quarta-feira, 30 de abril de 2008

A partir de hoje, a partir de agora.

A partir de hoje começo a trilhar um caminho novo. Matriculei-me em um curso de Espanhol. Quando fazia a matrícula deparei-me com o coordenador, um velho amigo que havia trabalhado comigo anos atrás em uma escola judaica. Depois de matar-mos as saudades daqueles tempos, de lembrar dos amigos comuns, chega uma ex-aluna do ensino médio, professora de inglês do curso e me acolhe com um largo sorriso. Fiquei empolgado com a possibilidade de resgatar o meu inglês no futuro e aprender uma nova língua no presente.
Já deixei de fazer muitas coisas na vida por falta de dinheiro (é verdade) ou por falta de tempo (é mentira). A prova maior é que quando decidi fazer o curso, não pensei em gastos e nem em tempo, fiz a matrícula e vou até o fim.
Conheci também minha professora de espanhol que me foi muito simpática. Disse-lhe do mico que passamos ao chegar em Cuba (Havana) em 1998 na recepção do hotel e a recepcionista não entender uma vírgula de nosso portunhol. Sorte dela e nossa que eu e mais outro amigo falávamos inglês. Mas até esse ponto, era um grupo de brasileiros gesticulando e falando alto, como se a pobre moça (pobre nada, ela falava 5 idiomas dentre eles. o russo) fosse surda e muda.
Logo depois fui para casa e relembrei do quanto me faz bem lançar-me em novos desafios.
Não me sinto preparado para parar; se é que um dia irei parar. Não poderia viver encostado em lembranças. Hoje sempre me recordo do passado. Lembro das experiências que me fizeram ser o que sou hoje, mas sem saudosismos. Reconheço o que vivi, mas estou antenado em novas possibilidades. Talvez não seja tão ousado como era, afinal de contas, se tentasse ser, a minha consciência iria espernear, me fazendo cair na real rapidamente.
Quantas atitudes precisam ser revistas em nossa vida? E qual deve ser o melhor momento? Será preciso agir rápido ou ainda nos resta tempo?
Será que o medo estica os prazos e decisões?
Não gosto de ignorar as pessoas e hoje fiz isso com um ser humano. Fiz mecanicamente e logo depois me arrependi. Que direito tenho de agir assim?
Esse texto é cheio de perguntas e ao mesmo tempo exige respostas. Sinto que preciso agir e já estou fazendo a partir de agora.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Decisões acertadas

Muitas vezes ao tomar uma decisão corajosa, sinto que tremo por dentro. Tremo por me sentir seguro demais, o que não acho ser muito normal. A insegurança está presente na vida de todos nós, por isso estranho quando não me sinto inseguro.
Tomar decisões corajosas e conscientes me deixam feliz. Para muitos estou perdendo bens materiais que conquistei há muito tempo. Mas não me sinto perdendo nada, considerando que nunca me senti dono absoluto de tudo que conquistei. É muito bom renunciar pensamentos e palavras negativas, como já escrevi aqui, mas por mais fácil que possa parecer, renunciar a bens materiais, ainda é difícil para a maioria das pessoas, que valorizam em demasia suas posses e conquistas, mesmo sabendo que poderão perdê-las a qualquer momento.
Por isso, em nome do meu bom senso e de minha saúde mental, renuncio sem arrependimentos. Por mais que não entendam, a minha atitude me retira dos ombros anos de opressão que vivi no passado. Era muito ambicioso e nunca estava satisfeito com minhas conquistas pessoais e materiais. Concorria comigo mesmo. Eu era aquele cachorro que corria atrás do rabo, cada vez mais rápido, até que cai de tonto. No meio da tontura, com tudo girando, fui percebendo que não chegaria a lugar nenhum, e passei a focar novos caminhos: a minha espiritualidade e meu encontro com o papel que teria no mundo.
Hoje ao conversar com um amigo, certifiquei-me ainda mais que tinha tomado a decisão acertada. Ele me colocou que comprou o carro dos seus sonhos. O motor é 1.8, o modelo é flex e esportivo e está cheio de opcionais (banco de couro, ar, direção, etc). Disse também que realizava um sonho e que há tempos namorava o carango.
Depois que pegou o carro, saiu com a mulher e o filho e se sentiu feliz, muito feliz, principalmente com os olhares curiosos e de admiração. Meu carro é lindo e todos estão "babando".
O motor robusto e macio fazia o carro chegar aos 100km/hora num pulo.
Moral da história (estória): depois de uma semana está desiludido com a compra. Só usa o carro para ir ao trabalho e retornar à casa. Da mesa no escritório fica curtindo o carro estacionado. E da janela da casa, fica aflito olhando sempre que pode para ver se não foi arranhado por um invejoso.
Reconheceu corajosamente que comprou com a emoção. Homens e meninos são iguais. Comprar um carinho de brinquedo ou um carro de verdade nos enchem os olhos, mas logo depois que os temos em mãos, eles perdem o encanto, como se não servissem para nada. Mas serviram para suprir uma necessidade, momentânea de nos sentirmos grandes.
Agora, resta reconhecer que o que nos torna poderosos é a coragem de assumir tudo de certo e errado que por impulso fazemos desde criança.
"Por mais que pareça pequeno aos olhos do outro, sinto-me grande diante de mim mesmo e agradecido ao Deus que me criou".

