segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Devaneios

Eu preciso de muito pouco para me sentir feliz! A cada dia que passa sinto isso mais forte dentro de mim. Hoje mesmo quando fazia a minha caminhada diária de 14 km, me deparei com uma casa antiga no Quarteirão Ingelhein. Ela estava com com uma placa, onde se lia: vendo. Bastou ler esta pequena palavra para que eu viajasse o restante do percurso imaginado ter a posse daquela casa. Minha poderosa imaginação reformou-a completamente, pintou as paredes externas de rosa chá e as janelas foram envernizadas. Imaginei um jardim digno de Burle Marx e uma imensa rosa-dos-ventos feita de mosaicos no meio da sala de estar. Não consegui ir além disso, pois a minha consciência me despertou desse sonhar acordado. Como poderia realizar esse devaneio? Não jogo na loteria, não receberei nenhuma grande herança e o meu salário não é compatível para comprar e manter aquela casa-sonho.
Mas o que mais me marcou, após ter batido a cabeça em um galho de árvore quando acelerava meus passos, foi o gasto de energia desnecessário em ficar imaginado a posse daquela casa. Pensei mais fundo: no que ela acrescentaria a minha vida? E não me veio nenhuma justificativa razoável, nada mesmo.
O que comprovei foi que não preciso delirar com a possibilidade de ter, mas posso acima de tudo, ser. Isso não me custa nada e o gasto energético é bem mais positivo. Ser me é mais viável que ter. Eu posso ter hoje, mas posso perder tudo amanhã, pois no fundo nada nos pertence. Ser é definitivo. Eu posso aprender a ser melhor e o que eu conquisto, nem a morte poderá me tirar, vai comigo até os céus. Não estou aqui para fazer julgamentos de conduta daqueles que possuem mais do que eu, mas a minha percepção de riqueza só faz sentido, se vier acompanhada do ato de dividir. Não preciso reter nada, pois nada me pertence e um dia, queira ou não, terei que abrir mão de tudo.
Vivemos em um mundo materialista e egoísta, que nos desafia a vencer obstáculos e a provar o tempo todo que somos melhores e mais capazes que o outro. Concorremos o tempo inteiro com todo mundo. Se começamos a envelhecer, já nos sentimos derrotados lentamente. Mostrar-se frágil, limitado, incapaz é o pior dos pecados.
E como eu consigo viver dentro desse mundo? Mudando as minhas prioridades sempre que desejar, de acordo com a evolução da minha consciência. Não entro em choque com o mundano, até porque já fiz parte dele, mas ele não me seduz como no passado.
Tenho redescoberto o imenso prazer de curtir as situações simples da vida. Os pequenos detalhes tornaram-se importantes. Não há necessidade de nada grandioso ou sofisticado, basta apenas ser prazeroso para os meus sentidos. Um entardecer, para meus olhos. Um canto de pássaros livres, para meus ouvidos. O simples cheiro de café, para meu olfato. Um abraço carinhoso para o meu tato e o silêncio repleto de significados para minha alma.
Aprecio também um bom diálogo, onde eu possa ser ouvido e ouvir. Gosto de conviver com pessoas que me acrescentem novas ideias e percepções do mundo. Gosto de palavras sinceras, pois podem doer na hora, mas quando ditas por quem eu amo, me fortalecem.
Me fortalece viver em busca de um percepção cada vez mais ampla de tudo e de todos. Ela vem sendo construída a cada dia e nunca estará concluída.
Espero estar indo ao encontro de um viver cheio de esperanças, onde só haja espaço para o amor incondicional. Não quero parecer pretensioso, mas se posso sonhar com o meu futuro, peço a Deus que ele seja o mais próximo do que anseio. Mas se for diferente, peço a Deus coragem para me adaptar ao que vem ao meu encontro.

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Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

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Um professor com alma de aluno.