quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Relaxamento e hérnias de disco

Não me falta coragem para escrever aqui. Essa coragem não me torna especial, mas me faz sentir liberto de apegos e pesos desnecessários. Escrever me confronta com minhas limitações e desafios que precisam ser superados. Ao fim sempre que consigo uma resposta objetiva.
Antes de escrever converso muito comigo. Isso significa que falo sozinho, medito sozinho, mas não sou capaz de dar conta de tudo sozinho. Por isso trilho um caminho espiritual - CAFH (www.cafh.org) - que vai de encontro ao que sempre busquei.
Precisava descobrir todo o meu potencial, descortinar todas as verdades que eram fundamentais para assim dar uma qualidade e um sentido mais amplo para minha vida. Precisava aprender com as experiências eficientemente, resgatar prazeres que foram se perdendo com o tempo, tornar-me mais participativo do mundo que estou inserido e construir um futuro melhor, não para estar pronto para o fim, mas para garantir muitos recomeços que envolveriam tudo e todos ao redor.
Venho criando dentro de mim valores de pertencimento ao mundo. Não posso imaginar como estarei no futuro, mas espero estar bem mais resolvido espiritualmente.
Sempre fui um homem temente a Deus. Nunca tive medo de Deus, assim como os pecados não me empurravam para as torturantes culpas. Como disse meu sogro um dia: "O Deus que creio é poderoso". E posso dizer mais, "o Deus que cremos além de poderoso, é misericordioso".
Apesar de minha formação católica, certos dogmas não foram bem digeridos. Nunca achei justo fazer promessas. Me soava como uma barganha sem sentido e desnecessária.
Nunca pedi unicamente a Deus por mim. Sempre que me colocava de joelhos, acabava pedindo por muitas pessoas e ao fim, para não cometer injustiças decorrentes de esquecimentos, pedia para toda a humanidade. Faço assim até hoje.
Tenho vivido de forma mais arejada. Os excessos emocionais diante dos acontecimentos, como disse em meu último e difícil post, estão cada vez menores, o que me permite aprimorar minha percepção.
Tenho delegado poderes e submetendo-me às minhas limitações físicas. Já sinto a idade chegando devagar e apesar de minha sanidade, não preciso realizar grandes projetos a partir de agora e nem impor um ritmo frenético para minhas realizações.
Passei hoje uma noite em claro. Não tive pesadelos, mas sentia muitas dores no pescoço. Rendido pela dor, sai de madrugada em busca de uma emergência de hospital. Apesar do termo emergência, levei horas para ter o meu diagnóstico: ganhei duas hérnias de disco (região cervical) e antes que acabe como o Corcunda de Notre Dame, tenho que me cuidar!
Recebi a notícia sem muito espanto, considerando que ainda abuso de meu corpo. Gosto de carregar pesos de todo tipo: minha filha, sacas de compras, galões de água, bolsas pesadas de feira, pastas cheias de provas etc.
Não sei o que se passa comigo nesses momentos, mas qualquer tipo de trabalho braçal me relaxa! E qual foi o resultado? Vou ter que buscar outras estratégias de relaxamento!
Mas agora, vou dar a mais atenção aos limites de meu corpo. Não quero que ele se transforme em um peso e que atrapalhe o que ainda tenho que fazer.
Tenho feitos planos, muitos planos. Tenho tudo organizado aqui em minha cabeça. Sei que posso conduzí-los até o final, mas a dificuldade que tenho é de dar sempre o primeiro passo. Uma vez que decido dar um, não dá mais para parar, não dá mais para ser o que era.
Por isso, que o aprendizado espiritual em mais de 15 anos de caminhada me instrumentaliza tão bem. Tenho vivido melhor comigo mesmo e a força divina em minha vida, está cada vez mais presente.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Amanhã, vai ser outro dia

