sexta-feira, 22 de abril de 2016

Resgatando o que me salvou desde sempre!

Sinto cada vez menos falta das pessoas que por anos convivi. Percebo que é preferível sustentar uma amizade superficial por duas razões: não é construtivo semear ressentimentos nessa altura da vida e porque reconheço que houve uma quebra de confiança. Sei que posso cometer os mesmos erros que me fizeram afastar de muitas almas, mas sem vaidade confesso: a chance vai ser pequena.
Depois de vivenciar anos muito difíceis, estou retomando o hábito de escrever. Ele é libertador. Tenho chorado muito, sinto uma angústia tomando o meu coração e por vezes, sinto-me muito só. Minha alma tem estado de luto por muitas razões. Não tenho como continuar vivo se não for capaz de acreditar na vida, mas tenho ouvido palavras tão duras e sentido corações tão frios, que chego a acreditar que sou um sobrevivente corajoso em um mundo pronto para acabar conosco.
Tenho evitado de lembrar o passado e me esforçado muito em viver o presente. Penso nas lembranças que deixarei para minha filha que tanto amo. Tenho amado tanto a Lara que chega a doer na alma. Já sinto que minha filha começa a se desprender emocionalmente de mim, pois já se encaminha para a adolescência. Sinto saudades de estar com ela mais tempo, se bem que fui um pai muito presente em sua vida. Queria que ela compreendesse no futuro que se estou vivo é por ela. Minha vida não faria sentido se ela não existisse. Não quero ser um peso para ela quando falo isso. Ela não me deve nada, de coração. Espero ser lembrado pelos meus netos como um avô-professor amoroso que conseguiu cumprir a sua missão.
Mas não estou aqui para pensar no futuro e muito menos para me despedir. Há muito o que fazer e viver ainda. Preciso focar em minha vida a partir de agora. Cuidar do meu corpo, da minha saúde. Preciso me cercar do que me faz bem. Nunca fui um bom administrador de conflitos. Mergulhava na guerra com o firme propósito de conseguir a paz o mais rápido que pudesse. Não sei se agora sinto-me menos disposto a lutar ou se as lutas que travei e venci se perderam no passado, ou ainda, se deixaram de dar o sentido para minha existência.
Tenho tomado consciência cada dia mais que sou mais um passageiro por aqui. Que não tenho nada. Tudo que disponho me foi emprestado por Deus para viver e nunca irá me pertencer. O que me pertence e ninguém pode me tirar é o meu aprendizado como ser humano, no que venho me transformando. São valores que se aprofundam, novos que surgem com o tempo e outros que se dissolvem completamente. Como é bom reconhecer-se como um homem flexível em seus pontos de vista, que está disposto a aprender com tudo que se apresente em minha frente!
Mas se agora é fácil, nem sempre foi assim. Até que me desse conta desse estado de consciência diferente, me sentia excluído do mundo, como se eu não me ajustasse ao mundo dos normais. 
Ainda luto para superar o quanto fui depreciado na infância. Meus pais me salvaram. Eu precisava tanto ser aceito, reconhecido pelos meus primos e tios. Fui comparado o tempo todo com aqueles que eram melhores do que eu, pelo menos era o que pensavam. Era difícil perceber que a inveja permeava as minhas relações familiares, afinal de contas quando a minha família parecia ruir, eu fui capaz de sustentá-la com uma força que até hoje não sei de onde veio. E fiz sem ajuda deles, me agarrando na luz daqueles dias que eu ainda teria pela frente, pelos abraços apertados, beijos e afagos. Era a força da vida me acolhendo em seus braços.
Hoje sei que foi DEUS que me sustentou e me fortaleceu diante de tanta adversidade. A vida por mais dura que tenha sido comigo, longe de me endurecer me encheu de esperanças que por vezes me sinto sufocado! Certezas me envolvem perigosamente e quando as coloco em dúvida, vem uma fé enorme e me fortalece.
Tenho me colocado aos pés do meu Criador toda vez que preciso tomar decisões. E ele me ampara e me coloca no caminho certo!
Tenho 54 anos e permaneço vivo. Ainda que por vezes chore, continuo acreditando naqueles belos dias de sol que amo desde a minha infância. Ainda creio que serei capaz de superar minhas fraquezas e barreiras. Ainda que a vida ao redor fique triste e sufocante, eu persisto até quando me for permitido.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

E esse dia não chega....e como dói!

