quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Reaprender a viver

Por que tomei a decisão de reaprender a viver? Porque descobri que não estava vivendo como ansiava viver. Estava perdendo o foco depois de quase 20 anos em um caminho de desenvolvimento espiritual. Fui conduzido lentamente a essa surpreendente constatação, até ser desafiado publicamente.  Pode parecer forte assumir isso, mas é este o meu propósito não para 2013, mas para toda vida. Preciso realizar mudanças mais profundas que afetam diretamente o meu dia-a-dia, os meus pensamentos, a relação com meus semelhantes e a minha própria vida. Mas como assim reaprender a viver? perguntou-me uma amiga. Isso não significa que até agora vivi errado, mas que posso orientar a minha vida para uma dimensão que vai além da sobrevivência diária. Eu estou partindo para fora do conhecido, seguro e confortável.
Estou mais atento aos meus pensamentos e ações. Falar agora requer uma responsabilidade única, assim como os jugamentos que faço. Estava julgando o meu semelhante de forma implacável e cruel, exigindo secretamente que agissem segundo meus interesses. E os ressentimentos cimentavam os julgamentos, para piorar.
Tem sido difícil para mim assumir que preciso reaprender a viver. Esse aprendizado tão simples, tira o foco de minha vida pessoal e aponta para minha vida espiritual.
Por que raios eu assumi essa ideia amalucada para muitos? Porque decidi me comprometer e aí, ferrou. Não pensei que fosse levar tão a sério este desafio pessoal. Por isso, estou tão angustiado e assustado, mas não passa pela minha cabeça desistir.
Não tem sido fácil perceber que continuo convivendo com o meu orgulho, que se disfarça o tempo todo, como se quisesse passar sem ser notado. Esse orgulho trás consigo muitos outros defeitos que reconheço, mas que não havia assumido para mim mesmo. Foi forte assumir que ainda me alimento de ressentimentos antigos, que se manifestam quando estou sozinho. O meu pensar é ressentido, pois ainda se prende ao passado que não tem a menor importância, ou pelo menos, não deveria ter. 
Sou um homem orgulhoso e ressentido. Orgulhoso pelo que sou e conquistei e ressentido, pelas injustiças que fui vítima e pelo amor desperdiçado. Está tudo errado! Para que me serve o orgulho? O que "conquistei" nunca foi meu, o que sou está em contínuo processo de mudança e as injustiças me fortaleceram. Quanto ao amor, eu fui egoísta por esperar uma retribuição, assim ele perdeu o seu sentido.
Aprendi a me defender da vida sendo indiferente, mas a indiferença não foi capaz de evitar o ressentimento. Não consigo ser indiferente, sou passional, mas já fui pior.
Acho que só não "piro" por causa da esperança. Essa esperança que tenho comigo, cresce proporcionalmente aos meus desafios e nem de sombra dá sinais de fraqueza. Deve ser por isso que até hoje a vida não me derrubou com suas rasteiras. Deus tem me protegido em seus braços e quando ameaço cair, sou amparado.
O que importa é reconhecer que tenho feitos progressos reais. Estou colocando em prática o que guardava em meu coração no meu dia-a-dia e não apenas em momentos especiais.
Hoje mesmo consegui me superar diante de um desafio onde eu tinha tudo, inclusive o direito, de explodir. E acredite não o fiz. Estou aprendendo que muitos dos semelhantes que convivo precisam de mais compreensão do que poderia supor, mas mantendo meus pontos de vista. Vejo que posso ser flexível e deixando evidente que pontos finais são necessários para se prosseguir.
E o que tenho pela frente? Um baita desafio e a carinha da esperança sorrindo para mim e dizendo...VAI!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Recomeços

"E, quando você errar o caminho: recomece...


Pois, assim você descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita.

Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.

Usar as perdas para refinar a paciência.

Usar as falhas para lapidar o pr...azer.

Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.

Jamais desista de si mesmo.

Jamais desista das pessoas que você ama.

Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível, ainda que se apresentem dezenas de fatores a demonstrarem o contrário."







domingo, 30 de setembro de 2012

Somos únicos!

