domingo, 19 de outubro de 2008

Não há como se perder no meio do caminho

Ainda não consegui acertar todos os relógios aqui por conta do horário de verão. Os digitais "made in China" são muito complicados em função das múltiplas funções que possuem. Por isso depois de tentar algumas vezes, desisti com rapidez e vim logo escrever aqui. Amanhã, "acertarei os ponteiros".
É muito bom estar certo de nossa finitude. Eu terei um fim, aliás, todos nós teremos. Mas o que poderemos deixar para o mundo e para as pessoas que convivemos boa parte de nossa vida? Simplesmente o que somos e sentimos. Qual a maior herança que poderei deixar para meus alunos? Transformar um desses em um professor de Geografia que consiga ser melhor do que eu. Esse seria o maior legado que como educador poderia deixar. Ajudar meus alunos a encontrar sua verdadeira vocação. Muitas vezes, nem ajuda precisam, bastando apenas uma palavra de incentivo ou um empurrãozinho.
Como é gratificante ver meus alunos se encontrarem profissionalmente. Não há nada no magistério que supere esse prazer. Melhor ainda quando me deparo com profissionais de educação que já são melhores do que eu. Sinto um orgulho enorme de ter contribuído para a decolagem desses jovens. Sei que podem e devem ir muito além do que fui.
Muitos dos licenciandos que já tive, seja da UFRJ ou UERJ, mostraram-se muito preparados em sua formação cultural. Já possuíam naturalmente maturidade, responsabilidade e ética, surpreendendo-me bastante, considerando que conheço profissionais que nunca deram importância a esses valores.
Conversando com amigos ainda sobre a finitude de nossas vidas, indaguei-os sobre o nosso futuro. Seremos lembrados por nossos bisnetos e tataranetos? Saberão o que fomos? Poderão nos reconhecer? Em tempos tão frenéticos de mudança, creio que seremos esquecidos com rapidez. Enquanto meus ex-alunos existirem, poderei ser lembrado por um ou outro. Mas e depois? Alguns de nós poderão ser "imortalizados" em nomes de ruas, avenidas, servidões, salas etc, mas apenas o nome será lembrado. Qual é o valor de uma homenagem póstuma? O agraciado nem presente estará para agradecer!
Sou um homem comum. Faço parte do grupo de seres humanos que não ostenta e nem quer fama, prestígio ou poder, e isso nos torna muito capazes de deixar para nossos descendentes um valor muito maior, que eles não irão perceber, mais sentir ao longo de sua existência, repassando-o para as futuras gerações.
Essa herança tão poderosa é chamada de amor. Ela irá nos imortalizar silenciosamente e fará com que a nossa vida seja capaz de deixar o mundo e as pessoas melhores e mais felizes.
Não há qualquer esforço a fazer. Qualquer pessoa sob a face da Terra pode fazer isso. Semeie a maior quantidade de amor possível em seus filhos e esteja certo que eles farão tudo da maneira correta. Não há como se perder no meio do caminho.

2 comentários:

Faber disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Faber disse...

Enquanto lia o trecho que fala sobre não buscar fama ou destaque lembrei de uma frase dita por um professor meu, durante a faculdade. "O estanho concretiza-se como a mais bem acabada forma de humildade. Quando olhamos para o espelho, não vemos o estanho, mas a nos mesmos. O estanho abre mão de sua imagem para refletir a nossa". Pensar que servimos de inspiração para os outros, que os outros olham para nós e vêem a si mesmos, é realmente reconfortante.

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

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Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
Um professor com alma de aluno.