terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Que o eterno nos abençoe em 2010

Como é incômodo ter que conviver com pessoas incapazes de aprender com a experiência. Diante dos fatos evidentes, a percepção do mundo ao redor, a percepção de si mesmas é tão deformada e fantasiosa, que a convivência se torna um desafio.
Tenho sido desafiado continuamente por essas pessoas. Na verdade eu tenho permitido que isso aconteça, mas confesso que isso me desgasta muito. Eu tenho o hábito de levar a sério tudo o que falam para mim, e nem sempre isso é um exercício saudável. Ainda permito pois considero tal experiência um desafio pessoal, como se buscasse uma explicação para esse difícil convívio. Eu preciso estar envolvido num relacionamento para avaliar minhas reações e poder visualizá-las sob diferentes aspectos.
A primeira lição aprendida foi de respeitar os meus limites. A segunda foi que preciso me esforçar para compreender o outro, abstraindo as diferenças pessoais. A terceira foi comprovar que ao ser sincero posso ferir, mesmo quando a minha intenção é outra. A quarta lição foi: só é possível conviver quando existe respeito de ambas as partes. E a última, que desistir de uma pessoa não significa que deixarei de reconhecê-la como ser humano.
Gosto de validar opiniões, mesmo que sejam contrárias ao que penso e sinto. Essa é a estratégia que uso para inserir essas pessoas no corpo da humanidade, sem com isso deixá-las de lado.
Mas tem horas que o convívio me deixa esgotado. Já desisti de ajudá-las por reconhecer que como professor de geografia não tenho estrutura e conhecimentos que me capacitem a ser um psicoterapeuta. Além disso, não tenho ficado chateado pela distância que tenho propositalmente criado em relação à muitas delas. A distância torna-me capaz de ver aquilo que não queria ver até então. Essa mesma distância me preserva de ficar "dando murros em ponta de faca".
Na verdade, essa distância protetora tem me evitado dissabores e discussões inúteis. E confesso que tenho me sentido muito bem e se quer tenho sentido falta da difícil relação. Nesse instante percebo que é o momento de voltar meu olhar para mim mesmo.
O caminho espiritual que sigo não me condena por isso, mas reconhece a minha fragilidade pessoal diante da convivência e me fortalece para que mais a frente possa ter uma visão menos defensiva diante daqueles que se mostram tão diferentes de mim.
Mas escrevo sobre o presente. É sobre ele que me debruço. É sobre um Luiz Fernando fisicamente cansado e emocionalmente decepcionado com as pessoas pelos seus atos egoístas e manipuladores. É assim que me sinto hoje.
Recebi alguns e-mails de amigos que me conhecem bem exaltando o meu grande otimismo diante da vida. Sinto decepcioná-los mas vou deixar transparecer aqui uma descrença no futuro. Eu sou humano e aprecio sentir todos os sentimentos possíveis.
Mas não consigo nutrir frustações por muito tempo. O Deus que eu creio é implacável e um amigão na hora de me colocar de pé. Eu nem preciso pedir, basta olhar para o céu, sentir sua presença em meu coração que tudo volta ao estado normal.
Tenho poucos desejos para 2010. Nada mirabolante, nada que não seja possível de ser concretizado por mim mesmo. Meus desejos para o Ano Novo são egoístas, pois só dependem de mim para serem concretizados. E justamente por isso, têem mais chances de acontecer e mais, podem ser modificados ao longo do ano, de acordo com meus paradigmas pessoais.
Já fiz a minha lista de desejos, um para cada mês de 2010. Levei horas para colocá-los no papel, mas ficaram muito bons e por causa deles, não vejo a hora de 2010 começar.
Creio que irei conviver melhor com as diferenças humanas que em 2009 tanto me incomodaram, pois não permitirei que me afetem mais. Já aprendi o que devia, agora vou para um outro nível, como se fosse um vídeo game!
Hoje quero apenas poder descansar, deixar a barba por fazer e colocar tanto a minha saúde e meu orçamento em equilíbrio.
Hoje quero apenas aproveitar ao máximo o tempo que tenho para fazer o que gosto e me cercar de pessoas legais (já tenho feito isso desde 2007). Assim, tenho construído o alicerce de novas amizades e reforçando aquelas mais antigas.
Como bom incentivador, gosto de estar ao lado de pessoas autênticas, transparentes e corajosas.
Queria estar digitando um texto leve, repleto de esperanças e votos de felicidade. Mas ao contrário, esse texto é a síntese incompleta e emocional de um ano muito desgastante e desafiador. Dois mil e nove me fez ver com clareza o que me é fundamental para viver a partir de agora e reconheço que lutei para aceitar o que me é fundamental. Por isso o texto ficou pesado, mas não deixou de ser esperançoso. Esperança, essa é a palavra que precisamos diante de nossos desafios cotidianos.


Que o eterno te abençoe e te preserve. Que o eterno faça resplandescer sua face sobre ti e te agracie. Que o eterno te conceda a sua misericórdia e ponha a paz sobre ti.
Antigo Testamento Números 6:22

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Escrever

Escrever livremente é experimentar um momento de doçura que em silêncio transformamos em palavras. Esté é um momento profundamente singular e magicamente passível de concretude - expresso de desvendado - da nossa poesia oculta.

Da gente que eu gosto

Eu gosto de gente que vibra, que não tem que ser empurrada, que não tem de dizer que faça as coisas, mas que sabe o que tem que fazer e que faz.
De gente que cultiva seus sonhos até que esses sonhos se apoderam de sua própria realidade.
Eu gosto de gente com capacidade para assumir as consequências de suas ações, de gente que arisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho que se permite, abandona os conselhos sensatos deixando as soluções nas mãos de Deus.
Gosto de gente que é justa com sua gente e consigo mesma, da gente que agradece um novo dia, as coisas boas que existem em sua vida, que vive cada hora com bom ânimo dando o melhor de si, agradecido por estar vivo e de poder retribuir sorrisos. De oferecer suas mãos e agradecer generosamente sem esperar nada em troca.
Eu gosto de gente capaz de me criticar construtivamente e de frente, mas sem me lastimar ou me ferir. De gente que tem tato.
Gosto de gente que possui senso de justiça.
A estes chamo de meus amigos!
Gosto de gente que nos contamina com seu bom humor, sua alegria, sua energia.
Gosto de gente sincera e franca, capaz de se opor com argumentos razoáveis a qualquer decisão. Gosto de gente fiel e persistente, que não descansa quando se trata de alcançar objetivos e idéias.
Me encanta a gente de critério, a que não se envergonha em reconhecer que se equivocou ou não sabe de algo.
De gente que ao aceitar seus erros, se esforça genuinamente por não voltar a cometê-los. De gente que luta contra adversários.
Gosto de gente que busca soluções.
Gosto de gente que pensa e medita internamente. De gente que valoriza seus semelhantes, não por um estereótipo social, nem como se apresentam.
De gente que não julga, nem deixa que os outros julgam. Gosto de gente que tem personalidade.
Me encanta a gente que é capaz de entender que o maior erro do ser humano é tentar arrancar da cabeça aquilo que não sai do coração, a bondade, a coragem, a sensibilidade, o respeito, a tranquilidade, os valores, a alegria, a humildade, a fé, a felicidade, o tato, a confiança, a esperança, o agradecimento, a sabedoria, os sonhos, o arrependimento, e o amor para com os demais e consigo próprio, são coisas fundamentais para se chamar gente.
Com essa gente eu me comprometo, para o que quer que seja, pelo resto de minha vida...já que, por tê-los junto de mim, me dou por bem retribuído.
Impossível ganhar sem saber perder.
Impossível andar sem saber cair.
Impossível acertar sem saber errar.
Impossível viver sem saber reviver.
A glória não consiste em cair nunca, mas em levantar-se todas as vezes que seja necessário.
E isso é algo que muita pouca gente tem o privilégio de poder experimentar.
Bem aventurados aqueles que já conseguiram receber com a mesma naturalidade o ganhar e o perder, o acerto e o erro, o triunfo e a derrota...
Mário Benedetti

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Esperando pelo espírito de Natal mais uma vez!