Sempre que houver alternativas, tenha cuidado.
Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso.
Opte pelo que faz o seu coração vibrar. Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as consequências.
Nunca existiu uma pessoa como você antes, não existe ninguém neste mundo como você agora e nem nunca existirá.
Veja só o respeito que a vida tem por você.
Você é uma obra de arte — impossível de repetir, incomparável, absolutamente única.
Não se preocupe com a perfeição. Substitua a palavra "perfeição" por "totalidade".
Não pense que você tem de ser perfeito, pense que tem de ser total.
A totalidade dá a você uma dimensão diferente.
Opte por aquilo que faz o seu coração vibrar.Apesar de todas as consequências.

Agradeço à vida, de Roy Lacerda

AGRADEÇO À VIDA

AGRADEÇO por tudo que ela nos dá em abundancia. Saúde, felicidade , prosperidade.
AGRADEÇO pelas duras lições que me ensinaram a conhecer-me melhor e conhecer melhor aos outros.
AGRACEÇO pelos fracassos vividos. Eles me ens
inaram a humildade e a obrigação de jamais deitar-me sobre meus lauréis e o quanto é preciso compreender as dificuldades dos outros, oferecendo a ajuda que necessitam naquele momento.
AGRADEÇO por todas as oportunidades que se apresentaram para eu cultivar a paciência, a tolerância, e a esperança.
AGRADEÇO pelas múltiplas descobertas da realidade e da verdade.
AGRADEÇO por todas as oportunidades que aproveitei, as desgraças que evitei, as soluções que encontrei, os talentos que desenvolvi, as vitórias que obtive, os dias maravilhosos que vivi!
AGRADEÇO pelos pais que conheci, os amigos que encontrei, os professores que me ensinaram, os livros que li, as viagens que realizei. As refeições que me deliciaram.
AGRADEÇO pelas paisagens que admirei, o sol que me aqueceu, as flores que contemplei, o ar que respirei.
AGRADEÇO pela consciência cada vez maior de que um SER SUPERIOR vela por mim, apesar dos meus erros. Me protege, apesar das minhas fraquezas; me ama, apesar dos meus defeitos; e me oferece soluções, apesar de minhas obstinações.
AGRADEÇO pela alegria de constatar simplesmente que eu estou ‘VIVO’.

Roy Lacerda

domingo, 19 de agosto de 2012

O que as noites guardam

Estou aqui em casa esperando a tarde cair, para a noite poder chegar. Estou só e tenho apenas a companhia do tic-tac do cuco que ecoa pela sala. Faz um silêncio anormal para uma tarde de domingo. Tudo que planejei fazer hoje, não fiz absolutamente nada. Eu mal saí de casa. Por instantes, não sinto o meu coração bater, mas sei que por estar respirando, estou vivo.
Sinto-me por vezes assim. Há horas em que preciso de um silêncio exterior para saber o que se passa em meu interior. Isso me possibilita decidir racionalmente o que devo fazer e intuitivamente escolher o melhor caminho a seguir. A maturidade que vivo me dá certezas perigosas, como se eu não precisasse aprender mais nada. Mas sei que isso é tolice, pois enquanto vida tivermos, estaremos na condição de aprendizes. O aprendizado só se concretiza no momento em que decidimos parar para sentir o que se passa, refletir e transmutar. Agora é um desses momentos, acredite.
Não posso perder o foco das minhas promessas e possibilidades. Tenho que honrar compromissos assumidos com minha vida espiritual. Não há como viver como vivia antes, mas hoje sinto que preciso transmutar o que tenho vivido, estabelecer novas conecções e seguir em um novo patamar.
Ainda um pouco afetado pelos acontecimentos do final de julho, choro quando as lembranças desse mês retornam ao meu pensamento. Acho que cheguei tarde demais para resolver pendências e em outras, fui incapaz de me mover. Mas guardo um coração esperançoso e energia para agir diferente. O mal não perdura eternamente. 
Preciso e posso mudar a rota dos acontecimentos em minha vida. Não creio no destino irresponsável e cruel, que vive nos sentenciando aos sofrimentos. Creio na vida consciente como a única forma de viver esses tempos modernos e velozes. Por mais que os acontecimentos sejam inesperados, eles podem ser absorvidos de diferentes maneiras e segundo nosso livre arbítrio.
Acredito na presença de Deus que me proveu a vida e me sustenta. 
Agora em meio as primeiras estrelas que surgem no céu, peço a Ele que me ajude a ver e sentir o mundo com compreensão e compaixão. Não consigo ser sempre a mesma pessoa. Quero explorar possibilidades, ir de encontro aos meus limites e alcançar um equilíbrio, mesmo que temporário, que me faça sentir fortalecido.
Tenho faltado em minhas meditações e orações, mas sei que estou perdendo uma conversa e tanto com Deus. Estou retomando hoje, é uma promessa.
Hoje compartilho a vida com muitas pessoas, sejam elas próximas ou distantes, mas não consigo me envolver com a mesma intensidade. A intensidade eu tenho guardado para minha vida.
Tenho visto que preciso de pouco para ser feliz e de poucas pessoas ao meu redor. Sustento amizades com pessoas que estão fisicamente distantes, mas próximas do meu bem querer.
Tenho aceitado melhor que cada amigo tem o seu próprio tempo e necessidades. Procuro uma vida sem excessos, mas que não passe em branco como tantas. Isso é um desperdício de talento, como coloquei para meus alunos adolescentes, naturalmente imaturos.
Penso no quanto investiram em mim e o quanto preciso retribuir. Não há pressa ou ansiedade, mas apenas a vontade forte de fazer tudo diferente a partir de hoje, a partir de agora e a partir de sempre.
É reconfortante saber que o dia nascerá amanhã, assim como a oportunidade de se reinventar e transmutar. A noite se faz presente e guarda nas estrelas a esperança de um contínuo amanhecer.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Devaneios

