar de muitas pessoas por "serem diferentes demais de mim" no passado. A separatividade e a indiferença já me fizeram ser muito cruel comigo mesmo.
Hoje me dou conta de como fui tolo quando mais jovem, mas não me culpo por isso. Precisava passar por esse aprendizado para me reconhecer hoje. Trabalho no presente para que quando olhar para trás, daqui há 20 anos, me reconheça melhor do que há 40 anos.
Todos nós precisamos dar um sentido mais amplo e transcendental para nossas vidas, preenchendo lacunas e naturalmente amadurecendo. O significado de nossa existência fica claro quando usamos a fé como combustível e cumprimos nosso caminho.
Não há necessidade de ser rápido e muito menos de ter a pretensão de chegar ao final. O importante não é a chegada, mas o ritmo que damos à trilha percorrida diariamente, passo a passo, sem expectativas exageradas de aprendizado.
Todos nós temos desafios pessoais prontos para a romper com nosso equilíbrio e segurança, obrigando-nos a parar ou até recuar; mas uma vez superadas as dores e frustrações, sentimos a fortaleza que se estabelece dentro de nós. Essa sensação de plenitude estabelecida em nosso coração faz emergir uma energia que só pode traduzir-se em felicidade.
São momentos breves quando tudo fica claro e passa a fazer um sentido abrangente. É nesse momento de insight que conseguimos dar um passo em direção ao nosso destino, com firmeza e lucidez, deixando claro que o que fomos não seremos jamais, que o aprendizado não foi em vão, seja ele qual for. Quando conseguimos transcender as dores pessoais e sentí-las como dores do mundo, passamos a fazer parte da humanidade e do todo que nos envolve.
Assim, acredito eu, estaremos caminhando para uma vida verdadeiramente feliz e plena de sentido e possibilidade.



terça-feira, 21 de abril de 2009

Recomeçar com o Poeta.

Em meio há centenas de provas que corrigi durante todo dia, fui surpreendido por uma prova de Língua Portuguesa, perdida entre as de Geografia. Depois de dar uma rápida "olhada" na prova, deparei-me ao fim desta com o seguinte poema de Carlos Drummond de Andrade (fragmento).
"Não importa onde você parou, em que momento da vida você se cansou, o que importa é que sempre é possível e necessário, recomeçar.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo.
É renovar as esperanças na vida e o mais importante: acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado.
Chorou muito? Foi limpeza da alma.
Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia.
Sentiu-se só por diversas vezes? É porque fechaste a porta até para os anjos.
Acreditou que tudo estava perdido? Era o início da tua melhora. Pois é!
Agora é hora de reiniciar, de pensar na luz, de encontrar prazer nas coisas simples de novo (...)"

Aprecio o poder das palavras quando são capazes de tocar um coração e tornam-se capazes de renovar esperanças. Portanto, lembre-se que as portas nunca se fecham, o sol nunca deixa de brilhar (mesmo atrás das nuvens), que todos os dias são diferentes e sempre estarão repletos de possibilidades que podem mudar nossa visão de nós mesmos e de tudo ao redor.

domingo, 19 de abril de 2009

Além da metade do caminho.

Agora que já estou além da metade do caminho tenho pensado no significado da "luta de pela vida". Já vivenciei conquistas e derrotas, mas nunca perdi o foco de meus objetivos. Podem apontar meus defeitos, que foram um dia uma armadura difícil de penetrar, mas hoje tudo vem mudando com muita velocidade, inclusive o duelo que travava com a vida. Posso ver que me envolvi em grandes confrontos, que gastei uma energia excessiva e desnecessária, e que hoje faria tudo com mais racionalidade. Sou capaz até mesmo de listar minhas fraquezas com uma coragem surpreendente.
Lembro-me do prazer dado pelo meu trabalho, quando o iniciei há mais de duas décadas. Ele me encerrou em uma prisão sem muros. Era capaz de ver a vida e as pessoas passarem sem condições de estar com elas. Havia todo tempo do mundo, mas não para elas, não para mim. Eu concorria comigo mesmo, como um cachorro correndo atrás do rabo, testando os limites do meu corpo e mente.
As conquistas materiais supriam as carências de anos anteriores, mas não conseguiam dar significado para minha vida. Por que havia tanta pressa? Por que era importante mostrar resultados imediatos?
Assim, alimentava minha ambição a cada dia, superando elevadas expectativas e cobranças pessoais, indo fundo na idéia de realizar-me financeira e profissionalmente. Era emocionante viver próximo dos limites máximos. Até que as perguntas fundamentais vieram à tona. O que estava fazendo comigo era justo? Por que exigir da vida o que supostamente nunca tive?
Caramba, quanto de isolamento e alienação as paixões podem conter! Vivia apaixonado pelo trabalho, afinal de contas, tinha encontrado precocemente minha verdadeira vocação. Tudo fluía bem e os desafios sempre tinham solução. Cheguei onde poucos profissionais de minha geração chegaram, mas paguei um preço e tanto.
Aonde chegaria vivendo assim? Passei a buscar as verdadeiras prioridades em minha vida. Dei-me conta que tudo que construíra até agora só seria útil para mim enquanto vivesse e uma vez morto, não serviriam para nada. Eu seria esquecido e se quer saberiam quem fui ou deixei de ser. Poderia ter um busto horrível, daqueles que ficam solitários nas praças, sujos de fezes de pombos ou receber o nome de uma rua ou travessa, cheia de buracos e vazamentos.
Hoje, estou me dando conta que preciso viver para mim mesmo e para construir um novo legado para meus desconhecidos descendentes. Penso que não poderia existir para eles, não precisariam saber quem sou, o que fiz e como era. A herança que pretendo deixar traz consigo valores e sentimentos que precisam ser eternizados e tudo que for necessário para que o futuro seja um contínuo presente, não só para os homens e mulheres que carregarão minha herança genética, como para somar àqueles que tem o mesmo objetivo: fazer um mundo mais humano! Acho que estaria dignificando toda a herança genética que recebi de meus antecedentes, que um dia morreram para que estivesse escrevendo assim e aqui.
Tenho claro para mim que a luta pela vida já tem um significado mais amplo: preparar-me para deixar o mundo melhor do que o encontrei.
Tenho um longo caminhar pela frente e preciso resgatar pessoas que perdi do alcance de meus olhos. Não sei se poderei encontrá-las como gostaria, mas estou pronto para lutar com a maior das ferramentas que recebemos de Deus: o amor!

domingo, 12 de abril de 2009

Poesia de Páscoa

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser.
Porque você possui apenas uma vida,
E nela só se tem uma chance
De fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
Não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
Que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram,
Para aqueles que se machucam,
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância das
Pessoas que passam por suas vidas.

O futuro é mais brilhante se baseado num passado
Intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros
E as decepções do passado.

A vida é curta,
Mas as emoções que podemos deixar
Duram uma eternidade.

A vida é de se brincar,
Porque um belo dia se morre.

Clarice Lispector.

Feliz Páscoa para todos que me acompanham neste blog, um professor com alma de aluno, metido a escrever sobre a vida e que não se contenta em ver a vida passando pela janela!
Abraços e beijos

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

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Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.