segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Revendo paradigmas pessoais: parte I

Por que não me dói mais ver o sofrimento de algumas pessoas? Será que a distância física e emocional construídas ao longo de anos, me fizeram capaz de sentir apenas compaixão por elas? Por que não desejo mais conviver com tantas pessoas?
Por vezes, como agora, não sei se estou me tornando mais seletivo ou vivendo a minha vida integralmente. Tenho muito o que realizar comigo. Tenho que trabalhar minhas dificuldades e me resta pouco tempo para me envolver com os dramas alheios, construídos por opção pessoal. Não existe nada mais cansativo do que perceber que muitas pessoas continuam sendo e agindo da mesma forma. Não dá para ouvir lamentações o tempo todo! Isso além de me irritar, enche o saco!
Não existe nada pior do que estender uma corda para quem esta no fundo do poço, realizar um resgate para logo a seguir vê-la cair no poço novamente várias e várias vezes.
Sinto-me cansado de amparar a quem vive por gosto, no desamparo. Como ascender luzes para quem prefere a escuridão? Como acreditar em quem não aprende com seus próprios erros?
Agora em 2009 como nos próximos anos que virão, mais do que nunca preciso ser seletivo. Não sou tão eficiente em ajudar ao próximo como queria. Tenho desistido com mais rapidez por conta de minha impaciência que toma corpo rapidamente.
Conheço muitas histórias. Posso ajudar de verdade, mas só se for solicitado. Sinto que preciso me poupar de toda forma e deixar cada um seguir o seu caminho, seja lá onde ele termine.
Vindo do Rio de Janeiro hoje, ao vislumbrar o céu na Serra da Estrela com pesadas nuvens, cortadas por raios de sol, comecei a buscar explicações para esse momento tão delicado que vivencio.
Todas as vidas precisam de um sentido real. Qual é o sentido que você dá a sua vida? Aonde pretende chegar? Como planeja chegar? O que vem fazendo de sua vida ao longo de tantos anos? Já pensou em usar e abusar um pouco mais ou menos? Já reviu objetivos e os modificou totalmente? Você está certo que esse é o melhor caminho? O que pretende deixar para o mundo quando não estiver mais aqui? Será que as relações com as pessoas precisam ser revistas?
Poucas pessoas já pararam para solucionar seus enigmas pessoais. Eu sempre deixo essas perguntas vivas em meus pensamentos e procuro guiar minhas ações cotidianas nelas.
Fica muito difícil achar um caminho, seja ele qual for, se essa busca não traz um significado individual. Continuar repetindo atitudes destrutivas deixa evidente a visão deformada que temos do mundo, dos seres humanos e, principalmente, de nós mesmos. Por que acreditar que existe apenas um caminho?
Toda vez que uma pessoa que conheço bem me pede um conselho eu nego, delicadamente. Mas se quiser uma sugestão, fico mais à vontade. Conselhos sempre nos colocam numa posição de poder que me incomoda. Toda vez que alguém se habilitava a me dar um conselho, sentia -me em desvantagem. Parecia que meu erro era consciente.
Hoje, pergunto se posso ser sincero. Se a resposta for positiva, não vou sair machucando ninguém, mas vou falar com muita objetividade e racionalidade. Vou parecer cruel, mas estarei sendo apenas verdadeiro e transparente. Posso até surpreender com alternativas. Gosto de dar alternativas e mostrar possibilidades. Gosto de reconstruções. Gosto de me sentir livre para fazer o que gosto, e para ser o que sou.