Eu preciso de muito pouco para me sentir feliz! A cada dia que passa sinto isso mais forte dentro de mim. Hoje mesmo quando fazia a minha caminhada diária de 14 km, me deparei com uma casa antiga no Quarteirão Ingelhein. Ela estava com com uma placa, onde se lia: vendo. Bastou ler esta pequena palavra para que eu viajasse o restante do percurso imaginado ter a posse daquela casa. Minha poderosa imaginação reformou-a completamente, pintou as paredes externas de rosa chá e as janelas foram envernizadas. Imaginei um jardim digno de Burle Marx e uma imensa rosa-dos-ventos feita de mosaicos no meio da sala de estar. Não consegui ir além disso, pois a minha consciência me despertou desse sonhar acordado. Como poderia realizar esse devaneio? Não jogo na loteria, não receberei nenhuma grande herança e o meu salário não é compatível para comprar e manter aquela casa-sonho.
Mas o que mais me marcou, após ter batido a cabeça em um galho de árvore quando acelerava meus passos, foi o gasto de energia desnecessário em ficar imaginado a posse daquela casa. Pensei mais fundo: no que ela acrescentaria a minha vida? E não me veio nenhuma justificativa razoável, nada mesmo.
O que comprovei foi que não preciso delirar com a possibilidade de ter, mas posso acima de tudo, ser. Isso não me custa nada e o gasto energético é bem mais positivo. Ser me é mais viável que ter. Eu posso ter hoje, mas posso perder tudo amanhã, pois no fundo nada nos pertence. Ser é definitivo. Eu posso aprender a ser melhor e o que eu conquisto, nem a morte poderá me tirar, vai comigo até os céus. Não estou aqui para fazer julgamentos de conduta daqueles que possuem mais do que eu, mas a minha percepção de riqueza só faz sentido, se vier acompanhada do ato de dividir. Não preciso reter nada, pois nada me pertence e um dia, queira ou não, terei que abrir mão de tudo.
Vivemos em um mundo materialista e egoísta, que nos desafia a vencer obstáculos e a provar o tempo todo que somos melhores e mais capazes que o outro. Concorremos o tempo inteiro com todo mundo. Se começamos a envelhecer, já nos sentimos derrotados lentamente. Mostrar-se frágil, limitado, incapaz é o pior dos pecados.
E como eu consigo viver dentro desse mundo? Mudando as minhas prioridades sempre que desejar, de acordo com a evolução da minha consciência. Não entro em choque com o mundano, até porque já fiz parte dele, mas ele não me seduz como no passado.
Tenho redescoberto o imenso prazer de curtir as situações simples da vida. Os pequenos detalhes tornaram-se importantes. Não há necessidade de nada grandioso ou sofisticado, basta apenas ser prazeroso para os meus sentidos. Um entardecer, para meus olhos. Um canto de pássaros livres, para meus ouvidos. O simples cheiro de café, para meu olfato. Um abraço carinhoso para o meu tato e o silêncio repleto de significados para minha alma.
Aprecio também um bom diálogo, onde eu possa ser ouvido e ouvir. Gosto de conviver com pessoas que me acrescentem novas ideias e percepções do mundo. Gosto de palavras sinceras, pois podem doer na hora, mas quando ditas por quem eu amo, me fortalecem.
Me fortalece viver em busca de um percepção cada vez mais ampla de tudo e de todos. Ela vem sendo construída a cada dia e nunca estará concluída.
Espero estar indo ao encontro de um viver cheio de esperanças, onde só haja espaço para o amor incondicional. Não quero parecer pretensioso, mas se posso sonhar com o meu futuro, peço a Deus que ele seja o mais próximo do que anseio. Mas se for diferente, peço a Deus coragem para me adaptar ao que vem ao meu encontro.