Mais um Natal se aproxima em nossas vidas. Mais um Ano Velho se despede para dar lugar a mais um Novo Ano. 2010 chega carregado de mudanças e expectativas muito positivas. As mudanças foram se estruturando ao longo de todo 2009 para que finalmente acontecessem no novo ano. Já as expectativas estão diretamente relacionadas às mudanças, pois serão decorrente delas.
Não tracei planos absurdos e nem vou dar grandes guinadas em minha vida, mas a possibilidade de fazer diferente me seduz muito. Eu acho que é isso; a partir de agora posso fazer diferente, aliás sempre pude, mas agora compreendo que estou tomando as rédeas da minha vida. Claro que não tenho o controle total de nada, mas já sou capaz de ver para onde estou indo e ir mudando a direção sempre que quiser. Imagine uma carruagem. Eu sou o cocheiro (profissão do meu bisavô paterno). Tenho em minhas mãos todos aqueles cavalos que seguem rápido, mas sob o meu comando.
É interessante ver que podemos não só fazer diferente. Hoje posso ver e sentir para onde caminha a minha vida. Há tempos sei que sou capaz de sobreviver nesse mundo muito louco, aconteça o que acontecer. Pode parecer arrogante falar assim, mas é como sinto agora. Já sobrevivi corajosamente à situações e pessoas difíceis e um dia terei que sobreviver à ausência daquelas que mais amo na vida, e em nome desse amor incondicional partilhado, serei forte o suficiente para suportar essas grandes perdas e continuar vivendo. Farei isso em respeito a tudo que fizeram por mim.
Pode parecer que estou melancólico com a proximidade do Natal, mas não estou. Esse é um período mágico de encontros, onde as diferenças passam a contar pouco para mim. É um período de braços abertos e muitos beijos. As demonstrações de carinho tornam-se mais intensas, ou pelo menos deveriam ser e se estender por todo ano que vai chegando devagarzinho. Pouco importa se quem eu abraçar não partilha a mesma emoção que eu. O que vale é o que eu sinto e que me faz bem.
Não existe nenhum impecílio para que sejamos felizes. A felicidade não é um sentimento que se esconde em cada esquina. Não pode ser comprada como um presente. Ela é um estado de espírito que vai se conquistando lentamente. Por isso, nesta época do ano não entro nessa roda-viva consumista e desesperada em que boa parte da população vive.
Por que preciso deixar para resolver a minha vida nas quatro últimas semanas do ano? Preciso sair atropelando a tudo e a todos para fazer tudo o que deixei de fazer ao longo de todo ano?
Por que uma ceia de Natal precisa ser uma orgia gastronômica, daquelas de deixar um saldo culposo de calorias? É assim que encontramos a felicidade?
O que precisamos é relembrar do significado do Natal em nossas vidas. Colocar em prática minimamente o que o aniversariante fez, não trará mal nenhum.
Não tenho nada contra a troca de presentes ou me sentar em uma mesa lindamente decorada e com pratos deliciosos. O que me angustia é o desperdício de alimentos e a escassez da fraternidade entre as pessoas. Pouco importa se vou sair da mesa com fome, aliás, até prefiro. Mas é triste ver no que uma celebração tão especial vem se transformando.
Já preparei algumas ceias de Natal em minha casa e por mais que procurasse receber bem meus convidados em meu pequeno palácio, sempre ficava faltando alguma coisa. Por isso, decidi adiar as ceias temporariamente. Preciso fazer uma reestruturação.
Respeito as diferenças humanas, mas não sou hipócrita de dizer que não me importo com elas. Em certos casos, quero que a convivência com certas pessoas não dure mais do que algumas horas. Não me sinto separado da humanidade, mas preciso me cercar de pessoas com as quais me sinta bem, que eu possa conversar relaxadamente e confiar meus sentimentos. Chegando próximo dos 50 anos, o que me interessa é a qualidade e não mais a quantidade. É chato ficar discutindo assuntos tolos o tempo todo, por isso na minha condição de provocador, sempre que posso, puxo o assunto para temas mais profundos. Mas não costumo usar essa estratégia com tanta frequência. Muitas vezes, fiquei falando sozinho, pois ninguém queria ser transparente como eu estava sendo. Hoje, quando o assunto se torna enfadonho, despeço-me e vou para casa. Pior é constatar que tenho feito isso cada vez mais.
Dia desses contabilizei quantos amigos verdadeiros eu tenho. Acho que não ultrapassaram 8 de meus 10 dedos das mãos. E o mundo tem 6,5 bilhões de habitantes! Vejo que somos todos muito solitários!
Amizades precisam ser construídas, podendo levar muitos anos ou bastando apenas algumas semanas para se formalizem. Mas podem sucumbir em segundos se não forem bem sólidas.
Lembro-me que já escrevi sobre Natal em um post neste blog. Eu revivia lembranças da infância que me fizeram chorar na frente do meu PC, agora posso confessar...
O meu Natal de 2009 está mais racional e seletivo, mas nem por isso, menos festivo, esperançoso e profundo. Vou atrás de olhos que possam dividir comigo uma secreta cumplicidade na data mais importante do ano. Vou acertar meu passo com aqueles que já trilham o mesmo caminho que eu, e acima de tudo pedir a Deus que possa tocar os corações daqueles que ainda terão muito que caminhar. Quem sabe poderemos nos (re)encontrar um dia. Eu estarei esperando e tomara que seja de braços abertos.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Um dia você aprende que...

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as sua estradas hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você é na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar os amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida, são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pois pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que você pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde vai, qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem os dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que a maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que quanto aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que se possa voltar para trás.
Portanto, plante seu jardim e decore a sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar...que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.
William Shakespeare

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Relaxamento e hérnias de disco

Não me falta coragem para escrever aqui. Essa coragem não me torna especial, mas me faz sentir liberto de apegos e pesos desnecessários. Escrever me confronta com minhas limitações e desafios que precisam ser superados. Ao fim sempre que consigo uma resposta objetiva.
Antes de escrever converso muito comigo. Isso significa que falo sozinho, medito sozinho, mas não sou capaz de dar conta de tudo sozinho. Por isso trilho um caminho espiritual - CAFH (www.cafh.org) - que vai de encontro ao que sempre busquei.
Precisava descobrir todo o meu potencial, descortinar todas as verdades que eram fundamentais para assim dar uma qualidade e um sentido mais amplo para minha vida. Precisava aprender com as experiências eficientemente, resgatar prazeres que foram se perdendo com o tempo, tornar-me mais participativo do mundo que estou inserido e construir um futuro melhor, não para estar pronto para o fim, mas para garantir muitos recomeços que envolveriam tudo e todos ao redor.
Venho criando dentro de mim valores de pertencimento ao mundo. Não posso imaginar como estarei no futuro, mas espero estar bem mais resolvido espiritualmente.
Sempre fui um homem temente a Deus. Nunca tive medo de Deus, assim como os pecados não me empurravam para as torturantes culpas. Como disse meu sogro um dia: "O Deus que creio é poderoso". E posso dizer mais, "o Deus que cremos além de poderoso, é misericordioso".
Apesar de minha formação católica, certos dogmas não foram bem digeridos. Nunca achei justo fazer promessas. Me soava como uma barganha sem sentido e desnecessária.
Nunca pedi unicamente a Deus por mim. Sempre que me colocava de joelhos, acabava pedindo por muitas pessoas e ao fim, para não cometer injustiças decorrentes de esquecimentos, pedia para toda a humanidade. Faço assim até hoje.
Tenho vivido de forma mais arejada. Os excessos emocionais diante dos acontecimentos, como disse em meu último e difícil post, estão cada vez menores, o que me permite aprimorar minha percepção.
Tenho delegado poderes e submetendo-me às minhas limitações físicas. Já sinto a idade chegando devagar e apesar de minha sanidade, não preciso realizar grandes projetos a partir de agora e nem impor um ritmo frenético para minhas realizações.
Passei hoje uma noite em claro. Não tive pesadelos, mas sentia muitas dores no pescoço. Rendido pela dor, sai de madrugada em busca de uma emergência de hospital. Apesar do termo emergência, levei horas para ter o meu diagnóstico: ganhei duas hérnias de disco (região cervical) e antes que acabe como o Corcunda de Notre Dame, tenho que me cuidar!
Recebi a notícia sem muito espanto, considerando que ainda abuso de meu corpo. Gosto de carregar pesos de todo tipo: minha filha, sacas de compras, galões de água, bolsas pesadas de feira, pastas cheias de provas etc.
Não sei o que se passa comigo nesses momentos, mas qualquer tipo de trabalho braçal me relaxa! E qual foi o resultado? Vou ter que buscar outras estratégias de relaxamento!
Mas agora, vou dar a mais atenção aos limites de meu corpo. Não quero que ele se transforme em um peso e que atrapalhe o que ainda tenho que fazer.
Tenho feitos planos, muitos planos. Tenho tudo organizado aqui em minha cabeça. Sei que posso conduzí-los até o final, mas a dificuldade que tenho é de dar sempre o primeiro passo. Uma vez que decido dar um, não dá mais para parar, não dá mais para ser o que era.
Por isso, que o aprendizado espiritual em mais de 15 anos de caminhada me instrumentaliza tão bem. Tenho vivido melhor comigo mesmo e a força divina em minha vida, está cada vez mais presente.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Amanhã, vai ser outro dia

