sábado, 28 de julho de 2012

Antiga benção celta completa

ANTIGA BENÇÃO CELTA .

Que o caminho venha ao teu encontro.
Que o vento sopre sempre às tuas costas,
e a chuva caia suave sobre o teu campo.
...
e até que voltemos a nos encontrar,
que Deus te sustente suavemente
na palma de Sua mão.
Que vivas todo o tempo que quiseres,
e que sempre vivas plenamente.
Lembra sempre de esquecer as coisas que te
entristeceram, e não esqueça de se lembrar das
coisas que te alegraram.
Lembra sempre de esquecer os amigos que se
revelaram falsos, mas nunca deixes de lembrar
daqueles que permaneceram fiéis.
Lembra sempre de esquecer os problemas que já passaram, mas não deixes de lembrar das bençãos de cada dia.
Que o dia mais triste do teu futuro, não seja pior
que o mais feliz do teu passado.
Que o teto nunca caia sobre ti,
e que os amigos debaixo dele nunca partam.
Que sempre tenhas palavras cálidas em um
anoitecer frio,
uma lua cheia em uma noite escura,
e que um caminho se abra sempre à sua porta.
Que vivas cem anos, com um ano extra para
arrepender-te.
Que o Senhor te guarde em Suas mãos,
e não aperte muito Seus dedos.
Que teus vizinhos te respeitem,
que os problemas te abandonem,
os anjos te protejam,
e o céu te acolha.
E que a sorte das colinas celtas te abrace.
Que as bençãos de São Patrício te contemplem.
Que teus bolsos estejam pesados,
e o teu coração leve.
Que a boa sorte te persiga, e a cada dia e cada noite tenhas um muro contra o vento, um teto para a chuva, bebida junto ao fogo, risadas que consolem aqueles a quem amas, e que teu coração se preencha com tudo o que desejas.
Que Deus esteja contigo e te abençoe,
que vejas os filhos dos teus filhos,
que o infortúnio te seja breve e que te deixe cheio de bençãos.
Que não conheças nada além da felicidade
deste dia em diante.
Que Deus te conceda muitos anos de vida.
Com certeza Ele sabe que a Terra não tem anjos suficientes.
E assim seja a cada ano, para sempre !"

Assim é!
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A silenciosa dor da perda