sábado, 28 de julho de 2012

Antiga benção celta completa

ANTIGA BENÇÃO CELTA .

Que o caminho venha ao teu encontro.
Que o vento sopre sempre às tuas costas,
e a chuva caia suave sobre o teu campo.
...
e até que voltemos a nos encontrar,
que Deus te sustente suavemente
na palma de Sua mão.
Que vivas todo o tempo que quiseres,
e que sempre vivas plenamente.
Lembra sempre de esquecer as coisas que te
entristeceram, e não esqueça de se lembrar das
coisas que te alegraram.
Lembra sempre de esquecer os amigos que se
revelaram falsos, mas nunca deixes de lembrar
daqueles que permaneceram fiéis.
Lembra sempre de esquecer os problemas que já passaram, mas não deixes de lembrar das bençãos de cada dia.
Que o dia mais triste do teu futuro, não seja pior
que o mais feliz do teu passado.
Que o teto nunca caia sobre ti,
e que os amigos debaixo dele nunca partam.
Que sempre tenhas palavras cálidas em um
anoitecer frio,
uma lua cheia em uma noite escura,
e que um caminho se abra sempre à sua porta.
Que vivas cem anos, com um ano extra para
arrepender-te.
Que o Senhor te guarde em Suas mãos,
e não aperte muito Seus dedos.
Que teus vizinhos te respeitem,
que os problemas te abandonem,
os anjos te protejam,
e o céu te acolha.
E que a sorte das colinas celtas te abrace.
Que as bençãos de São Patrício te contemplem.
Que teus bolsos estejam pesados,
e o teu coração leve.
Que a boa sorte te persiga, e a cada dia e cada noite tenhas um muro contra o vento, um teto para a chuva, bebida junto ao fogo, risadas que consolem aqueles a quem amas, e que teu coração se preencha com tudo o que desejas.
Que Deus esteja contigo e te abençoe,
que vejas os filhos dos teus filhos,
que o infortúnio te seja breve e que te deixe cheio de bençãos.
Que não conheças nada além da felicidade
deste dia em diante.
Que Deus te conceda muitos anos de vida.
Com certeza Ele sabe que a Terra não tem anjos suficientes.
E assim seja a cada ano, para sempre !"

