quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Escuridão

Cheguei a uma conclusão hoje. Apesar de toda evolução tecnológica por que vem passando a nossa sociedade, continuamos como se estivéssemos no passado. Para muitos de nós isso não é novidade, mas eu nunca parei para ler escritos antigos sobre fé e espiritualidade por acreditar estarem estes desatualizados ou parecerem limitados para um mundo tão "globalizado".
A ciência avança com maior velocidade que a espiritualidade. Deve ser por isso que ao ler documentos escritos em 1962, estes me pareceram tão familiares e atuais. O que está havendo conosco? Isso não deveria estar acontecendo. Será que os problemas humanos são resultantes da cegueira em que estamos mergulhados, quando o quesito fé e espiritualidade chegam a tona?
Estou aflito para ver o filme "O ensaio sobre a cegueira". Já lí o livro e fiquei estarrecido com as conclusões que cheguei. Pior foi comprovar em meu dia-a-dia a veracidade dessas conclusões.
Já lecionei e leciono para alunos totalmente cegos ou quase cegos. Muitos são cegos de nascença, outros ficaram cegos precocemente e outros já caminham para a cegueira inevitável. Sempre me chamou a atenção a palavra escuridão.
São três tipos de comportamento diante da escuridão em que vivem. Os que nasceram cegos me dizem que não sentem falta da luz, pois nunca a viram. Os que perderam a visão precocemente, agregaram sons as poucas imagens que possuem na memória e se adaptaram lentamente às suas crescentes limitações.
E os que estão perdendo a visão, aproveitam ao máximo a visão que ainda possuem. Vivem intensamente as imagens que ainda podem reconhecer. Mas não há um sentimento de angústia em nenhum deles, mas de aprendizado. Reclamam dos tombos que tomam, mas não se sentem vítimas do destino, pois segundo um desses jovens, ele estava no lucro, pois tinha ao seu lado pais maravilhosos, amigos e uma "saúde de ferro".
A percepção é muito maior do que a nossa. Sabem pela audição, avaliar com precisão o estado de espírito de qualquer um que convivam um pouco. O tato também tem um significado mais profundo e integrador.
Lembro-me agora de uma aluna, Rachel, que pelo meu "bom dia" ao entrar em sala, percebia como eu estava. E por mais que tentasse disfarçar a voz, no final da aula buscava aquela simpática menina com olhos verdejantes - cega de nascença, como se fosse o meu oráculo pessoal e perguntava: Como estou hoje? Ela sempre acertava. Conversávamos muito e sobre muitos assuntos. Uma vez, chegou a um ponto de me consolar após a aula, depois de eu ter tido uma enorme perda.
Eram olhos brilhantes e paralisados que me diziam que não haveria de durar muito a minha dor. Que os obstáculos por maiores que fossem, existem para ser ultrapassados. Sentia a firmeza, a força e o calor de sua pequena mão em meu braço, enquanto conversávamos.
Como alguém que nunca havia visto a luz poderia estar ali me dizendo para não desistir e continuar acreditando?
Lembro-me que secou minhas lágrimas com suas mãos, e pediu que eu voltasse a ser aquele professor e homem destemido. Disse-me na última aula que jamais me esqueceria. Perdi o contato depois de tantos anos, mas nunca o que ouvi!
Hoje consigo diferenciar dois tipos de cegueira a que somos acometidos, seja ela permanente ou momentânea. Não me deixo abater muito tempo por nenhuma dor e passei a encarar meus desafios com visão mais corajosa. Perto de meus alunos deficientes visuais, sou um aprendiz.

Cumplicidade

Em Verdade
O santo não condena o pecador. Ampara-o sem presunção.
O Sábio não satiriza o ignorante. Esclarece-o fraternalmente.
O iluminado não insulta o que anda nas trevas. Aclara-lhe a senda.
O orientador não acusa o aprendiz tateante. A ovelha insegura é a que mais reclama o pastor.
O bom não presegue o mal. Ajuda-o a melhorar-se.
O forte não malsina o fraco. Auxilia-o a erguer-se.
O humilde não foge ao orgulhoso. Coopera silenciosamente,em favor dele.
O sincero a ninguém perturba. Harmoniza a todos.
O simples não critica o vaidoso. Socorre-o, sem alarde, sempre que necessário.
O cristão não odeia, nem fere. Segue ao Cristo, servindo ao mundo.
De outro modo, os títulos de virtude são meras capas exteriores que o tempo desfaz.
Mais uma vez quero dividir essas palavras que me foram enviadas. Elas chegaram em um momento especial e desafiador de minha vida. Obrigadíssimo minha querida irmã! Você acabou de transformar a minha cinzenta manhã, cheia de provas para corrigir em uma ensolarada e azul manhã de primavera. Você é especial, como diz sua afilhada. Beijos.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Um ponto final verdadeiro!

