terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Antes de perder o meu pai para a morte, eu o reencontrei.

Há muito tempo que não tenho vontade de escrever aqui, mesmo sabendo que me faz muito bem usar uma folha em branco e preenche-la com meus pensamentos e emoções. Sei que não vou conseguir transpor o vácuo criado desde a última postagem, a minha memória que parecia estar falhando, na verdade está mais seletiva do que nunca quando me refiro às lembranças.
Sem sombra de dúvidas o que mais me marcou durante essa longa ausência foi a morte do meu pai. Uma agonia de 50 dias em que a  sua saúde foi se esvaindo lentamente. Talvez o pior de todos os dias antes da sua morte, foi o Dia dos Pais. Meu pai ficou a maior parte do dia dormindo por conta dos medicamentos. Minha irmã e minha mãe vieram nos visitar um dia antes, portanto, não voltariam mais. Senti uma solidão imensa. Chorei na hora do almoço dentro de um refeitório quase vazio, e o que é pior, comendo uma comida horrível. Lembrei de todos as comemorações que vivemos no passado em família e senti uma dor imensa. Lembro-me de deixar o prato quase intocado, que acolheu as minhas lágrimas.
Nesse dia ficou claro que nunca mais teria o meu pai para comemorarmos o nosso dia. No horário da visita fiquei olhando no corredor na esperança de receber uma visita de surpresa e ninguém apareceu. Eramos eu e meu pai trilhando um caminho que não teria volta. Quando meu pai acordou, já afetado pela demência que ia e voltava, o abracei na cama, segurei suas mãos e o beijei como nunca tinha feito até então. E ele retribuiu da mesma forma. Logo depois veio o jantar e ele voltou a dormir profundamente por conta do calmante minúsculo que o derrubava.
Daqui há poucos dias terei contabilizado 3 meses sem meu pai. O meu aniversário foi também muito difícil. Não fiz nada de especial, mas minha mãe me surpreendeu com um bolo e pastéis. Havia um esforço grande por parte dela para realizarmos a comemoração. Mas o luto foi maior e cheguei em casa mais entristecido do que quando havia saído.
Hoje os episódios de choro são mais esporádicos, mas já chorei muito. Chorei de forma tão intensa a perda do meu pai para a morte, que por pouco não perdi o controle sobre mim mesmo. Acho que Deus me segurou com firmeza nesses dois momentos, dos quais não quero discorrer aqui.
Nesses dias desafiadores em que fiquei ao seu lado, cumpri o meu papel de filho com tanta coragem e determinação que até eu me surpreendi. Não havia cansaço ou dor, apenas a certeza de que tinha que fazer o melhor possível e que esta seria a minha última parceria com meu pai.
O tempo passou rápido demais e nunca consegui pedir a Deus para que o poupasse da morte. Papai morreu sem dores. Me reconforta saber disso. Mas eu sabia internamente que ele não sobreviveria. Deixei a vida cumprir o seu papel mais forte, o de permitir a morte prevalecer. Eu tão otimista e cheio de esperanças, tive que encarar o desafio de aceitar a minha incapacidade de mudar o que vivia.


domingo, 7 de maio de 2017

Agora sei que nada será como antes!

E assim está sendo. Ficar muito tempo sem escrever aqui, me causa uma angústia imensa. Acaba acontecendo um acúmulo de transformações que ao tentar discorrer sobre elas, mal sei por onde dar início. Finalmente me aposentei na Prefeitura Municipal de Petrópolis, mas vou ter que brigar muito com o governo municipal que me deve 1 ano de licença prêmio e a atualização de meu vencimento base desde 2010. Fora o futuro embate, a sensação de liberdade é única! São 32 anos de sala de aula que acabaram com a minha voz e que aos poucos foram minando o prazer de sair de casa para ir à escola. Mas uma vez em sala de aula, fazia o meu melhor, uma aula de Geografia provocativa e cheia de boas intensões!
Passei um tempo meio desorientado por ter as noites livres e por vezes, me dava a sensação que estava matando aulas, pode? O tempo livre foi devidamente preenchido com atividades igualmente prazerosas. O professor deu lugar para um pai e um filho mais atento às necessidades da família. O professor passional precisou ser contido para exercer a função de guia em um grupo espiritual de Cafh. O professor deu lugar a um homem preocupado em ter uma boa saúde e principalmente, focar em novos aprendizados para expandir continuamente a sua consciência. 
Liberto de metade da minha carga de trabalho, pois tenho 4 anos pela frente no Colégio Pedro II, descobri o que considerava tão abstrato e incompreensível para mim, os conhecimentos da antiguidade clássica, repleta de simbolismos e aprendizados, que estão sendo iluminados pela FILOSOFIA! 
Mal sei por onde começar diante da intensidade das mudanças que estão se processando dentro de mim. Nada foi tão direto no que preciso neste momento em que me aproximo rápido da maturidade. Eu já sei que não tenho muito tempo, mas agora já sei como acelerar o meu aprendizado espiritual até que aconteça o encontro com o meu destino final, o retorno à nossa casa, de onde viemos e para onde voltaremos!
Hoje assistindo um vídeo que trata de um livro conhecido como O Profeta, de Khalil Gibran, em que a filósofa Lúcia Helena Galvão vem desmistificando para nós mortais as mensagens contidas em cada capítulo, constato a atualidade da mensagem escrita há quase 100 anos.
Sinto-me desafiado e sacolejado diante do que escuto e leio; e ainda nem cheguei a escrever de outro livro, potencialmente desafiador que leio e releio, o Caibalion que contém os ensinamentos de Hermes Trimegisto sobre a arte de viver, de acordo com princípios herméticos do Egito e Grécia!
Em resumo, tenho muito "pano para mangas" para escrever aqui. Não sei se conseguirei escrever tudo, mais as mudanças internas já tiveram início e tem sido um bálsamo para sobreviver em meio a tantas desavenças por conta da crise moral e política que vivemos.
Agora sei que nada será como antes. Vai ser melhor, muito melhor! É bom ser surpreendido pela vida nessa altura e perceber o quanto eu posso crescer em minha humanidade!


Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

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Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.