Acordei com o gosto amargo das lembranças na alma. Tive pesadelos que me fizeram recordar o quanto foi e é difícil a relação com algumas pessoas em minha vida. Assim comecei o dia, recordando o quanto as experiências dolorosas me marcaram. Não me tornei pior por conta delas, mas tornei-me aparentemente cético quanto ao resgate de muitas relações pessoais.
Reconheço que a vida colocou em meu caminho pessoas de difícil convivência. Mas não compreendo ainda o verdadeiro significado desse desafio. Como pode ser possível continuar amando e respeitando a quem te fere por toda uma vida? Como compreender que uma longa amizade possa ser pulverizada em minutos? Mistérios sem explicação aparente.
A vida sempre me fez acreditar em mudanças. Elas significavam superação, aprendizado e evolução. Assim, fiz o que pude para superar barreiras. Abri meu coração, mostrei o que sou sem reservas, provei com palavras e atitudes o quanto seria capaz de fazer para resolver diferenças e melhorar o convívio. Sempre me fiz presente nos momentos delicados e pronto, de braços abertos, para acolher e encarar qualquer desafio. Palavras de incentivo e apoio sempre existiam. É assim que ajo quando amo.
Nossas vidas foram unidas por poderosos laços diante das muitas experiências que partilhamos com uma coragem assustadora. Temos uma convivência que já dura décadas, uma cumplicidade real e ao fim, as diferenças acabaram falando mais alto. Elas cresceram com o tempo, e hoje, esvaziaram de significado o que eu sempre me orgulhei de sentir.
Já me senti culpado, fracassado e triste um dia. Vasculhei o passado para ver o que havia perdido e o que podia ser feito para acertar o passo e me corrigir. Achei e estou mudando.
Parecia que meu esforço, cumplicidade e dedicação não surtiam efeito. Fiz o que muitos filhos jamais fariam nessas circunstâncias. Nunca esperei retribuição formal aos meus atos, mas nunca aceitei o desrespeito ao meu verdadeiro esforço. Essa é a minha maior limitação: eu não aceito ser desrespeitado. Por isso, ao ser desrespeitado me afasto pois é muito difícil aceitar as limitações das pessoas que amo diante de toda minha cumplicidade e amor. Pior ainda é reconhecer o quanto o meu orgulho "ressentido e injustiçado" pode ser impiedoso. Esperar reconhecimento de estranhos é uma atitude imatura, mas das pessoas que amamos, é natural. Hoje administro melhor minhas expectativas e aceito as limitações alheias.
Se não posso ter as pessoas do jeito que sempre desejei, de ter as relações que sempre sonhei, de mudar as pessoas que sempre convivi, mudo eu a partir de agora. Não mudo mais em função do outro, mas em função do que SOU verdadeiramente! Quero ser melhor e dignificar ainda mais a minha vida. Mas nunca me sentirei melhor do que ninguém.
Hoje me orgulho muito do que fiz, pois acertei mais que errei. Eu seria capaz de fazer tudo de novo e certamente faria melhor com a cabeça que tenho hoje. Seria bem menos passional diante dos acontecimentos.
Nesses tempos passados, por mais difíceis que fossem, enchiam de significado minha vida e fortaleciam a crença de que tudo seria melhor no futuro.
Sempre soube que a convivência humana é difícil, mas a sensação de frustração apareceu em meus sonhos, em uma noite passada. Não sou mais um adolescente cheio de planos pronto para concretizá-los, mas gostaria que a história fosse diferente. Se existe um amor, que nunca deixou de existir, por que ele não consegue falar mais alto?
Reconheço minhas limitações para conviver com muitas pessoas. Não tenho culpa sobre as frustrações alheias. Mas eu ainda continuo acreditando em meus sonhos, de ter ao meu lado, a pessoa que tão bem conheço e que é tão diferente de mim. Sinto com a distância física e emocional, como se fosse um vazio que precisa ser preenchido. Mas excepcionalmente hoje, sinto um triste desânimo.
Não gosto de olhar para trás. Minha prioridade são meus pensamentos de agora e o que vivo no presente. Mas hoje está sendo diferente.
Mas se o futuro não for como acredito, não me sentirei frustrado. Não me sinto derrotado. Eu sempre fiz o melhor que pude. E sabe o que me acalenta? Não existe a menor sombra de arrependimento dentro de mim. Essa é uma das maiores conquistas em quase cinco décadas de vida. Hoje é um dia em que os pesadelos noturnos me fizeram desacreditar em meus sonhos.
Por sorte eu só vivo isso um único dia e uma vez por ano. "Amanhã, vai ser outro dia!"

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Desaparição

Tenho refletido muito sobre a simplicidade do viver. Descubro através de minhas reflexões o quanto e o que preciso realmente para viver a partir de agora. Isso não é uma questão de lógica ou matemática, mas de bom senso refinado, amadurecido e ecologicamente correto.
Na semana passada tomei conhecimento do significado do termo desaparição pessoal. Fiquei perplexo ao saber que meus pensamentos e atitudes estão convergindo para um caminho que me levará à desaparição!
Já havia pensado também no quanto tenho parecido fraco para muitas pessoas.
Há muitos anos não espero mais o reconhecimento de ninguém, não preciso exibir meus talentos verdadeiros, pois sempre fluíram naturalmente. Meus conhecimentos são grandes, mas felizmente humanos e limitados.
Quero uma vida tranquila e confortável para mim e minha família, sem excessos materiais. E o que mais incomoda para alguns que convivem comigo: estou resguardando minhas opiniões.
Ouço mais e falo cada vez menos. Descobri que ao ser seletivo nesses casos, tenho evitado um gasto desnecessário de energias, poupando-me. Tenho preferido observar atentamente.
Isso não significa que estarei omisso diante de injustiças ou arbitrariedades, mas elas terão que "calar fundo" para que eu me manifeste. E mesmo assim, não serão capazes de me desestabilizar emocionalmente.
Se busco um equilíbrio contínuo, tenho que ir ao encontro de experiências que me acrescentarão qualidade em minha vida. Esse é o grande diferencial! Eu sei com objetividade o que quero e o que não quero da vida.
Dar opiniões e sustentar pontos de vista vai ficando cada vez mais difícil. É como se soubesse que ao me impor ao mundo assim, não estarei contribuindo com nada. Hoje só me aventuro se o ouvinte me solicitar e se eu o conhecer bem. Mas deixo claro que é apenas uma sugestão e que posso até mesmo estar errado.
Quanto às idéias também estão passando por esse processo. Nada mais pior do que ter idéias fixas que escravizam e que com o tempo perdem o sentido e propósito.
Muitas pessoas interpretam como fraqueza, mas eu conquistei o direito de adaptar meus conceitos e pontos de vista à medida que vou vivendo. Não há mais espaço para opiniões cristalizadas e definitivas.
Tornei-me flexível, mas não a ponto de partir. Atuo como um bambu diante de um vendaval, vergo, estalo, mas não parto.
Ter opiniões "flex" é diferente de não ter opinião alguma. Quando opino mostro o que penso e o que sou, sendo assim, não tenho qualquer receio de me colocar aqui ou em qualquer lugar, bastando apenas agir com transparência e sinceridade, o que é simples. Não tenho que concordar com tudo, como não preciso ter a aprovação de todos. Faço questão de deixar isso claro para mim mesmo o tempo todo.
Com o tempo, acho que estou investindo em minha desaparição. Mas se irei conseguir...


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Sou um professor: fiz a escolha certa

Tenho passado por muitas transformações. A maioria vem de dentro para fora e por isso são irreversíveis, pois decorrem de um aprendizado pessoal. Isso quer dizer que se aprendi, não esquecerei mais. Outras, acontecem de fora para dentro e decorrem da convivência com o mundo e com as pessoas, nem sempre acontecendo de forma harmônica. O aprendizado nessas situações é menos sutil, mas é o gatilho que traz à tona as transformações internas.
Tenho aproveitado o momento muito fértil de minha vida para simplificá-la, reduzi-la a uma equação simples, mas de resultado concreto.
Tenho questionado meus apegos materiais e emocionais. Por que preciso de tantos apegos? É realmente necessário me apegar às pessoas, mesmo sabendo que logo depois poderei estar longe delas por muitos motivos?
Percebo há tempos que não posso ter todas as pessoas que amo sempre próximas, pois cada uma delas tem seu próprio caminho. Quantas pessoas já deixei de conviver na vida? E quantas ainda irei conhecer e descobrir? Será que me é fundamental sustentar um patrimônio de carências emocionais e necessidades artificiais? Mas o que me faz repensar tudo isso? Quero uma vida sem apegos e trabalho para conseguir esse objetivo. Não deixarei de amar quem amo e sempre amei, assim com como estou pronto para amar novas pessoas. Porém, darei autonomia a mim mesmo para viver liberto de sentimentos que me causam aflições desnecessárias e posses impossíveis. Amar com qualidade é deixar liberto o instrumento do nosso amor.
Ao simplificar minha vida, aparo arestas em tolos hábitos e avalio o que é fundamental de fato para ir de encontro aos meus anseios e necessidades verdadeiras.
Trocando em miúdos. Por que tenho que seguir um estilo possessivo de ser? Não há mais necessidade de provar nada a ninguém.
Dias desses recebi uma proposta de trabalho. O argumento usado foi: Você atua tão bem e há tanto tempo que não seria justo colocá-lo unicamente na posição de "professor"!
Na hora ficou claro que o argumento não servia para mim. Agradeci e disse que voltar a ser unicamente professor depois de 25 anos de magistério, decorreu de uma escolha pessoal e amadurecida. Disse-lhe, com uma grande certeza, que este era o momento de resgatar o prazer de lecionar, e que nenhuma outra função seria capaz de me proporcionar tal prazer, por maior que fosse o salário e o status embutido nele.
Também coloquei que tenho compromissos familiares e que gostaria viver o meu futuro, o mais discreto possível, tornando-me quase invisível em muitas situações.
Sinto que já dei a minha colaboração, o meu sangue pelo prazer de lecionar Geografia, mas os tempos são outros assim como as novas prioridades que tracei.
Quando os argumentos são fortes e verdadeiros, colocam fim a qualquer proposta, por mais sedutora que venha a ser.
Saí secretamente envaidecido, mas certo que a vaidade nunca teve espaço dentro de mim, assim como o exibicionismo exagerado, que esconde grandes inseguranças. Em silêncio e calmamente me dirigi para casa.
Ao chegar fui recebido por minha filha e esposa, certo de que fiz a escolha acertada.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Palavras de Pascal

Não há nada mais insuportável para o homem do que estar completamente ocioso, sem paixões, ocupações ou leitura. Ele sente que não é nada, é só, inadequado, dependente e vazio. E na mesma hora brota, do fundo do seu coração o tédio, o desânimo, a tristeza, a raiva, o desespero, a aflição...
A grandeza do homem repousa na consciência de ser miserável. Uma vez reconhecido o vazio interior, cria-se um vácuo em que Deus pode entrar. Esse abismo infinito só pode ser preenchido por algo infinito e imutável, ou seja "Deus".

domingo, 27 de setembro de 2009

Viver como exercício de eternidade

Gosto das crônicas pela ligação fácil com o meu viver.
Não conseguiria escrever poesias, pois minha alma é demasiadamente prática e pouco romântica. Gosto de romance, das paixões, mas não a ponto de perder o controle sobre meus pensamentos, sentimentos e desejos. Não escrevo poesias por ser incapaz de viver para sonhar, mas sonho para viver. Me falta um elemento dramático e desestruturador para poder mergulhar em uma poesia. Deve ser por isso que gosto de Manuel Bandeira. Poesias exigem um desprendimento e uma coragem enormes de quem as coloca no papel.
E quando todos os sentimentos básicos nos parecem irreconhecíveis de uma hora para outra?
Por vezes passo por períodos de aridez em minha vida. A cada ano percebo que duram menos, pois sempre vou direto ao que desencadeou tal aridez. Estou muito sintonizado nos impactos que a vida produz a minha pessoa. Assim, antes de tudo, reconheço-me como ser humano e flexibizo-me para absorver os impactos e não permitir que paralisem minha vida.
Uma vez dentro desse "estado de aridez", há uma escassez de palavras para se expressar com clareza, os sentimentos parecem estar adormecidos, as pessoas se transformam em incógnitas, os desafios se apresentam intransponíveis, os dias chuvosos parecem durar uma eternidade e o que é pior, nos sentimos extremamente sós. Em alguns casos, as palavras podem ferir muito, não por serem duras, mas pela dolorosa sensibilidade. Da mesma forma, que o silêncio do outro pode significar indiferença e desamor, como se fosse um punhal nos atravessando lentamente.