Muitas vezes sinto que tensiono as relações com as pessoas, escrevia em meu último "post", mas o contrário também pode acontecer. Afinal de contas, não temos a real percepção do impacto que a nossa personalidade pode causar, até que ele se torne evidente. Mas existe um diferencial: eu sei porquê!
Como aprecio as relações humanas e tenho olhos muito atentos, consigo ver e sentir com clareza as motivações que levam as pessoas a tensionarem as relações, assim como eu faço. Mas eu jogo limpo e honestamente. Não faz o meu estilo pequenas provocações e indiretas. Eu falo objetivamente pois só tenho o que ganhar. Eu não tenho medo de encarar desafios e situações não esclarecidas, pois aprendo rapidamente com elas. Eu mergulho de cabeça. Não vou usar desculpas ou justificativas para minhas ações caso esteja errado, considerando que sou muito capaz de assumí-las com todos os riscos possíveis.
Certa vez me disseram que tenho uma "personalidade faiscante" quando quero incendiar uma relação. Eu ri muito com essa história, mas ela tem um fundo de verdade. Quando uma relação não vai bem, eu gosto de dar um calor, uma aquecida para que volte a "soltar faíscas".
Isso significa que tenho bons propósitos quando me torno contestador. Busco uma visão mais ampla e franca de meus relacionamentos.
Mas eu sei reconhecer os diferentes estilos que podem tensionar uma relação e suas razões, principalmente quando venho percebendo a sua evolução a longo tempo. Então, perde a graça, pois já sei qual é a estratégia, qual é a motivação e sei exatamente o que desejam para mim. Isso acontece quando o propósito é ruim e me causa indignação e dor. Dia desses eu coloco um ponto final verdadeiro.
Mas lembre-se: eu sei porquê!

domingo, 26 de outubro de 2008

Tenho que aparar o cavanhaque!


Muitas vezes sinto que tensiono as minhas relações, seja com o mundo ou seja com as pessoas. Nessa horas, sinto o quanto ainda preciso me desarmar. Quando me recordo e revejo não só as situações que se tornaram um aprendizado para mim, e lembro-me daquelas em que foi preciso muita coragem, ousadia e determinação para que também fossem úteis em meu amadurecimento, sinto um gosto amargo na boca e me coloco na posição de ataque, mesmo sabendo que não preciso mais agir assim. Não tenho mais do que me defender e muito menos razões para atacar.

Com o passar dos anos venho me desarmando. Venho escrevendo muito aqui sobre isso. Por vezes, precisaria agir com energia, mas sinto que seria um desgaste inútil, pois existem formas mais inteligentes e respeitosas de convivência.

Mas restou uma indignação quando me permito ser afrontado. Não gosto que me digam o que fazer, sem antes me perguntar se eu estou predisposto a fazê-lo. Eu acho que ninguém "curte" essa atitude manipuladora.

Como observador das relações, elas me esgotam quando vivencio cada uma delas. Esse é um claro sintoma de cansaço ou desgaste emocional. Assim, preciso agir para alterar as situações estressantes ou esvaziá-las. É chato conviver com pessoas oprimidas e radicais em suas crenças e posições, que falam sempre do mesmo assunto e da mesma maneira.

Eu levo muito a sério tudo que escuto, seja para o bem ou para o mal. Não vejo da janela a vida passando. Por isso, esgoto-me depois de muito tempo e sair de cena, é o caminho mais eficiente para me poupar.

Continuo a ser um homem passional, ma non tropo! Tenho o direito de escolher com quem e como quero conviver. Não adianta forçar a barra e muito menos usara de estratégias que conheço bem.

Sei que nesses momentos torno-me uma pessoa de convívio "trabalhoso", ainda mais quando sou desafiado. Eu poderia ignorar as provocações, que muitas vezes são até inocentes, mas existe uma força e uma energia que me habilita a encarar o desafio e partir para o confronto na hora! A racionalidade vai para o espaço!

Meus amigos mais próximos já me viram entrar em ação e ficaram surpresos com a minha mudança. Não sou tão tranquilo como imaginam, aliás, nunca fui, graças a Deus.