E mais um dia 06 de janeiro se aproxima. Acho que fazem 3 ou 4 anos que não escuto mais a sua voz e não posso te abraçar para te desejar um feliz aniversário. Dói não ter notícias suas, não saber como anda a sua saúde e não ter mais a lembrança clara do seu rosto. A distância é cruel com as lembranças. As imagens vão perdendo o foco, tornando-se turvas, mas os sentimentos permanecem e se fortalecem, assim como a imensa saudade de te abraçar apertado, minha querida prima Luciane.
Já chorei muito de saudades lembrando de você. Eu sei que nos foi imposto uma distância, que hoje compreendo, apesar de ainda achar muito cruel, como se fosse uma vingança previsível. Eu também lamento por tudo que nos levou a nos distanciar, mas eu usei o meu orgulho para me defender, pois sabia que mesmo que implorasse, seria ignorado. 
Mas consegui superar o meu orgulho e pedi para ir ao seu encontro. Chorei, quase implorando para que isso acontecesse. Ouvi que um dia isso aconteceria e esse dia não chega.
Nunca mais esquecerei o cheiro e o gosto daquele cachorro-quente que comíamos em cada aniversário seu, com aquele pão de leite macio. Ainda sinto o gosto do maravilhoso bolo de amendoim, recheado de doce de leite e ameixas pretas! Mas nunca mais consegui comer essas maravilhas de novo. A dor da saudade tirou-me o apetite e o olfato.
Cá estou eu, o seu velho primo de sempre, suspirando de saudades e chorando sobre o teclado do notebook. Saiba minha querida prima Luciane, que você nunca será esquecida, aconteça o que acontecer. Estou preparado para tudo, por mais que a dor cresça com o passar dos anos. Te vejo sempre que te coloco em minhas orações. Imagino abraços memoráveis e aperto minhas mãos com as suas, entrelaçando os dedos. 
É assim que consigo acalmar um pouco o meu coração cheio de saudades, que sonha com esse encontro. Portanto, minha prima-irmã de coração, feliz aniversário! Que Deus te ampare sempre e que a sua corajosa missão seja cumprida até o final. Estou certo que um dia, quando não estivermos mais nesse mundo, iremos nos abraçar como nunca e os nossos sonhos irão se concretizar! Te amo!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Votos para seguir com coragem!

Eu mal sei por onde começar. A insegurança baseia-se no tempo que deixei de escrever nesse blog e nos acontecimentos surpreendentes, apesar de previsíveis, que aconteceram nos últimos dias de 2015 e nos primeiros de 2016. 
Tenho muito o que escrever aqui. Escrever muito para colocar todos os desafios que tenho enfrentado e que conseguiram tirar por alguns instantes as minhas certezas diante das relações humanas. Posso dizer que é duro ser incompreendido, caluniado e traído. Também dói quando vem de pessoas que tem o meu sangue ou que conviveram por mais de uma década comigo. Sinto-me entristecido diante desse quadro, mas com a minha consciência serena.Venho aprendendo a ser compreensivo, transparente e corajoso, mesmo sabendo que a minha paciência tem se esgotado rápido. Mas o interessante é perceber que para alguns, sou muito diferente. Não acredito em julgamentos precipitados e levianos de quem não me conhece ou se quer tenha se esforçado em me conhecer. Como sustentar uma amizade quando a minha presença tensiona e traz à tona, sentimentos contraditórios?
Sou discreto e descobri que incomodo pelo que sou. E o que posso fazer, se não fiz nada para ouvir e passar pelo que venho passando hoje. São questionamentos dos quais já tenho todas as respostas.
Em minhas meditações diárias, escuto de Deus o quanto preciso ser compreensivo e ter compaixão. Agora, algo dentro de mim se revolta por se sentir usado, por ferir quem eu amo.  
Tenho aceitado não ter mais o controle das situações em que esteja envolvido. Para ser sincero, não deixo a vida me levar. Mas dou a oportunidade a mim mesmo de deixar as situações se resolverem sem criar expectativas de domínio e resultados. Em suma, assumo a parte que me cabe e que cada um faça o que lhe couber de direito. Chega de ser parceiro de quem não sabe o que é parceria. Chega de ajudar, quando o outro só quer usar. Estou farto de meias verdades, meias mentiras, da falta de comprometimento e falsos silêncios. Prefiro e reconheço só aqueles que falem diretamente comigo, qualquer desconforto que sintam em relação a mim. Os que guardam silêncios rancorosos, aos que  lentamente destruíram relações de afeto comigo, torço agora para que sejam felizes em sua caminhada. Eu não estarei mais ao lado de ninguém que me odeia ou me inveje. Não farei vista grossa aos deslizes de mais ninguém. Eu não preciso da aceitação ou reconhecimento do mundo para cumprir o que devo fazer. A distância que quero é física, pois a emocional ou foi destruída ou nunca existiu. 
Eu tenho me transformado e me confrontado com desafios únicos. Mas nunca me senti tão fortalecido desde que dei os meus votos. Votos que passaram a dirigir a minha vida, que ampliaram a visão das minhas potencialidades e dificuldades. Votos que me tornaram consciente de que existem propósitos grandiosos para nós e que poucos conseguem vislumbrá-los e realizá-los. Tornei-me um homem que exercita o seu livre arbítrio com coragem, sem receio de seguir acertando sempre. Tenho para mim que um erro pode se transformador quando assumimos a capacidade de aprender com ele.
Tenho vivido dias de esperança, apesar de tudo que tenho ouvido e presenciado. Mas já senti raiva e nutri ressentimentos há pouco tempo. Por sorte duraram pouco. Percebi que não valia a pena investir em pessoas que não querem aprender. Mas eu estou pronto, a cada amanhecer, a dar continuidade a minha vida. Tenho muito que agradecer. E sempre estarei aos pés de Deus agradecendo e pedindo. Pedindo? Claro! Que mal há em pedir uma ajuda? Pelo menos, sei que hoje sou ouvido e o melhor de tudo, aprendi a ouvir o que Ele quer de mim.

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

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Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.