Todos nós já experimentamos esses momentos e não há qualquer razão para não deixar claro aos que estão próximos o que estamos vivenciando. Por que não buscar apoio entre aqueles que sabemos que sempre estarão de braços abertos para nos acolher? Nem todas as pessoas estão preparadas para "ver" que se passa dentro de nosso coração. Por isso, abra-se com coragem. Não há o que temer ou perder, mas seja criterioso na escolha, pois são poucas as pessoas merecedoras de confiança.

Acolher é tão bom como ser acolhido. Confiar é tão bom quanto ser de confiança. Amar é tão bom como ser amado. Não existe uma explicação, mas da mesma forma que a aridez chegou ela se vai. O que nos deixou de aprendizado? Que não podemos viver sós, que não dá para negar nossos sentimentos mais autênticos, que pedir ajuda não é sinal de fraqueza e que chorar faz um bem enorme para a alma nessas horas, principalmente nos braços daqueles que nos amam e nos conhecem tão bem. Mas o melhor é que sairemos dessa, melhores e fortalecidos para quando novos períodos de aridez emergirem. Não é preocupante a tristeza momentânea diante da vida, mas é perigoso quando não conseguimos nos libertar dela.

É bom dividir com o mundo todo, tudo o que sentimos. Melhor ainda é reconhecer que somos humanos, sem excessões, e o que escrevo aqui me identifica com você que está lendo agora e por sua vez, nos identifica com toda a humanidade. É por isso que viver sempre será um exercício de eternidade.


domingo, 20 de setembro de 2009

Nossa missão é simples e única!

Não estamos sós ao trilhar um caminho espiritual. Além da presença divina que nos acompanha desde sempre, é reconfortante saber que somamos muitas pessoas. Pouco importa quem são, o que fazem ou onde vivem. Fazemos parte da humanidade.
Muitas pessoas percebem o quanto tenho me transformado. Minhas atitudes agora refletem meus pensamentos, e por isso sinto-me melhor e pacificado em boa parte do tempo.
Não deixei de ser humano, mas agora aprecio ser uma honrosa exceção que somada a tantas outras já percebem o quanto podem contribuir com suas pequenas vidas.
Somos aqueles que continuam encontrando grandes e poderosos motivos para viver.
Somos os que se esforçam para serem melhores, mas nunca superiores.
Somos aqueles que não deixarão de ter esperança em um mundo melhor e justo.
Somos os que lutam para romper hábitos antigos e criar novos que resgatem o verdadeiro sentido da vida, o amor.
Somos aqueles que acima de qualquer circunstância preferimos acreditar do que duvidar.
Pode parecer utópico escrever sobre esperança e transformação diante da complexidade do ser humano, mas pior seria se nada fizéssemos diante do que se passa aos nossos olhos, se acreditássemos ser normal o silêncio e a omissão diante da vida.
Como poderíamos deixar de ser capazes de aprender com os desafios diários?
Existem muitos propósitos para serem cumpridos e não posso perder os que me cabem de vista. Seria negar o meu destino, a missão que recebi de Deus. Essa missão vai ficando clara à medida que cresço espiritualmente. É simples e única.
Sempre questionei o quanto a separatividade é prejudicial ao homem. Todos temos diferentes caminhos de realização espiritual. Todos nós guardamos no coração uma centelha que pode dignificar a vida dando-lhe um sentido mais amplo.
Não dá para continuar classificando os homens e mulheres em bons ou maus, cultos ou analfabetos, saudáveis ou doentes, tementes ou ateus. Essa estratégia divide a sociedade quando o que precisamos é somar idéias, pensamentos e ações.
Respeite o próximo não pelo o que ele tem em comum com você, mas no que difere. Tenho me esforçado para exercitar essa atitude em minha vida, mas reconheço que não é fácil. Não estou aqui para avaliar ninguém a não ser eu mesmo, inserido e integrado no corpo da humanidade. Tenho ainda muito o que realizar, e coragem não me faltará, pois não estou só.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Não há o que temer

Quatro de setembro. O mês de setembro mal começou e já sinto as ondas desafiadoras se aproximando. Mesmo que não me atinjam diretamente, vejo o quanto podem afetar pessoas que como eu, encontram-se mais vulneráveis agora.
Dei-me conta que agradeço sempre a Deus e peço pouco, muito pouco. Mais uma vez sinto meu orgulho se manifestando, não deixando espaço que a humildade prevaleça nas horas difíceis. Não faço promessas a Deus. Isso me parece uma barganha horrível.
Faço poucos pedidos por crer que posso dar conta de tudo. As vezes tenho a sensação que pedir em demasia pode parecer fraqueza, mas Deus é muito mais do que eu. Não há como não reconhecer o seu poder diante de tudo e todos. Mas é doloroso reconhecer-se pequeno quando o orgulho está presente. Preciso domar com mais firmeza este meu orgulho!
É uma presunção ridícula. É preciso humildade para aprender a pedir.
Nos últimos dias pedi muito a Deus pelo que teria que enfrentar. A experiência foi ontem e meus pedidos foram atendidos! O que mais me surpreende é que ainda não acredito que terei respostas aos meus pedidos e Deus sempre me responde de uma forma avassaladora, superando em muito as minhas mais otimistas expectativas. Foi assim quando pedi a Ele por minha mãe e filha.
Lembro-me das vezes que fiz meus pedidos com os olhos nas estrelas, durante as noites de verão da janela de meu quarto.
A intensidade dos meus pedidos me davam a impressão que eles seriam capazes de abrir um caminho entre as estrelas e chegar até Deus. E quando a Lua brilhante, em suas variadas formas estava presente, meus pedidos feitos em silêncio podiam contar com sua brilhante cumplicidade. Ao final, colocava-me nas mãos do Criador, seja qual fosse a resposta. Não me pergunte como, mas sabia que tinha sido ouvido.
As respostas chegaram no tempo certo. Surgiam aos poucos. Eu não poderia ter tudo ao mesmo tempo. Mas chegaram e continuam chegando, bastando apenas pedir e aguardar com paciência.
Essa presença divina enorme que nos acompanha nunca deixará de existir. Mas é preciso se colocar integralmente nas preces e pedidos. Abrir o coração e confiar em dias melhores, por mais que tudo pareça ameaçador ao nosso redor. Se o cúmplice maior está ao nosso lado, não há o que temer.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Flores e cheiros

O mês de setembro sempre foi decisivo para mim. É em setembro que sou impelido a resolver pendências em minha vida e que me afetam profundamente. No trabalho confronto-me com situações que procurei evitar durante o ano anterior. Sou levado a me posicionar objetivamente, o que nem sempre é compreendido. Crio inimizades facilmente e sinto-me por vezes fragilizado e por outras, extremamente determinado.
Setembro é o mês das sabiás que cantam ao amanhecer ruidosamente, quase sempre me despertando. É um mês de lágrimas intensas, pois volto o meu olhar para mim mesmo e confronto-me com minhas limitações e dificuldades.
Setembro aparece envolto em flores coloridas. O ar ganha um cheiro único e sempre recordo minha infância que foi muito feliz.
Mas não posso mais viver o que já foi vivido. Hoje sinto em minha vida adulta o quanto foi importante ter uma infância de verdade!
Faço uma pausa e olho através da janela. Vejo uma lua cheia saindo atrás das árvores. O dia já se despede.
Foi um dia daqueles. Consegui realizar tudo que havia planejado. Situações que já poderia ter resolvido há tempos, foram resolvidas em poucos minutos. Por que esperei até agora?
O mês de setembro me traz a lembrança, emoções poderosas e profundas.
A minha percepção fica mais apurada e preciso ter cuidados para não sofrer as dores que não sejam minhas.
As orações e meditações diárias ficam mais fortes, assim como a certeza de um propósito maior para mim. Não sei de onde saíram minhas certezas e dúvidas. Não sei o que querem ao me colocar contra a parede em um mês tão romântico e cheiroso. Mas estou certo que sairei fortalecido e certo que fiz o que deveria ter feito, por mais difícil e doloroso que fosse.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Silêncio diante do delírio alheio