Nunca fui homem de fazer "vista grossa" ou de "tapar o sol com a peneira", mas sempre acreditei que cada ser humano tem uma missão a cumprir e que deve assumí-la integralmente. Eu assumo a minha vida. Também seria um absurdo não tê-lo feito depois dos quarenta anos.

Consciente do que faço e sinto, já sou capaz de enumerar minhas virtudes e defeitos.

domingo, 19 de outubro de 2008

Não há como se perder no meio do caminho

Ainda não consegui acertar todos os relógios aqui por conta do horário de verão. Os digitais "made in China" são muito complicados em função das múltiplas funções que possuem. Por isso depois de tentar algumas vezes, desisti com rapidez e vim logo escrever aqui. Amanhã, "acertarei os ponteiros".
É muito bom estar certo de nossa finitude. Eu terei um fim, aliás, todos nós teremos. Mas o que poderemos deixar para o mundo e para as pessoas que convivemos boa parte de nossa vida? Simplesmente o que somos e sentimos. Qual a maior herança que poderei deixar para meus alunos? Transformar um desses em um professor de Geografia que consiga ser melhor do que eu. Esse seria o maior legado que como educador poderia deixar. Ajudar meus alunos a encontrar sua verdadeira vocação. Muitas vezes, nem ajuda precisam, bastando apenas uma palavra de incentivo ou um empurrãozinho.
Como é gratificante ver meus alunos se encontrarem profissionalmente. Não há nada no magistério que supere esse prazer. Melhor ainda quando me deparo com profissionais de educação que já são melhores do que eu. Sinto um orgulho enorme de ter contribuído para a decolagem desses jovens. Sei que podem e devem ir muito além do que fui.
Muitos dos licenciandos que já tive, seja da UFRJ ou UERJ, mostraram-se muito preparados em sua formação cultural. Já possuíam naturalmente maturidade, responsabilidade e ética, surpreendendo-me bastante, considerando que conheço profissionais que nunca deram importância a esses valores.
Conversando com amigos ainda sobre a finitude de nossas vidas, indaguei-os sobre o nosso futuro. Seremos lembrados por nossos bisnetos e tataranetos? Saberão o que fomos? Poderão nos reconhecer? Em tempos tão frenéticos de mudança, creio que seremos esquecidos com rapidez. Enquanto meus ex-alunos existirem, poderei ser lembrado por um ou outro. Mas e depois? Alguns de nós poderão ser "imortalizados" em nomes de ruas, avenidas, servidões, salas etc, mas apenas o nome será lembrado. Qual é o valor de uma homenagem póstuma? O agraciado nem presente estará para agradecer!
Sou um homem comum. Faço parte do grupo de seres humanos que não ostenta e nem quer fama, prestígio ou poder, e isso nos torna muito capazes de deixar para nossos descendentes um valor muito maior, que eles não irão perceber, mais sentir ao longo de sua existência, repassando-o para as futuras gerações.
Essa herança tão poderosa é chamada de amor. Ela irá nos imortalizar silenciosamente e fará com que a nossa vida seja capaz de deixar o mundo e as pessoas melhores e mais felizes.
Não há qualquer esforço a fazer. Qualquer pessoa sob a face da Terra pode fazer isso. Semeie a maior quantidade de amor possível em seus filhos e esteja certo que eles farão tudo da maneira correta. Não há como se perder no meio do caminho.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A Lógica de Einstein

Duas crianças estavam patinando num lago congelado da Alemanha. Era uma tarde nublada e fria, e as crianças brincavam despreocupadas. De repente, o gelo se quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou.
A outra, vendo seu amiguinho preso e congelando, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo por fim quebrá-lo e libertar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:
Como você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequeno e com as mãos tão frágeis!
Nesse instante, o gênio Albert Einstein que passava pelo local, comentou:
Eu sei como ele conseguiu.
Todos perguntaram:
Pode nos dizer como?
É simples, respondeu Einstein
Não havia ninguém ao seu redor, para lhe dizer que não seria capaz.
Recebi essa mensagem da diretora de uma das escolas que trabalho. E os parabéns pelo Dia do Professor.
Como achei pertinente e muito tocante, decidi partilhar com todos vocês!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