domingo, 20 de abril de 2008

Ensaio sobre a Avareza (1)

Decidi escrever sobre a avareza, ou seja, o oposto de generosidade.
Lembro-me de um conto do Otto Lara Rezende. Era a história de um homem que por ter sido tão avarento ao estar diante da morte, preferiu não dividi-la com ninguém. Ao ter um colapso, sentia-se incapaz de pedir ajuda, com receio que lhe pedissem uma retribuição ao favor. De tão miserável, não murmurou o menor som e terminou morrendo só.
Como a avareza pode extrair a essência de um ser humano, privá-lo de todo o prazer que a vida pode ofertar, por medo e culpa. A insegurança produz seres avaros emocionalmente. Não me refiro apenas as pessoas conhecidas como "mãos de vaca", que trabalham a vida toda na esperança de se tornarem ricas e poderosas, ou para deixar a seus filhos.
Falo, ou melhor, escrevo sobre aquelas pessoas incapazes de dividir seus sentimentos, de dar sem antes pedir o troco, ou de se sensibilizarem com a dor alheia. Poderia colocar muitos exemplos por aqui, mas serei avarento, para que cada um busque na memória, um conhecido, um parente, avarento.
Avareza combina com ignorância e cegueira diante da vida, seja qual for a idade, status financeiro, formação cultural ou religião. Sabe aquelas pessoas poderosas e que choram miséria sempre? São avarentas, pois continuam agindo como miseráveis e tentam manipular aqueles ao redor. Todo avarento foi pobre um dia. É raro encontrar um pobre que não seja generoso, mas é muito comum encontrar-mos abastardos avarentos.
Conheço muitos avarentos bonzinhos. Aqueles que como já disse, deixam tudo para os filhos e vivem uma vida de sacrifícios por imposição. Destruíram ou boicotaram seus sonhos pessoais em nome de um projeto materialista. Creio que perderam de vista os momentos felizes, de quando eram pobres e sabiam dividir, pois contavam com a generosidade alheia. Apresentam uma fisionomia angustiada e soberba. Cabem aos filhos queimar tudo que receberem!
Existem aqueles avarentos materiais, que se dizem econômicos e racionais, mas sempre que podem, exploram a pessoa mais próxima e carregam no drama ao expor suas dores. São tristes e com fisionomia abatida. Riem pouco e são pouco sociáveis. Vivem bem próximo do limite do conforto material como se estivessem expurgando a vaidade. Comprar é sinônimo de culpa e dor. Na verdade, a ostentação abre espaço para mãos estendidas e pratos vazios.
Conheço também avarentos de afeto. São incapazes de demonstrar seus sentimentos, por se sentirem invadidos ou expostos por demais. Esses sofrem calados essa angústia, pois a insegurança emocional os domina. Qualquer aproximação do outro é entendida como uma estratégia para tirar vantagens ou obter algo. Esses avarentos sabem machucar de verdade com seu egoísmo.
Poderia citar outros casos, mas estou fazendo apenas um ensaio despretensioso sobre um pecado capital.
Avarentos são aquele incapazes de perceber que tudo que construíram jamais lhes pertencerá de fato, pois deixarão tudo por aqui. A suposta segurança não existe e a felicidade verdadeira não é obtida assim. E o que é pior, deixar para aproveitar a vida na velhice é a pior das avarezas.
Podemos citar os avarentos de humildade, uma categoria em ascensão na atualidade. São prepotentes, manipuladores e autoritários. Precisam se expor o tempo todo e se afirmam ao mostrar o que são e podem ter. Vejo tais pessoas vivendo fora do contexto do mundo atual. Hoje a humanidade caminha atrás de respostas que não serão encontradas na ciência ou no conhecimento avançado, mas na percepção da fé e na espiritualidade.
Muitas vezes pensei que só os idosos fossem avarentos, pois viveram em um outro mundo, de valores diferentes dos que temos hoje. Mas ao contrário, vejo jovens com a mesma postura, avarenta e egoísta. Onde irão chegar? Irão de encontro ao que lhes reserva, devagar ou rapidamente.
Eu acredito que a vida conspira a nosso favor. Que o poderoso Deus que nos criou jamais falha. Mas vejo que os homens ainda tem uma longa caminhada pela frente.
Sinto-me confortável ao escrever sobre avareza. Não sou avarento, apesar de reconhecer que já experimentei esse pecado e não gostei.
A cada dia sinto-me menos avarento e mais poderoso, ao compartilhar tudo o que construi nesses 46 anos. Espero ser um bom exemplo de homem, pai e professor que possa ser passado a diante. Não quero ser lembrado pelo que deixei para ninguém, mas por tudo que semeei e partilhei como ser humano.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Meditação II