Sair um pouco da rotina diária faz bem aos olhos. Foi o que andei fazendo recentemente, deixando até mesmo de estar presente com minhas idéias neste blog.
Mas agora que voltei ao mundo dos "normais", trago impressões curiosas de um mundo que seguramente não faço parte. O mundo onde o oportunismo e a arrogância se manifestam de muitas formas, todas elas chocantes e absurdas. O que sempre está em jogo é um delírio de poder e manipulação das pessoas.
Mais uma vez fiquei em silêncio diante das situações, mas longe de ser conivente, observava com perplexidade a exposição de arbitrariedades. Ficou latente para mim que não posso viver em um mundo como esse. Mas calma, eu não estava em um "campo de concentração", apesar do relativo isolamento. Não estava convivendo com lobos, mas algumas ovelhas viviam a mostrar seus longos dentes.
Estou escrevendo sobre seres humanos e suas mazelas. Ninguém é 100% bom ou ruim. Mas me surpreende a atitude humana na maioria das vezes, seja para o bem ou para o mal.
Mas não estou aqui para fazer acusações ou críticas. Estou aqui muito feliz em constatar que não pertenço a esse mundo que explode em egoísmos e vaidades. Estou mais feliz por não compactuar com os perdidos. Mas uma vez me orgulho de ser excessão. Sei reconhecer meus limites com humildade, mas estou preparado para aprender sempre.
Vivi dias intensos que serviram apenas para confirmar o que sempre soube: que não estou só em meu caminho.
Admiro ainda mais quem já admirava. Amo ainda mais quem muito amava.
Se tenho a quem agradecer, terei toda minha vida a Ele agradecer.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Ahhhhh! Que felicidade!

Para os orientais é um estado de contemplação absoluta diante da vida. Um momento especial, quando sentimos a presença de Deus e seus propósitos.
Já os ocidentais, sentem a felicidade quando demonstram afeto e amor ao próximo. É um amor espontâneo e incondicional, sem limites, reservas ou cobranças. Apesar dos conceitos parecerem diferentes eles se complementam. Demonstrações de amor nos aproximam do dom maior recebemos de DEUS: a capacidade de amar.
Quando percebemos isso em nossas vidas passamos a sentir e a reconhecer a presença divina dentro de nós.
Essa atitude nos dá um olhar mais sensível diante do mundo e todos ao nosso redor.
Escritores, cientistas, religiosos, homens comuns já tentaram encontrar uma definição para a felicidade. Todas essas versões se reunidas, podem mostrar o quanto é amplo e diferenciado o significado da felicidade ao longo de uma vida e ao da história da humanidade.
Correr atrás da felicidade é sair perdendo de imediato. Ela não se esconde por aí como muitos pensam. Ela precisa ser construída aos poucos, ao longo de uma vida inteira. E para que possamos usufruir desses momentos felizes, temos que nos defrontar com outros sentimentos não tão nobres.
Eu acredito que o que me torna feliz hoje, pode não me fazer feliz amanhã. À medida que vivo, vou agregando qualidade ao meu viver. Isso inclui envolver-me em pensamentos e ações coerentes que me completem e sejam capazes de ampliar as chances de viver mais intensamente os momentos de felicidade. Não tenho a pretensão de viver 24 horas feliz. Acho que acabaria entediado e enrugado.
Eu creio que o diferencial não está em buscar a felicidade, mas procurar prolongar ao máximo a sensação de felicidade quando ela acontece, identificando os fatores que a trouxeram. Essa estratégia é viável e possível para qualquer um.
Uma boa sugestão é substituir as lembranças desagradáveis por lembranças felizes. Por que é fácil recordar a dor? Porque estamos presentes. E por que esquecemos os momentos felizes? Porque a maioria crê que a felicidade independe de nós mesmos.
Aproveite a vida e contabilize as experiências legais, repletas de significado que nos deparamos diariamente. Seja generoso, agradecido e compartilhe esses sentimentos!
Estou perdendo as minhas mágoas. Não consigo mais me lembrar em que gaveta ou arquivo guardei a maioria delas. É como se eu as tivesse guardado tão bem, que agora não consigo mais encontrá-las. Longe de me desesperar, vejo que é possível viver sem elas e mais feliz.
Estou esquecendo, aprendendo a perdoar e me liberando de um peso que não me faz nenhum bem. Olho com compaixão (um sentimento novo para mim) a todos que me magoaram e sinto-me renovado diante da mudança que se processa em minha alma.


sexta-feira, 24 de julho de 2009

Bem feito!

Passei uma manhã divertida. Dei boas gargalhadas como há tempos não fazia. Cheguei até a chorar e sentir dor de barriga. Não pense que assisti uma comédia ou fiquei ouvindo boas piadas. Na verdade, fui assumir a primeira multa de trânsito depois de 21 anos ao volante.
Parei dia desses na única vaga disponível, próximo da feira que costumo fazer quase todos os sábados. A placa indicava que era exclusiva para deficiente físico. Mas mesmo assim, decidi parar, contrariando as leis de trânsito, cidadania e bom senso. Resultado, tomei uma merecida multa. Foi uma infração leve e acho que dois ou três pontos na carteira.
Ao chegar de volta ao carro, carregando duas enormes sacas cheias de frutas, verduras e legumes, não acreditei. Eu havia sido multado. Quando pensei em esbravejar, pensei duas vezes e lembrei-me do que falo para minha filha, quando se nega a me ouvir: BEM FEITO!
Guardei as compras na mala, tirei envergonhado a multa do vidro dianteiro e fui para casa.
Após alguns dias, chegou a multa no nome da minha esposa! Esclareci o mau entendido, tirei dela a responsabilidade da multa e lá fui eu assistir aulas no Detran, expurgando e assumindo o meu erro.
Cheguei pontualmente às 9:00 horas e lá fiquei com mais 15 infratores-pecadores. Eram jovens, adultos e idosos. A professora extremamente simpática e segura, apontou falhas comuns dos motoristas. Colocou o quanto padece por ser uma mulher ao volante, nos deixando muito a vontade para que cada um pudesse relatar suas dificuldades pessoais na direção.
Nos abrimos com muita sinceridade diante dos fatos. Por que negar o óbvio? Estávamos todos ali para aprender ou reaprender, como queira. Os depoimentos convergiram para um ponto comum: por que os pedestres não são orientados pelos guardas de trânsito para agirem com maior responsabilidade e segurança? Discutimos sobre o cáos dos transportes urbanos, do descontrole emocional diante do acelerador, da agressividade latente em cada um de nós, dentre outras.
Fomos colocados em dupla, frente a frente e recebemos um papel com conceitos que deveriam ser empregados no dia-a-dia do trânsito, por exemplo: bom senso, paciência, empatia, equilíbrio, etc. Depois cada dupla se posicionava. As colocações foram excelentes. Aprendi pois validei a todos que estavam ali. Mas quando a dupla do equilíbrio se manifestou, foram demais! A dupla explodiu literalmente. Assumiram seu desequilíbrio e falaram tudo que faziam no trânsito há anos com uma coragem e tanto. Morremos de rir, rimos muito, pois todos secretamente gostariam de ter feito o que fizeram. Não colocaram a vida de ninguém em risco (pelo menos foi o que me pareceu), mas aquela de meter a mão na buzina da Scania para acordar a idosa que distraidamente atravessava a rua foi demais! Pior foi ouvir que a senhora usou um dedo apenas para revidar, chamando para a briga. Ainda teve o caso da pedestre que esculhambou o filho motoqueiro sem reconhece-lo por causa do capacete, etc.
Foi uma manhã surpreendente, mas posso garantir: nunca mais vou parar na vaga de um deficiente físico. Aliás, eu não preciso mesmo, graças a Deus.

domingo, 19 de julho de 2009

Fragilizei minhas energias

Os últimos dias foram difíceis. Fragilizei minhas energias, o que permitiu que um forte resfriado se estabelecesse. Além disso, fui muito exigido profissionalmente, à medida que as dores e calafrios tomavam o meu corpo. Lutei contra uma letargia perigosa, que aliada ao cansaço do fim de bimestre, por pouco não me derrubou.
Agora o pior já passou. Estou me recuperando fisicamente, mas sinto-me fragilizado emocionalmente. Não sei se de uma hora para outra tornei-me frágil diante da vida ou a vida mostrou-se traiçoeira com suas mazelas, mais forte do que eu. Tenho a sensação evidente que não estou preparado para fazer sacrifícios que esgotem a minha energia vital. Não preciso ficar me justificando para ninguém, a não ser para mim mesmo. Não preciso mostrar-me melhor ou mais preparado que qualquer um. Não preciso ter lido todos os autores mais importantes do momento. Pouco me importa o que estão esperando de mim. Não estou nem um pouco preocupado em ser reconhecido pelo meu empenho, pois já me reconheço. Não me satisfaz viver dessa forma, mas fui levado nos últimos dias a testar meus limites físicos e olha, foi uma experiência que não quero viver mais, nunca mais.
Já tenho uma vida com propósitos bem maiores! Tenho uma vida cheia de pequenos milagres, que se forem somados, deixam claro o quanto é forte o Deus que creio. Agradeço diariamente tudo o que vivi para ser o que sou hoje. Sinto-me capaz em assumir uma postura ativa diante da vida e reconheço o bem que a liberdade de pensar me traz.
Não quero voltar ao passado. Não preciso agir como agia. Não preciso conviver com quem não faz parte do meu mundo. Sinto-me liberto para agir do jeito que quero e penso, para ir de encontro ao que pretendo tornar-me.
Não tenho grandes pretensões materiais de agora em diante, pois voltei meu olhar para minhas ambições espirituais. Sinto que tenho pouco tempo e não irei desperdiçá-lo. Naturalmente não vou sair correndo por ai. O desenvolvimento espiritual a que vou de encontro não acontecerá como o minha evolução material. Ele acontece devagar, com passos lentos, firmes e largos. Você já tentou correr com grandes passadas? Além de ficar esquisito, acabará caindo.
Hoje tive um dia de tristezas. Chorei todas as vezes, mas sei que isso passa rápido. Talvez tenha sido pelo domingo cinzento ou por ter ficado metade do dia sozinho em casa. Meditei e tive uma resposta forte ao que sentia. Agora, mais sereno e tranquilo, apesar de ainda sozinho, avalio com mais coragem o que tenho pela frente.
Fico muito abalado quando percebo a insensatez humana. Me dói comprovar que o vazio emocional de uma criança continua a se ampliar na adolescência, e que outras pessoas ainda não se deram conta do quanto precisam mudar, para o benefício de si próprias e dos outros.
Fiquei pensando, fazendo projeções futuras e fiquei angustiado e sem esperança. Mais uma vez percebo que só posso viver a minha vida. Cada um terá que conviver com seus avanços e retrocessos ao longo da vida, e sobreviver a isso. Por mais que eu quisesse escrever uma nova história para as pessoas que convivo, sei que não posso fazer nada. Ao mesmo tempo, lembro-me dos "dias de trovão" que vivi em minha vida e posso dizer com orgulho: se eu fui capaz de sobreviver, certamente, estes serão. Já plantamos muitas sementes, e estou certo que irão brotar cedo ou tarde, mesmo que não consiga ver a flor e o fruto surgidos daquele pequeno grão.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Este blog é um de meus refúgios.