08 de outubro de 2008

Para sentar aqui e escrever, sinto que preciso estar conectado com a minha intuição e inspiração. Não consigo escrever mecanicamente. É necessário que haja uma motivação e bons motivos para construir um parágrafo. Por vezes, atarefado, aborto essa vontade. Por outras vezes, ela é tão forte que me vejo obrigado a sentar e escrever imediatamente, como faço agora.
Transformar em palavras o que sinto é prazeiroso e libertador. Colocar-me em um blog, um desafio, pois sei que se escrevo aqui, torno-me visível para muitos. Mas não tenho temores ou medos que me impeçam de estar aqui por inteiro.
Sinto que potencializo meus sentimentos e minha percepção do mundo ao escrever. É um exercício simples de partilhar. As questões fundamentais de minha vida tornam-se claras, à medida que "converso" com elas e disponho-me a expandir horizontes em todos os sentidos. A visão que passo a ter sobre tudo, mistura razão, emoção e possibilidades.
Não posso me render a vida, por isso sou impaciente quando sofro. Sinto que preciso perceber a mensagem de cada desafio que enfrento. Esse é o meu objetivo. Não acredito em pragas, karmas ou maldições, mas em aprendizado real. Se acontece comigo, tem valor e faz sentido!
Há poucos dias fiz 47 anos. Ainda sob o impacto da nova idade, me senti muito feliz junto das pessoas que amo e muito confortável diante de minha caminhada. Venho construindo minha vida em bases sólidas, agregando valores e qualidade aos meus sentimentos e ações. Já posso antever meu futuro, e se tudo continuar assim, será interessante e desafiador. Os desafios que a minha geração tem hoje, só os vivenciarei daqui há 10 ou 15 anos. Não serei o mesmo de hoje, terei mais maturidade e "jogo de cintura" para conduzir soluções e acordos.
Estou tomando um bom fôlego para dar o último passo em minha carreira profissional. Será o meu ápice acadêmico. A garantia de que fui muito além do que a maioria dos profissionais de minha geração, e principalmente, por estar mais próximo de completar meio século de vida!
Há tempos atrás reclamava de como a minha vida acontecia de uma forma tão vagarosa. Sentia-me uma excessão dentre a maioria. Era incômodo, pois tinha a sensação que estava fazendo tudo errado. Tudo acontecia tarde. Parecia que eu precisava lutar sem trégua para que os meus desejos acontecessem. Mas o que valia é que aconteciam mesmo! No final das contas, o prazer não estava em conquistar, mas no empenho, dedicação e disciplina para que eles finalmente se concretizassem.
Agora, prefiro ser uma excessão no meio de tudo e de todos. O conceito de normalidade agora é relativo para mim. O que vale mesmo é o aprendizado ao longo de uma vida.
Convivo com muitas pessoas que hoje estão vivendo momentos difíceis e não sabem o que fazer. Ficam revoltadas, amarguradas, passam a desacreditar no presente e se arrastam para o futuro sem esperança. Eu como observador do ser humano, posso até arriscar palpites que expliquem o atual momento que vivem ou os possíveis desafios, mas prefiro me abster. Eu não posso viver outra vida, senão a minha e ponto final.
Até poderia dar sugestões, mas só se for requisitado e se eu tiver vontade. Reconheço que quando falo, sou cuidadoso, mas falo com objetividade e clareza. Gosto de mostrar alternativas e dou ao ouvinte o direito de escolher o caminho que desejar e convier. Muitas vezes, acertamos nas escolhas, outras não. Mas o que posso fazer a não ser viver a minha vida com consciência e desprendimento?
Não podemos mudar o que foi escrito, vivido, feito e falado. Não podemos reviver o que não existe mais, já era! Mas sempre será possível, dar um final mais digno, um futuro melhor a nós mesmos e a quem realmente se importa conosco. Mas para acontecer, lembre-se do significado do perdão. Não é para sair perdoando todo mundo por ai "da boca prá fora" ou se fazendo de bonzinho, se promovendo. Mas para se perdoar. Precisamos nos perdoar e nos libertar de dores que não fazem mais sentido. Puxe a cadeira, tomemos um chá e vamos conversar. Não há mais o que justificar ou explicar. Temos muito em comum e vivemos cheios de possibilidades reais de fazer nossa vida um aprendizado de felicidade. Ninguém é feliz integralmente, mas que bom se pudéssemos estender os momentos felizes por mais tempo e diminuir os efeitos dos momentos difíceis. Assim, poderíamos usufruir intensamente de toda vida que temos agora e fazendo uso apenas do que nos é realmente necessário.
Não dá continuar acreditando que não há possibilidades. Chega de "lacrimórios" sem fim e "trololós" desnecessários.

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

Minha foto
Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.