Assim é!
Ver mais

A silenciosa dor da perda

Intuitivamente tomei a decisão corajosa de me defrontar com uma grande perda, que eu aprendi a suportar me mantendo distante por muitos anos. Os ressentimentos foram fortes o suficiente para destruir a única ligação existente, deixando apenas um abismo intransponível que nem a morte ou a proximidade dela foram capazes de superar.
A morte foi rápida, surpreendente e as mágoas deixadas tão fortes, que não mais poderão ser resolvidas nessa vida. Hoje estamos separados pela vida e pela morte e agora compreendo o quanto pode ser doloroso deixar questões em aberto para a eternidade.
Em breve estarei reencontrando pessoas que sofreram mais do que eu a perda fulminante de um ente querido. Será inevitável a lágrima, assim como as lembranças de tempos idos, quando tudo parecia espontâneo e prazeroso. Será doloroso procurar pessoas que aprendi a amar e admirar e não mais encontrá-las. Será entristecedor ver o imenso vazio que foi deixado e que nunca será preenchido, pois cada pessoa que a vida leva torna-se insubistituível para os que ficam, cheios de saudades.
Falar do impacto das perdas é para mim é mais difícil do que falar da morte em si. Não sei ainda a lição que terei que aprender quando perder as pessoas que mais amo na vida, mas não quero perdê-las sem antes dizer o quanto as amo com profundidade, mesmos que elas não consigam entender o que se passa em meu coração.
Agora mesmo me dei conta que tenho que me apressar, pois a vida pode ter fim a qualquer momento. Isso significa que posso não estar aqui amanhã e assim perder a chance de encontrar quem eu precise dar um abraço apertado, olhar no fundo dos olhos e dizer o quanto eu me importo.
Preciso continuar perdoando enquanto há tempo e oportunidade para mim. Tenho que me libertar das amarras finais da minha existência, para prosseguir mais leve e sem as dores que me impedem de concretizar completamente a minha missão.
Peço a Deus coragem para prosseguir e encarar um dos maiores desafios de minha limitada existência, na esperança de viver a vida que um dia me comprometi aos olhos do meu Criador. Nunca senti a necessidade de ir tão fundo em minhas fraquezas e transformá-las em fortalezas.
Mal sei o que será de mim quando chegar ao meu destino e não encontrar as pessoas que por tantos anos convivi. Não poderei mais sentir os abraços e beijos, o sorriso sempre  receptivo e a generosidade que me marcou tão profundamente.
Não concebo a existência dos lugares sem a ter na memória as pessoas que um dia fizeram parte do meu convívio. O sol não terá o mesmo brilho e calor, a areia branca e fina que tantas vezes pisei na vida parecerá estranha e a beleza assustadora das grandes ondas que traziam abundantes cardumes de peixes agora só trarão melancólicas lembranças.
Como lamento ver o meu passado desmontando com rapidez, tornando-se cada vez mais distante e desfocado e lamento ainda mais, ter desperdiçado um tempo que não voltará.
Não quero viver de lembranças, mas elas crescem à medida que envelheço e se ainda as busco é porque sei do quanto fui feliz e o quanto fui verdadeiro e intenso. Sempre tive o que dizer e minhas palavras faziam diferença pela sinceridade que continham.
Consegui extrair com meus atentos olhos o que que cada pessoa tinha de melhor, mas confesso que os fechava para as dificuldades e limitações das pessoas que me foram tão importantes.
Hoje, aqui sentado em frente ao computador, permito que as emoções aflorem com intensidade e nas palavras tento exprimir com sensibilidade o que se passa em meu coração.
Como poderei enfrentar todas as lembranças ainda tão vivas dentro de mim? É impossível conter as lágrimas diante da dor. Saber que tudo poderia ter sido diferente é o que mais me incomoda. Fui capaz de desperdiçar uma oportunidade por quase uma década, por medo de ser humilhado e mais uma vez injustiçado. Eu poderia ao menos ter tentado, poderia ter dado errado, mas pelo menos eu teria feito a minha parte. Hoje eu não estaria vivendo essa tristeza, mas não me sinto culpado por nada. Não quero me fazer de vítima, pois esse nunca foi o meu estilo, mas sei na pele o que é ser injustiçado e não ter a menor chance de se defender.
Ainda tenho para mim que o destino foi arrebatador, apesar de reconhecer que ele nos deu tempo de sobra e que foi constrangedoramente desperdiçado.
Não sei o que me aguarda nesse encontro tão esperado. Não tenho dormido bem por conta da ansiedade. Tenho estado mais emotivo do que normalmente sou. Sinto meu coração bater forte e um medo de encarar a dor. Tenho pedido a Deus por mim. Tenho pedido a Deus por todos que como eu compartilham a dor da perda, da saudade e daquilo que poderia ter sido e não foi. Temos que continuar vivendo na certeza que a nossa missão continua, aconteça o que acontecer. Acho que Deus espera isso de nós, por isso ele está ao nosso lado, mesmo que o silêncio e a dor pareçam não ter fim.

