quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Um diálogo sobre autopiedade (fragmentos ampliados de Paulo Coelho)

...Bernard Shaw é que está certo. Ele afirmou que as pessoas têm um prazer mórbido de passar todos os dias queixando-se das condições em que vivem. Penso como ele: os verdadeiros homens e mulheres são os que criam as condições ideais nas suas vidas e transformam seus desafios diários em um aprendizado contínuo, dignificando sua existência.
Há milhares de anos um chinês escreveu sobre isso, respeitando cinco pontos. O chinês escreveu um livro sobre a guerra, mas os cinco pontos que ele relaciona aplicam-se a qualquer tarefa realizada pelo ser humano.
O primeiro item: a lei da vontade. Só devemos fazer o que realmente enche o nosso coração de entusiasmo. Se deixarmos isso de lado, se adiarmos o momento de viver o que sonhamos, perdemos a energia necessária para qualquer transformação importante em nossas vidas. Alguém já disse: "Eu não conheço o segredo do sucesso, mas o segredo do fracasso é tentar sempre fazer a vontade dos outros."
O segundo item: a lei das estações. O ser humano precisa aprender a respeitar suas próprias estações, não tentando agir quando for o momento de esperar, não tentando esperar no momento de agir. Todo impulso de realização precisa ser coerente a um propósito maior, para que não haja um desperdício de energia com resultados ruins.
O terceiro item: a lei da Geografia. Uma batalha em um desfiladeiro é diferente de uma travada na planície. Da mesma maneira, só consegue condições favoráveis a pessoa que presta atenção ao que está acontecendo à sua volta, ao espaço que está ocupando, ao que tem que fazer para ir mais adiante, onde pode ser encurralada, como poderá escapar, se for preciso recuar um pouco. A miopia que a parte da humanidade viveu por séculos deixou claro que não conseguimos evoluir de forma integral. Os avanços tecnológicos superaram de longe o amadurecimento espiritual. Isso significa que como seres humanos muitos de nós não diferem de nossos antepassados que viveram na Antiguidade.
O quarto item: a lei dos aliados. Ninguém consegue lutar sozinho. São necessários amigos que nos dêem força na hora em que precisarmos, gente que nos aconselhe sem medo do que vamos pensar. Muitas vezes nos sentimos sós, mas isso é apenas uma forma cruel de autopunição. As pessoas que te querem bem podem não estar fisicamente ao seu lado, mas são capazes de sentir compaixão e secretamente podem incluir você em suas orações diárias.
E o quinto item: a lei da criatividade. Só existe uma maneira de entender as coisas: quando tentamos mudá-las. Nem sempre conseguimos, mas terminamos aprendendo, porque buscamos um caminho não percorrido, e o mundo está cheio desses caminhos. A problema é que todos têm muito medo das florestas virgens, dos mares nunca navegados, de cavernas escuras em sem fim, já que o desconhecido dá a sensação de que podemos nos perder. Mas ninguém se perde, porque a mão de DEUS misericordioso sempre estará sobre a cabeça dos homens e mulheres corajosos, os que ousam ser diferentes, porque acreditam em seus sonhos.
Não há o que temer na vida quando tudo que vier a acontecer for visto como uma oportunidade de explorar dentro de nós possibilidades novas. Afinal de contas, estamos aqui de passagem e o preço da diária pode aumentar ou diminuir de acordo com o empenho pessoal de se superar a todo instante.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito bonito o texto !
Te amo !
Bjs.

Sentido

Sentido
Uma das melhores maneiras de dar um sentido para a vida, é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos. Autor desconhecido

Viver: renúncia, prazer, amor e leveza

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Um professor com alma de aluno.