Intuitivamente tomei a decisão corajosa de me defrontar com uma grande perda, que eu aprendi a suportar me mantendo distante por muitos anos. Os ressentimentos foram fortes o suficiente para destruir a única ligação existente, deixando apenas um abismo intransponível que nem a morte ou a proximidade dela foram capazes de superar.
A morte foi rápida, surpreendente e as mágoas deixadas tão fortes, que não mais poderão ser resolvidas nessa vida. Hoje estamos separados pela vida e pela morte e agora compreendo o quanto pode ser doloroso deixar questões em aberto para a eternidade.
Em breve estarei reencontrando pessoas que sofreram mais do que eu a perda fulminante de um ente querido. Será inevitável a lágrima, assim como as lembranças de tempos idos, quando tudo parecia espontâneo e prazeroso. Será doloroso procurar pessoas que aprendi a amar e admirar e não mais encontrá-las. Será entristecedor ver o imenso vazio que foi deixado e que nunca será preenchido, pois cada pessoa que a vida leva torna-se insubistituível para os que ficam, cheios de saudades.
Falar do impacto das perdas é para mim é mais difícil do que falar da morte em si. Não sei ainda a lição que terei que aprender quando perder as pessoas que mais amo na vida, mas não quero perdê-las sem antes dizer o quanto as amo com profundidade, mesmos que elas não consigam entender o que se passa em meu coração.
Agora mesmo me dei conta que tenho que me apressar, pois a vida pode ter fim a qualquer momento. Isso significa que posso não estar aqui amanhã e assim perder a chance de encontrar quem eu precise dar um abraço apertado, olhar no fundo dos olhos e dizer o quanto eu me importo.
Preciso continuar perdoando enquanto há tempo e oportunidade para mim. Tenho que me libertar das amarras finais da minha existência, para prosseguir mais leve e sem as dores que me impedem de concretizar completamente a minha missão.
Peço a Deus coragem para prosseguir e encarar um dos maiores desafios de minha limitada existência, na esperança de viver a vida que um dia me comprometi aos olhos do meu Criador. Nunca senti a necessidade de ir tão fundo em minhas fraquezas e transformá-las em fortalezas.
Mal sei o que será de mim quando chegar ao meu destino e não encontrar as pessoas que por tantos anos convivi. Não poderei mais sentir os abraços e beijos, o sorriso sempre  receptivo e a generosidade que me marcou tão profundamente.
Não concebo a existência dos lugares sem a ter na memória as pessoas que um dia fizeram parte do meu convívio. O sol não terá o mesmo brilho e calor, a areia branca e fina que tantas vezes pisei na vida parecerá estranha e a beleza assustadora das grandes ondas que traziam abundantes cardumes de peixes agora só trarão melancólicas lembranças.
Como lamento ver o meu passado desmontando com rapidez, tornando-se cada vez mais distante e desfocado e lamento ainda mais, ter desperdiçado um tempo que não voltará.
Não quero viver de lembranças, mas elas crescem à medida que envelheço e se ainda as busco é porque sei do quanto fui feliz e o quanto fui verdadeiro e intenso. Sempre tive o que dizer e minhas palavras faziam diferença pela sinceridade que continham.
Consegui extrair com meus atentos olhos o que que cada pessoa tinha de melhor, mas confesso que os fechava para as dificuldades e limitações das pessoas que me foram tão importantes.
Hoje, aqui sentado em frente ao computador, permito que as emoções aflorem com intensidade e nas palavras tento exprimir com sensibilidade o que se passa em meu coração.
Como poderei enfrentar todas as lembranças ainda tão vivas dentro de mim? É impossível conter as lágrimas diante da dor. Saber que tudo poderia ter sido diferente é o que mais me incomoda. Fui capaz de desperdiçar uma oportunidade por quase uma década, por medo de ser humilhado e mais uma vez injustiçado. Eu poderia ao menos ter tentado, poderia ter dado errado, mas pelo menos eu teria feito a minha parte. Hoje eu não estaria vivendo essa tristeza, mas não me sinto culpado por nada. Não quero me fazer de vítima, pois esse nunca foi o meu estilo, mas sei na pele o que é ser injustiçado e não ter a menor chance de se defender.
Ainda tenho para mim que o destino foi arrebatador, apesar de reconhecer que ele nos deu tempo de sobra e que foi constrangedoramente desperdiçado.
Não sei o que me aguarda nesse encontro tão esperado. Não tenho dormido bem por conta da ansiedade. Tenho estado mais emotivo do que normalmente sou. Sinto meu coração bater forte e um medo de encarar a dor. Tenho pedido a Deus por mim. Tenho pedido a Deus por todos que como eu compartilham a dor da perda, da saudade e daquilo que poderia ter sido e não foi. Temos que continuar vivendo na certeza que a nossa missão continua, aconteça o que acontecer. Acho que Deus espera isso de nós, por isso ele está ao nosso lado, mesmo que o silêncio e a dor pareçam não ter fim.