domingo, 21 de dezembro de 2008

O olhar

Não sei como poderei viver sem um amor verdadeiro. Sentir o amor em sua plenitude tem um efeito imediato sobre meu coração, para não dizer sobre minha existência. Não é necessário falar nada, basta o olhar de quem nos ama para que tudo fique evidente e faça um sentido enorme. Como pude ficar tanto tempo distante desse olhar?
Esses olhos sempre estiveram presentes em minha vida. Cuidaram de mim quando eu precisava de carinho e proteção. Foram capazes de fazer um esforço enorme para que eu me tornasse o que sou. Não precisava pedir nada, pois sempre estiveram disponíveis para mim. Sempre estiveram atentos às minhas conquistas e fracassos e sempre tinham o que dizer para mim. Acreditavam e investiam em tudo que me fizesse um homem capaz e cheio de possibilidades.
A vida nos tornou cúmplices em todos os momentos e somamos forças e coragem para superar o que nos cabia. Fizemos o melhor que podíamos em todas as situações. Não faltamos com quem nos pedia ajuda e apoio, mesmo sabendo que não poderíamos contar com o reconhecimento e retribuição. Esses olhos pequenos me acordavam com beijos sempre que podiam e me marcaram para toda vida.
Como pude esquecer desses pequenos olhos? Olhos que me ensinaram ser um homem generoso e ter uma visão ampla de tudo. Olhos que me ensinaram a ser reconhecido, mas que não desistiram de me fazer crer que o perdão é necessário e urgente, assim como a vida.
Fui surpreendido por esses olhos dia desses. Estavam vivos como nunca, emoldurados pelo amor que transmitiam para mim. Fiquei surpreso em saber que tinham a mesma força. Continuam a meu lado, torcendo e acreditando por mim. Olhos fiéis, olhos fortes que conseguem ler meus pensamentos e saber com precisão o que se passa na minha alma.
As palavras desaparecem, as mãos ficam trêmulas, o coração bate forte, as lágrimas molham meu rosto e o que sinto me traz um conforto e uma certeza enorme que recebi de Deus os maiores tesouros; só podia ser através Dele: minha mãe e minha filha. Elas compartilham comigo, os mesmos pequenos olhos que expressam silenciosamente o que mais preciso.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Um presente de Natal!

Sento-me para escrever. Faz frio neste domingo e estou em meio às nuvens, pois mal consigo ver o mundo exterior pela janela. Tomo um chá de folhas de laranja para espantar o desejo de ficar mergulhado nos cobertores.
Estou à espera de um novo e diferente Natal que provavelmente não tem data para chegar. Esse Natal que aguardo será capaz de pulverizar ressentimentos, fará desaparecer feridas abertas, atravessar abismos pessoais em balões coloridos, encontrar semelhanças onde só se via diferenças e acima de tudo, ser capaz de resgatar a todos que amamos e que hoje estão fora do alcance dos olhos. Esse é o meu desejo pessoal para essa data.
Sempre acreditei que o Natal precisasse ser uma comemoração partilhada com as pessoas que amamos. Sempre sonhei com uma mesa repleta de felicidade e sorissos.
O Natal que acredito não está preso em lembranças, mas está pronto para acontecer sempre, como um velho conto de Natal que sempre nos emociona nesta época do ano.
Esse é o Natal cheio de futuro que desejo para todos. Posso reescrever e desejar por Natais com um verdadeiro espírito de união.
O meu Natal quer resgatar pessoas e fazê-las brilhar, como as delicadas lâmpadas das árvores natalinas, trazer contentamento e esperança. Será pleno de abraços apertados (daqueles que de tão demorados nos fazem sentir o coração do outro batendo no mesmo compasso do nosso), beijos e afagos, pedidos silenciosos de perdão, lágrimas de verdadeira felicidade e alegria de estarmos juntos de novo.
É importante superar o que ficou para trás e aceitar que não poderá mais ser vivenciado. As pessoas que um dia acreditei serem insubstituíveis, hoje não são mais. Aprendi a viver sem elas, sem os vínculos de dependência emocional. Hoje sou capaz de inseri-las em minha vida com autonomia e liberdade, pois sei diferenciar quem está ao meu lado e suas motivações.
Posso tudo a partir de agora, mas não posso tudo sozinho. É preciso compartilhar novos tempos, novas atitudes, novos sentimentos e novas histórias.
Sinto falta de partilhar minhas esperanças com as pessoas que cresceram comigo. Mas somente com aquelas que me respeitavam por ser quem eu sou. Jamais vou perder a esperança e a fé em dias cheios de glória. Eles estarão presentes em meus sonhos e sempre que acordo eles se renovam em meu coração. Eu sei e sinto que são viáveis. É exatamente isso que quero deixar de legado para meus descendentes: que sempre é possível reescrever nossas histórias pessoais e que nunca é uma palavra muito cruel para ser dita por um ser humano, assim como o orgulho é um sentimento tão ruim, que pode destruir toda forma de amor.
Corações são feitos para amar e bater forte. São eles que garantem a vida dentro de nós e é dentro de cada um que está guardado a centelha de vida, o amor incondicional e a fé que não se apagará. É assim que renasce o espírito de Natal todos os anos, apoiado na vida que nos foi ofertada, no amor que compartilhamos e na fé que nos sustenta.
Faça valer o seu espírito de Natal neste ano.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Recolhendo cacos de vidro