Estou escrevendo neste blog para mostrar a mim mesmo que estou vivo. Não gosto de misturar o ser humano com o profissional. Reconheço que não posso dissociar-me, mas prefiro me apresentar aqui como Luiz Fernando simplesmente, do que como o Professor.
Por que estou digitando isso? Porque não gostaria de escrever sobre Geografia aqui. Eu vivo o meu trabalho quando estou mergulhado nele. Ele me absorve, me consome e me leva ao êxtase. Sou apaixonado pelo que faço e procuro fazer o melhor que posso. A minha dedicação ao magistério há mais de duas décadas, vem aumentando o meu prazer em ser educador e aprimorando a minha habilidade de conviver com todo tipo de ser humano.
Mas este blog é um dos meus refúgios. Aqui sou capaz de mostrar que sou mais do que um professor engajado e um geógrafo dedicado.
Não sinto necessidade de mostrar ao mundo o que sei como professor e educador. Mas tenho um prazer enorme em relatar o que tenho aprendido na vida e nas salas de aula. Os desafios são verdadeiros aprendizados e o que é melhor, nunca são iguais. Quando penso que já estou preparado para tudo, sou surpreendido pela colocação de um aluno ou das pessoas com quem tenho convivido.
Seria massante escrever num blog pessoal assuntos relacionados à Geografia que tanto amo. Ficaria meio vazio, pois gosto de falar, olhando nos olhos de quem me ouve. Por isso, falo de Geografia na sala de aula, onde posso ser interrompido por perguntas e questionado por minhas posições. Eu dou aula para meus alunos e não para mim mesmo.
Tenho recebido sugestões para desenvolver temas de Geografia aqui, mas não vou fazer, ok?
Estaria "forçando a barra", tornando-me professoral demais, contradizendo a minha condição de aluno que me motivou a abrir este blog. Sem contar que o que escreveria ficaria restrito a poucas pessoas que dominam o tema. Não quero excluir ninguém do que escrevo. Além disso, me sentiria muito só. Gosto de salas cheias de alunos, com um potencial pronto para se manifestar.
Voltando a escrever sobre minhas percepções diárias.
Tenho observado a insegurança e ansiedade presentes em todos nós. Ontem durante a nossa reunião semanal em CAFH, levantamos as razões da ansiedade. Confirmei o que acreditava. Pessoas ansiosas não aprendem com a experiência, por não estarem conscientes do que estão vivendo. Já existe até uma base científica comprovada que esse aprendizado não alcança o cérebro. Cérebros ansiosos são incapazes de aprender.
Pessoas com esse perfil psicológico se sentem incapazes, tornam-se inseguras. Deve ser muito ruim, tropeçar sempre na mesma pedra, cair da mesma forma, ferir-se como sempre e voltar a tropeçar. Consciente ou não dessa "maldição", estão sofrendo melancolicamente.
Decisões tomadas no calor das emoções, no clímax da ansiedade terão uma repercussão ruim. Respire fundo, acalme-se, conte até 100 se for necessário e procure sempre pensar antes agir. Avalie quais são as suas reais prioridades e necessidades. Se puder adiar um decisão por se sentir inseguro, faça. Faça da reflexão uma estratégia, um hábito diário. Eu já passei por poucas e boas e tenho aprendido muito mais do que poderia acreditar. Acredite. A verdadeira estratégia não está em avançar sempre, mas usar de cautela a cada passo em direção ao nosso destino. Nossa missão irá se cumprir à medida que estivermos conscientes dela e de todo potencial que dispomos.

domingo, 14 de junho de 2009

Meu diplomático orgulho!

Sempre senti uma sensação melancólica ao fim de um domingo. Pode estar fazendo frio ou calor. O céu pode estar nublado ou repleto de estrelas, a sensação de incapacidade de reter o tempo é inevitável.
Não posso reter nada e nem ninguém. Se quiser resgatar quem perdi, sei que o movimento deverá ser meu. Não posso pedir a uma pessoa aquilo que ela não está capacitada em me dar ou porque não tem e se tem, mal sabe como usar. A iniciativa deverá ser minha, assim como terei que estar preparado para ser repelido ou aceito.
Tenho meditado sobre o meu orgulho e o seu potencial de separatividade. Ele é tão sutil que me faz crer que não preciso buscar quem um dia se foi, mesmo sabendo que não fui eu o causador da distância. Meu diplomático orgulho me fez acreditar que esse seria o melhor caminho para me poupar dos desafetos alheios. Entrei até em uma comunidade do orkut chamada "a arte de evitar as pessoas"!
É muito desagradável confrontar-me com pessoas que deixaram transparecer o quanto a minha existência se tornou incômoda para elas! Se de repente virei um calo doloroso, a saída foi sair educadamente de sua convivência, afinal de contas, preciso me poupar de aborrecimentos desnecessários, considerando que nem sempre escuto desaforos e reajo como se fosse um monge tibetano. Ainda assim reconheço que venho alimentando a distância com maestria.
Esse meu orgulho me retém em muitas situações, mesmo diante do simples fato que preciso ser a mudança que espero nas pessoas. É muito mais fácil eu ceder do que esperar que cedam. Sou mais preparado para ceder justamente por ser mais forte na flexibilidade. Trilho um caminho espiritual há quase duas décadas e creio que este é a maior desafio que terei na vida.
Preciso vencer um imimigo silencioso e que pensa me conhecer muito bem. Tenho que criar uma estratégia para neutralizá-lo em muitas situações e poder me liberar do medo (assumido) de ser magoado de novo. Se fui magoado, foi porque permiti e por isso, busquei a distância para evitar o confronto, mas longe de resolver a questão comigo, adiei o desfecho para depois. Foi mais cômodo me colocar na posição de reativo. Só que agora estou ficando incomodado de verdade!
Sei que muitas vezes incomodei por ser quem sou, mas o problema nunca esteve comigo, por isso, fiz vista grossa a muitas picadas que recebi por estar consciente das limitações do outro. Mas agora que existe uma distância física, uma confortável margem de segurança, que me habilita avaliar meus sentimentos com clareza e profundidade. Esse é o lado bom da distância.
Hoje, tenho me instrumentalizado bastante e meu olhar tomou outra direção. Não me vejo no centro de mim mesmo, mas lanço meu olhar para novas percepções sobre o ser humano.
Fica claro que o mesmo orgulho que me atrapalha tomar a iniciativa tem a mesma raiz daqueles que se colocam na posição de vítimas e injustiçados, daqueles incapazes de reconhecer que fizeram uma besteira e acreditam não terem direito a uma nova chance. Como posso tirar o direito de alguém errar, se eu mesmo cometo erros?
A diferença está em reconhecer falhas e deslizes como inerentes à experiência humana. É fácil, cômodo e seguro se alienar dos desafios que temos que encarar agora, mas quando usamos o aprendizado experimentado a nosso favor, dosando tudo com bom senso e recheando com o livre arbítrio, teremos a oportunidade de vislumbrar o que lá no fundo esquecemos nessas horas: que somos todos iguais, reconhecendo as devidas diferenças que antes de nos separar, precisam ser usadas para nos unir, mesmo que para uma nova tentativa.

domingo, 7 de junho de 2009

Quero estar "pronto" para quando cair do pé!


"A cada vez que levanto sinto que morri um pouco". Esse foi o título de meu último post. Mas antes de mais nada quero evitar especulações desnecessárias sobre minha saúde. Estou muito bem, é verdade. Meu colesterol e triglicerídeos estão sob controle e não me sinto ameaçado por nenhuma doença fatal. Desculpem-me se não me fiz claro.

Estou cá fazendo esses esclarecimentos pois tenho sido abordado por fiéis amigos, pessoalmente ou por e-mail, preocupados com minha saúde frágil e minha debilidade emocional ao escrever que estava morrendo!

Amigo(a)s, eu estou muito bem, física e emocionalmente, acreditem!