domingo, 15 de julho de 2012

Um pouco mais do que um educador

Uma típica tarde fria, cinza e silenciosa de inverno em Petrópolis. Faz agora 10C e me vejo envolvido pelo famoso "russo" desde o amanhecer. Apesar de estar de férias em uma escola e em greve em outra, longe de estar angustiado, compreendo que o governo federal não nos deu qualquer alternativa sensata para resolver esse impasse. Longe de estar alienado, aproveito o momento para realizar um dos encontros que mais aprecio: estar com a minha pequena família. Sou capaz de abrir mão do meu trabalho para estar aqui. Considero mais importante fortalecer laços de amor do que profissionais. Talvez seja fácil estar mais disponível por já ter me realizado profissionalmente. Não preciso provar nada e o que consegui até agora me basta para viver.
Nunca vivi delirando com uma situação financeira melhor, mas investi na minha carreira de professor fazendo o melhor que pude. Nunca reclamei do meu trabalho. Nunca reclamei do meu salário. Nunca desejei jogar tudo para o alto, assim como nunca me fiz de vítima ou sofredor.
Tenho muito bem resolvida a minha vida profissional, que se organizou muito tempo antes da minha vida pessoal. Trabalhar nunca foi penoso, apesar de ter me levado ao esgotamento físico algumas vezes. Mesmo assim, tenho para mim que fui e sou capaz de me adaptar a qualquer situação que eu quisesse.
Falar no meu trabalho significa falar na fluidez com que ele sempre aconteceu. Isso vai além do que poderia imaginar, como se fosse uma escolha natural, uma decisão acertada e consciente. Lembro-me das incertezas em fazer Geografia, das pressões contrárias até assumir, com todos os ônus e bônus, a minha escolha profissional e saudavelmente egoísta.
Após 27 anos de envolvimento com a educação, não olho para trás com saudades. Vejo-me hoje mais como educador do que professor de Geografia. A maturidade me permitiu dar um significado mais humano ao conteúdo geográfico. Isso significa me colocar acima de tudo como um ser humano para meus alunos. Nunca me senti tão humano ao dar aulas tão próximo da minha aposentadoria.
A Geografia me permite abrir um leque de temas e explorar sentimentos únicos com meus alunos, independente da maturidade destes. É bom ser um semeador e não se preocupar se as sementes irão germinar. Não fico esperando qualquer reconhecimento do meu trabalho, pois me basta saber que faço o que gosto, cumprindo a minha verdadeira missão.
Dia desses conversava com meus alunos da importância de encontrar a vocação. Uma vez encontrada, fica fácil investir em nossos verdadeiros talentos. Aliás, talentos todos nós temos, pena que nem todos acreditam nesse dom individual. Por vezes, leva tempo para encontrá-lo, mas ele sempre estará com você.
O grande desafio é levar as pessoas a acreditar que ser realizado não passa necessariamente pela realização financeira. O legal é ser capaz de integrar a realização profissional (decorrente da vocação) à realização financeira. Acredito muito que antes da realização financeira, é preciso obter a realização profissional. Pode ser que ambas aconteçam ao mesmo tempo, mas se a profissional for mais importante para você, o trabalho sem vocação poderá se transformar em um pesado fardo, em uma prisão sem grades, podendo afetar a sua condição pessoal e emocional.
Esse é o meu ponto de vista pessoal. Não penso em fazer generalizações, pois é bom saber que existem excessões para tudo, mas a minha experiência profissional e o convívio com meus milhares de alunos, respaldam minhas palavras aqui digitadas.
Já vi muitos alunos corajosos jogarem tudo para o alto para irem de encontro a sua vocação e outros, não tão corajosos, que se deixaram levar por um salário excelente ou uma pomposa posição social.
Todos temos desafios pela frente que podem se transformar em aprendizado ou não. Não estou aqui dizendo para ninguém fazer ou seguir as minhas ideias, longe de mim! Apenas sugiro fazer as pessoas a repensarem suas escolhas e posições, algo que faço continuamente e que tem me trazido um enorme aprendizado.
Tenho um jogo de cintura muito melhor do que no passado e abandonei há décadas a concepção de me transformar em uma fortaleza de cristal. Hoje estou mais para uma casa rude feita de bambu, que verga com o vento, mas não se quebra.
Hoje sou muito mais flexível e não me sinto mais fraco por ser assim. Esse é um dos trunfos da certeza que trago de que não estamos vivendo apenas para sobreviver dia após dia. Existe uma razão ainda não esclarecida que nos une ao nosso tempo e a nossa realidade. Um dia todas as perguntas sem respostas, serão respondidas, assim como todos os segredos serão revelados. Neste dia, saberemos a razão e o sentido da existência humana.
E enquanto esse glorioso dia não chega, façamos o melhor para trazer sentido a vida que um dia nos foi ofertada. Esse esforço não será em vão, estou certo disso!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Compromisso diante da vida