Só falta nevar por aqui. Não me recordo de um mês de dezembro tão natalino! Faz frio e tenho dormido com edredom. O sol só consegue mostrar-se na parte da manhã, depois chega um vento frio trazendo nuvens cinzas que fecham o céu completamente. Estou aqui pensando de novo no Natal. Natal que a minha filha está curtindo demais. Agora mesmo está com a mãe decorando a árvore de Natal que montei e amarrei no banquinho para que não tombasse. Tenho uma filha de poderosa iniciativa, que foi capaz de dar um beijo de Bela Adormecida na mãe, deitada na cama, para que se levantasse e juntas preparassem a árvore para mim e o Papai Noel. Já colocamos a nossa guirlanda na porta, que para minha filha em sua inocência, acreditasse ter sido o Papai Noel que a colocou, e assim, se lembrar de deixar seus presentes na noite de Natal.
Por vezes tenho vontade de fazer compras de Natal, mas quando lembro do estresse que a data causa nas pessoas nos shoppings, acabo desistindo. Por que todo mundo quer resolver tudo, às pressas, até o Natal? Será o efeito do 13 salário que precisa ser gasto antes da crise econômica mundial nos solapar?
Pode ser que sim, mas todos ficam cansados neste período de corre-corre com o intuito de poder entrar em férias e descansar. Eu não sei se poderei descansar como pretendia. Tenho o mês de janeiro para estruturar minha vida em 2009. Tenho que tomar decisões definitivas que contemplem o meu desejo de um ano novo sem os sobressaltos de 2008.
Ainda tenho provas finais para corrigir, mas me sinto em férias e vou fazer tudo bem devagar. Já comecei a arrumar minha casa para o Natal. Já chamei um marceneiro, um eletricista e um bombeiro para fazer aquilo que não pude fazer ao longo do ano, por ter outras prioridades financeiras e por ser incapaz de fazê-lo. Mas meu apt. está ficando legal para receber o Natal. Espero entrar em 2009 completamente "liso", mas com todas as minhas contas pagas - esse é o presente que quero de Natal.
Mas por vezes, recebemos no Natal "presentes de grego". Lembra-se do acidente de automóvel que meu carro sofreu em novembro? Pois é, a seguradora do Corolla não vai pagar o conserto de meu carro. Concluiu que quem deve pagar é o motorista do Fiorino, responsabilizado pelo acidente. Liguei para ele e estou aguardando amanhã em minha casa para apresentar-lhe a conta!
Mas a minha intuição diz que ele não virá e serei forçado a buscar meus direitos, fazendo-o assumir a sua responsabilidade. O que me espanta é que de uma hora para outra estou sendo conduzido a agir com muitas pessoas da mesma forma. Estou perplexo como não me dão alternativas e tenho que agir, pois se não faço "fico mal na foto" de quem acredita em meu bom senso de justiça. Pior é sentir que preciso fazer isso não por mim, mas pelos outros. Não gosto de ser a atiradeira pronta para quebrar vidraças.

