quarta-feira, 30 de julho de 2008

Amoras e pitangas

Tenho tentado resolver situações pendentes nestes últimos dias. É sempre assim. Acontece três vezes por ano: nas férias de janeiro, nas de julho e nos últimos dias que antecedem o ano novo. Sinto que tenho que fazer o que deixei de fazer por falta de oportunidade ou preguiça. Além disso, é bom iniciar um novo ciclo de vida com pendências resolvidas, por isso gosto tanto de trabalhar nas férias.
Arrumo gavetas, armários, documentos, papéis, contas vencidas e o que é mais importante, revejo as metas que me propus a alcançar este ano. É uma estratégia matemática de resolver problemas armando botes para colocar as mãos em ação.
Muitos que não me conhecem tão bem se surpreendem com minha postura empírica e cartesiana, mas o meu lado prático está sempre buscando um jeito de tornar a minha vida eficiente, de forma a tirar o maior proveito do tempo que tenho disponível.
Faço tudo isso com muito prazer e de forma bastante flexível. Se não der para cumprir as metas estabelecidas, projeto-as para frente, sem desistir imediatamente.
Adoro um trabalho braçal pois tem sempre um resultado prático e adoro resultados que dependam unicamente de mim. Aprecio um dia pesado de responsabilidades e atividades incomuns.
Agora mesmo me lembrei das aulas que tenho de preparar para a próxima semana e dos trabalhos e avaliações de uma turma. Mas ainda não tive vontade de fazer nada. Ainda estou de férias. Tenho muito que fazer até o dia 04 de agosto de 2008. Por enquanto traço estratégias em minhas agendas.
Já listei tudo que preciso fazer e fiquei surpreso o quanto terei que trabalhar e fiquei feliz com a minha ousada capacidade de ação. Estou longe de ser um super homem, mesmo sabendo que fico meio metido quando me saio bem dessa confusão criada por mim mesmo.
Os dias estão azuis. O sol maravilhoso. As noites estreladas e frias. Já escuto sabiás e macucos ao amanhecer. Sinto o inverno se esvaziar. Tenho saudades da chuva, dos pingos batendo na janela e o cheiro maravilhoso de terra molhada.
Lembro-me agora das inúmeras vezes em que eu e minha prima ficávamos no portão esperando a nuvem de chuva de verão nos alcançar. Era legal ouvir e ver a chuva caindo ao longe e ir chegando devagar até nos atingir, obrigando-nos a entrar em casa. Logo depois da chuvarada corríamos todos para ver se o rio havia transbordado e para apontar todo o tipo de lixo carregado pelas águas. Havia no ar um cheiro de esperança misturado ao frescor do fim de tarde de verão. Tinha gosto de amoras que comíamos no passeio noturno na rua Dr. Sá Earp ou de pitangas que comíamos no morro da tia Pina.
Não sei o que me deu agora. Mas eu escrevo o que sou e sinto, sem me preocupar com os resultados. Tenho lembranças muito especiais e gosto de colocá-las aqui. Minha vida ainda não foi concluída e por isso vivo intensamente um dia após o outro.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Partidas e chegadas

Existem momentos que não podemos esquecer. Precisam ser lembrados sempre que possível, pois deixaram a certeza de que somos feitos para cumprir nosso destino. Serviram também para lembrar que nunca estaremos sós, aconteça o que acontecer. Essa certeza me ampara e fortalece.
Passei alguns dias vivendo exclusivamente para mim. Antes de sair deleguei poderes, paguei as contas, abasteci o carro e deixei a geladeira cheia. Queria que ninguém sentisse falta de mim. Como diz a minha mãe: cumpri a minha obrigação!
Agora, era mergulhar de cabeça em um retiro, enfrentar situações que precisavam de solução, encarar minhas reais necessidades e deixar a intuição fluir. Não tinha o compromisso ou a necessidade de agir assim ou assado. Precisava ir de encontro ao meu caminho, ciente que dentre muitos, era o que mais me seduzia.
As surpresas foram muito além das expectativas, as respostas que obtive também. O encontro com novos e velhos amigos, enriquecedor. A rotina partilhada me fazia parte de um todo muito maior. Era a chance que esperava há 4 anos.
Fui pego de surpresa com abraços de um pai, com um caminhar firme que norteava meus passos. Senti a presença firme e sensível. Éramos semelhantes nas idéias e diferentes no tempo.
Senti e confirmei o que já sabia: eu sou capaz de abrir mão de quase tudo por um ideal maior.
Não jogaria nada ou ninguém para o alto, mas estou aprendendo a viver à medida que aparo os excessos e mergulho em minha divindade. O caminho é só meu e por isso torna-se valioso. Já sei onde quero chegar.

domingo, 6 de julho de 2008

Último degrau

Existem abraços que nunca esquecemos. São especiais pois têm o poder de nos envolver. Existem diferenças sutís quando abraçamos e quando somos abraçados. Mas quando o desejo de abraçar envolve duas pessoas, o abraço passa a ter um significado muito maior.
Não me contive em abraçar hoje. Abracei a todos que me deram a oportunidade. Abracei com coragem e determinação. Pude mostrar que posso ser caloroso quando me permitem e faço isso muito bem.
Encontrei muitas pessoas em um velório hoje. Não pude chegar antes em função da rapidez do enterro. O falecido lutou para evitar esse dia o quanto pode. Sempre tive a sensação que lutava contra o tempo. Tinha pressa de resolver tudo muito rápido. Mas uma noite apenas foi suficiente para levá-lo. Precisava ser rápida a morte, pois caso contrário, ele fugiria de novo.
Todos temos limites, um final inevitável e será sempre digno.
Segurei mais uma alça de caixão. Já perdi a conta de quantos familiares e amigos já enterrei, mas sempre que pude me fiz presente. Para quem fica, fica a saudade, mas o alívio de muito sofrimento também. É difícil ver sofrer por anos quem amamos, por isso quando chega a hora deste, deixe-o ir, não impeça, pois somos ainda muito descrentes do que de fato nos aguarda depois do último degrau da escada.

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

Minha foto
Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.