domingo, 15 de julho de 2012

Um pouco mais do que um educador

Uma típica tarde fria, cinza e silenciosa de inverno em Petrópolis. Faz agora 10C e me vejo envolvido pelo famoso "russo" desde o amanhecer. Apesar de estar de férias em uma escola e em greve em outra, longe de estar angustiado, compreendo que o governo federal não nos deu qualquer alternativa sensata para resolver esse impasse. Longe de estar alienado, aproveito o momento para realizar um dos encontros que mais aprecio: estar com a minha pequena família. Sou capaz de abrir mão do meu trabalho para estar aqui. Considero mais importante fortalecer laços de amor do que profissionais. Talvez seja fácil estar mais disponível por já ter me realizado profissionalmente. Não preciso provar nada e o que consegui até agora me basta para viver.
Nunca vivi delirando com uma situação financeira melhor, mas investi na minha carreira de professor fazendo o melhor que pude. Nunca reclamei do meu trabalho. Nunca reclamei do meu salário. Nunca desejei jogar tudo para o alto, assim como nunca me fiz de vítima ou sofredor.
Tenho muito bem resolvida a minha vida profissional, que se organizou muito tempo antes da minha vida pessoal. Trabalhar nunca foi penoso, apesar de ter me levado ao esgotamento físico algumas vezes. Mesmo assim, tenho para mim que fui e sou capaz de me adaptar a qualquer situação que eu quisesse.
Falar no meu trabalho significa falar na fluidez com que ele sempre aconteceu. Isso vai além do que poderia imaginar, como se fosse uma escolha natural, uma decisão acertada e consciente. Lembro-me das incertezas em fazer Geografia, das pressões contrárias até assumir, com todos os ônus e bônus, a minha escolha profissional e saudavelmente egoísta.
Após 27 anos de envolvimento com a educação, não olho para trás com saudades. Vejo-me hoje mais como educador do que professor de Geografia. A maturidade me permitiu dar um significado mais humano ao conteúdo geográfico. Isso significa me colocar acima de tudo como um ser humano para meus alunos. Nunca me senti tão humano ao dar aulas tão próximo da minha aposentadoria.
A Geografia me permite abrir um leque de temas e explorar sentimentos únicos com meus alunos, independente da maturidade destes. É bom ser um semeador e não se preocupar se as sementes irão germinar. Não fico esperando qualquer reconhecimento do meu trabalho, pois me basta saber que faço o que gosto, cumprindo a minha verdadeira missão.
Dia desses conversava com meus alunos da importância de encontrar a vocação. Uma vez encontrada, fica fácil investir em nossos verdadeiros talentos. Aliás, talentos todos nós temos, pena que nem todos acreditam nesse dom individual. Por vezes, leva tempo para encontrá-lo, mas ele sempre estará com você.
O grande desafio é levar as pessoas a acreditar que ser realizado não passa necessariamente pela realização financeira. O legal é ser capaz de integrar a realização profissional (decorrente da vocação) à realização financeira. Acredito muito que antes da realização financeira, é preciso obter a realização profissional. Pode ser que ambas aconteçam ao mesmo tempo, mas se a profissional for mais importante para você, o trabalho sem vocação poderá se transformar em um pesado fardo, em uma prisão sem grades, podendo afetar a sua condição pessoal e emocional.
Esse é o meu ponto de vista pessoal. Não penso em fazer generalizações, pois é bom saber que existem excessões para tudo, mas a minha experiência profissional e o convívio com meus milhares de alunos, respaldam minhas palavras aqui digitadas.
Já vi muitos alunos corajosos jogarem tudo para o alto para irem de encontro a sua vocação e outros, não tão corajosos, que se deixaram levar por um salário excelente ou uma pomposa posição social.
Todos temos desafios pela frente que podem se transformar em aprendizado ou não. Não estou aqui dizendo para ninguém fazer ou seguir as minhas ideias, longe de mim! Apenas sugiro fazer as pessoas a repensarem suas escolhas e posições, algo que faço continuamente e que tem me trazido um enorme aprendizado.
Tenho um jogo de cintura muito melhor do que no passado e abandonei há décadas a concepção de me transformar em uma fortaleza de cristal. Hoje estou mais para uma casa rude feita de bambu, que verga com o vento, mas não se quebra.
Hoje sou muito mais flexível e não me sinto mais fraco por ser assim. Esse é um dos trunfos da certeza que trago de que não estamos vivendo apenas para sobreviver dia após dia. Existe uma razão ainda não esclarecida que nos une ao nosso tempo e a nossa realidade. Um dia todas as perguntas sem respostas, serão respondidas, assim como todos os segredos serão revelados. Neste dia, saberemos a razão e o sentido da existência humana.
E enquanto esse glorioso dia não chega, façamos o melhor para trazer sentido a vida que um dia nos foi ofertada. Esse esforço não será em vão, estou certo disso!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Compromisso diante da vida