Acordei com o gosto amargo das lembranças na alma. Tive pesadelos que me fizeram recordar o quanto foi e é difícil a relação com algumas pessoas em minha vida. Assim comecei o dia, recordando o quanto as experiências dolorosas me marcaram. Não me tornei pior por conta delas, mas tornei-me aparentemente cético quanto ao resgate de muitas relações pessoais.
Reconheço que a vida colocou em meu caminho pessoas de difícil convivência. Mas não compreendo ainda o verdadeiro significado desse desafio. Como pode ser possível continuar amando e respeitando a quem te fere por toda uma vida? Como compreender que uma longa amizade possa ser pulverizada em minutos? Mistérios sem explicação aparente.
A vida sempre me fez acreditar em mudanças. Elas significavam superação, aprendizado e evolução. Assim, fiz o que pude para superar barreiras. Abri meu coração, mostrei o que sou sem reservas, provei com palavras e atitudes o quanto seria capaz de fazer para resolver diferenças e melhorar o convívio. Sempre me fiz presente nos momentos delicados e pronto, de braços abertos, para acolher e encarar qualquer desafio. Palavras de incentivo e apoio sempre existiam. É assim que ajo quando amo.
Nossas vidas foram unidas por poderosos laços diante das muitas experiências que partilhamos com uma coragem assustadora. Temos uma convivência que já dura décadas, uma cumplicidade real e ao fim, as diferenças acabaram falando mais alto. Elas cresceram com o tempo, e hoje, esvaziaram de significado o que eu sempre me orgulhei de sentir.
Já me senti culpado, fracassado e triste um dia. Vasculhei o passado para ver o que havia perdido e o que podia ser feito para acertar o passo e me corrigir. Achei e estou mudando.
Parecia que meu esforço, cumplicidade e dedicação não surtiam efeito. Fiz o que muitos filhos jamais fariam nessas circunstâncias. Nunca esperei retribuição formal aos meus atos, mas nunca aceitei o desrespeito ao meu verdadeiro esforço. Essa é a minha maior limitação: eu não aceito ser desrespeitado. Por isso, ao ser desrespeitado me afasto pois é muito difícil aceitar as limitações das pessoas que amo diante de toda minha cumplicidade e amor. Pior ainda é reconhecer o quanto o meu orgulho "ressentido e injustiçado" pode ser impiedoso. Esperar reconhecimento de estranhos é uma atitude imatura, mas das pessoas que amamos, é natural. Hoje administro melhor minhas expectativas e aceito as limitações alheias.
Se não posso ter as pessoas do jeito que sempre desejei, de ter as relações que sempre sonhei, de mudar as pessoas que sempre convivi, mudo eu a partir de agora. Não mudo mais em função do outro, mas em função do que SOU verdadeiramente! Quero ser melhor e dignificar ainda mais a minha vida. Mas nunca me sentirei melhor do que ninguém.
Hoje me orgulho muito do que fiz, pois acertei mais que errei. Eu seria capaz de fazer tudo de novo e certamente faria melhor com a cabeça que tenho hoje. Seria bem menos passional diante dos acontecimentos.
Nesses tempos passados, por mais difíceis que fossem, enchiam de significado minha vida e fortaleciam a crença de que tudo seria melhor no futuro.
Sempre soube que a convivência humana é difícil, mas a sensação de frustração apareceu em meus sonhos, em uma noite passada. Não sou mais um adolescente cheio de planos pronto para concretizá-los, mas gostaria que a história fosse diferente. Se existe um amor, que nunca deixou de existir, por que ele não consegue falar mais alto?
Reconheço minhas limitações para conviver com muitas pessoas. Não tenho culpa sobre as frustrações alheias. Mas eu ainda continuo acreditando em meus sonhos, de ter ao meu lado, a pessoa que tão bem conheço e que é tão diferente de mim. Sinto com a distância física e emocional, como se fosse um vazio que precisa ser preenchido. Mas excepcionalmente hoje, sinto um triste desânimo.
Não gosto de olhar para trás. Minha prioridade são meus pensamentos de agora e o que vivo no presente. Mas hoje está sendo diferente.
Mas se o futuro não for como acredito, não me sentirei frustrado. Não me sinto derrotado. Eu sempre fiz o melhor que pude. E sabe o que me acalenta? Não existe a menor sombra de arrependimento dentro de mim. Essa é uma das maiores conquistas em quase cinco décadas de vida. Hoje é um dia em que os pesadelos noturnos me fizeram desacreditar em meus sonhos.
Por sorte eu só vivo isso um único dia e uma vez por ano. "Amanhã, vai ser outro dia!"

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

Minha foto
Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.