Horizontes

Vivo um período de boas expectativas e mudanças que já consigo vislumbrar no horizonte. Já sei que são inevitáveis, por isso nem me preocupo com os resultados ou os desafios que terei pela frente. Eu acho chato ter que levar as pessoas a assumirem suas falhas. É desagradável para mim confrontar-me com elas e com situações causadas pelas mesmas, mas estou deixando de ser compreensivo quando sou "sacaneado", e passo a exercer uma pressão para que tudo se resolva rapidamente. Nesses casos, não espere de mim acordos de nenhuma natureza.
Sempre busquei alternativas, o diálogo franco sem fazer julgamentos precipitados. Gosto de estar visualizando as parte envolvidas e penso muito antes de agir. Mas quando todas as possibilidades se esgotam, o diálogo é inviável e a hipocrisia se estabelece, a saída é partir para o ataque com tudo!
Na altura do campeonato quero uma vida sem exageros. Minha saúde física e mental são prioritárias e não estou a venda por nenhum salário, por maior que seja, ou posições superiores cheias de vantagens. Não gosto de cargos que me sobrecarreguem de poder e responsabilidades além de meus limites. Prefiro desafios onde não precise me expor tanto, por isso gosto muito de trabalhar nos bastidores. Não gosto de exibicionismos e exibicionistas. E estou pouco me importando com o poder que possa a vir a ter em mãos. Aliás, o poder que prezo é o da autonomia, da interação e do aprendizado.
Sei exatamente do que sou capaz, mas preciso de uma atmosfera legal para trabalhar e viver. Preciso estar rodeado de pessoas que saibam trabalhar em equipe, pois sei o quanto pode ser enriquecedor essa convivência. Também sei o quanto é difícil para muitas pessoas compartilhar e dividir. Os egos falam mais alto, como fica visível a insegurança.
Preciso que meu trabalho seja uma fonte de prazer para mim, só assim posso fazer uso de meu potencial. Dessa forma, faço investimentos e esforço-me para integrar diferentes personalidades, respeitando suas particularidades, por mais desgastante que seja. Sou hábil nesse processo, mas reconheço que muitas vez meus esforços são inúteis.
Então, adoto uma estratégia mais arrojada e deixo todos a vontade para buscarem novos caminhos. E mesmo assim, ainda tenho que mostrar para alguns a porta da rua, conduzí-los até ela e fazê-los atravessar.
Quem ler isso deve achar que sou cruel e vingativo, mas eu não sou. Eu me esforço muito para ser justo, como bom libriano que não é capaz de se submeter a ninguém. Sou transparente quando gosto e mais ainda quando não gosto.
Muitas vezes penso que temos que fazer uma triagem dos desafios diários. Alguns merecem a nossa preocupação, mas outros precisam ser minimizados. Mas existe ainda aquele grupo que não se enquadra em nenhum deles. E o que podemos fazer? Se passamos a nos preocupar, perceberemos com o tempo que não iremos chegar a lugar nenhum. E se deixamos de lado, fica lá no fundo uma voz dizendo que "amarelamos", que a indiferença pode esconder um medo terrível em assumir a realidade, etc. A quem podemos então recorrer? O que podemos fazer? A saída é ouvir a outra voz que sempre diz que haverá solução e um fim especial para tudo e todos. Aquela que transforma o medo em coragem, a desesperança em fé, a insegurança em certeza e a escuridão em uma noite repleta de estrelas. Essa vem sendo a conclusão a que pesquisadores e cientistas estão chegando: que acima de todas as nossas dificuldades pessoais e desafios diários existe um poder único capaz de abarcar a tudo e envolver com sua presença e calor nossos corações e mentes. É Dele mesmo que estamos falando.

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

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Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.