Como é bom olhar o mundo pela janela de meu quarto. Melhor saber que faço parte desse mundo. Moro em um condomínio repleto de crianças ruidosas, que brincam e correm sem parar, onde a minha filha participa ativamente, curtindo a sua merecida infância.
Eu tive uma infância muito, muito feliz. Apesar de ter sido filho único por dez anos, vivia rodeado pelos meus primos e primas que não me deixavam sentir sozinho. As brincadeiras nas férias de verão eram fantásticas. Engarrafamento de bicicletas na Travessa da Ligação e na Rua Pedro Hansen. Todo tipo de pique que você possa se lembrar: bandeira, 1,2,3, esconde etc. Pega-ladrão, mocinho-bandido, pêra-uva-maçã, WAR 1, Truste Imobiliário, cantigas de roda, puxar carrinho amarrado com barbante, usar tampas velhas de panela como volante de carro, soltar pipas, fazer maldades com insetos e animais abandonados (já pedi perdão a Deus), Clubinho de Meninos (onde as meninas não podiam entrar de jeito nenhum), atravessar o rio agarrado a um bambu, etc. Meus pais confiavam em mim e no mundo, por isso cresci sem culpas ou medos, pelo menos que eu me recorde.
O mundo que vivi era poético e inocente. O tempo passava devagar e não havia a pressa de viver que temos hoje. O tempo que vivemos hoje é muito diferente. Sem dúvidas o mundo está mudando rápido e todos nós estamos vivendo no ritmo dessa mudança. Ganhamos quantidade e tecnologia e perdemos qualidade e criatividade.
Não lamento o mundo de hoje, pois já vivi uma infância feliz, mas já posso fazer comparações sem saudosismo. Não teria como viver o que já foi vivido.
Me causa espanto quando reviro minhas lembranças e recordo o que já pude viver. Tenho orgulho do meu passado e isso inclui meus erros e acertos. Hoje tenho um saldo muito positivo para continuar vivendo, por isso não me sinto cansado de viver. Ao contrário, o desejo de continuar vivo está mais forte, pois agora sei o quanto aprendi e o quanto ainda tenho que aprender.
Preparo-me para um futuro, pois sei que tenho um presente valoroso nas mãos e a percepção de uma vida abençoada diante de tudo que já superei. Lembrava-me um dia como todos os caminhos que trilhei, por mais incertos que fossem, sempre me levaram a fazer escolhas acertadas na maioria das vezes.
Mesmo quando sabia que estava errando, nunca perdi a lucidez de que podia fazer diferente se quisesse. Errei e acertei com consciência, por isso fui capaz de aprender. Sempre me questionava de onde surgiam tantas certezas dentro de mim. Essas certezas  me recolocavam na rota sempre que eu me desviava. Havia uma sensação de previsibilidade diante dos acontecimentos e uma força única diante das adversidades.
Sem que eu saiba até hoje, todas as razões que me levaram a ser quem eu sou, reforçaram em meu coração um desejo sincero de persistir, um compromisso acordado com a vida de ir ao encontro do que anseia a minha alma.
Hoje meus questionamentos fundamentais foram satisfeitos, até o momento que novos se apresentem. Não há o que temer diante da nossa existência. Somos passageiros temporários de uma vida, que nunca deixará de ser surpreendente. Nunca pude imaginar que precisaria de tão pouco para viver plenamente.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Boas notícias estão chegando (quando eu ainda não sei)