Meditação é um estado no qual todas as atividades mentais cessam e ao mesmo tempo permanecemos absolutamente conscientes e pacíficos. Nesse estado a nossa consciência eleva-se além dos pensamentos do dia-a-dia que movimentam-se continuamente entre o passado e o futuro e podemos então experimentar, o mais completo silêncio interior, aquilo que se poderia chamar "o eterno presente".

Shri Mataji Nirmala Devi

terça-feira, 15 de abril de 2008

Atrasos e mais atrasos.

Hoje acordei no horário, como sempre faço. Cheguei no ponto de ônibus na hora para ir até a rodoviária. Os ônibus que costumavam chegar, não chegaram. Depois de muita angústia debaixo de um "russo" espesso. Chega o ônibus, atrasado e lotado. O que poderia dar mais errado? O coitado quebrou no meio do caminho. Todos em alvoroço por conta dos horários perdidos. Mas disse o motorista: Não tem jeito, o motor morreu. Corri até a rodoviária com a passagem na mão e...lá ia embora o meu ônibus para o Rio. Nunca saía na hora, mas hoje saiu. Perdi a passagem e o ônibus, e não vi graça alguma. Cheguei atrasado na escola.
Para voltar seria mais tranquilo, assim acreditava. Comprei passagem para 17:20, mas o ônibus só chegou por volta das 17:50. O que aconteceu? Mais atrasos por conta da chuva. Quando finalmente chegou, tratei de achar o meu lugar, comer minha barra de cereais e dormir. Quando acordei, estava subindo a serra, logo no início. Já eram quase 19:15! Perplexo, perguntei ao passageiro do meu lado o que havia ocorrido. Ele me disse: engarrafamento por causa da chuva. Confirmei mais uma vez que no Rio de Janeiro, o carioca adora andar de carro quando chove, mesmo que seja alguns metros, o suficiente para engarrafar o caótico trânsito quando o motor deixa de funcionar, em plena Linha Vermelha.
Chego atrasado para aplicar a prova de matemática em Chuvópolis. A nossa rodoviária entupida de passageiros. Chovia aos cântaros, sem contar o vento gelado. E onde estavam os ônibus da Viação Esperança? Aquela que já morreu e não deixou lembranças! Ah! Relaxa e goza! disse o fiscal para aquela multidão enfurecida, que respondeu de todas as formas...o fiscal perdeu a oportunidade de ficar calado e de deixar a mãe com as orelhas frias. Desisti e peguei um executivo, mais caro, só para aqueles que "especiais e vips", como eu. Quando entrei vi que o pequeno estava cheio de água! Quando partiu, tive que levantar os pés por conta das ondas que se formavam a cada curva e as goteiras me fizeram abrir o guarda-chuva dentro do veículo.
Quando finalmente cheguei ao centro histórico, por volta das 20:15, o motorista abre a porta do ônibus e ela se solta e despenca no chão.
Foi uma gargalhada geral. Alguns passageiros tiraram fotos, outros riram muito como eu. Apesar do atraso, me senti saindo de um circo, feliz por ter participado dessa aventura inesperada.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Meditação

"Você não poderá conhecer o verdadeiro significado da sua própria vida enquanto não estiver conectado com o Poder que o criou."
Shri Mataji Nirmala Devi

domingo, 13 de abril de 2008

O amor é único.