Como é bom olhar o mundo pela janela de meu quarto. Melhor saber que faço parte desse mundo. Moro em um condomínio repleto de crianças ruidosas, que brincam e correm sem parar, onde a minha filha participa ativamente, curtindo a sua merecida infância.
Eu tive uma infância muito, muito feliz. Apesar de ter sido filho único por dez anos, vivia rodeado pelos meus primos e primas que não me deixavam sentir sozinho. As brincadeiras nas férias de verão eram fantásticas. Engarrafamento de bicicletas na Travessa da Ligação e na Rua Pedro Hansen. Todo tipo de pique que você possa se lembrar: bandeira, 1,2,3, esconde etc. Pega-ladrão, mocinho-bandido, pêra-uva-maçã, WAR 1, Truste Imobiliário, cantigas de roda, puxar carrinho amarrado com barbante, usar tampas velhas de panela como volante de carro, soltar pipas, fazer maldades com insetos e animais abandonados (já pedi perdão a Deus), Clubinho de Meninos (onde as meninas não podiam entrar de jeito nenhum), atravessar o rio agarrado a um bambu, etc. Meus pais confiavam em mim e no mundo, por isso cresci sem culpas ou medos, pelo menos que eu me recorde.
O mundo que vivi era poético e inocente. O tempo passava devagar e não havia a pressa de viver que temos hoje. O tempo que vivemos hoje é muito diferente. Sem dúvidas o mundo está mudando rápido e todos nós estamos vivendo no ritmo dessa mudança. Ganhamos quantidade e tecnologia e perdemos qualidade e criatividade.
Não lamento o mundo de hoje, pois já vivi uma infância feliz, mas já posso fazer comparações sem saudosismo. Não teria como viver o que já foi vivido.
Me causa espanto quando reviro minhas lembranças e recordo o que já pude viver. Tenho orgulho do meu passado e isso inclui meus erros e acertos. Hoje tenho um saldo muito positivo para continuar vivendo, por isso não me sinto cansado de viver. Ao contrário, o desejo de continuar vivo está mais forte, pois agora sei o quanto aprendi e o quanto ainda tenho que aprender.
Preparo-me para um futuro, pois sei que tenho um presente valoroso nas mãos e a percepção de uma vida abençoada diante de tudo que já superei. Lembrava-me um dia como todos os caminhos que trilhei, por mais incertos que fossem, sempre me levaram a fazer escolhas acertadas na maioria das vezes.
Mesmo quando sabia que estava errando, nunca perdi a lucidez de que podia fazer diferente se quisesse. Errei e acertei com consciência, por isso fui capaz de aprender. Sempre me questionava de onde surgiam tantas certezas dentro de mim. Essas certezas  me recolocavam na rota sempre que eu me desviava. Havia uma sensação de previsibilidade diante dos acontecimentos e uma força única diante das adversidades.
Sem que eu saiba até hoje, todas as razões que me levaram a ser quem eu sou, reforçaram em meu coração um desejo sincero de persistir, um compromisso acordado com a vida de ir ao encontro do que anseia a minha alma.
Hoje meus questionamentos fundamentais foram satisfeitos, até o momento que novos se apresentem. Não há o que temer diante da nossa existência. Somos passageiros temporários de uma vida, que nunca deixará de ser surpreendente. Nunca pude imaginar que precisaria de tão pouco para viver plenamente.

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

Minha foto
Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.