sábado, 28 de julho de 2012

A silenciosa dor da perda

Intuitivamente tomei a decisão corajosa de me defrontar com uma grande perda, que eu aprendi a suportar me mantendo distante por muitos anos. Os ressentimentos foram fortes o suficiente para destruir a única ligação existente, deixando apenas um abismo intransponível que nem a morte ou a proximidade dela foram capazes de superar.
A morte foi rápida, surpreendente e as mágoas deixadas tão fortes, que não mais poderão ser resolvidas nessa vida. Hoje estamos separados pela vida e pela morte e agora compreendo o quanto pode ser doloroso deixar questões em aberto para a eternidade.
Em breve estarei reencontrando pessoas que sofreram mais do que eu a perda fulminante de um ente querido. Será inevitável a lágrima, assim como as lembranças de tempos idos, quando tudo parecia espontâneo e prazeroso. Será doloroso procurar pessoas que aprendi a amar e admirar e não mais encontrá-las. Será entristecedor ver o imenso vazio que foi deixado e que nunca será preenchido, pois cada pessoa que a vida leva torna-se insubistituível para os que ficam, cheios de saudades.
Falar do impacto das perdas é para mim é mais difícil do que falar da morte em si. Não sei ainda a lição que terei que aprender quando perder as pessoas que mais amo na vida, mas não quero perdê-las sem antes dizer o quanto as amo com profundidade, mesmos que elas não consigam entender o que se passa em meu coração.
Agora mesmo me dei conta que tenho que me apressar, pois a vida pode ter fim a qualquer momento. Isso significa que posso não estar aqui amanhã e assim perder a chance de encontrar quem eu precise dar um abraço apertado, olhar no fundo dos olhos e dizer o quanto eu me importo.
Preciso continuar perdoando enquanto há tempo e oportunidade para mim. Tenho que me libertar das amarras finais da minha existência, para prosseguir mais leve e sem as dores que me impedem de concretizar completamente a minha missão.
Peço a Deus coragem para prosseguir e encarar um dos maiores desafios de minha limitada existência, na esperança de viver a vida que um dia me comprometi aos olhos do meu Criador. Nunca senti a necessidade de ir tão fundo em minhas fraquezas e transformá-las em fortalezas.
Mal sei o que será de mim quando chegar ao meu destino e não encontrar as pessoas que por tantos anos convivi. Não poderei mais sentir os abraços e beijos, o sorriso sempre  receptivo e a generosidade que me marcou tão profundamente.
Não concebo a existência dos lugares sem a ter na memória as pessoas que um dia fizeram parte do meu convívio. O sol não terá o mesmo brilho e calor, a areia branca e fina que tantas vezes pisei na vida parecerá estranha e a beleza assustadora das grandes ondas que traziam abundantes cardumes de peixes agora só trarão melancólicas lembranças.
Como lamento ver o meu passado desmontando com rapidez, tornando-se cada vez mais distante e desfocado e lamento ainda mais, ter desperdiçado um tempo que não voltará.
Não quero viver de lembranças, mas elas crescem à medida que envelheço e se ainda as busco é porque sei do quanto fui feliz e o quanto fui verdadeiro e intenso. Sempre tive o que dizer e minhas palavras faziam diferença pela sinceridade que continham.
Consegui extrair com meus atentos olhos o que que cada pessoa tinha de melhor, mas confesso que os fechava para as dificuldades e limitações das pessoas que me foram tão importantes.
Hoje, aqui sentado em frente ao computador, permito que as emoções aflorem com intensidade e nas palavras tento exprimir com sensibilidade o que se passa em meu coração.
Como poderei enfrentar todas as lembranças ainda tão vivas dentro de mim? É impossível conter as lágrimas diante da dor. Saber que tudo poderia ter sido diferente é o que mais me incomoda. Fui capaz de desperdiçar uma oportunidade por quase uma década, por medo de ser humilhado e mais uma vez injustiçado. Eu poderia ao menos ter tentado, poderia ter dado errado, mas pelo menos eu teria feito a minha parte. Hoje eu não estaria vivendo essa tristeza, mas não me sinto culpado por nada. Não quero me fazer de vítima, pois esse nunca foi o meu estilo, mas sei na pele o que é ser injustiçado e não ter a menor chance de se defender.
Ainda tenho para mim que o destino foi arrebatador, apesar de reconhecer que ele nos deu tempo de sobra e que foi constrangedoramente desperdiçado.
Não sei o que me aguarda nesse encontro tão esperado. Não tenho dormido bem por conta da ansiedade. Tenho estado mais emotivo do que normalmente sou. Sinto meu coração bater forte e um medo de encarar a dor. Tenho pedido a Deus por mim. Tenho pedido a Deus por todos que como eu compartilham a dor da perda, da saudade e daquilo que poderia ter sido e não foi. Temos que continuar vivendo na certeza que a nossa missão continua, aconteça o que acontecer. Acho que Deus espera isso de nós, por isso ele está ao nosso lado, mesmo que o silêncio e a dor pareçam não ter fim.

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Sentido

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Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

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