Acabei de preparar agora seis provas. Apesar disso, não me sinto cansado. Eu creio que queimei um pouco da tensão do dia. Faz calor aqui. Pela janela sopra uma brisa suave, fazendo a persiana balançar de um lado para o outro. Fico em silêncio tentando ouvir meu coração. Faz bem saber que estou vivo e saudável. Escuto grilos e sapos em festa ao longe. E uma tímida Lua tentar me alcançar, com seu brilho ofuscado por nuvens acinzentadas. Vários cães uivam bem longe, como se estivessem chamando por alguém.

Lembro-me de minha única avó. Há um delicioso cheiro de doce de abóbora me envolvendo. Lembro-me da felicidade ao me dizer que tinha feito o doce pensando em mim. Fico agradecido até hoje por essas pequenas delicadezas. Como é importante ser delicado: lembrar datas, dar abraços e beijos longos, dormir agarradinho, receber um cafuné, beijar as mãos de quem se ama, surpreender com presentes e o melhor de tudo, dividir a cama e o coração com quem amamos.

Existem diversas formas de se amar. Não existe o amar menos ou mais. O amor é único, mas o que diferencia é a intensidade de sua oferta. Podemos ser calorosos na demonstração ou contidos por hora, mas não deixamos de amar.Não acredito no amor sem cumplicidade. Quero ser cúmplice das pessoas que amo, mas não me peça para ser tolerante com suas falhas. Sei amar com profundidade, aprendi isso um dia e jamais esquecerei, mas preciso ser honesto comigo e com quem amo. Por isso, amo de forma transparente e desprendida. Sinto falta de bons momentos e romances, a vida por vezes nos absorve bastante, a ponto que resta pouco para vivermos esse outro lado da vida, onde os compromissos e obrigações desaparecem, restando apenas a imensidão de toda uma vida. Não sei onde quero chegar ao escrever isso. Mas sei que não quero viver mecanicamente. Ainda espero pelas novas surpresas que a vida preparou para mim. Se espero, sei que estão a caminho.

Dias de trovão

Experimento dias de inconformismo e impaciência diante das pessoas. Estou bastante irritado com situações que não mudam, com pessoas que não aprendem e o que é pior, subestimam a minha percepção aguçada, o meu esforço e minha cumplicidade. Não tenho mais idade para tolerar essas atitudes, por isso deixo claro a minha insatisfação e exijo mudanças.
Nesse ponto do embate, lembro-me o que disse para alguém...não espere que o próximo mude, mude você....não deixa de ser uma boa sugestão, mas admito que não é fácil, principalmente, quando a atitude do outro me prejudica e me obriga a expor o meu lado punk autoritário, que fala o que pensa com muita raiva. E olha, não me arrependo quando sei que estou certo. Sei agir com energia sempre que me sentir atingido. Se ainda falo o que penso para o outro, seja calmamente ou em meio a um ataque de raiva, é um bom sinal pois demonstra que ainda me importo, que ainda respeito e ainda amo.
Quando fico ausente e indiferente ao próximo, é porque adormeci meus sentimentos para me preservar. Quem já experimentou esssa estratégia, sabe o que estou dizendo. Não pense que é um caminho sem volta, ou uma porta que se fecha. Mas para que eu volte a nutrir um sentimento verdadeiro, assuma suas limitações, dificuldades e medos, e você me terá a seu lado.
Admito que ainda vou de um extremo a outro com uma rapidez meteórica. A diferença agora é que sei o quero e o que não quero para minha vida. Tornei-me mais exigente e racional em minhas escolhas. Não poderia viver um futuro infeliz, pois já vivi momentos de muita aridez. Certamente se tivesse a percepção que tenho hoje e a maturidade, tomaria as mesmas decisões, mas não me permitiria sofrer tanto pelo próximo.
Os dias estão repletos de tensão no ar. Sinto a impaciência crescer diante da imobilidade do outro de reagir ou de perceber o mal que isso me faz. Por isso reajo com intensidade. Sinto uma fúria que vem chegando em camadas, lá de minhalma, clamando para explodir. E por isso, tomo atitudes firmes e determinadas. Estou seguro do que faço e falo, pois observo antes cada detalhe para depois entrar em ação. Não me peça para relevar nada, pois não te darei ouvidos. Quando decido agir, tenho plena consciência do que estou fazendo. Minhas ações e atitudes apoiam-se em decisões embasadas na sutil percepção de minhas necessidades pessoais para ser feliz, por mais utópica que a felicidade possa ser.
Sinto-me egoísta agindo dessa forma, mas eu tenho esse direito! Não estou disposto a me justificar com ninguém.
Lembro-me agora das muitas vezes que falei...não peça ao ser humano aquilo que ele não é capaz de ofertar...Legal, mas como fica quando sabemos que o outro é capaz de fazer e não faz? Chegamos a uma encruzilhada: ou nos conformamos com migalhas ou vamos buscar a felicidade a todo custo, mesmo que isso represente, de acordo com o momento, expressar toda a nossa insatisfação e exigir o direito que nos cabe de tirar o melhor proveito da vida.