Alguém sabe onde está a minha paciência? Confesso que não tenho a menor ideia de onde ela pode ter ido se esconder. Não tenho estado em meus melhores dias. Estou vivendo um momento de excluir tudo e todos que não se encaixam na minha vida. Me parece que de uma hora para outra, muitas amizades e laços familiares que eu jurava serem definitivos, estão se pulverizando. Apesar do choque inicial, estou feliz em não viver mais enganado por  pessoas tão nocivas. O que mais surpreende é  que a vida está me mostrando quem é quem.
Diante desse novo quadro, estou ficando farto da hipocrisia social de nosso tempo. Não estou disposto a tolerar qualquer provocação irônica. Não suporto mais perder meu tempo, ouvindo pessoas destilando o seu veneno tosco, ou ainda fazendo comparações que só escondem uma doentia necessidade de auto-afirmação. Para ser sincero, estou ceifando relacionamentos que só me trazem angústia, ou porque foram importantes no passado, ou porque não tem o menor futuro.
Não me sinto mal por agir assim. Estou me sentindo liberto do compromisso de tolerar o intolerável, de suportar o insuportável, de confiar em quem não confio e de amar a quem não reconhece o meu amor.
Ouvi muitas vezes de minha mãe que tenho um coração generoso, mas sempre afirmei ser impossível ser tão generoso como ela é. Eu dizia que não conseguia tolerar injustiças sob nenhuma circunstância e isso tem ficado mais forte agora. Eu sempre fui muito íntegro comigo mesmo e com o mundo.
Se for necessário falar o que sinto e penso, prepare-se: não pouparei ninguém de me ouvir. Não espero pelo melhor, mas espero viver com menos rancor depois dessa fase punk que eu tenho vivido.
Não sou tão inocente como muitos pensam. Eu reconheço meus limites, a minha humanidade, assim como o meu sincero desejo de ser um homem, um cidadão, um marido e um pai melhor.
Nunca lutei contra os meus ressentimentos e mágoas. Preciso vivê-los para poder compreendê-los e poder com tempo colocar um fim em cada um deles. Assim, poderia respirar melhor e ver o mundo com mais compaixão. Esforço-me para não criar novos ressentimentos, mas nem sempre consigo. Luto para não cair nos extremos tão perigosos. Nunca foi fácil uma posição conciliatória uma vez ressentido. Eu caio dentro e explodo com tudo a que tenho direito. Não me ameace, não me desrespeite para não ver o meu lado mais instintivo entrar em ação e passar por cima de tudo e todos.
Como esse post contrasta com os anteriores! Tenho muita coragem para assumir quem sou, em assumir o meu lado B. Seria hipocrisia dizer a todos que me acompanham que estou fazendo um curso para santo!
Entretanto, estou em sintonia com a vida. Reconheço tanto a presença divina como a humana dentro de mim.
Agora pouco, após uma meditação conclui que não tenho como exigir das pessoas aquilo que elas não podem ser. Porque exigir uma atitude madura? Por que exigir uma atitude de compaixão? Por que exigir uma atitude de amor? Não estou na posição de exigir nada de ninguém, assim como não posso exigir de mim mesmo que as compreenda em suas fraquezas. Essa é uma de minhas fraquezas! Não consigo fazer de conta que sou indiferente aos comentários maldosos, às atitudes de vaidade espiritual, à falta de humanidade, solidariedade e companheirismo.
Estou pedindo a DEUS que me ajude todos os dias. Eu não quero viver com pensamentos e pessoas que não me acrescentem nada. Eu tenho esse direito e estou exercendo-o plenamente.
Sempre fui seletivo e estou muito mais agora. Tenho curtido mais as pessoas que amo, que me valorizam  como pessoa. Quero tirar de meus olhos qualquer véu que esconda a possibilidade de viver intensamente, de desejar um mundo melhor, de amar com a intensidade que necessito e de não permitir que nada me tire o imenso prazer de estar vivo.
Nem todos eu posso descartar da minha vida. Terei que conviver forçosamente, mas já sei como evitá-los quando eu quiser. Descobri que a distância não significa desamor, mas garante a sobrevivência do meu amor-próprio.
Não queria chegar aos 50 anos, chateado, descrente e meio entristecido. Mas estou assim. Mas como tudo tem um começo, meio e um fim (que sempre é feliz), aguardo pelo novo mundo que em breve estarei vivendo. Vocês não sabem o quanto eu preciso. Muito breve trarei boas notícias.


Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

Minha foto
Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.