domingo, 7 de junho de 2009

Quero estar "pronto" para quando cair do pé!


"A cada vez que levanto sinto que morri um pouco". Esse foi o título de meu último post. Mas antes de mais nada quero evitar especulações desnecessárias sobre minha saúde. Estou muito bem, é verdade. Meu colesterol e triglicerídeos estão sob controle e não me sinto ameaçado por nenhuma doença fatal. Desculpem-me se não me fiz claro.

Estou cá fazendo esses esclarecimentos pois tenho sido abordado por fiéis amigos, pessoalmente ou por e-mail, preocupados com minha saúde frágil e minha debilidade emocional ao escrever que estava morrendo!

Amigo(a)s, eu estou muito bem, física e emocionalmente, acreditem!

Não poderia imaginar que falar da morte fosse tão impactante para vocês. Mas falar da morte é tão natural para mim como falar de um nascimento. Ela é a única certeza que tenho da vida. Mas por ser inevitável, não tenho uma atitude gótica de viver. Quero apenas continuar fazendo um exercício comigo mesmo para desmistificar o que nos é óbvio. Não parei ainda para pensar como e quando irei morrer e acho que talvez não faça isso. Não gosto da combinação ansiedade+dor que esses pensamentos podem trazer e o quanto eles podem mesmo antecipar acontecimentos, por isso, procuro encarar o fim como o fechamento de um ciclo de vida, de uma missão, de um processo de amadurecimento bem sucedido.

Todos nós, de uma maneira diferente iremos experimentar e viver a morte de nossos pais, amigos, irmãos, filhos etc. Por mais complexo que seja o tema, a morte incomodará menos que a saudade com o tempo. E como iremos conviver com essas perdas? Por respeito a todos que perdemos, seja para a vida ou para a morte, continuar vivendo plenamente. Forças inéditas surgirão, Deus sabe de onde, e nos sustentarão de verdade!

Não deprecie a capacidade humana de superar perdas em todos os sentidos. Não perdemos nada. Nosso corpo é apenas um refúgio temporário para nossa alma, é o que penso. E se somos passageiros na vida, nada melhor que deixar uma boa lembrança para quem fica.

Posso ser surpreendido pela morte? Claro! Ela pode ir chegando de mansinho? Também! Seja lá como ela irá chegar, espero estar mais amadurecido para aceitar o meu destino final, seja ele qual for. Adiantaria lutar desesperadamente para evitar do dia D? Não. Mas temos o compromisso de cuidar de nós mesmos, de nossa saúde física e mental, para que nossos filhos e parentes não precisem se desdobrar em cuidados conosco.

Não tem saída, a morte é o tema da vez. Cá estou eu falando dela novamente. Quando disse que morria a cada vez que acordava, era apenas para destacar que do momento que nascemos, começamos a morrer, biologicamente.

Reconheço que viver é muito bom, é um prêmio valioso e individual. Saber que somos o somatório de experiências que vivemos nos fortalece a cada ruga ou cabelo branco que surja. Envelhecer tem sido uma experiência muito legal, pois não vou ficar velho, vou ficar maduro e estarei pronto para cair do pé um dia....eu vou parar por aqui, desculpem-me, pois lá estou eu divagando sobre a morte de novo.

Ao falar da morte com coragem, secretamente, celebro a vida que tenho e agradeço sempre por estar vivo e cercado de tantos amigos queridos. Obrigadíssimo pela valiosa presença, carinho e apoio incondicional, afinal como me disse uma amiga, "a vida é uma alucinante aventura da qual jamais sairemos vivos".

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Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

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