Não poderia imaginar que falar da morte fosse tão impactante para vocês. Mas falar da morte é tão natural para mim como falar de um nascimento. Ela é a única certeza que tenho da vida. Mas por ser inevitável, não tenho uma atitude gótica de viver. Quero apenas continuar fazendo um exercício comigo mesmo para desmistificar o que nos é óbvio. Não parei ainda para pensar como e quando irei morrer e acho que talvez não faça isso. Não gosto da combinação ansiedade+dor que esses pensamentos podem trazer e o quanto eles podem mesmo antecipar acontecimentos, por isso, procuro encarar o fim como o fechamento de um ciclo de vida, de uma missão, de um processo de amadurecimento bem sucedido.

Todos nós, de uma maneira diferente iremos experimentar e viver a morte de nossos pais, amigos, irmãos, filhos etc. Por mais complexo que seja o tema, a morte incomodará menos que a saudade com o tempo. E como iremos conviver com essas perdas? Por respeito a todos que perdemos, seja para a vida ou para a morte, continuar vivendo plenamente. Forças inéditas surgirão, Deus sabe de onde, e nos sustentarão de verdade!

Não deprecie a capacidade humana de superar perdas em todos os sentidos. Não perdemos nada. Nosso corpo é apenas um refúgio temporário para nossa alma, é o que penso. E se somos passageiros na vida, nada melhor que deixar uma boa lembrança para quem fica.

Posso ser surpreendido pela morte? Claro! Ela pode ir chegando de mansinho? Também! Seja lá como ela irá chegar, espero estar mais amadurecido para aceitar o meu destino final, seja ele qual for. Adiantaria lutar desesperadamente para evitar do dia D? Não. Mas temos o compromisso de cuidar de nós mesmos, de nossa saúde física e mental, para que nossos filhos e parentes não precisem se desdobrar em cuidados conosco.

Não tem saída, a morte é o tema da vez. Cá estou eu falando dela novamente. Quando disse que morria a cada vez que acordava, era apenas para destacar que do momento que nascemos, começamos a morrer, biologicamente.

Reconheço que viver é muito bom, é um prêmio valioso e individual. Saber que somos o somatório de experiências que vivemos nos fortalece a cada ruga ou cabelo branco que surja. Envelhecer tem sido uma experiência muito legal, pois não vou ficar velho, vou ficar maduro e estarei pronto para cair do pé um dia....eu vou parar por aqui, desculpem-me, pois lá estou eu divagando sobre a morte de novo.

Ao falar da morte com coragem, secretamente, celebro a vida que tenho e agradeço sempre por estar vivo e cercado de tantos amigos queridos. Obrigadíssimo pela valiosa presença, carinho e apoio incondicional, afinal como me disse uma amiga, "a vida é uma alucinante aventura da qual jamais sairemos vivos".

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A cada vez que me levanto sinto que morri um pouco.

Ainda que eu pudesse voltar ao passado, prefiro ficar onde estou agora. Muitas vezes fico imaginando como seria o mundo se eu não existisse. Certamente seria do mesmo jeito que é, mas não sei se as pessoas que convivo seriam afetadas.
A conclusão que chego rapidamente é que todos nós somos imprescindíveis. O que pode passar pelo pensamento de uma pessoa quando se vê diante da possibilidade real de morrer? Talvez fique imaginando a saudade que deixará e a saudade que irá sentir. Terá que aproveitar tudo ao mesmo tempo, se é que o tempo pode ser contado nesses casos, ou ficará paralisado de medo?
Uma vez me perguntaram se eu estaria preocupado em morrer. Disse que estava mesmo disposto em celebrar a vida, curtindo-a sem pressa, pois não sei exatamente quando e como "partirei dessa para melhor".
Pode parecer estranho escrever sobre a morte, mas não é a primeira vez que faço isso. Muitos podem ficar chocados com o tema, mas gosto de enfrentar desafios dessa natureza. A razão que me motiva é a certeza de saber que não sou imortal. Já pensou ver todos morrendo e ainda assim permanecer vivo? Imagine-se com 200 anos, bem velho e castigado, percebendo que a humanidade evolui muito lentamente em muitos pontos?
Lembro-me de meu avô, lúcido no leito de morte, próximo dos 100 anos dizendo que estava satisfeito com a vida que tinha tido. Ele reconheceu com uma coragem imensa que já havia chegado a hora. Abençoou os filhos e netos e adormeceu para sempre, diante de nossos olhos.
Não se torture com a proximidade desse dia, pois nunca saberemos quando acontecerá. Mas cuide-se para não se tornar uma vítima de si mesmo amanhã, comprometendo o seu futuro e se tornando um transtorno para seus descendentes.
Tudo bem que as vezes não podemos prever qual doença nos abaterá, mas faça o melhor para evitá-las. E se mesmo assim não for possível, aproveite ao máximo cada dia, pois ele será único, mesmo que você esteja gozando de uma excelente saúde.
A cada vez que me levanto sinto que morri um pouco. A morte não vem se supetão. Ela é diária. Passamos a morrer a partir dia em que nascemos. Então por que sofrer desnecessariamente? Esse aprendizado é comum a todos nós. Por que os ocidentais tem medo de morrer enquanto os orientais celebram com delicadeza e respeito a sua chegada?
Gosto de confrontar idéias e comportamentos distintos que moldam as sociedades. Sempre que posso avalio meus pensamentos e atitudes e vejo-me bem próximo do lado oriental da humanidade. Sinto que existe uma forte postura transcendental que me seduz. A fé pode ser traduzida em um poder de mudança interior/exterior muito maior.
Agora observo tudo e todos com olhos mais complacentes. Aprendi a usar a compaixão como queria. Sei exatamente o que busco, assim como não vou ao encontro do impossível. Sabe aquela sensação de missão cumprida? Quando você faz aquilo que tinha que ter feito?
Faltam-me palavras para descrever o que sinto agora, mas esteja certo, tem me deixado muito realizado, completo e feliz.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O teu passado te condena?

E então, o teu passado pode condenar o teu presente e comprometer o teu futuro? Tomara que não. Pois ninguém merece viver assim, como se estivesse preso entre dois mundos, divido entre duas dimensões, tentando reviver o passado e deixando escapar o presente, sem contar o futuro, que deixa de exisitir por completo.
Por que escrevo sobre o passado? Porque estou fazendo as pases com o meu. Não tenho nada que me condene ou me faça sofrer com arrependimentos torturantes, mas agora consigo recordar minha vida sem trazer à tona fortes sentimentos.
Tudo que vivi me ajudou muito a ser o que sou, sinto e acredito, mas não tenho como viver e sentir o que experimentei há muitos anos. Está claro para mim que o passado representa a minha trajetória vivenciada em décadas, onde cometi acertos e erros, mas sinto-me mais seduzido em viver BEM o presente que tenho nas mãos. Esse presente, que tenho aprendido a viver intensamente, traz-me uma certeza que quando ele se transformar em passado, não deixará cicatrizes. Certamente não irei me lembrar dos detalhes, mas terei agregado à minha vida apenas o aprendizado decorrente dele.
Krishnamurti dizia: "Recordar é viver o passado e prender-se a ele". Prender-se ao nosso passado faz com que nos perpetuemos em nossos erros ou nos vangloriemos dos êxitos já passados. Essa atitude impede-nos de ver as possibilidades que o presente nos oferece para realizar as mudanças que nos ajudarão em nosso desenvolvimento pessoal.
Todos nós um dia dia já ouvimos ou até mesmo já pronunciamos estas frases: "Eu sempre fui assim", "educaram-me dessa maneira", "isso me deu resultado", esses são apenas alguns exemplos das desculpas que encontramos para absolver-nos e assentar-nos no que já passou.
Quando trabalhamos o passado com desapego e objetividade, este nos ensina a corrigir erros e melhorar nossos acertos. Temos que deixar para trás tudo, todas as experiências boas ou negativas para poder continuar aprendendo e amadurecer. É mais do que necessário desprender-se de toda lembrança que traga consigo emoções perturbadoras que não façam mais sentido com o presente e com o que você é.
De que vale sofrer por um fato ocorrido há 25 anos atrás? Particularmente, isso causa um desgaste emocional e energético sem sentido, pois por mais que você sinta uma "baita" vontade de reviver aquele sofrimento, perceberá depois das lágrimas que essa dor "não te pertence mais". Não se pode viver qualquer situação várias vezes e sentí-la com a mesma intensidade. Esse é um toque legal para comprovar que só se pode viver um acontecimento doloroso ou feliz uma única vez, e uma vez vivido, deve permanecer lá no passado.
Quando conseguimos nos livrar do hábito de apegar-se ao passado, passamos a contemplar nossa história particular como um bem que pertence a toda humanidade. Essa atitude nos liberta e nos habilita a compreender e superar hábitos de pensar, de sentir e de agir que nos limitam; ao mesmo tempo, criamos novas formas de pensar e de sentir mais adequadas ao nosso atual momento que nos dê a chance de amadurecer.
"Se você consegue se desapegar do passado, toda experiência nova será sempre a primeira", disse-nos um grande amigo durante nosso encontro semanal.
Esse belo insight nos fez tremer por dentro, pois traz consigo uma força gigantesca, repleta de esperanças de que a felicidade que todos buscamos, precisa ser construída bem devagar e isso não depende de ninguém além de nós mesmos. Quando validamos nossa experiências presentes, abre-se bem diante de nossos olhos, um futuro pleno de promessas que se cumprirão naturalmente, assim como flores delicadas que desabrocham.
Uma vez que conseguimos perceber e vivenciar todo esse processo de amadurecimento contínuo, viver passa a ser um exercício pleno de possibilidades e de contato cada vez mais íntimo com a força que nos criou. Passado, presente e futuro passam a ser um só, mas temos que experimentá-los um de cada vez.
E então, o teu passado já pode enriquecer o teu presente e expandir o teu futuro?