domingo, 6 de abril de 2008

Toca o interfone

Entrei rápido para escrever um pouco. Trabalhei durante muito tempo hoje (domingo) e estou de "cabeça quente". Isso quer dizer que estou cansado mentalmente. Se me pedirem para fazer um trabalho físico agora, eu topo imediatamente. Mas se pedirem para fazer uma simples operação matemática, eu peço a calculadora.
Ser professor é muito estimulante. Sinto-me atualizado o tempo todo. As informações são vitais para o meu trabalho e de certa forma, tornam-me parte integrante desse mundo em ebulição.
Acabei de ser interrompido pelo interfone. Minha filha está me chamando. Apesar de estar com muita vontade de escrever agora, vou sair para ir de encontro ao meu destino. Não posso deixar minha filha sem a minha presença. Ela é tudo que mais queria na vida e por isso não posso desperdiçar qualquer oportunidade de abraçá-la e beijá-la. Depois volto, tenho todo tempo do mundo ao meu dispor.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Um final de semana como muitos.

O final de semana parece pequeno diante de tudo que tenho a fazer. Preciso preparar aulas, ler um capítulo, preparar testes, corrigir trabalhos, receber um técnico de informática, fazer feira e ir ao supermercado. Além disso, concluir um relatório e preparar seis avaliações, e tudo tem urgência. Ah! sem contar que almoçarei com meus pais no Domingo, etc.
Tenho essa rotina há muito tempo. Sempre me excedo, sempre me realizo quando estou trabalhando sobre pressão. É sábio usar o tempo a seu favor, submetê-lo aos nossos interesses pessoais e profissionais. O tempo não me escraviza, pois o torno produtivo de alguma forma. Não me sinto bem dentro da ociosidade. Não consigo ter o que fazer e não fazê-lo. Muitas vezes, assumo responsabilidades que não me cabem, por conta de minha impaciência de aceitar o ritmo das pessoas com quem convivo. Fico muito cansado e só paro quando o corpo determina. Já vivi estressado por muitos anos. Me angustiava ver quem amava conduzir sua vida a um beco sem saída, ou estar em rota de colisão, ou ainda, não ter iniciativa.
Tenho revisto continuamente a minha relação com o ser humano. Antes, abominava diferenças, hoje consigo aceitá-las com mais respeito, se bem que luto para não voltar a ser o que era, pois fico muito tentado a interferir. Sou um homem que gosta de realizar, construir, dar um significado prático a tudo que faço e penso. Mas hoje revejo prioridades e paradigmas muito antigos, criados por mim ou introjetados pela minha criação.
Aceito minhas falhas e defeitos, mas não aceito permanecer com eles. Esforço-me para ser melhor, mesmo que surjam novos defeitos. A perfeição é impossível, mas tento ser o melhor que posso. Esse desejo me realiza e sei que posso contar com minha fé em todos os momentos.
Chove muito agora. Vejo pela janela da sala. Desligo o rádio para me concentrar melhor. Já estou com saudades de minha filha que acabei de deixar na escola.
Ontem, cancelei um compromisso para ficar vendo desenhos com ela. E foi bom tê-la em meus braços e vê-la adormecer devagarzinho. Me senti muito poderoso neste momento. Agradeci a Deus pela oportunidade e a confiança que me foram depositadas.
Gostaria de poder escrever um pouco mais sobre minha filha, mas toda vez que tento, minha mente e meu coração trocam rápido de lugar, então...

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

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Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.