A gratidão se faz urgente!

     Tenho repensado a minha relação com o que vivo no presente. Depois que perdi meus amados pais, sempre que posso choro de saudades e logo depois, passo a sentir a vida que tenho melancolicamente. Faço comparações antes e depois e sempre avalio que a vida de antes era melhor do que tenho agora. Era comum querer viver tempos que não voltarão mais, assim como as pessoas que partiram para sempre.

    Vivendo a vida com as dores da saudade que nunca terão fim. Meus olhos ficaram tristes, meu coração passou a bater devagar e a vida começou a desbotar, segundo os meus olhos. Parecia que o tempo de vida que me resta seria insuficiente para viver com esperança. O futuro era uma incógnita que eu não queria descobrir. E o presente, tão solitário e vazio. Esse era o Luiz Fernando nos momentos em que a minha alma enlutava. 

    Chegou a hora de fazer as mudanças necessárias para que eu não me tornasse um idoso deprimido e rabujento (adoro essa palavra!). Mudei o meu foco. O que perdi, perdido está, mas reconheco que o meu passado contribuiu fundamentalmente para o que sou hoje.

    Os tempos de gratidão pelo o que fui, tive, tenho e sou precisam se apresentar com urgência. Sou um idoso agora e não tenho muito tempo pela frente. Preciso agregar qualidade ao tempo que ainda tenho, fazer o que deixei de fazer por muitos motivos, renunciar por aquilo que não tem mais a menor importância e seguir, deixando a babagem desnecessária no meio do caminho e assim seguir leve e tranquilo.

    Uma das maiores surpresas que vivencio é voltar a correr. Não me surpreende a dedicação, a disciplina, o esforço em me superar todos os dias! E de quebra venho ganhando uma qualidade de vida que nunca imaginei vivenciar. O estresse da aposentadoria que não sai é zerado quando corro e descarrego toda a angústia e a dor que a saudade me traz. É nesses momentos que faço minhas orações em voz alta, derramando lágrimas de saudades que se confundem com o meu suor, sem que ninguém perceba quando paro de correr.

    Participando de corridas ou de treinos encontrei pessoas que como eu vivenciam suas dores e angústias pessoais, mas naquele momento, assim como eu, esquecem de tudo e vão atrás da explosão de hormônios de felicidade, viciante por sinal, a cada vez que calçamos um par de tênis.

    Esses corredores são admiráveis pelo exemplo de superação em muitos sentidos. Pertencem a classes sociais, profissões, posicionamentos políticos e religiões distintas. Essa diversidade me encanta e apesar de surgirem algumas divergências, elas desaparecem quando começamos a correr!

    Existem corredores que apresentam potencial para se tornarem amigos, mas por enquanto são bons colegas, parceiros unidos por interesses em comum. O tempo dirá se estou errado em pensar assim, mas não quero nada que seja superficial nas minhas relações pessoais. Esse é o momento de acelerar as transformações urgentes e fundamentais dentro de mim.

    E tem mais! Eu não vivo apenas para correr. Faço munsculação, pilates e sigo messianicamente uma planilha de treinos que em conjunto melhorou 100% a minha qualidade de vida. Me alimento melhor, procuro dormir cedo (quando possível), tomo vitaminas e não perco a oportunidade de aprender, não só em me tornar um ser humano melhor, como também um atleta amador tardio, mas que segue correndo e curtindo o caminho que ainda tenho que trilhar.

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