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Tomara que ainda viva por muito tempo, preciso de novas mudanças!

Consegui chegar mais cedo em casa hoje. As últimas semanas repletas de feriados foram exaustivas. Durante o tempo livre que tive, estava trabalhando ou projetando o que faria na semana seguinte. Ninguém merece viver dentro de uma agenda profundamente ansiosa, aliás, duas agendas que me escravizam o tempo todo. Mas não tenho saída. Antes assim.
Mas por enquanto chega de lamentar a minha rotina diária, caso contrário esse blog vai ficar com cara de diário! Eu não sou tão disciplinado para esmiuçar meu dia-a-dia, considerando que tenho uma vida normal como um homem normal, até que me provem o contrário!!
Mas leia essa frase: "Para cada coisa que perdemos, ganhamos algo; e para cada coisa que ganhamos, perdemos algo". Ela foi escrita por Ralph Waldo Emerson, entre 1803 e 1882.
Ontem, em uma reunião cujo tema foi "Mudanças Contínuas" essa frase nos foi apresentada. Discutimos, questionamos, ponderamos e encontramos pontos comuns. Colocamos experiências pessoais e como o amadurecimento vem sendo fundamental para ampliar a importância de aceitar o quanto é preciso adapatar-se ao mundo e às mudanças que sempre estão acontecendo em nossas vidas. Por mais que seja confortável uma vida sem atropelos e sobressaltos, ela nunca será estática. As mudanças contínuas estão por ai e por mais que seja difícil admití-las, continuam ocorrendo, queiramos ou não.
Não dá para perceber claramente todas as mudanças que estamos passando. Muitas vezes, elas podem ser inevitáveis, dramáticas, dolorosas etc, mas quase sempre podem ser imperceptíveis se não estivermos atentos ao que se passa dentro de nós. Avaliar o que nos acontece unicamente como perdas e ganhos, é ver-se obrigado assumir uma desconcertante miopia.
A força e o apelo transcendental em nossa vida é muito maior. Aceitar e aprender com as mudanças sempre será gratificante, por mais que a insegurança cresça e incomode. Penso até em meus amigos ateus, que ao menos reconhecem que o aprendizado ao longo da vida é um valioso ponto em comum entre os seres humanos.
Tenho percebido que quanto mais me flexibilizo às mudanças que vem ao meu encontro, sinto-me mais hábil em compreendê-las e amadurecer. Não me vejo perdendo nada, não consigo me ver contabilizando perdas em minha vida. Não gosto de lamentações e de sofrer por muito tempo. Na verdade, sinto que a vida só tem me proporcionado mudanças que se traduzem em grandes ganhos pessoais. Não me refiro aos bens materiais, pois trabalho para viver dignamente e não para acumular bens que inevitavelmente deixarei para trás um dia. Vivo para potencializar meu aprendizado pessoal, sensibilizar minha percepção humana e para deixar um silencioso legado, como já escrevi muitas vezes nesse blog.
Fiquei perpexo e emocionado quando me dei conta disso, na semana passada. Sabe quando está tudo ao alcance dos olhos e ainda assim, não conseguia ver. Ao buscar na lembrança as supostas perdas passadas, consegui vê-las como um ganho enorme de experiência. Estava dando um grande passo para aprender a perdoar verdadeiramente pessoas que me ferem. Eu estava sentindo pela primeira vez havia um caminho e eu já estava trilhando-o. Havia dado um passo verdadeiro. Chorei, voltando para casa.
As mudanças só machucam para quem não acredita em novas possibilidades. Para aqueles que deixam o medo sufocar suas vidas e tornam-se verdadeiras muralhas. Mesmo estes, um dia se renderão ao poder da contínua transformação e ao ineditismo de experiências que a vida nos proporciona. Por mais forte que seja uma personalidade, um dia ela se renderá, cedo ou tarde.
Quando abaixamos a guarda não há mais a necessidade de se impor diante do mundo e das pessoas. Por que se sentir ameaçado? Como se defender das mudanças contínuas que estão ocorrendo na vida de todos agora? Por que lutar contra a vida se ela foi talhada para cada um de nós?
Não faz sentido sentir-se injustiçado se você não mergulhar fundo na dor que sente, para a depois emergir mais fortalecido, tirando um bom proveito da experiência vivenciada. Temos pouco tempo para aprender a viver, lembro-me sempre disso, quando ameaço a resistir ao novo.
É muito bom estar aberto às mudanças e a construção contínua de novos paradigmas, aperfeiçoando outros e até descartando aqueles que não fazem mais parte de nossa vida e do que somos.
Legal é quando sentimos que tudo conspira verdadeiramente a nosso favor e que as dores e perdas são fruto de nossos pensamentos ruminantes e da percepção material e equivocada da vida.
É bom de verdade saber que não somos donos de nada e de nenhuma verdade absoluta. Tudo, literalmente tudo, que acontece com os seres humanos sempre estará indo de encontro a um movimento de crescimento, de expansão espiritual, que irá nos preparar a um encontro final com nosso Criador, de onde provem toda força de vida e divindade que guardamos dentro de nós.

domingo, 26 de abril de 2009

Conhecer uma pessoa leva tempo. Conhecer-se leva toda uma vida.

Tenho tido boas surpresas nos últimos dias. Mesmo estando muito atarefado, corrigindo e elaborando provas, enviando/recebendo e-mails para e de todos os cantos, sinto-me realizado por ter a oportunidade de saborear o que a vida tem me ofertado, seja o que for. Em meio à rotina diária de um professor, consegui assistir a apresentação de uma cantora inglesa, Susan Boyle, em um show de calouros pelo You Tube.
Não me refiro a sua afinada voz e interpretação surpreendente, mas a lição que podemos tomar quando levados a fazer julgamentos precipitados das pessoas que não conhecemos, principalmente quando elas originalmente destoam dos padrões estandardizados de comportamento e aparência.
Pode parecer inacreditável, mas muitas pessoas ainda preferem valorizar a aparência externa de homens e mulheres, em detrimento de seu caráter. Conhecer uma pessoa leva tempo, mas como vivemos dentro de uma sociedade que cultua valores imediatistas, essa prática torna-se frequente.
Se essa atitude fosse de um jovem, seria fácil compreender considerando a sua pouca vivência e maturidade, mas quando é tomada por pessoas que já trilharam um bom caminho, é doloroso e desagradável. Como é difícil conceber a alienação que muitas pessoas mergulharam ao longo de suas vidas. Não me cabe julgá-las, pois não sei os motivos que as conduziram a essa situação, mas não posso aceitar que isso seja justo com elas, que mereçam.
A postura preconceituosa e cínica ficou evidente na platéia, que analisava a jovem senhora de 47 anos, antes de mostrar o que tinha de melhor: o seu talento pessoal.
Aquela pessoa guardava dentro de si um poder que foi capaz de tocar milhões de pessoas em todo mundo, e até então vivia retirada com sua mãe em um pequeno vilarejo na Escócia.
À medida que soltava a sua voz, empalidecia seu público que só podia aplaudí-la diante do grande presente que recebiam.
Mas o impacto causado por aquela apresentação conseguiu tocar aos jurados. Reconheceram seu inegável talento e deram-lhe a oportunidade final de concretizar o seu velho sonho.
Fiquei emocionado com a simplicidade, inocência, coragem e perseverança da "velha senhora" que nasceu no mesmo ano que eu, quando o primeiro satélite artificial foi lançado no mundo, o Sputnik. Ela deixou claro antes de entrar no palco, que esta seria a sua última tentativa, disse saboreando um sanduíche, e que se não conseguisse a aprovação, voltaria à sua cidade natal e continuaria a "tocar a sua vida".
A apresentação me deixou emocionado, pois também me vi cometendo os mesmo erros de julgamento, levando-me a me afastar de muitas pessoas por "serem diferentes demais de mim" no passado. A separatividade e a indiferença já me fizeram ser muito cruel comigo mesmo.
Hoje me dou conta de como fui tolo quando mais jovem, mas não me culpo por isso. Precisava passar por esse aprendizado para me reconhecer hoje. Trabalho no presente para que quando olhar para trás, daqui há 20 anos, me reconheça melhor do que há 40 anos.
Todos nós precisamos dar um sentido mais amplo e transcendental para nossas vidas, preenchendo lacunas e naturalmente amadurecendo. O significado de nossa existência fica claro quando usamos a fé como combustível e cumprimos nosso caminho.
Não há necessidade de ser rápido e muito menos de ter a pretensão de chegar ao final. O importante não é a chegada, mas o ritmo que damos à trilha percorrida diariamente, passo a passo, sem expectativas exageradas de aprendizado.
Todos nós temos desafios pessoais prontos para a romper com nosso equilíbrio e segurança, obrigando-nos a parar ou até recuar; mas uma vez superadas as dores e frustrações, sentimos a fortaleza que se estabelece dentro de nós. Essa sensação de plenitude estabelecida em nosso coração faz emergir uma energia que só pode traduzir-se em felicidade.
São momentos breves quando tudo fica claro e passa a fazer um sentido abrangente. É nesse momento de insight que conseguimos dar um passo em direção ao nosso destino, com firmeza e lucidez, deixando claro que o que fomos não seremos jamais, que o aprendizado não foi em vão, seja ele qual for. Quando conseguimos transcender as dores pessoais e sentí-las como dores do mundo, passamos a fazer parte da humanidade e do todo que nos envolve.
Assim, acredito eu, estaremos caminhando para uma vida verdadeiramente feliz e plena de sentido e possibilidade.



Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

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